O ambiente a ser pesquisado é o Campus Cachoeiro de Itapemirim, integrante do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo.
A criação dos Institutos Federais (IFS) é recente, tendo ocorrido pela Lei n. 11.892, de 29 de dezembro de 2008, parte da 2ª Fase do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, iniciado em 2005 e que a partir de dezembro de 2008 transformou em Institutos Federais “[…] 31 centros federais de educação tecnológica (Cefets), 75 unidades descentralizadas de ensino (Uned's), 39 escolas agrotécnicas, sete escolas técnicas federais e oito escolas vinculadas a universidades [...]” (REORDENAMENTO, 2011). No Espírito Santo a criação do Ifes acarretou a integração do Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo com as Escolas Agrotécnicas de Alegre, Colatina e Santa Tereza. Atualmente, o Ifes é constituído por 17 campi em funcionamento, três em implantação, mais 34 polos de Educação à distância. Que ofertam cursos técnicos integrados e subsequentes ao ensino médio, também cursos de graduação e pós- graduação, além de desenvolverem ações de pesquisa e extensão que o integram seus campi às comunidades em que atuam. Desde sua criação até sua constituição enquanto Ifes - a instituição passou por inúmeras transformações tanto estruturais quanto culturais.
De acordo com (SUETH at al., 2009), a criação do Ifes remonta ao Liceu de Artes e Ofícios no séc. XIX, que abrigavam os órfãos e os ensinavam as atividades manuais. Posteriormente, o ideal Positivista de ordem e progresso impulsionou o desenvolvimento das Escolas de Aprendizes e Artífices, em 1909 foram criadas 19 escolas, sendo uma delas a de Vitória denominada Escola de Aprendizes Artífices do Espírito Santo. A partir de 1937, com o Estado Novo passou a se chamar Liceu Industrial de Vitória, se voltou para formação de profissionais capazes de atuar no setor produtivo local, com foco artesanal. Logo depois, em 1942, sob a influência do Fordismo e do Taylorismo foi transformado em Escola Técnica de Vitória, já com o objetivo de preparar o trabalhador para a produção em série das indústrias. A partir de 1965, passou a ser denominada Escola Técnica Federal do Estado do Espírito Santo (Etfes), anos depois, em 1993 teve inicio a sua descentralização com a criação da unidade da Etfes em Colatina. A partir de 1999, a Etfes foi transformada no Cefetes. Mas, de 2000 à 2004, não ocorreram modificações nas estruturas do Cefetes, pois o Governo Fernando Henrique não investiu na educação profissional. Exceto pelo Decreto n. 3.462, de 17 de maio de 2000, que dá nova redação ao art. 8o do Decreto no 2.406, de 27 de novembro de 1997, que regulamenta a Lei no
8.948, de 8 de dezembro de 1994, ou seja, autoriza os Cefetes a implantar cursos de formação de professores. De acordo com Pinto (2011, p. 2), “[...] induzidos pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica/MEC, desde o ano 2000 vários Centros Federais Tecnológicos passaram a ofertar cursos de licenciatura [...]” com o objetivo de formar professores para a educação básica.
No início do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Decreto n. 5.224, de 01 de outubro de 2004 dispõe sobre a organização dos Centros Federais de Educação Tecnológica regulamentando a sua expansão e a oferta de cursos de nível superior, assim se iniciam em uma instituição tradicionalmente profissionalizante a oferta de cursos de nível superior, bem como seu processo de interiorização que incluiu a implantação da Uned - Cachoeiro de Itapemirim no ano de 2005.
Embora, o Campus Cachoeiro de Itapemirim tenha sido efetivamente implantado em 2005, a história de sua criação remonta a década de 80. Em 1986, o Município de Cachoeiro de Itapemirim foi comtemplado pelo Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Técnico (Proep) para receber uma Escola Técnica Federal, todavia a construção da escola foi iniciada no final da década de 1990. Concluída a obra, a Escola foi incorporada ao sistema Cefetes e em 2004 foram iniciadas as atividades da Uned por meio de uma parceria entre o Cefetes, a Fundação de Apoio à Educação, à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico e Científica do Cefetes (Funcefets) e a Prefeitura Municipal onde foram ofertados os cursos de Produção e Exploração de Petróleo e Gás e de Informática. Mas só com o fim da Lei n. 9.649 foi possível que a Uned recebesse investimentos para iniciar suas atividades. No início do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Decreto n. 5.224, de 01 de outubro de 2004 iniciou a organização dos Cefetes regulamentando a sua expansão e a oferta de cursos, possibilitando a criação de novas Uneds e a implantação de novos cursos nas já existentes.
Neste contexto, no Campus Cachoeiro de Itapemirim, em 1º de agosto de 2005 se iniciaram as aulas nos cursos Técnico em Eletromecânica e Técnico em Rochas Ornamentais, este último em 2008 mudou para Técnico em Mineração. Em 2006 teve inicio o curso de Técnico em Informática e em 2008 o curso de graduação em Engenharia de Minas. Foi também neste ano, em 19 de fevereiro que a escola foi
oficialmente inaugurada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo semestre desse ano o curso de Engenharia de Minas entrou em funcionamento sendo o primeiro curso de nível superior a iniciar suas atividades no Campus Cachoeiro de Itapemirim. Posteriormente em dezembro de 2008, a Lei n. 11.892, criou os IFS, transformando o Cefetes em Ifes.
O Campus Cachoeiro de Itapemirim esta localizado na BR 482, km 6,5 conforme figura 8.
FIGURA 8 – Localização do Ifes - Campus Cachoeiro de Itapemirim
FIGURA 8 – Localização do Campus Cachoeiro
Fonte: Google Maps, 2013.
