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Terminada a transferência, ou seja, concluída a tradução do texto de

partida, a fase seguinte passa pela revisão do texto de chegada. O próprio

tradutor nesta fase encontra-se condicionado pelo trabalho executado na fase de

transferência, pelo que qualquer revisão que efectue, embora necessária para

detecção de gralhas e ajuste a nível sintáctico da construção frásica, será

insuficiente para garantir a máxima qualidade do produto, tanto a nível linguístico

como científico. Por esse motivo é de extrema importância recorrer a um revisor

linguístico e a um validador/revisor científico que se encontre em condições de

efectuar uma revisão crítica da tradução.

5.3.1 Revisão Linguística

O objectivo principal da revisão linguística vai muito além da simples

revisão ortográfica e sintáctica. Pretende-se deste modo detectar, para além de

traduções menos correctas, situações em que, por contaminação da língua de

partida, a opção aceite pelo tradutor não é natural no sistema de chegada pelo

que deve ser encontrada uma outra solução que se adapte melhor.

Um exemplo óbvio de uma situação de contaminação da língua de partida

pode ser observado na pág. 101, onde surge por diversas vezes a palavra

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verdade, numa situação em que a autora se refere especificamente à quantidade

de sal nos alimentos, não será natural a utilização do termo sódio em português

mas sim simplesmente sal.

Devido a circunstâncias diversas, como falta de conhecimento de

determinada situação na língua de partida ou do sistema cultural de partida, é

possível que, por vezes, escapem ao tradutor determinados matizes no texto de

partida que são facilmente identificados pelo revisor linguístico. Foi o que

aconteceu durante a execução do projecto em causa.

Anteriormente, abordou-se a problemática dos jogos de palavras com

função apelativa em títulos. No entanto, jogos de palavras podem e são também

utilizados por vezes para reproduzir efeitos rítmicos.

Linda Hamilton, na página 53, reproduzindo um recurso frequente no

desporto e dança, recorre à pronúncia de números para marcar o ritmo de

execução de um determinado exercício:

“[…] counting „one thousand, two thousand, three thousand‟ […]”

À superfície a tradução desta passagem aparenta ser muito linear e

directa, o que conduziu o tradutor à seguinte solução:

“[…] contando „mil, dois mil, três mil‟ […]”

Porém, como apontado pelo revisor linguístico, a tradução à letra desta

passagem é uma solução que não cumpre o objectivo pretendido, ou seja, não

reproduz o efeito rítmico, o compasso a dois tempos, pretendido pela autora.

Humberto Eco defende que “Para preservar o nível rítmico, o tradutor pode

eximir-se de um obséquio à letra do texto-fonte.”

(Eco, 2005: 70). De acordo com

este princípio e identificado o objectivo principal da expressão a traduzir é

permitido que o tradutor vá além da tradução à letra e recorra a uma solução de

equivalência dinâmica. Neste caso específico o resultado é o seguinte:

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Manteve-se desta forma, a nível rítmico, o compasso a dois tempos e, à

semelhança do texto de partida, a referência numérica.

Segundo Ana Maria Bernardo “Para além da intenção do produtor do texto

de partida concretizada no texto, o tradutor deve considerar também a intenção

da recepção, isto é a relevância que o leitor da tradução atribui à informação…”

(Bernardo, 1999: 84). Vai ainda mais longe e afirma “O tradutor poderá ter que

fornecer informação suplementar… poderá também ter de contextualizar itens

inesperados…” (Bernardo, 1999: 84).

Na pág. 80, Linda Hamilton descreve a imagem mental de um exercício

físico:

“(visualizing your spine as a strand of pearls as you roll back down from the sitting position to the floor, for example).”

A tradução proposta inicialmente pelo tradutor foi:

“(visualizar a coluna como um fio de pérolas quando desenvolve da posição sentada para o chão, por exemplo).”

Aparentemente, a tradução à letra está correcta. No entanto, uma

observação mais profunda permite verificar que existe algo na imagem visual

criada no texto de partida que falta no texto de chegada. Sendo assim, é

necessário desconstruir a metáfora para perceber a imagem associada. Para isso,

o tradutor tem de fornecer informação suplementar, contextualizando a imagem

metafórica.

