CHAPITRE 3 Conception d’un système de régulation de température à
3.4 les application Android :
3.5.4 Installation de l’IDE Arduino pour Node MCU/ l’ESP8266
A história de uma rádio de território
Rádio Canal Sambre foi fundada a partir da iniciativa da prefeitura comunista de Aulnoy Saint-Aymeries, no âmbito do movimento das rádios livres, em 1981. Em meados dos anos 1980, a emissora tornou-se rádio associativa, com o projeto de transformar-se em mídia de aproximação e de território. Desde 1992, a Canal Sambre transmite em três freqüências (duas na região Norte da França e outra na região de Aisne). A emissora é administrada pela Associação Canal Sambre Avesnois, cuja principal atividade é gerenciar o meio de comunicação. A primeira decisão de autorização recebida do CSA data de 1993.
Ligada a uma região assolada pela decadência das indústrias siderúrgicas, a Canal Sambre tem a sua sede em Aulnoy-Aymeries, cidade de 9 206 habitantes, com uma taxa de desemprego de 22,9%. A segunda freqüência da emissora no Norte está na cidade de Maubeuge. Essa cidade tem uma população de 33 561 habitantes, com uma taxa de desemprego de 26%. A terceira freqüência da emissora está em Hirson, cidade de 10 327 habitantes cuja taxa de desemprego é de 23,6%. Essa cidade encontra-se no Val do Sambre-Avesnois, na região de Aisne. Entretanto, a emissora atinge os 13 municípios da região Sambre, assim como parte da Bélgica. Trata-se de um território de 240 000 habitantes, dentre os quais a emissora estima atingir 9,9% da população diariamente.
As características geográficas levaram a Canal Sambre a tornar-se uma mídia territorial que se ocupa em preservar a memória operária enquanto patrimônio histórico e cultural de Sambre-Avesnois, em uma região marcada pelo processo de desindustrialização e fechamento de minas de carvão, atividades econômicas que atraíram no passado importantes ondas de migrações de populações de vários países da Europa do Leste e Central, como também da África do Norte.
A associação Canal Sambre foi fundada em 1981 pela prefeitura de Aulnoy e um grupo de moradores no intuito de dotar a coletividade e seus habitantes de um meio interativo de expressão e comunicação, cujo objetivo era criar condições de desenvolvimento cultural local, assim como afirmar a identidade do território. O bureau da associação conta com: um presidente, dois vice- presidentes, um secretário, um secretário adjunto, um tesoureiro e um tesoureiro adjunto.
A associação é administrada por um Conselho de Administração composto por pelo menos 12 membros e por, no máximo, 24 membros, cada colégio, tendo o mesmo número de
cadeiras. O número total é decidido anualmente pela Assembléia Geral, sob proposta do Conselho de Administração.
De acordo com o artigo 2º. do estatuto da associação65 de Canal Sambre, a entidade tem como objetivo favorecer o desenvolvimento local nas suas dimensões culturais, sociais e de comunicação. A direção da emissora se declara independente de todo e qualquer interesse financeiro e comercial. A rádio associativa tem como projeto relatar a vida política, sindical, associativa e econômica do local respeitando o pluralismo. A emissora se propõe a servir o conjunto dos habitantes do território de Sambre-Avesnois, assim como o da Thiérache e dos Hainaut francês e belgas, dentro de um espírito de serviço público66.
Os serviços prestados pela Canal Sambre
No percurso da Canal Sambre pode-se definir quatro momentos históricos que foram marcantes para a emissora: 1) o início, em 1981, época em que o único objetivo era ser uma ferramenta de aproximação para a comunicação e a animação; 2) o ano de 1985, quando a rádio se tornou um meio de comunicação associativa, com o projeto mais ambicioso de transformar-se em rádio de território; 3) os anos 1990, com a implementação de projetos de desenvolvimento local dos bairros quanto à memória operária e popular dos moradores da região; e 4) a crise financeira que atingiu Canal Sambre em meados dos anos 1990. “O ano de 1994 foi muito difícil para Rádio Canal Sambre. Um dos nossos parceiros nos deixou, então foram os ouvintes que ajudaram a sustentar a emissora”, conta a diretora da rádio, Francine Auger-Rey67.
