“Se perdesse todas as minhas capacidades, todas menos uma, escolheria ficar com a capacidade de comunicar, porque com ela recuperaria tudo o resto (…)”
Daniel Webster Após a realização deste estudo de caso em que aprendemos uma melhor forma de intervir, nomeadamente no que diz respeito ao esclarecimento e eficiência da nossa prática, ajudou-nos a consciencializar e a refletir mais sobre a mesma, especialmente no caso dos alunos com NEE. Este trabalho foi para nós aliciante e motivador, já que se revelou um adequado veículo de motivação para a comunicação da Maria e uma vez que a menina em estudo é uma criança com quem convivemos bissemanalmente, em contexto pré-escolar, sentimo-nos congratulados por termos podido contribuir positivamente para a QV da menina, tendo-nos, sem dúvida, o trabalho de pesquisa, seleção, organização da informação, estudo e prática ensinado e ajudado a compreendê-la ainda melhor.
A elaboração deste trabalho foi muito significativa para a nossa aprendizagem, tanto ao nível profissional, como pessoal e humano, permitiu um maior alargamento dos conhecimentos, ensinou-nos a dar algumas respostas a alunos com DID e a perceber mais concretamente que o trabalho em equipa é fundamental quando todos estamos motivados e a caminhar no mesmo
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sentido, no de encontrar alternativas para quem não consegue obter as respostas de uma forma dita normal.
Com efeito, é extremamente importante que se continue a trabalhar em parceria com todos os intervenientes no processo de desenvolvimento da criança, de acordo com Bronfenbrenner (1984), explorando todos os “habitat’s” e todos os seus comportamentos, quer adquiridos quer emergentes. Só com o trabalho de cooperação entre familiares, técnicos e educadores se torna possível o sucesso pessoal e escolar da criança. Salientamos o facto de ser necessária a intervenção o mais precocemente possível, tal como é referido por Correia, Álvares e Abel (2003)
Intervir precocemente é estar atento a múltiplos factores que potencialmente podem gerar alterações no desenvolvimento, é prestar atenção aos sinais de alerta, às angústias e apelos trazidos pelos pais, educadores e outros técnicos de forma a minorar e colmatar as situações quotidianas (…) Considera-se que as crianças com alterações no desenvolvimento são todas aquelas que apresentam qualquer perturbação no decurso normal do seu desenvolvimento. Deve-se intervir o mais cedo possível de forma a optimizar o potencial evolutivo da criança de forma a favorecer o seu desenvolvimento global tendo em conta que os padrões iniciais de aprendizagem e comportamento determinantes do processo de desenvolvimento se estabelecem nos primeiros anos de vida (p.19).
É com grande agrado que recordamos a aplicação deste projeto já que se considera que o mesmo se mostrou exequível e de grande validade para esta criança.
Foi nossa intenção utilizar os interesses e necessidades da criança em seu próprio benefício, uma vez que a magia que envolve as TIC se revelou de extrema importância na captação da atenção da menina.
A investigação foi muito bem recebida não só pela criança como também pela família e pela educadora titular de grupo, os quais passaram a explorar também nos seus contextos o
software educativo ”Os Jogos Da Mimocas”, de modo a que todos juntos caminhemos no sentido
da promoção do sucesso e o aprimorar da comunicação e autonomia da Maria. A intervenção pode comprovar as expetativas positivas que os entrevistados apontaram aquando das entrevistas, no que se refere ao uso de um software educativo para a estimulação comunicativa da Maria.
Partindo da questão de investigação que norteia este estudo - Será que a utilização do
software educativo “Os Jogos da Mimocas” facilita a comunicação de uma criança com DID? -
procurámos cumprir os objetivos enunciados, através da revisão bibliográfica e constituição de um enquadramento teórico e ainda através da implementação do plano de ação composto por oito sessões de intervenção com o software educativo “Os Jogos da Mimocas”.
Da recolha de dados efetuada para a investigação pudemos traçar o perfil comunicativo da menina, bem como verificar as suas capacidades comunicativas depois da intervenção com o
software educativo “Os jogos da Mimocas”.
A intervenção deu-se ao nível da identificação de imagens de vestuário, higiene, alimentação e recreação; da contextualização de objetos; da identificação de animais e da realização de correspondências de sons ao animal, conseguindo a menina, de um modo geral, atingir os objetivos a que nos propusemos a esse nível, já que pelo menos a nível de
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comunicação não-verbal, obtivemos sempre resultados positivos, registando-se também algumas ocorrências positivas ao nível da comunicação verbal, tal como comprovam os registos das grelhas de observação de desempenho no software educativo “Os jogos da Mimocas” e se pode comprovar no quadro 6, apresentado de seguida:
Quadro 6– Verbalizações da Maria
Sessão Verbalizações
1 Meu.
2 Oó; xixi.
3 Iocas; pé; papa; opo; pumo; pá; eca.
4 Ino; ina.
5 Mela; duda.
6 Mela; duda; ato.
7 au, au; piupiu; arhhh.
8 au, au; piupiu; arhhh.
Constata-se a grande capacidade de imitação que a menina possui, o que dadas as grandes limitações a nível comunicativo, torna bastante eficaz a sua comunicação com os pares e com os adultos. O seu discurso é caraterizado pela holofrase, comunicando através de um número reduzido de palavras funcionais, verbalizando a maioria por imitação. Apresenta uma grande capacidade de comunicação não-verbal, através da qual aponta, faz gestos e sons para expressar os seus interesses.