“(visualizar a coluna como um fio de pérolas enquanto se vai encostando, vértebra ante vértebra, desde a posição sentada até à posição deitada, por exemplo).”

Mantendo a imagem metafórica fornecida pelo texto de partida, adicionou-

-se informação que permite uma melhor compreensão da mensagem por parte do

receptor.

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5.3.2 Revisão Científica

O texto de partida objecto deste projecto de tradução consiste num texto de

divulgação científica, tal como definido nos pontos anteriores. Um dos motivos

que conduz a esta classificação prende-se com o facto de o texto, para além de

possuir um valor elevado de terminologia específica, neste caso no âmbito da

medicina e saúde, propõe-se divulgar conhecimentos técnicos nas áreas em

causa entre um público não especialista.

Uma vez que nem o tradutor nem o revisor linguístico são especialistas nas

áreas, tornou-se óbvia a necessidade da validação não só da terminologia médica

associada, mas também dos termos em contexto e de determinadas expressões

vulgarizadas no meio e consagradas pelo uso.

À semelhança do que aconteceu com o revisor linguístico, também o

validador/revisor científico apontou casos em que, por contaminação do texto de

partida, a opção tomada pelo tradutor não seria a mais adequada. Por exemplo, o

termo “carbohidrates”, literalmente pode traduzir-se como “carbohidratos”. Esta

opção, embora aparentemente esteja mais próxima do termo em inglês, não é o

termo vulgarizado entre o público português sendo preferido

“hidratos de

carbono”.

Situação idêntica aconteceu com termos como “cross-training”, inicialmente

traduzido como “treino multidisciplinar”, mas que, de acordo com o revisor

científico, o termo correcto mais utilizado seria “treino cruzado”.

Noutras situações ocorreu que determinado termo em inglês ou não foi

identificado como termo técnico por falta de conhecimento na área por parte do

tradutor, ou não foi encontrado o correspondente para a língua portuguesa. Por

exemplo, na página 30, surge o termo “growth spurts” que se repete por diversas

vezes ao longo do texto. Embora o tradutor tenha feio um esforço por encontrar

uma tradução adequada, a melhor solução a que chegou foi “nível de

crescimento”. Apenas com a ajuda do revisor científico, que identificou de

imediato o termo, foi possível encontrar uma solução mais satisfatória e adequada

– “picos de crescimento”.

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Exemplo semelhante foi identificado pelo revisor científico na página 51 -

“anti- -gravity muscles”, traduzido inicialmente como "músculos antigravidade". De

facto a proposta do tradutor não é a mais adequada, pelo que o revisor sugeriu

"músculos anti-gravíticos”. No entanto, há que analisar esta opção do ponto de

vista linguístico.

Este termo é composto pelo prefixo de origem grega anti- seguido do

adjectivo gravítico. De acordo com Celso Cunha, as palavras derivadas por

sufixação não requerem a utilização de hífen a separar o prefixo da raíz (Cunha,

2002: 89). Sendo assim a forma escrita correcta do termo seria “músculos

antigravíticos”. Após nova pesquisa do termo, agora com a nova forma, percebeu-

-se que embora “antigravíticos” seja sinónimo de “antigravitacionais”, a segunda

forma apresentada do termo é de facto a mais utilizada em Portugal, pelo que o

tradutor optou como solução final por “músculos antigravitacionais”.

A falta de terminologias e/ou glossários médicos multilingues coloca

algumas dificuldades quando o tradutor procura encontrar determinados termos.

Frequentemente esta lacuna leva a que se tente encontrar o equivalente de

determinado termo recorrendo à definição do mesmo na língua de partida e

posteriormente na língua de chegada.

Claro que esta é uma solução possível mas que não invalida a

probabilidade de erro uma vez que implica a interpretação do tradutor das

definições dos termos em ambas as línguas, O que pode conduzir a que,

inadvertidamente, se cometam erros científicos.

Foi o que aconteceu com o termo “drawer sign”. Na falta de um glossário

que fornecesse um equivalente em português o tradutor recorreu ao processo

anteriormente descrito, partindo da interpretação da explicação dada no texto de

partida para este tipo de lesão. A solução encontrada foi "ruptura do ligamento

cruzado".

