TITRE III – CONTENU DE L’ANNEXE
Section 4 – Tableau de variation des fonds propres
O corpus a seguir alcançou 21.044 ocorrências de palavras, sendo 2.657 formas
distintas. Esse corpus por sua vez foi dividido em 613 segmentos de texto, e, destes, 515, ou
seja, 84,01% do total de palavras foram equiparadas fazendo com que este corpus mostre que
a visão é muito mais compartilhada sobre o assunto abordado. Neste caso, o dendograma
ficou dividido em cinco Classes distintas, subdivididas em partições. No primeiro momento
uma grande partição surgiu formando três eixos que por sua vez se desdobrou em outras duas
partições, gerando uma subclasse que por seguinte, obteve uma segunda subclasse.
Observando o dendograma deste corpus através da figura 8 da esquerda para direita e de
baixo para cima, percebe-se que no primeiro eixo, se gera uma subpartição envolvendo a
Classe 1, ligada diretamente a sub divisão formada pela Classe 4 que por sua vez está ligada a
uma segunda sub divisão, formada pelas Classes 3 e 2. A Classe 5 ficou isolada e ligada aos
Figura 11. Dendograma – representação social de Inclusão para TCD e TSD.
Para melhor compreensão, é apresentado a seguir, pela figura 9 o dendograma cujas
palavras mais presentes nas falas dos participantes foram organizadas em Classes nomeadas
igualmente de acordo com o assunto/fenômeno apresentado, seguindo as palavras com maior
significância, apresentando mais uma vez, possibilidades de observar representações sociais
acerca do processo de inclusão destes sujeitos.
Desta forma, a Classe 1, fora nomeada como “minha inclusão”, a Classe 2, nomeada como “minha deficiência no trabalho”, a Classe 3, “como enxergo minha deficiência”, a
Classe quatro, nomeada como “política, sociedade e inclusão” e por fim, a Classe cinco
Figura 12. Dendograma da classificação hierárquica descendente do corpus representação social de Inclusão para TCD e TSD.
Observa-se que a Classe 3 se refere ao modo em que os trabalhadores, sobretudo os
que possuem alguma deficiência, enxergam esta condição em detrimento aos demais em seu
ambiente de trabalho, tomando a ideia de que a inclusão que tiveram no grupo profissional
não foi exclusivamente dado pelo fato de estes possuírem deficiências físicas ou mentais.
Falas como:
[...] eu sempre fui assim, então embora eu tenha minhas limitações, mas para mim como eu falei esse é o meu normal, então não consigo me enxergar como uma pessoa tão a parte da sociedade (Transcrição da entrevista do participante 13, TCD, homem, 32 anos).
Ideia que também é defendida por trabalhadores sem deficiências. Estes ainda
trabalho, antes de reconhecer o outro como uma pessoa com deficiência, demonstrando que
neste ínterim também se dá um processo de inclusão favorecido dentro de um ambiente de
trabalho, isto pode ser observado nas falas a seguir:
[...] se eu enxergar a pessoa com deficiência como uma pessoa dentro do universo, uma pessoa que está ali para contribuir, uma pessoa que está ali para viver e precisa disso, a deficiência vai embora (Transcrição da entrevista do participante 8, TSD, mulher, 33 anos).
[...] eu preciso enxergar a pessoa com deficiência como se aquela deficiência também fosse minha(Transcrição da entrevista do participante 6, TSD, mulher, 34 anos).
Tais afirmações e a Classe 3 como um todo demonstram correspondência com o que
encontramos na Classe 2, onde palavras como “limitação”, “necessidade”, “significado”, “experiência”, “limitar” e “atividade” vão nos mostrar mais sobre a deficiência em si, seja
limitações provenientes das deficiências físicas ou mentais para os TCD, como também as
limitações que TSD também relatam em seu contexto de trabalho:
[...] minha limitação aqui é justamente a dificuldade que temos de conseguir melhorar nosso ambiente físico de trabalho, a burocracia e o pouco orçamento são mais difíceis de resolver do que minha visão (Transcrição da entrevista do participante 7, TCD, homem, 37 anos).
Esta narrativa em especial é muito representativa ao ponto de demonstrar que as
condições e os processos de trabalho, bem como suas dificuldades e tentativas de melhoria
atingem a todos os trabalhadores, sejam eles TCD ou TSD.
[...] para mim todos temos limitações, em resumo, para mim a pessoa tem uma deficiência quando não consegue responder ao que lhe é demandado no momento que se precisa fazer algo (Transcrição da entrevista do participante 7, TSD, homem, 37 anos).
