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Les tarifs de rachat garantis (TRG), principal exemple de régime d’aide

E. LIEN DE CAUSALITÉ 1. Introduction

3. Effet d’autres facteurs

3.3. Les tarifs de rachat garantis (TRG), principal exemple de régime d’aide

Em seu livro “O Fabrico e as Propriedades do Betão” o Engenheiro Souza Coutinho escreveu (CÓIAS, 2006):

Assim como a natureza do material utilizado pelo homem marca uma época da História da Civilização – a pedra, o bronze, o ferro – o concreto e o concreto armado marcam a sua presença no século XX. Mas até quando? Infelizmente tudo leva a crer que a sua duração será efêmera. A elevada alcalinidade e a enorme energia interna resultante,o torna um material instável. Tudo isto faz com que o concreto, e em especial o concreto armado, seja um material muito vulnerável e pouco estável; a sua duração não será provavelmente muito longa. (“Inspeções e Ensaios na Reabilitação de Edifícios, p. 63, 2006).

Cóias (2006) acrescenta:

O concreto segrega, exsuda, disseca, retrai, flui sob carga. Os componentes do cimento hidratado reagem com o meio ambiente. O hidróxido de cálcio carbonata-se, baixando o pH e deixando as armaduras à mercê da corrosão. Os agentes agressivos presentes no ar poluído ou na água de contato penetram nos poros, canalículos e fissuras, atacam as armaduras ou reagem com o ligante e os inertes. Por vezes, estes reagem entre si, iniciando um lento processo de desintegração do concreto”. (“Inspeções e Ensaios na Reabilitação de Edifícios, p. 39, 2006).

A afirmação de Souza Coutinho não se confirmou, ao menos em curto e médio prazos até agora e, dependendo dos avanços apresentados pela tecnologia do concreto nas últimas décadas, bem como nos esforços de pesquisadores em todo o mundo com o objetivo de otimizar este material, teremos o concreto ainda presente nas grandes obras de Engenharia por muitas décadas ou séculos, desde que bem dosado para os esforços mecânicos e para as propriedades principias da durabilidade.

Mas, se o concreto pode apresentar tantos problemas, conforme a segunda afirmação, o que o torna tão útil, interessante e viável para a construção civil? Em obras correntes, o baixo custo, a fácil execução, a alta resistência à compressão e a facilidade de moldá-lo com o uso de formas torna-o tecnicamente extremamente útil. Mesmo com todas as limitações inerentes ao concreto, este material pode ser

adaptado, aditivado, reforçado e moldado de modo a se adaptar aos mais diversos usos e solicitações. Décadas de observações e pesquisas em escala macro e microestrutural, e ultimamenteem nanoescala, expandiram os limites de utilização do concreto. O uso deste material já não se limita a estruturas de construção civil. Sua versatilidade permite que o concreto, convenientemente dosado e moldado, seja utilizado atualmente na área da mineração, em poços de petróleo, no encapsulamento de resíduos tóxicos e radiativos, entre outras utilizações (SHARP, 2006).

A aparente contradição apresentada nos parágrafos anteriores é resumida por Aïtcin (1997) ao afirmar que o concreto envolve uma tecnologia muito simples e uma

ciência muito complexa. De fato, em qualquer lugar do planeta encontra-se a matéria

prima para o fabrico do cimento e, por consequência, do concreto. Pode-se produzi- lo sem tecnologias avançadas ou mão-de-obra especializada e, mesmo assim, obter um concreto que satisfaça as solicitações mais simples e usuais. No entanto, Ashani

et al. (2015) afirmam que as reações químicas entre o cimento e a água e os

produtos resultantes desta interação criam um material que é altamente complexo. Mas, ao necessitar de melhoras no desempenho do concreto, temos que partir para testes e análises em escalas cada vez menores, até obtermos a compreensão microestrutural e química do material, e é então que a complexidade do concreto se mostra como desafios a serem vencidos.

O desempenho de uma estrutura de concreto armado está intimamente ligado às condições do ambiente onde se encontra esta estrutura. O concreto sofre influência tanto das intempéries quanto do grau de poluição da atmosfera. Percolação de água e de fluidos pelos poros, lixiviação, teor de umidade interna, são exemplos de fatores influenciados pelas condições climáticas da região onde a estrutura está inserida. O ataque por cloretos ou sulfatos e a carbonatação são alguns fatores decorrentes do grau de agressividade do ambiente e que são prejudiciais ao concreto e às suas armaduras. Os fenômenos climáticos e ambientais citados podem influenciar no desempenho da estrutura, pois, isoladamente ou em conjunto, causam modificações físicas e químicas no concreto e, consequentemente, no aço.

Silva et al. (2014) afirmam que com o passar do tempo as propriedades do concreto se modificam como resultado da interação do material com o ambiente e, como consequência, a durabilidade do concreto é afetada. Portanto, ao se

considerar a vida útil de uma estrutura de concreto, as condições ambientais que interagem com esta estrutura são tão ou mais importantes quanto suas propriedades mecânicas (NYKIEL, 2008).

