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3 - Température non-nulle et distribution de taille

Chapitre III. Magnétisme d’une assemblée de nanoparticules

IV. 3 - Température non-nulle et distribution de taille

A obra RhR trata de um terreno que não se sabe ao certo, e que tem em seu fim a desaparição, porque nada que é precisa perceverar ou vencer. Na entrevista que Laura Lima consedeu para a revista Arte e Ensaio de 2010, o entrevistador fez uma pergunta a artista, a respeito da liberdade que o conhecimento pode trazer, ou seja, da conciência de que já se sabe o que vai encontrar em outros lugares, mas mesmo assim você vai e experimenta, visita, desloca, aprende e desaprende, pois este descolamento é somente para retificar o que de fato você já sabia, e na ocasião Laura Lima responde ao entrevistador da seguinte forma:

Pois eu lhe digo de uma obra que tem um pouco a ver com esse universo que você está discutindo e que tem uma coisa de representação em relaçao a historia da arte que vai ser os Nômades. Toda a pessoa pode ter todas as paisagens acumuladas, até dos lugares que ela não foi, mas viu em livros, por exemplo, exposições imaginárias em lugares que talvez nem existam mais, como aquelas fotos de exposições imaginárias em museus antigos que estavam na mostra que eu fiz na Laura Alvin87.

Nômades são corpos, ornamentos ou coisas sensoriais

,

de peles desejantes e padecentes de um livro de pinturas de paisagens acadêmicas na casa da família da artista. Laura Lima pede para uma amiga pintora fazer uma reprodução de tais paisagens em uma tela. Da imagem recortada pela artista surge um costume, se pendurado na parede uma pintura, se ligado ao corpo do expectador, uma máscara.

Mas os Nômades são essas pinturas que não sou eu quem pinta, chamo a Adri Ricard, que é uma artista copista autodidata – eu a escolhi pela pontencia técnica -, e crio máscaras, é uma exposição de pintura tal e qual, tendo que ser difererente dos

87 LIMA, Laura, “Eu nunca ensaio”. In: CAVACANTI, Ana: TAVORA, Maria Luisa (Eds). Arte e Ensaios.

N21. Rio de Janeiro, Programa de Pós Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, UFRJ, dez 2010,p.

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Costumes, a pessoa não tem que chegar lá e mexer, fica na parede como pintura, mas

são máscaras ao mesmo tempo.88

Laura Lima: Nômades, 2008. Acrílica sobre tela. 19 x 29 cm.

Para compor as imagens de paisagens presente nas máscaras pintura, a autora da obra pesquisa em livros de pinturas de paisagens e pede que Adriana Ricard, uma artista de rua (pintora de pequenas telas figurativas, vendidas por ela mesma na praia de Copacabana), reproduza tais imagens para que depois Laura Lima intervenha com seus recortes de formatos singulares89. Nômades são pedaços informes e desregulares que unidos compõem o todo da obra, além disso, se separados, são objetos direcionados a ornamentações. Esse ultimo é também interpretado como ferramenta para ampliação e transformação do corpo humano, por sugerir a idéia de fantasias como escultura imóveis que ornamentam o corpo.

88 Ibid.

89 Informações obtidas num texto referente às obras de Laura Lima, intitulado Delírio da Pele de Luis Camillo

Osório, para o catálogo do premio Marcantonio Vilaça, in: PRÊMIO CNI SESI MARCANTONIO VILAÇA PARA AS ARTES PLÁSTICAS. Catálogo oficial Brasília,2006/2008, p.19.

74 Doze máscaras compõem Nômades, divididas entre um recorte bem trabalhado, que por algumas vezes remete a idéia de um desenho, avisando o formato de um rosto e outra alude a uma figura aquática em seu ambíguo delinear, que por vezes traduzem o informe. Foram reproduzidas em todas as máscaras pinturas de paisagens brasileiras, realizadas originalmente entre os séculos XV e XIX. Todas as máscaras pinturas foram confeccionadas em formatos e estilos diferentes, uma cobre o rosto inteiro, ou a cabeça inteira, e a outra prestar-se apenas a tarefa de cobrir os olhos.

