CHAPITRE 2 : MATERIELS ET METHODES
VI. Techniques de caractérisation physico-chimique des substrats modifiés
5.2.1. Estudo de caso
O estudo de caso é um estudo de um caso, seja ele simples e especifico (…) O caso é sempre bem delimitado devendo ter os seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. O caso pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular (Lüdke & André, 1986, p.17).
O estudo de caso como estratégia de pesquisa segundo Yin (2005) é “utilizado em muitas situações, para contribuir com o conhecimento que temos dos fenómenos individuais, organizacionais, sociais, políticos e de grupo” (p.20).
De acordo com o autor supracitado, um estudo de caso permite preservar as características holísticas e significativas dos acontecimentos que ocorrem na realidade, compreendendo então um método abrangente, pois trata da planificação, das técnicas de recolha de dados, das abordagens específicas e da análise de dados.
Este método inclui estudos de caso único, como é o caso que aqui tratamos. A presença prolongada e permanente no campo, para uma observação detalhada do que ocorreu, fez dele também um estudo de caso de natureza etnográfica.
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Para Yin (2005, p.83) “um investigador de estudo de caso deve ser sensível e estar atento a provas contraditórias”. Deve ser capaz de fazer boas perguntas e interpretar as respostas; deve ser um bom ouvinte e não ser enganado pelas suas próprias ideologias e preconceitos; ser adaptável e flexível de forma que as situações recentemente encontradas possam ser vistas como oportunidades e não como ameaça, ter a noção clara das questões que estão e ser estudadas e ainda ser imparcial em relação a noções preconcebidas, incluindo aquelas que se originam a partir de uma teoria.
Um estudo de caso pode também ser definido como uma investigação empírica “de um fenómeno atual no interior do seu contexto (…) ” contudo, não é necessário haver um investigador no local, podendo “inclusivamente ser realizado através de telefone, ou da internet, por exemplo” Fino (s/d).
A estratégia de estudo de caso (Yin, 2005) não deve ser confundida com pesquisa qualitativa, pois algumas pesquisas deste género seguem métodos etnográficos. Para o autor supracitado a pesquisa etnográfica nem sempre produz estudos de caso, nem os estudos de caso estão limitados às condições da etnografia, enquanto um estudo de natureza etnográfica (Sabiron, 2001) implica observação pormenorizada e detalhada no campo (observação participante), os dados são qualitativos e requer estadias prolongadas no local de investigação.
5.2.2. Etnografia
A etnografia tem as suas raízes em estudos antropológicos interpretativos, remetendo-nos para o estudo e descrição dos povos, das suas raças, dos seus costumes, ou seja para o estudo da sua cultura.
A etnografia é um termo utilizado pelos antropólogos para designar o trabalho de campo, a partir de onde são recolhidos os dados e o material para posterior análise. (Lapassade,1991).
Para Spradley (1980) a etnografia é entendida como a descrição de uma cultura, tal qual Malinowski a descreveu em 1922, devendo o etnógrafo ser capaz de compreender o ponto de vista do nativo e a sua relação com a vida, entendendo deste modo a visão do seu mundo em particular. (Spradley, Op. cit.) salienta a noção de cultura definida por alguns antropólogos, como o conhecimento armazenado que as pessoas utilizam para interpretar a experiência e induzir o comportamento, abrangendo
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então, aquilo que as pessoas fazem, aquilo que sabem e ainda os objetos que fabricam e utilizam. Para este autor o fim da etnografia é produzir um campo de dados acerca de um grupo em estudo e entender que as realidades não são todas iguais, ou seja, é a compreensão das coisas do ponto de vista dos participantes, isto é da sua cultura.
Atkinson e Hammersley (1994) definem a etnografia como um método particular ou um conjunto de métodos que requer um investigador participante, durante um longo período e tempo, para que o mesmo possa observar tudo o que acontece, o que é dito e questionar quando for necessário.
