AGRONOMIC AND ENVIRONMENTAL EFFECTS OF SHIFTHING INTEGRATED CROPPING-LIVESTOCK SYSTEMS
4. SYNTHESIS OF RESULTS AND CONCLUSIONS
estudantes
No depoimento de MR, verifica-se que o modelo educacional que vem sendo trabalhado nas escolas não está sendo eficiente em promover um desenvolvimento intelectual dos alunos, já que os mesmos, ao chegarem no ensino médio e técnico, apresentam defasagem nos conhecimentos básicos de Português, Matemática e de outras disciplinas. Consequentemente isso acaba influenciando na
sua capacidade de fazer relação entre os diversos conhecimentos, levando ao desinteresse e apatia pela aula e na aula.
“[...] os alunos ainda não se apropriam de leitura, o conhecimento básico da Matemática, relacionar os conceitos [...]”
“Todos têm medo de “riscar” (fazer anotações) no caderno e mostrar para o professor.”
Desse modo, devemos entender que existe uma crise da eficiência da escola que perpassa, necessariamente, a elucidação de todos os fatores que influenciam o cotidiano escolar, sendo eles de ordem social, cultural e econômica (VILELA-RIBEIRO; BENITE, 2017).
Para sanar as dificuldades apresentadas pelos estudantes, MR recorre a uma postura de incentivo ao aprendizado e à busca pelo saber, estimulando a construção do conhecimento pelo aluno.
“Ai você olha lá e diz: “Vamos ver o que está escrito, qual é o conceito que a gente tem”. Aí você tira aquelas palavras-chave e fala: “Olha o que ele disse... Disse tal coisa”. Sabendo essa informação, “O que você sabe?... Ah eu sei isso... Ah então você sabe isso. O que mais você sabe?..., Ah sei aquilo... Aqui já tem duas informações. Agora lê o resto do problema... Ah tem isso.... Ah o que você pode concluir?”
Embora a postura do professor, a maneira como conduz a aula e as estratégias de ensino sejam elementos importantes para suprir as deficiências apresentadas pelos estudantes ao chegarem no ensino médio e técnico, outros fatores, conforme citado anteriormente, são fundamentais na aprendizagem dos alunos.
5.2.2
– A realidade do dia a dia escolar no enfrentamento das
dificuldades
Para o enfrentamento das dificuldades do cotidiano escolar, MR apresenta um sentimento positivo, que é a busca por aperfeiçoamento de suas práticas docentes, o que se traduz em uma melhoria da qualidade das aulas.
“[...] aprender algo para levar para sala.”
“Aprende alguma coisa nova que eu nunca tinha trabalhado.”
No entanto, o currículo extenso, o tempo destinado às aulas e a preocupação em cumprir o conteúdo, faz com que certas abordagens educacionais, apontadas como motivadoras, instigantes, que permitem trabalhar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, sejam deixadas de lado, apesar de fazerem parte do “repertório” do professor.
“Foi que eu fiquei fixo naquilo que eu tenho que fazer, ou seja, entregar aquele conteúdo né. Então, de repente, é não me preocupar tanto com isso. Ou melhor! Até me preocupar. Mas fazer com que eu estude a maneira de entrar o texto dentro de uma progressiva. De um sistema que eu possa ir trabalhando aos poucos e que ele acabe tendo um fechamento juntamente com...”
Conforme relata FOUREZ (2003, p. 113):
[...] alguns programas contêm um acúmulo de matérias por camadas históricas, já que os criadores destes programas mostram dificuldade para abandonar tal conteúdo ou tal modelo. Do ponto de vista dos alunos, estes programas parecem ao mesmo tempo difíceis e ultrapassados.
Para MR, a falta de planejamento foi o que impossibilitou o uso do TDC em suas aulas. Algo que pode ter contribuído para isso é a quantidade excessiva de aulas, já que o mesmo acumula cargos na Rede Estadual (SP) e no Centro Paula Souza.