Laura Lima: Nômades, 2007, acrílica e óleo sobre tela, dobras e madeira.

Nômades foi apresentada na Exposição Itinerante do Prêmio Marcantônio Vilaça entre 2007 e 2008. Outra vez numa exposição individual para a galeria Luiza Strina, também no

75 ano de 2008 em São Paulo, e por ultimo, na exposição Corpos Estranhos, apresentada duas vezes no ano de 2009, uma no Memorial da América Latina e a outra no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Nessa mostra, integrada por três mulheres, incluindo Laura Lima, as artistas propuseram um entrecruzamento de obras que tinham o objetivo de mostrar o corpo na contemporaneidade, este, distribuído, entre fluxos opostos no sentido de análises interpretativas, confrontando também aos avessos aspectos ligados a expressão de sofrimento e status, que a propósito, são temáticas bastante recorrentes na arte contemporânea.

Laura Lima propõe em Nômades uma conversa com a história da arte, priorizando nesse caso a pintura, tratada na obra especificamente como uma coisa que já é definida ou nomeada. Quando a artista pede para Adriana Ricard copiar as pinturas que estão impressas em livros de arte, Laura Lima retira todas as figuras humanas que a imagem possui na sua forma original, e quando tais figuras são muito grande a autora da obra reinventa a paisagem que está por detrás, e dessa maneira constrói paisagens que são expostas como pinturas e máscaras ao mesmo tempo. No entanto, diferente dos Costumes (obra que será apresentada no próximo subcapítulo) em que a proposta é a obra como vestimenta, Nômades nao é construída especificamente para que a pessoa use a máscara, nesse caso é uma discussão sobre a paisagem e de como ela é nomeada, porque se não fosse nomeada, não fosse pintada, não fosse escolhida, ela seria apenas uma zona continua, então eu disponho a obra como pintura (...) Como uma forma de comportamento90.

90 Trecho da entrevista feita por Sabrina Maurilia dos Santos com Laura Lima, gentilmente cedida no dia 16 de

76 Laura Lima: Nômades, 2008. Acrílica sobre tela,

70 x 40 cm.

A desenvoltura poética que Nômades suscita é a idéia de paisagem como deslocamento, porém, um deslocamento referente a um corpo que olha a paisagem e está na paisagem, ao mesmo tempo em que a nomeia. Porque o corpo que olha a paisagem também é ao mesmo tempo paisagem e, por isso, ela vem como máscara para que o visitante veste, no sentido de paisagem como extensão do corpo.

Então, aquele que olha a pintura, ele está fora da paisagem e ele não vê nenhum humano e ele entende a pintura escolhida naquele momento, mas a pintura também se refere a uma máscara, então ele poderia estar do outro lado. Nesse sentido por todos os lados do entendimento da paisagem está o homem nomeando a paisagem, tanto aquele que vê como aquele que veste.(...) Porque aí tem duas coisas: primeiro, não só aquele nível de pintura de escolher a pintura, etc., Mas também quando a pessoa está lá do outro lado, essa paisagem se sobrepõe ao rosto de um ser humano e você imagina que aquele ser humano ou, não aquele especificamente, mas a própria representação de ser humano também se dá pelo deslocamento, no sentido dele, deslocamento de formação, deslocamento de como ele vai acumulando de uma

77 forma nômade as paisagens, que os definam ao longo do tempo, e eu não estou falando só no sentido da expressão da emoção, mas aquilo que ele pensa, a forma como ele se expressa no mundo, como ele se coloca no mundo, quer dizer, isso são níveis de representação porque ali está sendo discutido uma das coisas mais fortes na história da arte, que é a questão de pintura como representação91.

