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tableau de référence des dispositifs de soutien postural (dsP)

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Em diferentes momentos da rotina das crianças, a música esteve presente pelos pedidos que faziam, o que também me permitiu analisar os seus comportamentos, quando esta era utilizada. Remetendo às notas de campo que validam estes momentos pode-se verificar que: “Quando coloquei música na sala, a

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juntaram-se aos pares, aos trios e em quádruplos, por iniciativa própria. Também dançaram com almofadas ou outros bonecos” (Nota de campo, 12 de maio de 2015).

Era notória a satisfação das crianças por aquilo que ouviam, sendo um ótimo momento que demonstrou a capacidade do grupo se relacionar, sem ser necessário a intervenção do adulto, tendo sido a primeira vez que os vi a interagirem com crianças com quem não costumavam relacionar-se, pelo que percebi que começava a evidenciar-se um conceito de grupo, de união, de companheirismo e de coesão. Exploraram livremente o espaço, dançaram, cantaram e a alegria foi constante, uma vez que “a música e a dança permitem a expressão pelo gesto e pelo movimento, que traz satisfação e alegria” (Estevão, 2002, p.34): “O S.A. era o mais animado, sorria,

saltava e batia palmas enquanto andava pela sala. O M.R. e o L.G. andavam à volta da sala, atrás um do outro, a dançar. O M.Ca. estava agarrado à N.I. a dançar. Posteriormente, vi o M.R. a dançar agarrado ao L.G., mas sem se magoarem” (Nota

de campo, 12 de maio de 2015). Realmente, a música foi facilitadora da relação entre as crianças que, autonomamente, formaram grupos e divertirem-se em conjunto.

Outro momento da rotina em que a música interferiu nas atitudes do grupo foi durante as refeições, em que foi visível que “a criança é capaz de sentir um enorme prazer em viver a música mesmo sem conhecer os seus códigos, e que também é capaz de criar” (Amado, 2007, p.39): “O grupo estava ansioso pelo almoço e o

ambiente estava muito ruidoso. O M.A. perguntou “Podem pôr o CD da Bia?”. A educadora consentiu e colocou-o. O ambiente ficou mais sereno e as crianças concentraram-se a ouvir a canção. O M.M. começou a bater palmas e, de um momento para o outro, todos estavam a bater palmas e a cantar” (Nota de campo, 6

de maio de 2015). A música revelou-se uma estratégia importante para estabilizar e controlar a ansiedade do grupo, possibilitado um ambiente mais tranquilo no refeitório. Para recolher os dados para a investigação, também procedi ao registo de notas de campo das aulas de músicarealizadas por uma professora externa. Fazendo a análise das mesmas, pude constatar que a atitude das crianças era relativamente distinto daquele que apresentavam durante outros momentos do dia: “Apercebi-me

que o grupo mostrava bastante interesse e motivação na aula de música, algo evidente pela animação, concentração e participação ativa de todos. Constatei que ficaram um pouco mais calmos, não se envolvendo em conflitos entre pares, algo que acontece durante o dia-a-dia” (Nota de campo, 10 de março de 2015).

42 parte da professora, as crianças acabavam por ficar um pouco ansiosas e desconcentradas por estarem sentados à espera, começando a brincar ou a falar com os colegas: “Enquanto espera que a professora cante outra canção, o P.N. diz “Já

podemos ir embora, agora é o adeus”, enquanto se ri. O S.A., por sua vez, vai buscar um brinquedo que se encontra debaixo da mesa. O L.G. deita-se no chão e tenta alcançar os instrumentos da professora” (Nota de campo, 22 de abril de 2015).

Quando a professora voltava a tocar algum instrumento, a cantar ou colocava uma canção, o grupo retomava a tranquilidade, agradando-lhes “uma diversidade de experiências musicais” (Gesell, 1979, p.324): “Quando a música começa, o silêncio é

retomado, viram-se para a frente espantados com o que estão a ouvir. “Ah…”, diz o L.G. surpreendido. Escutam a canção com atenção e riem-se da situação. O M.R. diz “Olha a música”, ficando pasmado a olhar para as colunas. O L.G. refere “Olha este é o galo! Ah agora é o sino da igreja”. O grupo reage ao que ouve, fazendo comentários e mostrando-se muito participativo” (Nota de campo, 22 de abril de 2015).

De salientar que a criança que apresentou uma atitude totalmente distinta do dia-a-dia foi o M.R., que aquando das aulas de música ficava muito sereno e concentrado naquilo que estava a assistir: “O M.R. observa a professora, sorrindo,

cantando e dançando ao som da música. Começa a bater palmas, sem nunca desviar o olhar da professora, enquanto abana a cabeça de um lado para o outro” (Nota de

campo, 29 de abril de 2015). Ao observar as ações do M.R. percebi que, tal como defende Gardner (1983), citado por Hohmann e Weikart (1997), “as crianças pequenas relacionam, de forma natural, a música e o movimento corporal, achando virtualmente impossível cantar sem acompanhar essa acção com actividade física” (p.657).

Constatei que estas aulas também promoviam a interação entre as crianças que, quando envolvidas nas atividades de música, participavam ativamente, demonstrando gostar de “exprimir-se por música e de elas próprias fazerem música” (Gesell, 1979, p.334): “O S.A. bate entusiasmado no banco; o M.R. bate no banco,

canta e sorri; o L.G. bate no banco e chama à atenção do amigo “S.A., olha! S.A.”, para que ele o veja a tocar; o M.A. toca no banco e sorri ao mesmo tempo; o P.N. está bastante atento a cantar e a olhar à sua volta” (Nota de campo, 29 de abril de 2015).

Após a observação direta das sessões de música e de as analisar criticamente, pude comprovar que durante os momentos em que as crianças estiveram efetivamente envolvidas e em interação com a música, permaneceram tranquilas, animadas e participativas, demonstrando o interesse e motivação. Porém, aquando

43 das transições entre canções, quando não estavam a cantar, dançar, tocar ou a escutar, ficavam mais irrequietas, sendo evidente alguma ansiedade por terem de permanecer no mesmo espaço, sem efetiva interação e perdiam a atenção na sessão, algo que considero totalmente expectável tendo em conta as idades das crianças e o tempo de atenção reduzido que caracteriza esta faixa etária. Concluo que a música é “um importante aspecto da infância precoce, pelo facto das crianças mais novas estarem tão abertas a ouvir e a fazer música, e a moverem-se ao seu som” (Hohmann & Weikart, 1997, p.658) e é um dos fatores que impulsiona a adoção de atitudes positivas por parte das crianças e que potencia o seu desenvolvimento social, pois através desta é visível a partilha, o diálogo e a comunicação que estabelecem, o que acaba por fomentar as suas relações interpessoais.

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