[...] então eu tenho uma deficiência, mas que não me limita para outras coisas, então acho que é isso, todos somos deficientes, porque isso é relativo, eu posso ter deficiência em uma atividade, um procedimento que você consegue fazer normalmente (Transcrição da entrevista do participante 4, TSD, mulher, 57 anos).
Neste ponto nos aparece algo interessante: há um movimento identitário manifesto. Quando a trabalhadora diz que “todos somos deficientes”, ela dilui a diferença que poderia
estigmatizar e se coloca como uma pessoa com deficiência, de certa forma isso é positivo na
promoção da inclusão, mas também pode ser um meio de não visualizar as diferenças e
necessidades próprias da PCD, uma visão de igualdade, mas não de equidade como já
dialogado neste trabalho.
Ao lado destas, se encontra a Classe 4 no qual aborda questões gerais, levantadas
pelas participantes TCD e TSD sobre políticas de inclusão e sociedade a partir de suas
próprias vivencias. Nesta Classe, palavras como “preconceito”, “inclusão”, “existir” e “legislação” estiveram presentes nas falas, o que demonstra uma mudança na visão sobre o
tema da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, que podem demonstrar
uma evolução nas ações de inclusão, porém que ainda demonstra a presença de preconceitos.
No entanto, ressalto que tais conceitos são voltados com maior ênfase ao processo de inserção
de pessoas com deficiência para o setor privado:
[...] acredito que o preconceito ainda é o maior empecilho para que a inclusão social fosse mais forte, as empresas poderiam ter a iniciativa ao invés de serem forçadas pelo governo para promover essa inclusão (Transcrição da entrevista do participante 23, TCD, homem, 27 anos).
[...] hoje aqui na UFRN se vê normalmente colegas que são deficientes serem mais desenrolados que os outros, eles tem mais vontade de trabalhar sabe, e isso faz com que a gente veja eles diferentes, já no setor privado às vezes tem um pouco de preconceito, não sei, acham que vai ser mais difícil que a pessoa desempenhe as atribuições como os demais(Transcrição da entrevista do participante 9, TSD, mulher, 30 anos).
[...] acho que a maior dificuldade para existir a inclusão é a dificuldade da gente aceitar a diferença né, acho que o diferente assusta a gente e podemos acabar não sabendo lidar com tal situação, isso gera muito preconceito e inibe muito que pessoas com deficiência procurem se entrosar também (Transcrição da entrevista do participante 30, TSD, mulher, 23 anos).
No que concerne aos instrumentos jurídicos que buscam promover tal inclusão, os
participantes que possuem deficiência demonstram mais domínio do tema em contrapartida
aos demais, isso pode ser justificado pela própria condição imposta pela deficiência que os
obriga de certa forma a buscar amparo legal em seu processo de inserção no mundo do
trabalho. Porém, trabalhadores que não possuem deficiência não demonstram total
desconhecimento dos documentos jurídicos, tendo em vista que estes trabalham em esfera
administrativa de nível federal e que tem todo seu trabalho amparado em legislações:
[...] inclusão é uma política necessária no Brasil devido a própria característica do brasileiro que se preocupa muito com a produtividade (Transcrição da entrevista do participante 1, TSD, homem, 45 anos).
[...] ainda tem que evoluir muito e mostrar que a diversidade agrega tanto os funcionários quanto a empresa para promover a inclusão, acho que abordar temas como este amplia os debates que cercam essa temática e mostra pelo exemplo que é possível trabalhar com pessoas com deficiência e ter um bom desempenho (Transcrição da entrevista do participante 28, TSD, homem, 30 anos).
E por seguinte, ligado diretamente à esta subdivisão, forma-se a Classe 1 onde os
participantes demonstram em suas falas seu sentimento a respeito de sua própria inclusão e como ela ocorreu. Entre outras, as palavras com maior frequência foram: “incluído”, “sentir”,
“equipe”, “ambiente”, “grupo” e “incluir”, demonstrando através de falas como as abaixo, que
o processo de inclusão destes participantes ocorreu de forma sólida:
[...] inclusão significa estar dentro de algo, fazer parte daquilo ali e se sentir membro, e isso deve partir do grupo sabe, não do próprio indivíduo (Transcrição da entrevista do participante 23, TCD, homem, 27 anos).
Neste corpus e em especial nestas narrativas, aparece os termos “incluir” e “incluído”.
Podemos entender que em sua formação, a CHD separou essas duas palavras provavelmente
porque aparecem em contextos diferentes: Se sentir incluído remete às narrativas e vivências
com deficiência criando assim uma identidade na inclusão, promovendo o sentimento de
pertencimento.