Laura Lima: Nômades, 2007, acrílica e óleo sobre tela, dobras e madeira.

Com base no exposto, cabe as seguintes questões: como escrever acerca de Nômades sem arriscar um passeio pelos caminhos relacionados a alteridade? Como abordar a possibilidade de tornar-se outro, quando nos deslocamos através dos lugares que percorremos, nesse caso, o publico que se move no espaço da obra, a obra que se move no espaço da galeria e toca um expectador também movente? Em um corpo movente no espaço o quê encontramos são visões e percepções que também se movem, se ampliam e se estreitam de acordo com os territórios que percorremos, para assim nos certificarmos do que já sabiamos.

Passando os olhos no dicionário da lingua portuguesa92, em busca de um siginificado para a palavra nômades, veio a constatação de que trata-se de povos ou tribos que estão sempre a deslocar-se na procura pela garantia de sua subsistência, ora, se aludíssemos a movência ao que o significado da palavra sugere, notaríamos que os nômades são corpos que

91 Trecho da entrevista feita por Sabrina Maurilia dos Santos com Laura Lima, gentilmente cedida no dia 16 de

fev de 2012 as 16hs45min p.04.

78 se deslocam, pessoas que viajam e estão o tempo inteiro mudando de um lugar para o outro, que não se prendem a terra. Mas se buscassemos uma resposta mais profunda para essa movência, num abecedário diferenciado, na intenção de procurar um sentido ou significado essencial para o nomadismo, é possível entende-lo como um corpo que se move num espaço particular, de via única. Nas palavras de Deleuze os nômades não se movem, pois seu apego a terra faz com que nomadizem na terra que se apegaram.

Mas os nômades viajam pouco. Ao pé da letra, os nômades ficam imóveis. Todos os especialistas concordam: eles não querem sair, eles se apegam a terra. Mas a terra deles vira deserto e eles se apegam a ele, só podem "nomadizar" em suas terras. É de tanto querer ficar em suas terras que eles "nomadizam". Portanto, podemos dizer que nada é mais imóvel e viaja menos do que um nômade. Eles são nômades porque não querem partir. É por isso que são tão perseguidos93.

Nomadizar é permanecer para o filósofo. Deleuze entende como um apego ou desejo de manter um elo ou uma identificação com o deserto, algo como permanecer junto ao corpo materno de modo indissociado, é a alteridade que não se alcança é o ser como sempre foi e que se afirma, pois não há alteridade.

Estudiosos crêem que as Linhas de Nazca foram criadas por um povo que nasceu e se desenvolveu no sul do Peru antes dos Incas, a civilização se chamava Nazca e as linhas que desenharam na terra traçavam desenhos de imagens da natureza, como macacos, aves, répteis e humanos. Tais geoglifosantigos dodeserto são desenhos feitos no chão, removendo as pedras mais escuras até que o chão esbranquiçado apareça por baixo, podendo ser visto por quem passa pelo local num transporte aéreo, desse modo, como uma espécie de ornamento construído para que o outro possa olhar, ou seja, desenhos que ornamentam o deserto, de quem nomadizou em suas terras, pois os Nômades para o filósofo só nomadizam nas terras que os pertence.

93 O Abecedário de Gilles Deleuze é uma realização de Pierre-André Boutang, produzido pelas Éditions

Montparnasse, Paris. No Brasil, foi divulgado pela TV Escola, Ministério da Educação. Tradução e Legendas: Raccord [com modificações].