Depois da intervenção puderam-se registar pequenas alterações positivas na situação comunicativa da criança, nomeadamente as solicitações de ajuda para a utilização do rato, bem como para a utilização do software educativo, ressalvando que este passou a ser utilizado no contexto educativo da Maria reforçando as possibilidades de sucesso da mesma, já que essa utilização pôde ajudar a consolidar as intervenções. Verificou-se que a criança ao longo da intervenção foi registando progressos ao nível da sua intenção comunicativa, nomeadamente na solicitação de ajuda para o desenvolvimento das tarefas.
Mesmo depois da intervenção direta com a Maria ao nível das TIC, é com agrado que ouvimos da educadora titular do grupo a voz de entusiasmo perante a utilização do software educativo ”Os Jogos Da Mimocas”, não só em trabalho individualizado com a menina mas também com o grande grupo, contribuindo esse facto para a melhor inclusão da Maria no grupo. Segundo a educadora de infância da Maria, existem agora atividades que a menina realiza com os seus pares sem medo e com grande euforia, dado que conseguiu aumentar ligeiramente o seu nível comunicativo e o seu tempo de concentração por se encontrar verdadeiramente fascinada pelas Mimocas e motivada para a utilização do software.
A motivação é, para Rosário (2005), um indicador fundamental para o sucesso da aprendizagem. Assim, um aluno motivado tem a capacidade de reajustar o seu comportamento, de organizar as suas estruturas cognitivas, no sentido de atingir um fim ou um objetivo. Mais ainda, se pode acrescentar, que a motivação promove o envolvimento dos alunos na sala de aula,
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aumentando o nível de interações, a troca de experiências e, posteriormente, a construção de conhecimentos.
Cada vez mais acreditamos na envolvência que se mostra facilitadora do sucesso, não nos referimos só à envolvência da criança nas atividades mas de todos os elementos que fazem parte do contexto educativo e familiar da mesma. Há que nos envolver para tomarmos plena consciência de que, apesar dos resultados, demos o nosso melhor e que caso a primeira tentativa não surta os efeitos pretendidos, devemos continuar a traçar caminho, pois como se diz no senso comum “só aprendemos a levantar-nos depois de cairmos algumas vezes”. Tivemos intenção de proporcionar-lhe êxitos para que se envolvesse e acreditasse cada vez mais nela própria.
Pôde-se verificar que é necessário continuar o trabalho de estimulação da linguagem, da cognição e da autonomia através de estratégias variadas de diferenciação positivas que promovam e desenvolvam as referidas áreas e que envolvam a família em todo o processo de ensino-aprendizagem. Sabemos que o papel da família no desenrolar de toda esta situação é fundamental para que todos os intervenientes do processo educativo da Maria sigam na mesma direção, colaborando uns com os outros, apoiando a menina e ajudando-a a ultrapassar as suas dificuldades, reforçando as suas capacidades, contribuindo assim para a promoção da sua qualidade de vida.
A comunicação é o suporte do processo de aprendizagem, perturbações graves ao nível da comunicação e da linguagem funcionam como um obstáculo ao desenvolvimento de outras competências cognitivas como o raciocínio, o pensamento, a memória e a aprendizagem. Assim, é imprescindível e urgente que se invista no desenvolvimento de estratégias de apoio à comunicação, devendo essas passar pela utilização das TIC como alavanca para a motivação e sucesso comunicativo.
Neste sentido, é preponderante capacitar os docentes para conseguirem dar resposta à multiplicidade de alunos que recebem, o trabalho tem que partir do professor e da sua predisposição deste para agir face à crescente heterogeneidade dos alunos. Acreditamos ter conseguido motivar a educadora de infância da Maria a refletir sobre as estratégias adotadas e a incluir na sua prática pedagógica o uso das TIC como ferramentas facilitadoras do sucesso.
Também já ALMEIDA (2006) e Quelhas (2011) desenvolveram estudos que demonstram a eficácia da utilização das TIC na inclusão de crianças com NEE, sendo imprescindível que a comunidade escolar seja dinâmica e apetrechada quer de recursos físicos quer de recursos humanos, o que não se verificou na instituição onde desenvolvemos a nossa investigação, já que a nível de recursos materiais apresentam grandes lacunas, nomeadamente na área das TIC. Posteriormente ao nosso estudo movem-se já esforços na instituição no sentido de angariar fundos para a aquisição de material informático que irá com certeza ajudar na promoção do sucesso daquelas crianças.
Foi para nós gratificante termos tido a possibilidade de nos encontrarmos e percorrermos juntos esta caminhada da utilização das TIC no processo educativo da Maria. Sentimos que contribuímos para que o dia-a-dia desta criança fosse rico de afetos, brincadeiras, partilhas, jogos, momentos de exploração da fantasia, mas sobretudo sentimos que o estar disponível para o outro foi uma constante entre nós, pois só assim conseguimos sentir mais as coisas, fossem elas boas ou más e avançarmos com passos firmes e seguros. Conseguimos cumprir os objetivos a que
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nos propusemos adotando uma metodologia de intervenção que se revelou bastante adequada às necessidades da Maria, contribuindo para o alargamento das competências comunicativas da menina e consequentemente para a melhoria da sua QV.
A Maria tem no seu olhar, as cores do arco-íris e o brilho do sol, tem o encanto de saber sonhar, é a inocência e a rebeldia... Enfim, possui algo de maravilhoso, tem a Magia de Ser Criança!