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Technologies de communication de l’Internet des objets

CHAPITRE 1 INTERNET DES OBJETS

1.10 Technologies de communication de l’Internet des objets

A história intercultural de Rencontre

A Rádio Rencontre faz parte do Centro de Educação e Formação Intercultural Rencontre (CEFIR). A rádio é a principal atividade de comunicação da associação, cujo objetivo consiste em promover projetos sócio-culturais, se ocupando, mais particularmente, das populações

73 Sylvain Cateau, francês, tem 29 anos é membro do Centro Social Lino Ventura há três anos. Sua formação técnica é em animação de rádio.

imigradas dos bairros com mais situações de risco da cidade de Dunkerque, onde está a sede da emissora e do centro social. O CEFIR desenvolve atividades culturais, sociais e econômicas. O Centro tem uma sede social com seis setores: Formação, Empresa, Comunicação, Moradia, Internacional e a Casa Euro-Mediterrânea. No âmbito das suas atividades de comunicação, o CEFIR conduz três iniciativas: a Rádio Rencontre, a revista trimestral Rencontre50 e o Centro de diálogo das Culturas e Religiões51. A emissora cobre uma região de 20 quilômetros, podendo ser potencialmente ouvida por 50 000 dos 250 000 habitantes de Dunkerque e aglomeração.

A Associação Centre InterCultural Rencontre, hoje em dia conhecida como CEFIR, foi criado em 1975, após o “encontro” de uma religiosa da congregação da Assunção, Irmã Louise La Fay, com um muçulmano, Mustafá Bouras. Eles queriam criar um lugar de “encontro”, de intercâmbios e de formação para populações de imigrados recentemente chegados a Dunkerque74, os quais estavam passando por grandes dificuldades na época em relação à moradia e ao trabalho.

A emissora foi fundada pela associação em 16 de maio de 1982, com aviso favorável da Comissão Consular das Rádios Locais Privadas – CCRPL – emitido em junho de 1982 e a autorização de emitir, dada pelo CSA, em 1983. De fato, a educação e a formação são as duas mais antigas e mais importantes atividades do centro. Os membros do setor de Formação, por exemplo, cuidam da organização dos cursos de alfabetização em francês, espanhol, italiano e árabe, para toda a população. “Trata-se de uma associação criada e dirigida às pessoas descendentes de imigrantes, as quais careciam de empregos”, explica Coulibaly Daouda52, assalariado, Diretor da programação da emissora.

No que diz respeito a associação, temos um setor que cuida das relações com os associados e a população. Existem iniciativas junto aos ouvintes. Uma vez por semana, temos um programa sobre as atividades da associação Rencontre e

50 A revista tem por objetivo chamar atenção para as ações desenvolvidas pela Associação no campo da integração européia, do diálogo intercultural, e, sobretudo, das relações euro-mediterrâneas.

51 O Centro de Diálogo das Culturas e Religiões foi criado por iniciativa das comunidades judaicas, cristãs e muçulmanas da região de Dunkerque. É dirigido por um grupo de voluntários da Associação.

74 Consideramos relevante destacar que a cidade de Dunkerque, localizada no extremo norte da França, fronteira com a Bélgica, foi uma das primeiras e das últimas cidades francesas a serem invadidas e deixadas pelo exército alemão na Segunda Guerra Mundial. A cidade sofreu muitos ataques e teve boa parte das suas construções devastadas. A memória da guerra ainda é muito presente nas falas dos moradores da cidade, durante as entrevistas com diretor e locutores da rádio estes se referiam a todo o momento à herança dos horrores da época no imaginário popular. 52 O Coulibaly Daouda nasceu na Costa do Marfim, mas vive na França há 30 anos.

oferecemos ajuda para quem precisa. Por exemplo, oferecemos ajudas para alojar pessoas (setor Moradia). O que a associação pode oferecer alojamentos sociais. Que tipo de ajuda podemos oferecer? Mostramos também as ações das outras associações tornando-as visíveis. Uma parceria com as outras associações! Um intercâmbio com as outras emissoras!