No entanto, o revisor científico, especialista na área da saúde, percebeu de

imediato que a lesão referida pela autora é o “sinal da gaveta anterior”, o qual

pode ser indicativo de ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho, o que

induziu em erro o tradutor não especialista.

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De facto o tradutor não sendo especialista na área tem tendência a

procurar identificar os termos técnicos para ter a certeza de que traduz de forma

adequada. No entanto, facilmente lhe passa desapercebida a utilização de

determinadas de formas de verbos e adjectivos específicos e característicos de

determinado meio. Por exemplo na pág. 30:

“[…] especially prevalent in women, […]”

Aparentemente a tradução deste segmento não coloca problemas a nível

linguístico ou terminológico. A tradução seria directa:

“[…] particularmente prevalecentes nas mulheres, […]”

Nesta expressão seria muito difícil para um leigo identificar algo

característico relacionado especificamente com o meio médico. No entanto, um

especialista rapidamente identifica a utilização errada do adjectivo.

Por outras palavras, num dicionário genérico a tradução de “prevalent” é

“prevalecente”. Mas, de acordo com o revisor científico, o termo mais adequado

associado a epidemiologia seria “prevalente”.

Na verdade, o adjectivo “prevalente” não consta sequer em dicionários

genéricos. Mas, de facto, surge em dicionários de especialidade, exactamente

com a acessão anteriormente indicada. Pelo que a tradução foi revista para:

“[…] particularmente prevalentes em mulheres.”

O facto de o tradutor não ser especialista na área em causa pode,

por vezes, conduzir a interpretações erróneas do texto de partida,

principalmente quando a linguagem utilizada se torna mais técnica. É o

que acontece frequentemente no texto de partida em análise,

principalmente quando a autora dá indicações acerca da forma como

executar determinados exames médicos. Por exemplo, na pág. 62:

“[…] lie down with one straight leg raised in the perpendicular neutral position at ninety degrees [...]”

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Este segmento inicialmente colocou dificuldades ao nível da

estrutura e compreensão da frase.

“[…] deite-se com uma perna esticada, elevada na posição neutra, perpendicular a noventa graus […]”

Ora esta tradução, aparentemente, apresenta a totalidade da

mensagem presente no segmento em inglês. Porém, o revisor científico

apontou o facto de a palavra em inglês

“leg” ter de facto duas

possibilidades de tradução em português. Por outras palavras, em

português, entre especialistas, quando pretendemos indicar a perna do

joelho para baixo, diz-se “perna”. Mas, se o que se pretende é indicar a

totalidade da perna, nesse caso deve dizer-se “membro inferior”.

Devido à diferença na expressividade dos termos em português e inglês, é

valido que se introduza um elemento explicativo que facilite a passagem da

mensagem para o receptor. Sendo assim, a solução encontrada foi:

“[…] deite-se, com o membro inferior elevado a noventa graus na posição neutra e o joelho esticado, […]”

6. Fase de Pós-tradução

Terminada a revisão linguística e científica, é necessário introduzir todas as

alterações e emendas necessárias no documento. Esta tarefa é facilitada pela

utilização do software Trados, uma vez que este permite localizar facilmente todas

as ocorrências relacionadas com determinada situação, actualizando em

simultâneo a memória de tradução construída no decorrer do projecto.

Na fase de pós-tradução é também necessário efectuar uma última

verificação do documento a nível ortográfico. Embora os softwares utilizados

permitam uma verificação automática, existem situações em que é necessária a

intervenção directa do tradutor. A precisão de leitura do texto no monitor é inferior

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à precisão de leitura em papel, pelo que se optou por imprimir novamente o

documento com o objectivo de executar uma revisão ortográfica.

Após introduzidas no documento as últimas emendas, procedeu-se ao

chamado “clean-up”, ou seja, à transformação dos documentos Word na sua

versão final, sem os códigos que os associam à memória de tradução do software

Trados.