Enquanto Ifes, foi implantado em 2009 o Ensino Médio Integrado com Informática e Eletromecânica e também o curso de Licenciatura em Informática à distância; em 2010 o Curso de Licenciatura em Matemática e mais atualmente no início de 2013 o curso de Engenharia Mecânica.
Administrativamente alguns fatores favoreceram a implantação do curso de Licenciatura em Matemática. Como fator fundamental tem-se o Plano de Expansão dos IFS, por meio dos quais estes receberiam investimentos e em contrapartida deveriam cumprir algumas metas estabelecidas pelo Governo Federal. Entre estas
Ifes – Campus Cachoeiro de Itapemirim
metas estava a criação de cursos de licenciatura. Todavia, anterior ao Plano de Expansão, a oferta de cursos de licenciatura nos Cefetes, já estava regulamentada pelo Decreto n. 3.462, de 17 de maio de 2000, conforme mencionamos anteriormente. Junta-se, a este cenário outras influências, a saber: à verticalização do ensino, uma forte característica da estrutura do Ifes; e a existência de professores com graduação em matemática, ou ainda mestrado ou doutorado em educação ou em matemática que poderiam atuar no curso de Licenciatura em Matemática no Campus Cachoeiro de Itapemirim.
A partir deste contexto, iniciou-se o planejamento para implantação do curso de Licenciatura em Matemática em 2009, sendo que a primeira turma ingressou no primeiro semestre de 2010, com 40 alunos.
Em termos de estrutura o Campus Cachoeiro de Itapemirim conta com o quadro de pessoal composto por 142 pessoas, sendo 57 docentes efetivos, 7 docentes sob regime de contratação temporária, 46 técnicos administrativos, 32 funcionários de empresas terceirizadas. A estrutura física do Campus Cachoeiro de Itapemirim possui 12 blocos, sendo que 10 destes abrigam as salas de aula e laboratórios, 2 blocos que abrigam os setores administrativos, inclusive a Biblioteca. Possui ainda um galpão que abriga um laboratório de mineração, um pátio central coberto, uma cantina, uma xerografia e uma quadra de esportes.
Fonte: Arquivo de imagem do Ifes, Campus Cachoeiro de Itapemirim, 2010.
A Biblioteca desde seu inicio de funcionamento, no ano de 2005, esta localizada no andar superior de um dos blocos administrativos no qual ocupa uma área de 326,86 m2, dividida em duas salas que abrigam o processamento técnico e a Coordenação da Biblioteca, e um grande salão principal que abriga o acervo, cabines de estudo individual, cabines de estudo em grupo, uma sala com computadores para acesso a Internet e ao Portal de Periódicos Capes.
FIGURA 10 – Biblioteca Carlos Drummond de Andrade
Fonte: Arquivo do autor, 2013.
No ano de 2011, por meio de um procedimento que envolveu sugestões e eleição pela comunidade acadêmica a Biblioteca recebeu o nome de Biblioteca Carlos Drummond de Andrade. A Biblioteca funciona de 08h as 21h, com uma equipe composta por dois Bibliotecários, um auxiliar de Biblioteca, dois técnicos administrativos de nível médio e uma estagiária. São usuários da Biblioteca: alunos, servidores (professores e técnico administrativos), funcionários das empresas terceirizadas bem como visitantes da comunidade externa. Neste ano de 2013, a Biblioteca possui cerca de 1740 usuários inscritos. Sendo que todos os alunos regularmente matriculados no Ifes - Campus Cachoeiro de Itapemirim e servidores
com situação funcional regular tem direito a efetuar empréstimos, no ano de 2012 a Biblioteca realizou 6.233 empréstimos domiciliares. Os usuários possuem livre acesso as estantes e o acervo total da Biblioteca contém cerca de 10.453 materiais, sendo predominantemente composto por livros e periódicos, mas também possui mapas, teses e dissertações, CD‟s, DVD's e folhetos.
Esta é uma unidade de informação com características de biblioteca escolar e de biblioteca universitária, pois atende aos cursos de ensino médio ao superior. Tais tipologias de bibliotecas possuem características diferenciadas. As escolares devem atuar como apoio para as atividades realizadas em sala de aula; fornecer material bibliográfico para alunos e professores; auxiliar no desenvolvimento das práticas de leitura dos alunos. Por outro lado, as universitárias têm como funções atender a estudos, consultas e pesquisas dos alunos e professores e atuar como centro de documentação, disseminando de modo proativo as informações de acordo com os perfis dos usuários. (SILVA; ARAUJO, 2003).
No âmbito do Campus Cachoeiro, a Biblioteca “Carlos Drummond de Andrade”, atua como suporte as atividades acadêmicas, assim como assume um papel de disseminadora da informação e de repositório de conhecimento, isso por selecionar, e sistematizar o conhecimento necessário ao processo ensino-aprendizagem. A seleção e a sistematização são fundamentais, porque, na atualidade a busca por informação exige um esforço, criterioso por parte do professor e do aluno, ora na escolha das fontes fidedignas, ora na verificação das possibilidades de acesso aos conteúdos desejados. Esse cuidado se justifica porque a informação pode ser encontrada e/ou disseminada por diversos canais, tais como: rádio, internet, televisão, bibliotecas, arquivos, museus, bancas de revistas e outros. Também pode ser localizada em diversos suportes, como: papel, CD, DVD, no meio eletrônico e outros. Em uma sociedade em que o volume de informação é imensurável e em que os canais, suportes e formatos da informação são incontáveis é comum que o indivíduo tenha dificuldade para decidir onde e como buscar a informação de que necessita, bem como avaliar a informação disponível sob o ponto de vista de sua qualidade e fidedignidade.