O projeto inicial da rádio se baseou na promoção calcada em trocas interculturais, ou seja, a interação entre as diferentes culturas que coexistem em Dunkerque. Entretanto, pode-se dizer que a Rádio Rencontre é um meio de comunicação cujo formato é generalista, com uma forte especificidade musical. Mesmo assim, essa emissora faz questão de manter projetos sócio- culturais, mantendo uma linha editorial cujo caráter permanece é inter-comunitário. Isto quer dizer que a Rádio Rencontre, leva ao ar programas que representam outras culturas, que formam a identidade de Dunkerque, cidade que recebeu importantes fluxos migratórios desde o início do século XX. A rádio pode facilmente ser identificada como mídia “comunitária intercultural”. A emissora apóia as culturas vindas das populações de imigrados, como: os espanhóis, os italianos, os árabes, os camaroneses.

Numa análise mais refinada, constata-se que a emissora pode favorecer, senão a comunicação, pelo menos contatos entre as culturas ou faixa-etária no âmbito da rádio Rencontre, onde, muitas vezes, se sucedem programas em diferentes idiomas (às vezes bilíngües). Vários ouvintes deixam o rádio ligado mesmo quando o programa proposto está sendo emitido numa língua que não é a deles; árabes escutam espanhol, franceses, o programa em árabe ou em português, kabyles os programas em árabe. (TIEVANT, 1986, p.166).

No início dos anos 1980, a emissora era vista como uma rádio de imigrantes. Havia preconceito da parte da população nativa das regiões. Nessa época a rádio Rencontre foi acusada de favorecer as culturas estrangeiras53. Foi a razão pela qual o Conselho Administrativo da

emissora decidiu que o radialista seria autorizado a falar a língua materna mediante tradução simultânea. Apesar das críticas dos ouvintes franceses quanto ao “excesso” de programas destinados às populações de imigrados, a emissora manteve os programas bilíngües. A rádio emite programas em línguas estrangeiras, a saber: em árabe literário, espanhol e italiano.

53 Este dado foi encontrado no relatório de atividades de Rádio Rencontre de 2003, arquivado no CTR de Lille em março de 2004. Ele foi confirmado pelo Diretor dos Programas da emissora, Coulibaly Daouda, durante uma entrevista em 24 de março de 2005.

Conforme Sophie Tievant54 (1986) a notoriedade da Rádio Rencontre é importante no meio onde a emissora está atuando, pois é conhecida pela quase totalidade das pessoas de origem imigrante. Na pesquisa sobre o papel desenvolvido pela emissora junto à população de Dunkerque, que a própria pesquisadora coordenou, observou-se que somente duas entre 46 pessoas nunca ouviram falar da Rencontre e mais da metade a citam espontaneamente.

Finalmente, observar-se-á que, para a população de origem imigrante, escutar a emissora está freqüentemente ligado a uma participação de atividades associativas ... Esta observação sugere que escutar a emissora constitui, neste caso preciso, um dos elementos de um conjunto de práticas sócio-culturais, as quais estão sem dúvida vinculadas a uma vontade de participar e ter um reconhecimento social. (TIEVANT, 1986: 97).

Enquanto ferramenta de comunicação a serviço da população de Dunkerque, assim como dos aderentes da associação, a rádio Rencontre dá ênfase à promoção cultural profissional e social das comunidades e das pessoas para as quais a associação está comprometida a trazer respostas específicas e adaptadas às suas necessidades. Neste intuito, o estatuto do centro social Rencontre procura favorecer oportunidades de diálogo e de aproximação entre as diferentes culturas e religiões, respeitando as identidades e as convicções de minorias.

De acordo com o diretor de programas, Coulibaly Daouda, na história da rádio aconteceram pelo menos três eventos importantes e marcantes: 1) os anos 1983 e 1984, momentos de influência de radialistas italianos e espanhóis; 2) o reencontro de uma família a partir de um programa de rádio (aconteceu no momento em que um ouvinte revelou o seu nome e a sua origem); e, 3) programas feitos a partir dos bairros, com pessoas do local e jovens. No projeto radiofônico da Rencontre observou-se que as iniciativas de promoção de intercâmbios culturais e sociais têm um lugar de destaque.