Compreender a interação entre as estruturas de concreto e o meio ambiente onde elas encontram-se inseridas, do ponto de vista físico e químico e modelar os fenômenos presentes nesta interação são ações que subsidiam os projetistas na busca por produtos com maior durabilidade (NEPOMUCENO, 2005).

No entanto, a preocupação com o efeito do meio ambiente sobre uma estrutura de concreto é relativamente recente. Até meados do século XX, por exemplo, as normas e códigos europeus para a produção de concreto apenas definiam os esforços admissíveis de uma estrutura.

No Brasil, a NBR 6118:2014 especifica relações água/cimento e espessuras de cobrimento mínimas, de acordo com o nível de agressividade do ambiente onde está a estrutura. Helene et al. (1999) salientam que normas que limitam a relação água/cimento máxima da mistura são tecnicamente mais corretas do que determinar limites mínimos para o consumo de cimento por m3 de concreto.

A estrutura dos poros da camada de cobrimento do concreto é determinante na penetração de agentes agressivos no material. O diâmetro crítico e a interconectividade são as características desta rede de poros que, aliadas às condições ambientais, vão definir o mecanismo de transporte dominante no interior do material. O transporte de substâncias agressivas para o interior do concreto pode seguir diferentes mecanismos, dependendo da estrutura dos poros do material, das condições de exposição ambiental da estrutura e das características das substâncias que penetram no concreto (MEHTA, 2008).

O Comite Euro-International Du Beton (CEB, 1997) e Nepomuceno (2005), entre outros, afirmam que os mecanismos de transporte no concreto e a velocidade com que ocorrem dependem fundamentalmente das condições micro-ambientais da superfície do concreto. Cada ambiente tem suas particularidades. O dióxido de carbono (CO2), que corresponde, em média, a 0,03% da atmosfera terrestre, por

exemplo, terá maiores concentrações em ambientes urbanos e industriais do que em ambientes rurais e estas concentrações têm influência direta sobre a durabilidade de uma estrutura de concreto exposta ao ar.

Devido à complexa natureza dos efeitos ambientais sobre uma estrutura de concreto e sua correspondente resposta, o CEB (1989) destaca que, acredita-se que

um aperfeiçoamento real do desempenho da estrutura não pode ser realizado pelo aperfeiçoamento isolado das características de seus materiais, mas deve considerar os elementos e características dos projetos arquitetônicos e estruturais, os processos de execução e os procedimentos de inspeção e manutenção, incluindo-se aí a manutenção preventiva. Reitera-se desta forma a importância do ambiente no desenvolvimento da microestrutura do concreto, em especial da porosidade, bem como da elaboração de projetos que prevejam a agressividade de agentes externos que podem danificar ou modificar as características do material. Basheer et al. (1994) citam os fatores que influenciam a durabilidade de uma estrutura de concreto, onde a interação com o meio ambiente ocupa a ponta final do processo de produção/uso de uma estrutura.

Ao se estudar a influência do meio ambiente sobre uma estrutura de concreto, deve-se avaliar qual é o mecanismo de transporte que predomina na penetração de determinado agente agressivo no material. Isaia (2001 [a]) destaca que todos os processos que causam a deterioração do concreto em si ou a corrosão das armaduras envolvem fenômenos de transporte de fluidos e/ou compostos químicos através dos poros da pasta, o que pode ocorrer devido à capilaridade (absorção), gradientes de pressão (permeabilidade), gradiente de concentração (difusão) ou devido à aplicação de um campo elétrico (migração).

Para Sanjuán e Muñoz-Martialay (1995) o controle da durabilidade do concreto é realizado por meio de requisitos mínimos de resistência à compressão, espessura de cobrimento, tempo de cura e limites de adições. No entanto, prosseguem os autores, estes parâmetros não são suficientes para garantir o desempenho ao longo da vida útil da estrutura, tendo em vista que não levam em conta as mudanças físicas e químicas do material devido à penetração de agentes agressivos externos ou à influência da velocidade de intrusão destes agentes.

Assim, pode-se afirmar que a durabilidade do concreto é função da impermeabilidade do mesmo (redução da porosidade aberta), havendo uma estreita relação entre o transporte de fluidos para o interior do material e sua durabilidade.

A corrosão das armaduras é uma das patologias que tem protagonismo na determinação da durabilidade e vida útil de uma estrutura de concreto armado. O processo de corrosão das armaduras causa danos nas estruturas de concreto armado, visto que a área da seção transversal das barras de aço é reduzida e, como a ferrugem ocupa um volume maior do que o metal original, pode causar fissuras e

desplacamento do cobrimento do concreto, reduzindo a vida útil da estrutura (MONTEIRO et al., 2012; NEVILLE, 2013).

O aumento da durabilidade e vida útil de uma estrutura de concreto armado passa obrigatoriamente pelo estudo das patologias que atacam o material, bem como pelo uso de adições minerais utilizadas com a intenção de minimizar os danos causados por estas patologias, aumentar a vida útil e utilizar resíduos ou co- produtos de outros processos industriais. Diferentes tipos e teores de adições minerais e relações a/mc provocam interações variadas do concreto com o meio ambiente e somente as pesquisas mais avançadas podem ajudar a definir as misturas mais adequadas às solicitações a que uma estrutura de concreto armado possa ser submetida.