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Une tâche titanesque

O caráter dialógico dos processos de significação tem a sua origem ou ponto de partida na aprendizagem da língua materna pela criança, a princípio orientado pela realidade que a circunda e pela necessidade de compreender o que ela observa sobre ações que passa a experienciar, pois a criança dispõe de órgãos da percepção e dos meios que facultam à sua própria espécie conhecer o que a ela interessa.

Assim, aprende a reconhecer o calor, o frio, o odor, a pele da sua mãe, bem como vozes ou sons e se apropria de informações de que necessita, desde os seus primeiros dias de vida. É fato, segundo os psicolinguistas, que os fenômenos por ela experienciados desde então têm são revestidos de relevo que orientam ou guiam sua percepção e possibilita que se identifique a qualidade acústica dos sons de uma dada língua, aquela que se está aprendendo. O mesmo ocorre com outros corpos ou objetos com que ela entra em contato de que decorre a percepção da sua suavidade, sua aspereza, ou o seu sabor doce ou amargo, enfim com os objetos com que entra em contato, passando a identificá- los por meio de suas variadas e diferentes formas. Esse procedimento orientado pela percepção também possibilita a ela identificar mudanças ou transformações da forma dos objetos ou de suas qualidades quando situados em tempos ou lugares diferentes: momento em que passam a aprender as significações dos tempos verbais, dos modos, etc., por perceberem mudanças de estado, de situações causadas ou desencadeadas por tais mudanças.

O grau de pertinência dessas ações de reconhecimentos e de suas diferenças se faz extensivo ao longo da própria vivência quando essas diferenças vão sendo acentuadas, na mesma proporção ou intensidade com que vão sendo percebidas as suas diferenças pelas suas semelhanças, o que faculta distinguir uma víbora de uma cobra venenosa de outra não venenosa, o compreender o porquê uma pessoa é chamada por cobra. Dessa forma, aprende-se a identificar e a fazer usos dos significados por meio dos quais a comunidade linguística a que se pertence faz uso de palavras que garantem aos seus membros a compreensão daquilo que dizem entre si.

Essa dimensão perceptual-cognitiva do significado do vocabulário dessa língua comum - objeto de investigações desde a antiguidade clássica de que resultariam estudos sobre as

classes ou gramaticais de palavras - no campo dos estudos lexicais modernos, é retomada no campo dos estudos lexicais desenvolvidos no século XX e XXI, pela psicologia social. Seus resultados contribuíram para a compreensão dos modelos ou esquemas cognitivos da memória humana bem como para a construção da memória dos computadores. Assim, eles também têm por referencia teorias sobre a inteligência artificial, assegurados por posições que tratam da percepção, armazenagem e processamento de informações, por esquemas ou modelos de compreensão, organizados na memória de longo prazo por redes. Nesse contexto, situam-se revisões sobre as teorias referentes às categorias léxico-gramaticais, bem como a compreensão desses esquemas de organização e ordenação dos conhecimentos de mundo, passam a ser identificados por esquemas “prototípicos”.

Esses esquemas “prototípicos”, segundo os lexicólogos e lexicógrafos tratam-se de esquemas singulares, apreendidos ao longo da própria aprendizagem de uma língua natural ou materna, quando eles passam a funcionar como núcleo esquemático dos processos de categorização por meio dos quais tais conhecimentos são socialmente organizados pela linguagem. Esse modo de funcionamento assegura o reconhecimento de objetos singulares por suas semelhanças, ou seja, por meio “do núcleo de uma representação esquemática”, de sorte a possibilitar identificar uma xícara de ágata ou de alumínio, com uma de porcelana, por exemplo, e, ao mesmo tempo, diferenciar aquela que é usada para servir café daquela para servir chá. Contudo, o esquema prototípico por meio do qual o conceito de xícara é representado, diferencia esse objeto de uma taça de licor, de uma de vinho ou de uma de água, por exemplo, e, embora esses dois conjuntos de objetos tenham como representação o conceito de “continente”, ou objeto usados para servir substâncias líquidas, ou aquele que contém café, chá, leite, etc. Todavia, esses conteúdos sempre são que são servidos em xícara estão quente – o que explica o fato de elas terem “asa”; os segundos sempre são servidos em temperatura ambiente e são frios ou gelados; razão pela qual não têm “asas”.

Nesse contexto, os esquemas prototípicos funcionam para oferecer respostas à teoria das representações sociocognitivas e não se confundem com as configurações abstratas das designações ou representações gráficas dos signos linguísticos. Nessa acepção, eles funcionam para assegurar modelos de representações abstratos que o indivíduo constrói

por meio de suas experiências socioculturais e a ele possibilitam identificar todos os tipos de recipientes, ou todos os tipos de homossexuais, por exemplo, por um esquema genérico, como o apresentado acima. (cf. p. 20, desse capítulo).

Afirma Lara (1996: p.182 e 183) que:

“(...)la existência del protótipo ser efiere a la capacidad de conocimiento del ser humano como espécie y, además, supone que el protótipo es un6

fenómeno autónomo de los fenómenos linguísticos que (....) lo significam”.

Assim, os seus fundamentos explicitam a dimensão cognitiva do significado: uma atividade que qualifica o ser humano como espécie. A sua riqueza de detalhes decorre do fato de os esquemas prototípicos implicarem modos de representar, organizar e ordenar os conceitos por sua dimensão cultural e, assim sendo, por exemplo, o conceito de “animal de tração” varia de cultura para cultura, ou o fato de “a Lua” ser concebida como um vocábulo masculino em algumas culturas, sendo o “Sol”, feminino. Nessa acepção, os esquemas prototípicos são socioculturais e respondem pela estabilidade dos significados e esses são compostos de um conjunto de características dos objetos por eles denominados, sendo elas prototípicas. Nesse sentido, por exemplo, o protótipo de água são as qualidades que a tipificam, necessariamente, como substância líquida transparente e inodora.

Observa-se, por fim, que os esquemas prototípicos têm a função de orientar respostas à seguinte questão “o que é água”, feita pelos lexicógrafos para poder definir o seu significado, em contraposição a substâncias como colírio látex ou colírio, por exemplo, que também são substâncias líquidas. Assim, o látex, embora seja um líquido não é inodoro; já o colírio não é um produto natural, mas um medicamento fabricado em laboratório; os dois primeiros têm funções diferenciadas: a água é para beber, lavar e, embora escorra do tronco da seringueira, não escorre por riachos ou rios, depois de brotar das minas da Terra ou das montanhas devido ao degelo, por exemplo. Ele escorre

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“(...) a existência do protótipo se refere à capacidade de conhecimento do ser humano como espécie e, também, assume que o protótipo é um fenômeno autônomo dos fenômenos linguísticos que (...) o significam”.

de cortes feitos pelo seringueiro e são usados para a produção da borracha e vários outros produtos vendidos pela indústria.