A Canal Sambre se considera claramente uma ferramenta de desenvolvimento local. A emissora assume funções decorrentes do seu papel de mídia associativa, como: estabelecer e perenizar a comunicação entre a rádio e os ouvintes; implementar ações com os ouvintes, defender a existência e independência da emissora em situação de crise econômica ou política.
Além do mais, a emissora oferece serviços como: propaganda radiofônica, engenharia cultural e de comunicação sob demanda, formação modular ou continua de profissionais ou
65 O estatuto foi adotado pela associação na assembléia geral de 21 de junho de 2005. 66 Relatório de atividade da Rádio Canal Sambre 2003, CTR de Lille.
67Francine Auger é diretora de Canal Sambre desde 1985. Assalariada, ela foi a grande responsável pelas mudanças do projeto radiofônico de Canal Sambre. Ela tem 56 anos, é jornalista e radialista. Auger é licenciada em artes cênicas.
voluntários, gerenciamento de arquivos sonoros e audiovisuais, venda de produtos radiofônicos. A prestação de tais serviços se traduz em uma fonte alternativa de recursos para manutenção da rádio.
A prefeitura de Aulnoy Aymeries é proprietária do espaço físico (800 m2) onde está funcionando a emissora. Para desenvolver as atividades radiofônicas, a Canal Sambre funciona com seis estúdios de montagem (um estúdio de transmissão, um estúdio bis para programas ao vivo e um estúdio de montagem móvel que permite realizar programas ao vivo fora da emissora)79.
O acervo da emissora conta com 3000 títulos (Cds e Vinis). Com três freqüências, Canal Sambre possui um emissor e dois re-emissores, que funcionam com a potência autorizada pelo CSA, ou seja, 500 w cada um.
Em relação às finanças, os recursos da emissora provêm de subvenções do Estado FSER (16,7%); do FASILD (5,7%); da aglomeração de Maubeuge Val de Sambre (11,8%); do Conselho Regional (27,4%); do distrito (4,7%); do Fundo Social Europeu (10,3%); e, de recursos próprios vindos da propaganda, da venda de programas e das adesões da associação (4,6%)68.
Em 2003, o orçamento da emissora69 era de 802 129 €, em 2004 de 859 000 € (aumento devido ao projeto Femmes et Quartiers). Para 2005, a emissora previu um orçamento de 833 978 €. Os anunciantes que pagam pela propaganda comercial são, sobretudo lojistas. Não existe seleção de anunciantes na Canal Sambre, no entanto, os estabelecimentos comerciais anunciados são comerciantes locais e estruturas culturais.
As tarifas cobradas pela Canal Sambre são de 6,20 € no máximo e de 3,00 € no mínimo a difusão de 30 segundos, durante a programação diurna. A emissora passa em média 14 propagandas por dia, duas a cada duas horas. Ela aumenta a veiculação desse número de propagandas durante as festas de fim de ano.
As principais dificuldades enfrentadas pela emissora hoje são: o financiamento público; o financiamento dos projetos radiofônicos e as ambições, quer dizer, as tensões no meio das quais a rádio se encontra.
79 Segundo dados da emissora, todo esse material foi avaliado em 236 542 €.
68 Em 2003, Canal Sambre contava com 200 associações aderentes, em dias com suas cotizações.
De acordo com a diretora de Canal Sambre, o conselho de administração considerou que, há oito anos, a emissora apresentava um conteúdo excessivamente direcionado para as populações imigradas. O conselho não queria que a Canal Sambre fosse reconhecida como mídia orientada para as populações provenientes da imigração. Entretanto, a presidente da rádio não seguiu a tendência do conselho. Ela decidiu oferecer um espaço para as minorias e as questões decorrentes da discriminação na região. “Nós não podemos querer falar da realidade criando guetos e valorizando categorias populacionais. Isto é monstruoso”, diz Francine.
O projeto associativo da emissora
Francine Auger-Rey se tornou diretora da estação em 1985. Foi a época em que a Canal Sambre viveu a sua segunda fase de evolução, sendo reconhecida como rádio de território. O projeto radiofônico da emissora apoia-se em três eixos: 1) implementação de um plano de ações visando promover a identidade regional; 2) lutar contra a discriminação das populações oriundas da imigração; e, 3) promover um diálogo entre o meio rural e o urbano na região do Sambre.