Terminado o “clean-up”, o passo seguinte é a formatação do documento

que deve ser tratado de forma a cumprir os requisitos impostos pelo tipo de

trabalho que se está a executar, pelo objectivo do mesmo ou pelas indicações do

cliente. No caso do projecto em causa, optou-se por manter o formato do

documento original, pelos motivos anteriormente apresentados relacionados com

a revisão e extensão do texto de chegada.

O software Trados embora mantenha na generalidade o formato original do

documento, no caso de tabelas ou texto em colunas tende a desformatar o texto,

pelo que foi necessário rever todo o documento ao nível da formatação para evitar

erros deste tipo.

7. Notas conclusivas

O presente trabalho visou apresentar a metodologia utilizada para a

tradução de um texto de divulgação científica no âmbito das ciências da saúde e

algumas das soluções encontradas para resolver as dificuldades tradutológicas

encontradas a nível linguístico, semântico, textual e cultural.

Os pressupostos teóricos apresentados, nomeadamente as fases de

tradução propostas por Gouadec e a Teoria Skopos de Veermer, foram

fundamentais para o desenvolvimento e organização do trabalho. Assim como a

tipificação dos principais problemas tradutológicos proposta por Baker.

Perante um texto a traduzir, a tendência é começar de imediato a tradução.

Com frequência existem condicionantes externas que pressionam o tradutor para

que assim seja. No mercado de trabalho actual espera-se que o tradutor execute

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o trabalho com a maior rapidez, o que faz com que este avance para a tradução

sem planeamento e preparação. Como resultado não só o nível de qualidade do

trabalho executado fica comprometido, como a competência e credibilidade do

tradutor são colocadas em causa.

Consideramos que a solução deste problema passa não só pela

imprescindível preparação do tradutor a nível linguístico mas também, em grande

parte, pelo planeamento de cada projecto durante a fase de pré-tradução, tal

como proposto por Gouadec, e pelos recursos de apoio que o tradutor tem à sua

disposição.

O conhecimento das línguas de trabalho é um factor essencial para o

desenvolvimento de um trabalho de tradução. É importante que o tradutor possua

um conhecimento profundo das línguas de trabalho de forma a conseguir

identificar as diferenças existentes entre ambas a nível estrutural, estilístico,

lexical e sintáctico.

No entanto, o conhecimento linguístico das línguas de trabalho não é

suficiente para que se produza um trabalho de tradução de qualidade. É

necessário que o tradutor possua conhecimentos a nível dos conteúdos e/ou

temas a traduzir. A não ser que o tradutor seja igualmente especialista na área

em causa, a solução passa por, antes de iniciar a tradução, recolher as

informações necessárias relativas ao tema que servirão de suporte para a

transferência.

Apesar da quantidade elevada de informação disponível hoje em dia na

internet, nem sempre esta tem origem em fontes fiáveis como universidades,

instituições, organizações, entre outros. Para além disso, existem áreas de saber

em que a informação disponível é muito reduzida. Foi o que se verificou no

decorrer deste projecto, uma vez que foi quase impossível identificar em sites

fiáveis portugueses, textos paralelos abordando o tema da medicina e/ou saúde

na dança, ou mesmo glossários de terminologia médica e da dança que

clarificassem de forma eficaz e correcta as dúvidas surgidas. Seria, por esse

motivo, de todo o interesse para a comunidade de tradutores de língua

portuguesa de Portugal e para o consumidor das traduções produzidas, que as

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instituições especializadas nas áreas referidas se associassem a linguistas para a

geração e consequente disponibilização em linha e de forma gratuita de

glossários terminológicos, à semelhança do que se faz noutros países, entre os

quais o Brasil.

Perante o panorama apresentado, entende-se que foi eficaz a solução

encontrada, e a seguir descrita, para o problema relacionado com a questão

terminológica:

1. Extracção da terminologia médica do original.

2. Construção de uma base de dados terminológica utilizando o software

Multiterm.

3. Encontrar a tradução para cada um dos termos recorrendo a todos os

meios disponíveis, nomeadamente a textos paralelos, de referência,

dicionários e glossários uni e multilingue, etc.

4. Efectuar uma validação provisória da terminologia por parte de um

especialista da área.

