• Aucun résultat trouvé

Os dados foram submetidos à AA27, a partir de seis métodos de ligação distintos: centroide, vizinho mais próximo, vizinho mais distante, ligação média, Ward e McQuitty. Os resultados usualmente são apresentados sob a forma de dendrogramas, isto é, diagramas em forma de árvore, cujo eixo vertical mede a distância euclidiana ou o nível de similaridade entre as diferentes observações (setores censitários rurais, no caso específico deste trabalho), sendo estas últimas registradas no eixo horizontal. Em outras palavras, os números dos setores censitários estão consignados no eixo horizontal, isolados ou em grupos (indicados

pelos “ramos da árvore”), a partir das similaridades28 existentes entre eles. As Figuras 7 a 12 registram os dendogramas de cada um dos métodos de ligação acima elencados.

Figura 7 - Dendrograma pelo método centroide.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 8 - Dendrograma pelo método do vizinho mais próximo.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

28 Os critérios de similaridade são os seguintes: (1) % de domicílios coletivos; (2) % de domicílios particulares permanentes vagos; (3) % de domicílios particulares improvisados ocupados; (4) % de domicílios particulares permanentes de uso ocasional; (5) % de domicílios particulares permanentes ocupados do tipo casa em vila ou condomínio; (6) % de domicílios particulares permanentes ocupados cedidos pelo empregador; (7) % de domicílios particulares permanentes ocupados em outra condição de ocupação; (8) % de estabelecimentos agropecuários; (9) % de estabelecimentos de outras finalidades.

Figura 9 - Dendrograma pelo método do vizinho mais distante.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 10 - Dendrograma pelo método da ligação média.

Figura 11 - Dendrograma pelo método de Ward.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 12 - Dendrograma pelo método de McQuitty.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

A despeito de algumas semelhanças entre os resultados obtidos, é necessário selecionar o método mais consentâneo à configuração dos dados. Para isso, utilizou-se como parâmetro o coeficiente de correlação cofenética. Segundo Fernandes et al. (2013):

o coeficiente de correlação cofenética pode ser utilizado para avaliar a consistência do padrão de agrupamento, sendo que valores próximos à unidade indicam melhor representação. O coeficiente de correlação cofenética é a correlação linear de Pearson entre os elementos da matriz de dissimilaridade e os elementos da matriz cofenética. (Fernandes et al., 2013, p. 1).

Todos os coeficientes encontrados são relativamente altos, variando de 0,854 do método Ward (o único abaixo de 0,9) até 0,954 referente ao método da ligação média, sendo este o item selecionado (correspondente à figura 10). No nível de similitude localizado entre os números 2 e 3 (eixo vertical), pode-se encontrar oito grupos distintos, como mostra a Figura 13:

Figura 13 - Formação dos grupos a partir do dendrograma da ligação média.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Os grupos encontrados (e destacados em vermelho) correspondem, portanto, às categorias existentes no município de Araras. É preciso, ainda, identificar as características predominantes em cada uma delas para, então, associá-las aos grupos teoricamente definidos no capítulo II (agrupamento de trabalhadores, chácaras de recreio, movimento populacional etc.).

O grupo mais numeroso, composto pelos setores censitários 128, 130, 138, 179 e 180, apresentam em comum elevado percentual de domicílios particulares permanentes ocupados cedidos pelo empregador: 87,2%; 49,1%; 62,5%; 54,3% e 42,4%,

respectivamente. Isso significa que este grupo pode ser rotulado como um “agrupamento de trabalhadores”, consorciando-se ao já citado setor 135, oficialmente denominado núcleo.

O grupo composto pelos setores 129, 142 e 177 é de difícil classificação. Uma observação mais atenta, não obstante, permitirá a identificação de uma distribuição similar entre as diversas variáveis, sem a predominância inconteste de nenhuma delas. Assim, o referido grupo pode ser considerado como uma “região mista”.

Os setores 136 e 176 destacam-se pelo elevado percentual de domicílios classificados como “casa em condomínio”: 32,6 e 22,7%, respectivamente. Os demais setores praticamente não dispõem de domicílios nessa condição. A categoria correspondente, portanto, é a “região de condomínios”.

Os setores 134 e 137 são os únicos que apresentam significativo percentual de estabelecimentos de outras finalidades: 50% o primeiro, e pouco mais de um terço o segundo. Analisando as informações registradas pelos recenseadores no CNEFE, não se observam quantidades significativas de estabelecimentos agropecuários ou destinados a atividades turísticas. As anotações mais frequentes são “indústrias”, “galpões” e “barracões”, instalações típicas de setores predominantemente “rurais de indústrias e serviços urbanos”.