De fato, a diretoria da emissora desenvolve essas ações, respeitando os dois princípios fundamentais a seguir: o papel de criação artística no âmbito do desenvolvimento das sociedades e a expressão direta das populações no espaço público da emissora, para que sejam reconhecidas como participantes das mutações territoriais. A emissora defende valores que orientam os seus projetos radiofônicos: a promoção da identidade regional, respeitando as diferenças culturais, e, a participação dos ouvintes no processo de comunicação e nas contribuições aos dinamismos desenvolvimentistas. “Nós não podemos esconder a verdade. Tomamos conta dessa população operária, é claro. Tomamos conta deles. Impedimos que eles desapareçam, ainda vivos, abrindo o espaço da emissora. Essa população faz parte da nossa história econômica”, diz a dirigente da rádio.
Para a diretoria da Canal Sambre, a emissora tem três principais objetivos como rádio associativa: 1) integrar os habitantes ao desenvolvimento local; 2) integrar os habitantes à vida social; e, 3) permitir a circulação das informações de interesse local. Segundo Francine Auger- Rey, os ouvintes da Canal Sambre conhecem as diferenças de objetivos entre uma rádio associativa e uma emissora comercial. Observa a presidente da emissora:
Antes de tudo, eles podem escolher escutar uma emissora comercial, então propomos outro produto, assim eles têm a possibilidade de escolha, sobretudo no
que tange à informação. Nossa informação é muito desenvolvida. Oferecemos informações administrativas, econômicas, insistindo sobre a visibilidade dos processos decisórios, isto prepara a população para que ela se aproprie de decisões nacionais.
As linhas diretrizes do projeto radiofônico da Canal Sambre permitem que a palavra dos habitantes da região, o cidadão, a associação, os grupos informais, das pessoas formadoras de opinião (peritos, criadores, cientistas) e dos mediadores (jornalistas, pesquisadores, artistas), sejam ouvidos. Os principais campos de atividades trabalhados pelos programas da emissora são: o desenvolvimento artístico e cultural; os serviços à população (informações sobre os direitos, o reconhecimento das populações e suas realidades, a difusão das suas próprias palavras e iniciativas, a participação da educação à saúde, a sensibilização aos grandes desafios da sociedade, como a genética, a educação, a paridade, o civismo, a alimentação, o terceiro mundo, o meio-ambiente); o desenvolvimento territorial (as questões sobre a identidade, o desenvolvimento sustentável, o turismo, a energia); as informações internacionais.
A emissora desenvolve projetos e iniciativas em direção aos ouvintes. Esses projetos têm caráter cultural, político, social, educativo para um desenvolvimento local, artístico e literário. Entre 2003 e 2005, a Canal Sambre implementou três projetos radiofônicos e sócio-culturais: Femmes et Quartiers, reconhecido como a ação mais importante da emissora para o público das mulheres oriundas da imigração; 2) Gama-Maison de Retraite, ação dirigida aos aposentados; e, 3) Violence chez les enfants, projeto de combate às violências praticadas contra as crianças da região.
Dentre os projetos citados pode-se enfatizar o radiofônico Femmes et Quartiers. Este programa veio de uma iniciativa da Canal Sambre cujo objetivo é fomentar a inserção sócio- cultural das mulheres imigrantes que têm dificuldades em encontrar condições socioeconômicas para viver na região. Para isso, a direção da emissora criou um quadro em sua programação para conceder a palavra àquelas que não a têm, enquanto protagonistas dos seus próprios destinos. Elas testemunham, ao vivo, suas trajetórias de vida e dificuldades de integração social na França, abordando desde as limitações para falar a língua, passando pela discriminação até choques culturais. No caso de mulheres mulçumanas, elas manifestam estranhamento em relação à liberdade de se expressar em uma rádio, porque pertencem a uma cultura em que o direito a comunicar livremente não é uma prática comum, em particular para o gênero feminino. Em 2004, 586 pessoas participaram do projeto.
