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L E TABLEAU DE BORD DES INDICATEURS DE SUIVI ET D ' EVALUATION DE LA MISE EN ŒUVRE DU SAGE

TAUX DE FRACTIONNEMENT

L E TABLEAU DE BORD DES INDICATEURS DE SUIVI ET D ' EVALUATION DE LA MISE EN ŒUVRE DU SAGE

Segundo Carlos - Professor e Dirigente Sindical, 3º grau completo, casado, 43 anos - ser voluntário é ser um cidadão responsável, como delibera: “Voluntariar-se para mim é um ato

de responsabilidade social” (QD); “Atuar como mesário voluntário é um ato de cidadania” (CF). Carlos sugere, em meio a diferentes manifestações, que costuma se envolver em ações

voluntárias relacionadas à política e ao sindicato do qual participa, além de demonstrar que faz questão de acompanhar “de perto” o mandato dos candidatos nos quais vota, divulgar as posições por eles tomadas e o cumprimento ou não das promessas de campanha. Nesse sentido declara:

“Sinto-me tranqüilo como cidadão, pois sempre cumpri meu papel, e como mesário também, por ter comparecido a minha seção de trabalho no horário proposto, conduzindo com responsabilidade e ética todo o processo eleitoral, até o final do pleito” (R).

“As eleições só acontecem porque contam com a participação de cidadãos conscientes, que cumprem sua obrigação, votando e sendo mesários” (CF).

Assim, segundo maioria das respostas obtidas por meio dos instrumentos utilizados, a participação voluntária como mesário possui para Carlos um sentido de dever, de obrigação de todos perante a sociedade, devendo ser exercido com seriedade e de acordo com as diretrizes estabelecidas no treinamento. O que confirmam os documentos provenientes da seção e da Escola onde o mesário Carlos atuou como Presidente de mesa, onde não há nenhum registro que contradiga suas manifestações, uma vez que tudo foi realizado dentro da mais perfeita ordem, ou seja, nos dois turnos de votação, o resultado da atuação de Carlos foi plenamente satisfatória para a Justiça Eleitoral.

No entanto, ao refletirmos sobre as anotações constantes do Diário de Campo, provenientes das observações realizadas e as declarações de Carlos, obtidas principalmente durante as conversações grupais e individuais, percebemos que sua participação como voluntário encerra um significado mais individualista do que social, no sentido de que lhe proporciona grande satisfação pessoal, pois reconhece ali um espaço privilegiado para o debate de idéias, conforme trecho de conversação, no qual Carlos se manifesta sobre as reuniões do sindicato de que participa e estabelece uma relação entre interação, reflexão e evolução, servindo como indicador para nossa construção:

“A gente discute muito, até se exalta às vezes, mas é uma troca né, uma via de mão dupla. A gente ouve opiniões diferentes das nossas, que fazem a gente pensar sobre nossa posição e eu acredito que é assim que se evolui, que se aprende, sozinho não dá para progredir (...) e o trabalho do mesário tem um pouco disso, te dá a chance de discutir política, democracia, problemas da atualidade, e eu gosto disso, sou carioca e também sou professor!” (CI)

Relatos semelhantes a este, aliados ao seu comportamento questionador e entusiástico, indicam que para Carlos a troca de idéias significa aquisição de conhecimentos e aumento da sua capacidade para discutir e defender opiniões, tornando-o mais apto para tomar posições ativas e críticas dentro dos espaços que transita.

Carlos lembra que no início, há 12 anos, voluntariar-se como mesário foi uma estratégia por ele utilizada para aproximar-se das pessoas que residiam no seu bairro, pois era recém chegado do Rio de Janeiro e não conhecia nenhum de seus vizinhos. Contudo, este significado indicado formalmente, apenas como motivo inicial para sua participação, permanece dotado

de sentido até os dias de hoje, pois para Carlos conhecer pessoas é sinônimo de interação e, por conseguinte, uma possibilidade para alargar seus conhecimentos. Como observamos em algumas de suas manifestações, transcritas abaixo:

“(...) participando de uma eleição a gente acaba sempre ampliando nossas relações e nossos conhecimentos” (CF).

“Muitos não se voluntariam porque pensam que é entediante, chato, ser mesário, nem imaginam quantas pessoas interessantes passam por uma seção, nem o quanto se discute a respeito de assuntos importantes” (CG).

Corroborando com tal hipótese, Carlos demonstrou claramente, durante o encontro grupal, o quanto aprecia a oportunidade de interagir com pessoas que tenham opiniões diferentes das suas e de expor com detalhes todos os argumentos possíveis para defender sua posição à respeito de um assunto, tendo participado amplamente dos debates.

Quanto à obtenção de dias de folga, em compensação pelos trabalhos realizados como mesário, Carlos manifestou-se, intensamente, explicita e implicitamente, como partidário deste benefício, de forma que tal contrapartida não parece se caracterizar para Carlos apenas como um fator incentivador, mas sim como um sentido subjetivo para sua participação como mesário voluntário, uma vez que vai ao encontro de sua filosofia de vida, como indicam os trechos destacados abaixo.

“(...) é claro que também acho importante pelos dias de folga” (QD).

“Por favor, o brasileiro já trabalha muito, 40 horas por semana (...) a gente precisa é de mais feriados para ter lazer” (CG).

“Descanso não pode ser direito só dos mais ricos, (...) as folgas dos mesários, por exemplo, são uma oportunidade que vale para pessoas de todas as classes sociais” (CG).

“Vem cá, essa entrevista deveria valer folgas, não acha?!” (CI).

Diante do exposto e de nossa interpretação como pesquisadora, os sentidos subjetivos mais significativamente relacionados à participação voluntária do mesário Carlos, podem ser agrupados nos três núcleos apontados a seguir:

SENTIDOS SUBJETIVOS INDICADORES

DEVER CIDADÃO Entende a participação do mesário como uma demonstração de cidadania e de consciência em relação às obrigações do cidadão perante a sociedade.

AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS, ATRAVÉS DA POSSIBILIDADE DE INTERAÇÃO

Participação intensa nos debates;

Demonstrações e declarações no sentido de que aprecia discutir com “pessoas interessantes”, “assuntos importantes”, que promovem reflexão e aprendizado.

OBTENÇÃO DE FOLGAS Ênfase dada ao valor do benefício; qualificado como um direito do ser humano e relacionado à possibilidade de descanso e lazer, indo ao encontro de sua ideologia de vida. Quadro 9 - Participação como mesário voluntário para Carlos: sentidos subjetivos e indicadores.

Fonte: Elaborado pela autora.

Carlos demonstra buscar uma atuação ampla dentro da sociedade, procurando se envolver em atividades que julga importantes e que ao mesmo tempo promovem sua interação, o que lhe faz sentir-se cada vez mais qualificado e seguro para continuar avançando em sua participação como cidadão.

Além disso, Carlos entende que participar do processo eleitoral é cumprir uma obrigação civil, que deve ser realizada com responsabilidade e estrita observância das normas em vigor, além de ser também um meio de obter dias extras para descanso e lazer.

Assim, sua participação como mesário voluntário não adquire, em momento algum, sentido de ajuda, auxílio ou beneficência. Entretanto Carlos apresenta, dentre suas motivações para adesão ao projeto um motivo de ordem social, quando a encara como um dever de todos os cidadãos perante a sociedade.