O setor 175 se notabiliza pelo elevado percentual de domicílios particulares permanentes de uso ocasional: 87,1%, o que justifica considerá-lo como uma área destinada predominantemente às “chácaras de recreio”. O também elevado percentual de domicílios cedidos pelo empregador, em vez de lançar dúvidas quanto à classificação, se coaduna perfeitamente com ela, na medida em que os domicílios de lazer contam amiúde com caseiros, os quais residem em domicílios cedidos pelo proprietário, comumente contíguos à construção principal29.

O setor 178 é talvez o mais característicos de todos: quase 80% de seus domicílios encontram-se sob a rubrica “outra condição de ocupação”. Além disso, conta com 22,4% de domicílios improvisados, isto é, construções que originalmente não foram edificadas com o propósito de moradia. Por esses motivos, pertence à categoria “região de áreas rurais irregulares”.

29 É importante ressaltar que os setores 128, 130, 138, 179 e 180 têm baixíssimos percentuais de domicílios de uso ocasional. Portanto, não podem ser avocados como exemplos de residências de caseiros, tal como o setor 175.

Se se observasse apenas a variável “domicílios cedidos pelo empregador”, o setor 131 seria o de mais fácil classificação: agrupamento de trabalhadores indiscutivelmente. Afinal, 97% de seus domicílios ocupados (o que exclui os vagos e de uso ocasional) encontram-se nesta situação. Contudo, o emprego da análise de agrupamento (Figura 13) caracterizou-o como um setor isolado, isto é, com pouca similaridade em relação aos demais. Há, por conseguinte, características outras que o singularizam. De fato, além dos domicílios cedidos pelo empregador, o 131 dispõe de elevado percentual de casas em condomínio e estabelecimentos de outras finalidades. Contudo, o maior destaque deve ser dado ao percentual de domicílios vagos: 40%. Isso significa que, dentre todos os domicílios existentes no setor (ocupados ou não), quase a metade estava vaga quando da visita do recenseador. Por esse motivo, o 131 será classificado como “área de movimentação populacional”. Esse elevado percentual de domicílios vagos poderia indicar um movimento de progressivo abandono ou, ao contrário, de eventual revitalização do setor. No primeiro caso, os domicílios vagos constituiriam o resultado da migração de seus ex-moradores, provavelmente sequiosos por melhores condições de vida; no segundo, os domicílios vagos poderiam significar residências recém-construídas a espera de seus novos proprietários.

Por fim, há o setor 132, para o qual a combinação de variáveis é pouco elucidativa. Não há nenhuma característica marcante. Assim, ele integrará a categoria “outros”.

Às oito categorias identificadas a partir da Análise de Agrupamento soma-se uma outra, definida por critérios objetivos (existência de certos traços constitutivos): trata-se da região de bairro rural.

Deste modo, pode-se afirmar que a área rural de Araras é composta por 9 categorias, as quais estão registradas nas Figuras de 14 a 22:

Figura 14 - Região de aglomerados de trabalhadores – Araras, 2010.

Fonte: Processamentos próprios, 2015.

Figura 15 - Região de áreas rurais irregulares – Araras, 2010.

Figura 16 - Região de bairro rural – Araras, 2010.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 17 - Região de chácaras de recreio – Araras, 2010.

Figura 18 - Região de condomínios – Araras, 2010.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 19 - Região rural de indústrias e serviços urbanos.

Figura 20 - Região mista – Araras, 2010.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Figura 21 - Região de movimento populacional – Araras, 2010.

Figura 22 - Outro – Araras, 2010.

Fonte: Processamento próprio, 2015.

Como se pode observar, as categorias em relevo não são constituídas necessariamente por setores censitários contíguos. Na metodologia aplicada, não importa a distância geográfica entre os setores, mas as semelhanças verificadas a partir de critérios selecionados, os critérios de similaridade. A distribuição espacial das categorias, portanto, não tem outra lógica, senão aquela delimitada pela Análise de Agrupamento.

A observação atenta das categorias apresentadas pode gerar certo estranhamento: não há um grupo que se caracteriza pela predominância da produção agrícola ou agropecuária. Como visto no capítulo anterior, Araras contava em 2006 com 342 estabelecimentos agropecuários, número suficiente para compor uma categoria. Ocorre, contudo, que o Censo Demográfico 2010 registrou apenas e tão somente 20 estabelecimentos, valor demasiado inferior ao de 2006. A exorbitância do desvão compreendido entre os períodos mostra uma acentuada subnotificação de estabelecimentos agropecuários em 2010.

E não se trata de uma comparação indevida, devida ao caráter diverso de ambos os procedimentos censitários: econômico, de um lado, demográfico, de outro. Afinal, foram os recenseadores orientados a registrar todos os estabelecimentos agropecuários que encontrassem em seus respectivos setores, marcando, ademais, o tipo de atividade predominante (cultura de laranja, cana-de-açúcar, dentre inúmeras outras). Diante deste

contexto há uma lacuna no retrato da realidade agrícola ararense. Infelizmente, trata-se de um problema incontornável metodologicamente, visto ser intrínseco à base de dados utilizada.