No âmbito da plataforma das principais missões fixadas pela emissora, em quanto mídia associativa, pode-se afirmar que a Canal Sambre desenvolve uma programação generalista para vários tipos de públicos. De modo geral, os conteúdos programados predominantes são culturais, laicos e educativos, e, destinam-se à população imigrada, além do público em geral. Isso se faz presente, sobretudo, nas músicas programadas.
A emissora veicula programas de informação geral, e também de proximidade; protagoniza ações culturais e artísticas; de abertura de espaço aos criadores, de valorização das práticas amadoras; de acompanhamento dos programas de desenvolvimento das estruturas intercomunais e das coletividades locais. Nota-se que existe um cuidado especial com os problemas específicos do território e das populações no que se refere aos campos cultural e social.
Na rádio Canal Sambre não existe espaço exclusivo para a expressão especifica das associações. Elas têm direito à palavra no âmbito dos programas de divertimentos e magazines. Durante o dia, os radialistas tratam de difundir as ações e os eventos organizados pela rede associativa local. Além do mais, as pessoas das associações são convidadas para falarem na emissora em vários prgramas. Para a diretora da Rádio Canal Sambre, a emissora é um espaço de expressão para outras associações.
Existem pessoas que dizem que somos uma emissora hegemônica, pois somos a única rádio do território. Nós não quisemos isto, mas, de fato, cumprimos a nossa missão. As pessoas não entendem isto. Notadamente, o grupo dos imigrantes gostaria de dar os seus pontos de vista sobre a atualidade internacional. No meu país, Tunísia, não podem fazer isso. Então, atualmente trabalham para desestabilizar-me, pois na minha estação eles, os imigrados, passam por uma espécie de filtro e não podem tomar conta da ferramenta. Isto angustia muita gente entre a população imigrada que respeita as nossas regras do jogo. Aqui temos várias delas. Porém, respeitam. Aqueles que não as respeitam devem sair, pois não posso me tornar uma ferramenta ideológica. Perderia a minha credibilidade para com o público. Tomei a decisão que era preciso que essa gente – aqueles que não respeitam as regras do jogo – pudesse se expressar e conseguisse entender que eles eram sectários no espaço que organizava. Porém, presto muita atenção à população imigrada, a defendi contra pressões que queriam desmobilizá-la dentro do espaço público. Trabalhamos para a valorização dessa população. Os atos reais de lutas contra as discriminações não são feitos pelo Estado. Ao mesmo tempo gastamos muita grana para lutar contra a discriminação. Existe uma incoerência e ambivalência do Estado francês.
Os ouvintes participam também dos programas no âmbito da programação comunitária. São imigrantes convidados, protagonistas da história, com um percurso de vida, que falam na oportunidade de alguns programas. Além desse público imigrado, os ouvintes participam da emissora fazendo dedicatórias, falando de vários assuntos, seja por e-mail, por telefone, por carta ou indo às reuniões de programação para fazer propostas. Para a diretoria da Canal Sambre, os voluntários representam os ouvintes. Para a emissora, o seu papel como serviço público é valorizado quando a rádio realiza programas a pedido das coletividades ou instituições locais. Nos termos da presidente da rádio,
Agora, é preciso evoluir. Finalmente, me dei conta que tinha profissionalizado pessoas, mas que cada um continuava no seu mundo e que isto se transformara em pequenos guetos, uns ao lado dos outros. Então, pensei que isto não era possível, pois não peço verbas públicas para isso. Para fazer isto, é preciso ser uma rádio associativa comum, com fundos de apóio, e deixar as pessoas se expressarem. A partir do momento que se pretende conseguir financiamentos públicos e, então, ser de interesse público, não posso aceitar a transformação em gueto da categoria da população que faz parte da grade e me dá informações sobre isso. Então, foi preciso trabalhar a grade de programação, foi preciso trabalhar com profissionais que trabalhavam nesse gueto.