O projeto radiofônico intercultural da Rencontre

Enquanto rádio associativa, a Rencontre tem como principal objetivo, no que tange a sua atividade, promover a democracia, as relações interculturais e a luta contra a discriminação. Baseando-se nessas três linhas de atuação, enquanto mídia de aproximação não-comercial, a emissora, desde 2003, desenvolve três projetos radiofônicos: 1) um projeto de formação para

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TIEVANT, Sophie. Les radios locales de proximité : acteurs, produits, publics et vie locale, Paris : Documentation Française, 1986, p. 95.

adultos de bairros passando por dificuldades; 2) um projeto radiofônico para crianças; e, 3) um projeto, ao vivo, para mulheres descendentes da imigração.

O CEFIR, com a colaboração da rádio, protagonizou a primeira iniciativa prevista no projeto. A segunda é representada por um projeto cujo objetivo é ensinar as crianças a manusear a ferramenta radiofônica. Os programas realizam-se nas escolas com o corpo docente e os estudantes, que são os protagonistas do programa, os quais têm direito à palavra quando o programa vai ao ar. O último, é um programa dirigido às mulheres imigradas que promovem um espaço de encontro entre elas ao redor do microfone no estúdio da emissora, semanalmente.

A organização da emissora não é separada da associação, porém, cada atividade do Centro depende de setores diferentes. Todavia, a emissora tem uma autonomia de funcionamento. “Como responsável pela emissora, eu sei que a linha diretriz da associação é combater a discriminação e promover os intercâmbios interculturais. De fato, isto há de transparecer na programação. Cada setor tem o seu próprio orçamento”, observa Daouda.

A estrutura administrativa da emissora é composta da seguinte maneira: uma diretora, um responsável pela programação, assalariado, que cuida de fato do andar da estação, uma secretaria assalariada que trabalha meio período. Existe também uma representação da associação chamada Comitê Rádio, assim como um Comitê de Condução, dos quais fazem parte os radialistas e ouvintes.

A profissionalização para a emissora remete diretamente a qualidade do serviço prestado à população. Conseqüentemente, na Rencontre, são oferecidas formações para pessoas que trabalham na emissora há algum tempo. Além desses cursos internos, os radialistas participam de formações organizadas pela Federação das Rádios Associativas do Norte da França – FRANF, da qual a Rádio Rencontre faz parte. A emissora adere também às entidades representativas do movimento nacional das rádios locais privadas e não-comerciais: a Confederação Nacional das Rádios Associativas – CNRA e Sindicato Nacional das Rádios Livres – SNRL.

A emissora mantém relações formais com instituições culturais e sociais dentro e fora do seu ambiente, assim como relações informais com igrejas e templos e com a prefeitura local. A Rencontre tem ligações com as associações locais baseadas em contratos e acordos de cooperação, no âmbito de projetos de programas e de iniciativas culturais e sociais.

A Rádio Rencontre não veicula propagandas. As principais fontes de recursos para o funcionamento da emissora provém do Fundo de Apoio à Expressão Radiofônica, das cotizações

pagas pelos sócios da associação e do Fundo de Ação e Amparo para a Integração e a Luta contra as Discriminação – FASILD.

A rádio Rencontre conta com 30 voluntários e três assalariados, cuja função é desenvolver o seu papel de ferramenta de comunicação. Trata-se de um grupo composto por aposentados, trabalhadores, estudantes, estrangeiros, desempregados e pessoas sem renda. Para se tornar locutor na rádio Rencontre é preciso que o candidato faça uma proposta de programa junto à diretoria da emissora. O diretor Dauoda conta a história de uma pessoa, um francês SDF (sem domicílio fixo), que chegou à emissora fazendo uma proposta de programa. Depois disso, ele se tornou “alguém”. Hoje, apresenta o programa Salut, les filles. O diretor da emissora observou que outro radialista, que nunca tinha deixado nem Dunkerque, nem a França, descobrira o mundo a partir da rádio, da música. “A emissora sempre criou laços com a população”, diz o diretor de programação.

O engajamento de locutores à emissora está particularmente associado a três motivações principais: realização de estágio para operar as ferramentas de comunicação de uma rádio; uma forma de ativismo social e cultural e remuneração associada à empatia com o projeto radiofônico da emissora. Uma das locutoras da rádio, Caroline Bertrand, estudante de turismo, de 23 anos, voluntária da emissora há cinco meses, conta que sua a participação na Rencontre está vinculada à oportunidade de trabalhar na área de comunicação para mais tarde se profissionalizar e estar em um espaço cuja proposta é promover o diálogo entre diferentes culturas, “não vou estagiar por muito tempo aqui na rádio, mas esta experiência vai acompanhar a minha formação humana e profissional”. Essa animadora é responsável pela pesquisa e veiculação de informes locais sobre a agenda cultural da região durante a programação.