[...] sempre fui bem aceito porque nunca me olharam diferente ou acharam que eu não era capaz, sempre me ofereceram ajuda como também por muitas vezes me pediram ajuda e isso é exatamente o que me faz perceber minha inclusão(Transcrição da entrevista do participante 21, TCD, homem, 31 anos).
[...] me sinto incluído aqui sim, nós acabamos criando vínculos com o pessoal, já convivemos juntos aqui a muitos anos e quase todos os dias estamos no mesmo ambiente, então alimentar essa relação positiva é fundamental para mantermos um bom espaço de trabalho (Transcrição da entrevista do participante 30, TSD, mulher, 23 anos).
Na narrativa do participante 21, TCD, fica evidente seu papel ativo enquanto
trabalhador com deficiência: não é por possuir deficiência que esta pessoa possui limitações
incapacitantes, nos mostra que todos possuem limitações, precisam de ajuda da mesma forma
que podem oferecer auxílio. Na mesma direção, mudando apenas o contexto, a participante
30, TSD nos indica que o processo de inclusão e o sentimento de “fazer parte” fortalecem as
relações socioprofissionais, sentimentos de coletivo no trabalho.
Por fim, encontramos na Classe 5 que ficou isolada das demais por tratar de questões
relacionadas novamente a possibilidades e conquistas propiciadas pelo trabalho, viabilizadas
pela inserção dos trabalhadores com ou sem deficiência no mesmo ambiente de trabalho.
Como já citado anteriormente no corpus “TCD para TCD”, é notável a construção de
significações e sentidos do trabalho entre TCD e TSD, ao passo em que para o trabalhador
com deficiência denota maior sentimento ao seu processo de inclusão por trazer consigo condições vistas pelos demais como “limitantes”, não tendo o mesmo peso para os
trabalhadores sem deficiência que mesmo se sentindo “pertencentes”, incluídos em seu
ambiente de trabalho sem os esforços e preconceitos a que são submetidos os TCD, nem sempre vistos como “capazes” ou ainda sentindo-se acolhido e pertencente ao grupo social.
Entre as palavras como maiores destaques nesta Classe, teremos “conquista”, “casa”, “carro”, “Deus”, “realização”, “comprar”, “independência” e “família”. Denotando que tais
conquistas envolvem outras esferas da vida destes participantes, no qual afirmam que o
trabalho acaba sendo central, já que é este que os possibilita estarem em sintonia com as
demais esferas que abarcam sua vida pessoal.
[...] Deus que me deu essa capacidade de conquistar o trabalho e através dele me proporcionar as coisas que eu tenho hoje, tudo o que tenho foi trabalhando no decorrer desse tempo (Transcrição da entrevista do participante 17, TCD, homem, 55 anos).
[...] muitas vezes eu sinto esse retorno dos meus chefes que eu sou tão grata por estar ali trabalhando, eu faço até mais do que se fosse uma pessoa sem deficiência porque eu valorizo o que eu conquistei com esse trabalho (Transcrição da entrevista do participante 12, TCD, mulher, 37 anos).
[...] a primeira coisa que meu trabalho me possibilitou foi o de conquistar minha independência financeira, com isso pude conseguir comprar minhas coisas, viajar para fora do país e com meu trabalho eu realizei os meus sonhos (Transcrição da entrevista do participante 28, TSD, homem, 30 anos).
[...] o trabalho desde sempre me propiciou ter meu próprio sustento, então desde que saí de casa e não tive ajuda financeira de ninguém, o trabalho foi o único que me permitiu ter meu espaço, minhas coisas (Transcrição da entrevista do participante 30, TSD, mulher, 23 anos).
Neste momento nos parece que para os trabalhadores entrevistados a inclusão se
apresenta na necessidade de igualdade e de relevar as limitações dos TCD, por considerar que
todas as pessoas possuem dificuldades e limitações. É uma representação humanista da
inclusão. Mas a inclusão também se apresenta como um sentimento de pertencimento, quando
a pessoa tem esse sentimento, então ela também se sente incluída. Ao que parece,
especialmente para os TCD, a inclusão se relaciona com um olhar do outro para si, como de
alguém que pertence de fato ao grupo, ou seja, há sentimento de pertença social e relação
endogrupal.
