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3.3 Les structures alternatives

3.3.1 Le choix simple

“O discurso especializado, como qualquer outro acto discursivo, é passível de ser adaptado às circunstâncias específicas do contexto de comunicação em que é proferido. A temática, o produtor textual, o público-alvo e a intenção de comunicação – entre outros – são agentes e variáveis que têm implicações na natureza da produção discursiva e, logo, nas escolhas terminológicas.” (Oliveira, 2010: 229)

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 Termos não lexicalizados e empréstimos

A terminologia específica relacionada com a dança é apresentada

pela autora tal como é normalmente utilizada no meio da dança,

independentemente da língua utilizada como meio de comunicação, em francês.

De acordo com Mona Baker:

“[…] loan words such as au fait, chic, and alfresco in English are often

used for their prestige value, because they can had an air of sophistication to the text or its subject matter.” (Baker, 1995: 25)

O empréstimo para a língua portuguesa de terminologia em francês,

particularmente no mundo do ballet, composto por uma elite habituada a este tipo

de importação, confere um carácter de prestígio e de valorização social, pelo que

optou-se por manter termos como plié, relevé, grand jeté também em francês e

itálico.

O texto de partida apresenta igualmente termos médicos em latim. No

entanto, grande parte destes possui um equivalente em português. Uma vez que

se procura uma aproximação ao público-alvo que não é especialista, optou-se

por, sempre que possível, substituir os termos em latim pelo equivalente em

português. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o termo latino peroneus longus

que foi substituído pelo equivalente longo peroneal. No entanto, foram detectadas

situações em que o termo latino é o único utilizado, não existindo alternativa em

português, pelo que teve que manter-se o termo em latim e itálico. Veja-se, a

título de exemplo, na página 176 da tradução, o termo labrum.

Frequentemente um determinado termo existente na língua de partida não

está lexicalizado na língua de chegada, isto é, não possui um equivalente na

língua de chegada. Nesta situação não é estranho que se recorra ao empréstimo

do termo que, neste caso específico, seria do inglês. Termos em inglês como

snack, check-up, reality show e cheeseburguer, são estrangeirismos reconhecidos

e aceites pelo público-alvo de língua portuguesa, pelo que foi aceite o seu

empréstimo da língua inglesa, ou seja, o termo foi mantido em inglês.

No entanto, quando o termo não é reconhecido pelo público-alvo, o simples

empréstimo não é suficiente. Mona Baker defende que:

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“This strategy is particularly common in dealing with culture-specific items, modern concepts, and buzz words. Following the loan word with an explanation is very useful when the word in question is repeated several times in the text. Once explained, the loan word can then be used on its own […]” (Baker, 1995: 34)

Foi esta a opção tomada em relação, por exemplo, ao termo junk food. A

primeira vez que o termo surgiu, o tradutor assumiu a sua função mediadora e

optou por apresentar uma explicação do termo em português, entre parêntesis

(pág. 40) para, nas ocorrências seguintes, assumir o empréstimo, ou seja, o termo

unicamente em inglês.

Mas existem termos que, não estando lexicalizados na língua de chegada,

porque implicam conceitos desconhecidos na língua de chegada, necessitam de

uma explicação um pouco mais longa ou detalhada. Introduzir no corpo do texto

essa explicação, como proposto anteriormente, pode causar demasiada

interferência com a fluidez normal do texto. Por esse motivo, em determinadas

situações optou-se por inserir uma nota de rodapé explicativa do conceito.

Entre os casos abrangidos por esta situação está o termo Crock-Pot (pág.

198), tipo de panela eléctrica que não existe em Portugal; atlectic trainer (pág.

51), profissão entre o treinador e fisioterapeuta de alta competição; string-cheese

(pág. 43), queijo em fio não comercializado em Portugal; white baguels (pág. 90),

pãezinhos típicos de Nova York; ou ainda, toe stretchers (pág.172), utensílio

utilizado para separar os dedos, também não comercializado em Portugal.