Nos termos do animador Michel Divietro, de 69 anos, voluntário da emissora há 23 anos, imigrante italiano: “Uma rádio associativa é uma mídia que dá a todos a felicidade de participar e de encontrar pessoas de várias nacionalidades, de várias culturas e de várias religiões.”. Esse locutor apresenta um programa essencialmente musical, de segunda à sexta-feira, das 10h às 12h, Canta Itália, que prestigia a música italiana,“sobretudo a música napolitana e tarantella”. A locução é feita em dois idiomas, francês e italiano. Segundo o comunicador, sua emissão não é alvo de participação significativa dos ouvintes, mas um espaço de difusão e reconhecimento da cultura italiana representada pela população imigrada de diferentes regiões italianas na sociedade

de Dunquerke. Há também momentos previstos para entrevistas, cujos convidados mais recorrentes são artistas e membros de associações da região.

A grade de programação multicultural da emissora

A rádio Rencontre funciona das 8h às 22h, de segunda à sexta-feira, e, das 9h às 00h durante os fins de semana. Ela passa 80% de programação própria e 20% de programas vindos de fora (da EPRA, RFI e das associações). A emissora produz 35 programas, dos quais três são realizados por associações, os outros são preparados pelos radialistas, dentre esses, 23 são programas essencialmente musicais – dos quais três representam culturas estrangeiras – com algumas intervenções dos próprios radialistas; dois tratam de anúncios locais (o espaço reservado ao direito de falar dessas pessoas e, sobretudo, das associações locais); um trata dos anúncios produzidos pela rede associativa da França; dois programas são interculturais (com notícias, anúncios locais, reportagens, temas sobre os direitos do homem e música); um programa religioso católico, dois programas educativos e dois de entretenimento (horóscopo, música, cine life, fofocas). Na categoria dos programas musicais, a emissora propõe músicas do mundo, de diferentes regiões da França, assim como de novos talentos.

As emissões que predominam na grade de programação da emissora são: programas culturais, laicos, generalistas (variedades), programas destinados às populações imigradas e programas educativos. Aos sábados, das 9h às 10h, a emissora transmite um programa chamado Des chrétiens vous parlent, destinado à comunidade católica. Conforme o diretor Daouda, esse programa não tem nenhuma ligação entre as atividades da emissora e a Igreja Católica, e só é veiculado na rádio por ser um dos mais antigos programas da Rádio Rencontre. Além do mais, a Rádio Rencontre é um espaço de expressão de associações e instituições locais.

Na grade de programação encontram-se dois programas específicos, consagrados à transmissão dos informes das associações locais e nacionais. Da segunda à sexta-feira, durante uma hora, l’Agenda local des Associations e Sur les ondes des radios associatives de France, tornam visíveis as ações da malha associativa local e nacional.

No âmbito dos programas não musicais da Rencontre, encontram-se três programas consagrados aos temas dos direitos do homem, ao combate à discriminação, ao racismo, às questões sociais das populações menos favorecidas. O primeiro chama-se Interculture (sábado das 12h às 13h), trata dos países dos imigrantes da região, com reportagens, músicas e

entrevistas, implementado pelo diretor de programação da emissora. O segundo é o Ricon Latino Americano (quarta-feira das 19h às 20h), produzido em parceria com a associação de solidariedade franco-chilena para os direitos do homem. O terceiro é o Parole de quartier (uma vez por mês aos sábados), contando com a participação dos moradores dos bairros de Dunkerque.

A emissora não propõe sistematicamente debates em cada programa, porém isso acontece quando os convidados ou até mesmo o radialista propõe temas ligados à humanidade, levantando questões sociais ou de imigração.

Em relação ao contato com os ouvintes, o diretor Daouda explica que antes havia programas interativos por telefone com os ouvintes, porém a diretoria da emissora resolveu cancelá-los, pois não existia um grupo capaz de administrar situações tensas no momento da participação ao vivo do ouvinte. Nos termos do diretor de programação da emissora,

É preciso controlar o que certos ouvintes podem falar ao telefone. Ao contrário, um ouvinte pode realizar um programa a partir de um projeto que foi proposto pela diretoria da emissora. O ouvinte também pode propor um programa ou dar uma contribuição aos radialistas. Conseqüentemente, os dois podem falar disso ao vivo! Temos esse tipo de situação!