Com isso, finalizamos esta seção tendo claro que tanto os TCD quando os TSD são
agentes construtores de tais representações sociais, pois estão ligados diretamente a ação da
inclusão, sendo o contexto do convívio diário no ambiente de trabalho a fonte principal de
construção destas representações que vão direcionar as práticas adotadas pelos grupos do qual
Considerações finais
Ao chegarmos aqui, conseguimos compreender através das narrativas dos participantes
qual a atitude tomada por estes frente a trabalhadores com deficiência e seu processo de
inclusão, fornecendo ação favorável em relação a ação do incluir, possibilitando uma
evolução positiva das ideias errôneas de incapacidade dos trabalhadores com deficiência.
Com isso compreendemos que as representações sociais de TCD para TSD e os próprios
PCD, identificadas neste estudo, considerando as práticas de inclusão, se mostram na
evidência da própria prática de inserção e inclusão nos setores públicos estudados.
Sendo esta inclusão uma ação tanto ocasionada para aplicação da legislação própria
quanto pelas atitudes tomadas por trabalhadores sem deficiência no processo de inserção de
TCD em seu grupo de trabalho após constatação de que estes são vistos como trabalhadores
sem limitações, mesmo com as ideias de incapacidades defendidas pelo senso comum. Vale
salientar que os participantes deste trabalho, com ênfase nos TSD, tinham contato direto com
TCD e isso possibilitou que conseguissem experenciar de forma concreta quais as
dificuldades sentidas pelos trabalhadores com deficiência, que inclusive se mostraram ser as
mesmas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores sem deficiência, mostrando desta forma
uma igualdade na aceitação e posteriormente na inclusão dos participantes com deficiência
em seu ambiente de trabalho. Aqui talvez, pessoas que não possuam esse contato direto com
TCD poderiam ter uma visão mais negativa e pessimistas, normatizando a ideia de
incapacidade de pessoas com deficiência de exercerem atividades laborais tanto quanto
Neste sentido, compreendemos que as representações sociais de TCD para TSD são
positivas ao passo de que as informações, o conhecimento que o grupo de trabalho tem sobre
a inclusão, por ser uma experiencia pessoal dos próprios TSD, fornece a ação direta ou seja, a
atitude frente a inserção de trabalhadores com deficiência em seu grupo, experimentando
através de suas vivencias cotidianas que as dificuldades são as mesmas e que as limitações
todos nós as possuímos, sejam de natureza física ou não.
Reforçamos que as representações sociais identificadas neste trabalho como a de que os TCD estão equiparados aos TSD no exercício da atividade serve de fato como um “manual
de práticas” para comportamentos a serem adotados de um para o outro, no qual em um
ambiente fora do contexto de trabalho tal função irá preservar e justificar a diferenciação
social, possibilitando a cristalização de preconceitos oriundos do senso comum.
Em contrapartida, percebe-se que o processo de inclusão teve avanços significativos
desde a criação de legislações que beneficiam a inserção de PCD no mercado de trabalho, seja
privado ou público, entretanto, muitos fatores que dificultam esse processo foram apontados,
como preconceitos ainda existentes, sendo necessário uma continua batalha e divulgação
pelas experiencias de que as limitações não são incapacitantes e nem são de ordem físicas,
neste caso se faz necessário haver constantes revisões nas políticas para garantia permanente
de direitos de PCD quanto a constante capacitação e diálogo entre gestores e TSD sobre a
participação inclusiva de TCD no exercício da atividade laboral para que a inclusão seja
realmente efetiva e não meramente mais uma lei a ser cumprida.
Também identificamos através de dados sociodemográficos que há uma notável
diferença entre a inserção de PCD no quesito de gênero, isso pelo fato de haver uma
intersecção no fenômeno estudado, já que há notáveis diferenças na empregabilidade entre
gêneros no mercado formal e que gera incontáveis discussões sobre esta questão. Como foge
gêneros PCD neste estudo, salientamos que pouco material publicado se volta para esta
questão: a diferença de inserção entre mulheres e homens PCD no mercado de trabalho,
ficando aqui minha sugestão para o lançamento de olhares cuidadosos e o posterior
desenvolvimento de estudos que abarquem tão importante discussão.
No levantamento de estudos sobre empregabilidade de pessoas com deficiência no
setor público, comparando os resultados da pesquisa realizado com servidores públicos de três
Instituições Federais de Ensino Superior localizadas no Rio Grande do Norte e na Paraíba,
nosso marco teórico-conceitual e as teses e dissertações com temática semelhante localizadas
por meio de revisão integrativa de literatura no repositório da CAPES/MEC se verifica
aproximações entre os resultados apontados por outros autores em seu estudo, sobre as
dificuldades partilhadas pelos trabalhadores com e sem deficiência e problemáticas que são
próprias dos TCD e que nem sempre podem contar com os colegas para a resolução, mas que
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