O facto de identificar e solucionar as questões colocadas pela terminologia

técnica problemática ainda antes de iniciar a tradução, permitiu não só uma maior

rapidez na execução da tradução em si, mas permitiu principalmente que o

tradutor, durante a fase de transferência, concentrasse os seus esforços na

identificação e solução de questões de diversos níveis, como o linguístico e

cultural. Por outras palavras, o tempo dispendido na preparação da terminologia

ainda antes de iniciar a tradução, ao contrário daquilo que se poderia prever, foi

compensado posteriormente, permitindo que a fase de transferência decorresse

de forma mais eficaz e eficiente.

O processo de identificação da terminologia específica no projecto em

causa não foi difícil, uma vez que o próprio texto de partida apresenta na Parte 3

várias listagens/glossários que facilitaram a tarefa. No entanto, caso isso não

acontecesse, seria possível utilizar um software para fazer a extracção automática

da terminologia, como por exemplo o Simple Concordance Program, software

gratuito que permite, de uma forma relativamente rápida, identificar em contexto a

terminologia relevante para o projecto em causa.

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O benefício da utilização de softwares de apoio à tradução é, normalmente,

tanto maior quanto o texto a trabalhar repetir terminologia ou expressões. Por

esse motivo, este tipo de software é muito utilizado na tradução de textos

técnicos. Os textos de divulgação científica encontram-se algures entre os textos

técnicos e os textos narrativos, pelo que, por vezes, se possa entender que não é

compensatório o benefício retirado pela utilização deste recurso.

Após a execução deste projecto, utilizando neste caso o software SDL

Trados, nomeadamente o Multiterm para a geração de uma base de dados

terminológica e o SDL Trados para a criação de uma memória de tradução,

concluiu-se que o benefício da utilização deste tipo de recurso encontra-se não só

na facilitação do processo de transferência mas também na facilitação do

processo de revisão. Por outras palavras, a utilização de uma memória de

tradução permite não só ao tradutor consultar de forma rápida e eficaz todo o

material que já tenha produzido e inserido na memória, como permite a

rectificação/alteração das situações identificadas tanto pelo tradutor como pelo(s)

revisor(es).

Para além do contributo óbvio ao nível da eficiência no decorrer do

projecto, é de salientar como mais-valia de grande peso o contributo da utilização

de uma ferramenta deste tipo para a manutenção da coerência e coesão ao longo

do texto. Ou seja, tratando-se, como é o caso, de um texto extenso, é difícil que o

tradutor se recorde de todas as soluções encontradas ao longo do processo de

transferência. A utilização de um meio que lhe permite consultar de forma rápida

as soluções anteriormente encontradas para situações idênticas, permite que o

tradutor imprima um alto nível de uniformidade não só a nível terminológico como

linguístico, textual e cultural ao longo de todo o texto produzido.

À fase de transferência, durante a qual decorre a tradução, sucede a fase

de pós-transferência que inclui a revisão da tradução executada. Obviamente,

recai sobre o tradutor a responsabilidade de garantir que o texto produzido possui

correcção linguística e técnica. No entanto, devido ao envolvimento do tradutor no

processo de tradução, é natural que este não esteja numa posição

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suficientemente isenta que lhe proporcione um afastamento do texto que produziu

que lhe permita identificar os possíveis erros e/ou melhoramentos a efectuar.

A utilização de um corrector ortográfico, embora seja uma grande ajuda na

detecção de erros ortográficos, não é de todo suficiente, pois não oferece uma

garantia com um grau de fiabilidade que elimine a necessidade de uma leitura

atenta por parte de alguém, com conhecimentos linguísticos, que valide o texto

produzido a nível de correcção semântica, sintáctica, estilística e até cultural. A

intervenção do revisor linguístico neste projecto foi crucial a todos os níveis. A sua

acção demonstrou que o olhar atento, conhecedor e experiente do revisor é

essencial na detecção de situações erróneas ou de melhoramento, tanto a nível

linguístico como a nível de referentes culturais, que o tradutor, por falta de

conhecimento ou por interferência da língua de partida, não identificou. Por este

motivo, considera-se que, a intervenção de um revisor linguístico é essencial para

garantir um nível superior de qualidade nas traduções produzidas.

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