Apesar de algumas situações polêmicas com seu público, a diretoria da rádio diz ter boas relações com os seus ouvintes. No entanto, a emissora não realiza pesquisas de opiniões para conhecer o nível de satisfação dos seus ouvintes em relação a ela. A forma de saber se a emissora está agradando às pessoas se tornou possível a partir das chamadas dos ouvintes, que deixam as suas opiniões sobre os programas na central de atendimento da emissora.

A Rádio Rencontre classifica seus ouvintes em cinco categorias: aqueles que escutam a emissora diariamente, aqueles que escutam somente músicas francesas, aqueles que escutam somente as músicas tropicais, africanas e italianas, aqueles que escutam partes de programas e aqueles que se interassam por músicas do mundo. “Nossa rádio não tem público alvo, nós atingimos todo mundo!” Para chamar atenção dos ouvintes, a emissora faz ofertas, dá entradas de shows e de eventos, assim como promove novidades.

A programação radiofônica da Rencontre é decidida pelo responsável pelos programas. No entanto, a cada dois meses a diretoria da emissora organiza uma reunião com todos membros da estação e uma reunião semanal com os funcionários. No decorrer desses encontros, cada um informa ao responsável pela programação sobre suas atividades e idéias. Os contratados e

voluntários falam dos seus convidados e dos temas que vão ao ar. As conversas sempre giram em torno da relação entre os programas e o projeto da emissora. Em relação ao processo de escolha dos assuntos programados na rádio Rencontre, a emissora procura manter um espaço para que debates coletivos sobre a sua programação aconteçam. Diz o diretor Dauoda:

Formalmente, as pessoas podem aparecer aqui com projetos de programa. Cada radialista tem como opinar, dizendo o que ele pensa. Um projeto já existente tem como ser incorporado ao programa de um radialista (é possível trabalhar juntos). Escutar o que nossos ouvintes têm a dizer (por carta, encontros nas ruas ou por telefone), escutar aqueles que nos ouvem...

Atualmente, conforme o diretor de programação da rádio Rencontre, a complexidade de organização e da estrutura da associação e da rádio levou a mudanças qualitativas na emissora. No início, a associação tinha somente os setores de formação e de educação, hoje o centro tem seis setores, como já foi dito. De acordo com Coulibaly Daouda, a diversificação dos serviços oferecidos pela associação é um fenômeno que deve chamar a atenção de todos os setores do centro social, pois isso pode distanciar a associação e a emissora da população da cidade. Explica Daouda:

Nós temos vários setores. Existem pessoas que não entendem isso. Trata-se de uma mudança. O objetivo fundamental não mudou. Cada setor tem o seu responsável. No que diz respeito à associação, nós temos o conselho de administração, o presidente. Sou o único responsável não francês pelo centro, pois todos os outros o são, sobretudo no que concerne à formação. Mas, com a diversificação conservamos a base de associação. Em relação à população, os contatos permanecem. Temos programas sobre a população, cursos de alfabetização e formações. A linha diretriz continua sendo a mesma (...) somos uma emissora intercultural.

Além da racionalização da organização da associação, e, conseqüentemente da emissora, que às vezes traz limitações junto à população da localidade, a diretoria da Rádio Rencontre identificou três grandes dificuldades para o seu funcionamento: 1) o financiamento; 2) a formação; e, 3) a participação dos voluntários. Nos termos de Coulibaly Daouda,

Hoje, o trabalho voluntário não é o mesmo de 10 ou 15 anos atrás. No começo da rádio associativa, todos os voluntários que apareciam eram militantes. Isto [a falta de militância nos dias de hoje] é um verdadeiro problema. Hoje, o voluntário aparece para apresentar o seu programa, ele não tem total implicação no projeto radiofônico do meio de comunicação. A rádio associativa

profissionalizou-se para poder avançar. Mas, para isto, é preciso que todos se dediquem.

Para Daouda, uma rádio associativa há de permitir que toda a população local possa se

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