79 Foto aérea das linhas de Naszca

Por amar a terra, os nômades querem possuí-la, vesti-la como máscaras que finalmente a deixem em contato com o corpo, pois, ao vestir as paisagens que amam é como se finalmente as possuísse por inteiro, entrelaçando-a e tornando um só corpo. Em Nômades, além de o expectador ser convidado a vestir paisagens, ele também é a própria paisagem quando esta entra em contato com a pele de quem veste as máscaras. Segundo a artista, a paisagem está inteiramente ligada à forma que estamos presente no mundo, ou como o olhamos:

Estamos sempre presentes na paisagem, se olharmos contemplativamente o olhar pertence a ela. Neste aspecto, Nômades sugere estar diante e estar por detrás, sermos nela e sermos elas... nômades sempre se deslocam em paisagens e são paisagens, nômades tempestade, nômades calmaria, nômades desertos, nômades sombras e florestas. Paisagens com temperamento94.

Para Emmanuelle Coccia a faculdade mimetica é a potência que permite identificar- nos com uma imagem e reconhecer nossa natureza mesmo quando ela está fora de nós95 . Porque a imagem para o autor é aquilo que existe sempre fora do próprio lugar, uma imagem está sempre fora e é estrangeira ao corpo e a própria alma. Ao ornamentar-se de paisagens em Nômades, o visitante veste imagens, porque toda a imagem promove imitação e se multiplica em sujeitos estranhos, influenciando outros sujeitos, porque onde há imagem também há

94 PRÊMIO CNI SESI MARCANTONIO VILAÇA PARA AS ARTES PLÁSTICAS. Catálogo oficial Brasilia,

2006/2008, p.20.

80 influência, a paisagem nesse caso é acolhida pelo sujeito, as paisagens dos lugares que visitou, as paisagens coisas, a proliferação das paisagens imagens mentais de toda a sua vivência interna e externa, porém, paradoxalmente aqui como fora, como imagem que se mimetiza e se torna um estranho que irá habitar a pele de quem veste a máscara paisagem.

A imitação, o mimetismo é, antes de tudo, um efeito secundario do poder das formas de serem veiculadas. O mimetismo é consequencia do fato de que toda forma, mesmo quando ela parece ter uma relação essencial com o sujeito que a hospeda, é capaz de multiplicar-se e reproduzir-se fora do próprio sujeito96.

Tal passagem relata a respeito do poder que as formas tem de se ploriferarem, é como se ocorrece uma profunda transformação no sujeito quando ele acolhe ou assume uma imagem. Roger Caillois foi buscar a fundo num estudo biológico sobre o fenômeno do mimetismo em seu texto do ano de 1938, intitulado Mimetismo e Psicastenia Legendaria.No presente ensaio, Caillois nos mostra uma criteriosa descrição de suas observações de campo e de constatações de que existe no mimetismo algo além do que simples fato de ser um mecanismo de defesa, e esse algo mais seria como uma espécie de entrega, porque ao lado do instinto de conservação coexiste um instisnto de abandono segundo o autor:

Aliás, a solução proposta não recobre nada que deva insitar as suspeitas do rigor: ela insinua apenas que ao lado do instinto de conservação, que de alguma maneira polariza o ser em direçao a vida, revela-se muito geralmente uma espécie de instinto de abandono, polarizando-o em direção a um modo de existência reduzida, que, levado as ultimas consequências nao conheceria mais nem conciência nem sensibilidade: a inercia do elan vital, por assim dizer, caso particular da lei geral que determina que toda ação engendra em seu desenvolvimento e proporcionalmente a este desenvolvimento, uma relação que a contraria..97

Para Walter Benjamin, se pensarmos desde Antelo, o conceito de semelhança penetra pela linguagem, embora a mimese não fosse apenas um aspecto cultural, mas também natural98. Portanto Caillois afirma o dispêndio, que faz parte do mimetismo nos animais, como sendo uma espécie de facinação do olhar do animal que não obedece portanto uma finalidade específica de conservação ou preservação da especie, é nesse caso, adorno e decoração: O mimetismo seria portanto definido corretamente como uma encantação fixada

96 Ibid., p.58.

97CAILLOIS, 1986, p.68 98 ANTELO, 2009, p.44.