Hot Yoga (pág. 55) é um termo utilizado na sua versão em inglês pelos

praticantes deste desporto, mas que colocará problemas ao nível da

compreensão por parte de um público que não esteja familiarizado com este tipo

de desporto, pelo que se optou por, neste caso, inserir também uma nota de

rodapé explicativa.

As notas de rodapé são um recurso que, quando utilizado excessivamente,

perturbam a fluidez de leitura pelo que foram limitadas ao menor número possível.

No total foram introduzidas 12 notas de rodapé. Tendo sido evitadas sempre que

possível.

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 Termos não lexicalizados e localização/adaptação cultural

De acordo com Susan Bassnet,

“…a tradução não é somente a

transferência de textos de uma língua para outra – ela é hoje correctamente vista

como um processo de negociação entre textos e entre culturas, um processo em

que ocorrem todos os tipos de transacções mediadas pela figura do tradutor.”

(Bassnet, 2003: 9)

Tal como já foi referido anteriormente, o texto de partida é fortemente

marcado por referentes culturais que não têm correspondência na cultura de

chegada. O que é natural, uma vez que "Nenhum par de línguas é

suficientemente similar para que se possa considerar que representam a mesma

realidade social. Os mundos em que vivem diferentes sociedades são mundos

distintos, não apenas o mesmo mundo com rótulos distintos.” (Sapir, 1956: 69).

Linda Hamilton, ao longo do seu discurso, recorre diversas vezes à

cunhagem lexical, ou seja, à referência a marcas específicas para ilustrar a

mensagem que pretende transmitir. Para um público americano que mantém

contacto diariamente com as marcas em causa esta é uma opção aceitável. Mas,

para um público de nacionalidade portuguesa, sentiu-se necessidade de, em

algumas situações, adaptar culturalmente os conteúdos de forma a tornar

compreensível a mensagem.

Mona Baker defende “If the meaning conveyed by a particular item or

expression is not vital enough to the development of the text to justify distracting

the reader with lengthy explanations, translators can and often do simply omit

translating the word or expression in question.” (Baker, 1995: 40). Uma vez que a

referência à marca do produto não acrescenta valor à mensagem a transmitir,

optou-se por omitir e/ou substituir o nome da marca pela descrição do produto.

Exemplo desta adaptação em que a referência à marca do produto é

substituída pela designação do produto em si é o termo Amy’s Weight Watchers

(pág. 200), marca de refeições congeladas; Saran Wrap (pág. 175), película

aderente de cozinha; Band-Aid e 2

nd

Skin (pág. 57), pensos adesivos; Marley

(pág. 18), linóleo; Gatorade (pág. 110), bebida isotónica.

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 Diferenças na expressividade dos termos

Por vezes a dificuldade na tradução de um referente cultural não se prende

com a facto do termo estar ou não lexicalizado, mas sim com o significado

expressivo que este transmite ao receptor. Por outras palavras, pode existir na

língua de chegada um termo com o mesmo significado preposicional que na

língua de partida, mas que não acarreta o mesmo significado expressivo para o

receptor da cultura de chegada.

Por exemplo, na página 19 do texto de partida, faz-se referência a uma

moeda de prata de um dólar. O objectivo é comparar o diâmetro da moeda com a

dimensão da ponta das sapatilhas de ballet. A tradução parece não causar

problemas ao nível da lexilização dos termos, mas, na verdade, para um receptor

português, que em princípio não conhece as moedas americanas, será difícil

imaginar qual o diâmetro de tal moeda.

Perante esta situação, Mona Backer entende que é válido que o tradutor

introduza um elemento explicativo que permita ao receptor compreender o valor

expressivo do referente (Baker, 1995: 23). Pelo que se optou por, entre parêntesis

indicar o diâmetro da moeda, o que não acontecia no texto de partida.

“…silver dollar, …”

“…moeda de prata de um dólar (2,6 cm de diâmetro).”

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