De acordo com os autores supracitados, um estudo etnográfico refere-se usualmente a diversas formas de investigação social onde são salientadas as seguintes características:
a) forte ênfase na exploração da natureza de fenómenos sociais particulares, em vez de testar hipóteses acerca do mesmo;
b) tendência para trabalhar primariamente em dados não estruturados, ainda não codificados com um conjunto de categorias de análise previamente definidas;
c) investigação de um pequeno número de casos ou mesmo de um só;
d) interpretações explícitas dos significados e funções das ações humanas (que a análise de dados implica) cujo resultado toma a forma de descrições e explicitações verbais, reservando um papel subordinado à quantificação e à análise estatística.
No entanto, o referido como características de um estudo etnográfico por Atkinson e Hammersley, também podem ser partilhadas, segundo Matos (1995) por estudos de caso, ou por estudos simplesmente qualitativos, salientando então o que considera ser característico de um estudo etnográfico: a compreensão das coisas do ponto de vista dos participantes, quer dizer da sua cultura, tal qual Spradley mencionou em 1979.
Um estudo tem então características etnográficas quando, de acordo com Matos e Carreira (1994), sejam utilizados esquemas conceptuais de natureza cultural, quer na formulação dos problemas quer na análise e discussão dos resultados.
Um estudo etnográfico centra-se na discrição dos sistemas de significados culturais dos indivíduos estudados, e ultrapassa a descrição de ambientes, situações ou pessoas a partir dos dados recolhidos (Erickson,1986) sendo também preciso ter como objetivo, o registo das particularidades da vida quotidiana.
Reportando ao nosso estudo, os participantes que integram o clube que estudamos, fazem-no de forma voluntária, e sendo à partida, detentores de
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conhecimentos e curiosidades específicos, é de extrema importância, dar atenção às suas perspectivas, ou seja, à sua maneira de ver o mundo e às suas próprias ações, como atores particulares em casos particulares, registando essas mesmas particularidades.
As perspectivas dos indivíduos estudados, ou a sua cultura específica, foi um fator à partida considerado determinante na aprendizagem assim como o grau de envolvimento nas atividades ali desenvolvidas, tornando-se pertinente que o estudo fosse também de carácter etnográfico.
Para avaliar a cultura de um grupo (Woods,1999), um observador deve ainda tentar compreender todos os símbolos mesmo os que à partida pareçam menos significativos, pois estes podem ter um significado particular na interpretação daquela cultura.
André (1997) refere que num estudo etnográfico o grupo social é estudado a partir dos seus próprios pontos de vista, das suas categorias de pensamento e da sua lógica, devendo o investigador ultrapassar os seus métodos e valores, admitindo outras lógicas de pensar e entender o mundo.
Na pesquisa educacional a etnografia deve, segundo Lüdke e André (1986), ser feita com algum cuidado, já que no verdadeiro sentido defendido por Spradley, sofre aqui uma série de adaptações, afastando-se mais ou menos do seu sentido original. Ressaltam estas autoras, que “denominar de etnografia uma pesquisa apenas porque utiliza observação participante nem sempre será apropriado, já que etnografia tem um sentido próprio” (p.13).
Fortin (2009, p.155) refere por sua vez, que é “cada vez menos possível e menos aceite pretender conhecer a totalidade de uma cultura, como se fazia no início do século”.
Uma das formas simples para averiguar se um estudo pode ser chamado de etnográfico é, sugerido por Wolcott (1982) de acordo com Lüdke e André (1986), verificando se quem o lê consegue interpretar o que realmente ocorre no grupo estudado, como se fosse um membro desse grupo. A etnografia em educação deve então preocupar-se em pensar o ensino e a aprendizagem dentro de um contexto cultural mais amplo, não se circunscrevendo ao que se passa somente na escola, mas relacionar com o que é aprendido também fora dela, pois os indivíduos pertencentes a um grupo na escola também estão inseridos na sociedade.
A pesquisa etnográfica prevê uma interação entre o investigador e o contexto estudado pois a mesma interessa-se por compreender os modos particulares como os
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sujeitos da investigação interpretam as situações vividas e as relações nas quais estão envolvidos. Este tipo de abordagem enfatiza sobretudo o processo e não os resultados finais, pois interessa-se em primeiro lugar pela procura de novas formas de entender a realidade investigada.
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