A diretora da Canal Sambre destaca o fato de que existem condições para que um voluntário dirija um programa ou um ouvinte formule propostas, no âmbito da grade de programação. Mas há “filtros” no processo de andamento de uma proposta. Em primeiro lugar, a iniciativa proposta deve ser inscrita no quadro do projeto associativo. Em segundo lugar, na Canal Sambre, os programas começam em setembro, como toda a grade de programação. É neste momento que um ouvinte pode apresentar um projeto ao bureau da emissora. No entanto, para que alguém se expresse nesse espaço radiofônico é preciso que tenha conhecimentos técnicos. A formação para um bom manuseio das ferramentas técnicas é o primeiro procedimento implementado uma vez que o voluntário chega à emissora para tornar-se locutor. Observa a diretora de Canal Sambre:
Existe um percurso. Não é [pedir para ] abrir a porta [e daí] abro a porta, mas é preciso saber o que o programa vai trazer, quais são as condições para a sua realização. Desenvolvemos uma metodologia de trabalho e de formação. Hoje, a tecnologia tornou-se tão complexa que é preciso formar o pessoal. Agora temos um programa chamado ‘Parole des jeunes’, e nele os jovens debatem entre eles sobre os assuntos que os interessam. Encarregam-se totalmente deste programa. Estão criando uma dimensão pública, então somos abertos, mas é preciso que as
pessoas que entram nesta casa entendam as regras. A formação é fundamental na medida em que as NTI chegaram nas emissoras. Formamos o pessoal para que aprenda a usar as ferramentas, sobretudo no que tange a responsabilidade em relação à grade de programação. Se não fizerem isto a emissora vai quebrar. Isto é muito sério.
Sobre o assunto da formação das pessoas contratadas para a emissora, Francine Auger complementa:
A profissionalização não consiste tão somente em saber trabalhar. Consiste também em participar de um grupo com projetos coletivos. Então, permiti que as pessoas se profissionalizassem. Existem práticas coletivas que as levam a entender que não estão destacadas de um corpo, que elas são galhos de uma mesma árvore, de um mesmo tronco. Conseqüentemente, a minha grade de programação comporta um tronco comum, dentro do qual há tudo o que já falei: quatro grandes direções e ramos específicos para que as pessoas se expressem com as suas linguagens, com as ferramentas mais adaptadas e as suas próprias culturas políticas. É uma associação dos dois que faz que nós não tenhamos uma idéia errada do que é a expressão, que tenhamos um projeto estruturado. Assim, se você quiser, essa emissora evolui a partir da constatação que as pessoas estavam se conformando com um isolamento confortável. Visto que isto não faz parte do meu projeto, quebrei isto e o integrei à emissora.
As criações radiofônicas e projetos sociais da Canal Sambre
Os programa veiculados pela emissora surgidos na modalidade criada pela Canal Sambre de “Criações radiofônicas”80 são realizados pelos membros da emissora, assalariados e voluntários, com ou sem ajuda de colaboradores vindos de fora. No âmbito dos programas de criação radiofônica, a emissora volta-se para os que apóiam o conceito de entrevista individual, que permitem o direito à palavra às pessoas (habitantes, associações, empresas, funcionários públicos, artistas locais e cientistas). A entrevista individual consiste em chamar uma pessoa que tenha condições de falar sobre a sua vida ou experiência, mas não sobre a vida afetiva ou privada.
Para outros ouvintes ou leitores, cansados da locução estereotipada das mídias dominantes, que não param de copiar uns aos outros, a escuta aleatória das nossas mídias, a consulta dos nossos sonhos, corresponde à necessidade de ficar mais próximo da realidade e da vida dos indivíduos ou de grupos cujas formas de expressão estão impregnadas de miscigenação. Permite encontrar meios de construir vidas. O tom de voz, para retomar a formula de Roland Barthes, não
80 Trata-se de emissões originais criadas pelos animadores da Canal Sambre, resultado de projetos e pesquisas junto às demandas e expectativas dos ouvintes da rádio. São emissões sazionais na grade de programação.
mente quanto à densidade de uma existência. Trata-se para esse ouvinte, leitor de um momento de partilha, que constrói a comunidade. A comunidade não sendo tão somente este conjunto de características visíveis ou audíveis que define um grupo, mas também o que, na hora da escuta, da leitura, além de todo e qualquer grupo, agrega uma comunidade não definida, fluida ou densa, de acordo com as circunstâncias ou interesses. Uma comunidade além das comunidades.70
Por causa da entrevista radiofônica, a emissora tornou-se um espaço público, a partir de relatos de histórias privadas que somam a outras e tornam-se histórias comuns que trazem traços, situações e aspectos comuns. A Canal Sambre propõe seis programas que podem ser