81 no seu ponto culminante, tendo pego o feiticeiro na sua própria armadinha99. Apesar de Caillois realizar um estudo biológico de pequenos insetos e animais, a segunda parte do texto trata de uma reflexão psicanalítica, uma vez que a intenção do autor é a realização de um estudo sobre a loucura, mais precisamente a esquizofrenia, que é a fronteira perigosa que separa o corpo dos sentidos produzidos pelo espaço que o circunda. O ser humano precisa tornar-se outro, como um desejo de agregar o seu corpo nas imagens ploriferadas alheias a sua completude, é o seu desejo de fusão com o todo, tema onde precisamente a psicanálise vê a expressão de uma espécie de saudade da inconciência pré natal100.

A partir de tais leituras podemos dizer que ornamentar-se de paisagem significa mimetizar-se de paisagem nas obras de Laura Lima. Seguindo ainda a linha de pensamento de Caillois, a mimetização na natureza não é instinto de sobrevivência, mas abandono, gasto, é quando a espécie se entrega, consistindo um luxo sem finalidade, levando o animal a morte. Com base em tal preceito, constata-se que nomadizar para Gilles Deleuze e Roger Caillois vem em sentidos diferentes, porque enquanto que para Deleuze o que existe é um apego ou desejo de manter indentificação com o deserto, tal como os Nômades do deserto de Naska, que desenhavam na terra para que o outro pudesse ver, no caso de Caillois, o mimetismo é essa obsessão pelo espaço. Interessado no surrealismo, Caillois rompe com a ideia de um sujeito fixo, centrado em sí para delinear a idéia de um sujeito que se prolonga além de sí, é um fora de sí, em que o homem se separa do espaço e passa a não ter mais casa101 porque está condenado a um olhar do outro, é o excesso de sí, é dispendio e luxo. Contudo, ao contrário dos povos do deserto, trata-se da impossibilidade de permanecer, porque o sujeito se coloca para fora de um modo inescapável e nesse caso é impossivel não deslocar-se, perder-se, mover-se em direção ao fora e ao outro. É uma impossibilidade de manter intacta a identidade que se afirma.

Rosalind Krauss no livro Caminhos da Escultura Moderna estabelece um olhar crítico para sociedade do espetáculo. Ao analisar a obra de David Smith, principalmente Tanktotem I, a crítica de arte fala que a influência do surrealismo sobre o artista nos anos 30 e 40, fez com que sua escultura se valesse de uma estratégia de confrontação e para temas envolvendo

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CAILLOIS, 1986, p.68.

100 Ibid.

101 A Casa tratada nesse caso não é no sentido arquitetônico, mas a Casa como sentido do Eu inconsciente

82 objetos mágicos como fetiches e totens102. Rosalind Krauss assegura no texto, a visão de que o artista trazia no Totem muito mais uma expressão do desejo e sentimentos que o artista via na sociedade em geral, do que um mero objeto arcaico. Tal objeto como metáfora de uma imagem sacrifical de rituais primitivos de violação física. A autora do texto irá elucidar que a metáfora funciona na obra de Smith em dois sentidos: tanto para tomar consciência dos desejos inconscientes de posse física como para construir uma proibição formal contra as possibilidades de tal ato103. E dessa maneira o legado artístico de David Smith desenvolve tal pensamento, mas não somente dele, como também o tema foi um marco na escultura surrealista. Desse modo, sem sombra de dúvidas o tema tratado na obra de Smith é o corpo, no que dele se faz imagem e o surrealismo vem como esse inconsciente que desarticula a razão, num espaço provisório, habitado pela falta de garantia. Todavia, se nos dois casos, tanto em Deleuze como em Caillois há o dispendio como perda de algo, para Roger Caillois é assim que a vida animal se transveste e se transforma em outra coisa afirmando-se como avaria e alteração sem função, revestindo a natureza de variedades e variações que não passam de luxo e dispendio, ou seja, ornamento.