A questão do tempo, seja ele para realizar a leitura dos textos, selecionar aquele que se enquadra nos objetivos da aula, preparar as atividades e aplicá-las, é um fator também apontado por professores do ensino fundamental e
ensino médio em pesquisas realizadas por BATISTELE, DINIZ e OLIVEIRA (2018), ROCHA (2012b), AUGUSTO e CALDEIRA (2007), como uma limitação para utilização dos TDC.
“Então o que falta pra mim é planejar, executar e ver o que acontece. No seguinte sentido... Eu tenho um prazo pra fazer, então, será que dentro desse meu prazo pra fazer, o que que eu posso fazer dentro dele e fazer bem feito. E que traga retorno.”
Com relação ao uso do TDC, MR considera que, embora não tenha aplicado, sejam necessárias algumas adaptações em relação às orientações dadas durante o curso de aperfeiçoamento. Essas adaptações se devem à necessidade de adequar a abordagem educacional com o uso do TDC à realidade da unidade escolar, embora pretenda, inicialmente, realizar da maneira como foi orientado para avaliar o método proposto.
“Eu posso começar num primeiro momento, sei lá, no primeiro bimestre, “...leem o texto, façam anotações...”, e ao longo da matéria, vamos pegar aquele texto dia tal, “...no texto, o que vocês buscaram?”, e fazer uma construção ao longo do tempo e não ficar restrito.”
5.2.3 – A importância da formação continuada dos professores para
a qualidade de ensino
A análise dos dados aponta para a importância do curso de formação continuadas na melhoria da qualidade do ensino. Segundo MR, o curso contribuiu para o aprendizado de novas formas de ensinar, de pensar o processo de aprendizagem, o planejamento e construção de estratégias de ensino.
“[...] eu como professor, saber construir dentro daquele tema um plano de aula que vá trazer ao longo do estudo do tema que eu tô trabalhando aqui, que tá junto com texto, conteúdo para o aluno aprender.”
Desse modo, o curso de aperfeiçoamento tem uma função muito importante quando se pensa na formação de um profissional (professor) que seja capaz de proporcionar um ensino de qualidade, que esteja alinhado com os desejos e anseios da sociedade. Os cursos de formação continuada ou de aperfeiçoamento adquirem o papel de suprir, nesse caso, certas lacunas que ocorrem nos cursos de licenciatura, quando se referem às práticas pedagógicas para o trabalho em sala de aula.
De acordo com o livro “Professores do Brasil: impasses e desafios” (GATTI; BARRETO, 2009), publicado pela UNESCO, os currículos das instituições de ensino que oferecem curso de licenciatura não são voltados para as questões relacionadas à prática profissional, seus fundamentos metodológicos e formas de trabalhar em sala de aula, acabam privilegiando principalmente os conhecimentos relacionados à área disciplinar em detrimento dos conhecimentos pedagógicos propriamente ditos.
No que diz respeito às vantagens do uso de TDC na sala de aula, MR aponta o incentivo à leitura, à argumentação, a possibilidade de abordar os conceitos próprio da disciplina (Química), a natureza da Ciência, o trabalho interdisciplinar, a aplicação do conhecimento, e desse modo, dar significado ao que se ensina e se aprende, favorecendo a aquisição e construção dos conhecimentos pelos alunos. Outro item levantado por MR é que o uso de TDC favorece o aprendizado e a atualização profissional do professor, uma vez que os assuntos tratados fazem relação com outras disciplinas, além da Química. Tais vantagens também são apontados por ROCHA (2012b) no seu artigo “O potencial didático dos textos de divulgação científica segundo professores de Ciências”.
Ao analisar o material didático produzido por MR, o mesmo descreve duas formas alternativas para avaliar o aprendizado com o uso do TDC, observação direta e um relatório. Mas, durante a entrevista, ao ser questionado sobre outras maneiras possíveis de avaliar, ele menciona a pesquisa, para aprofundar o assunto, o mapa mental, grupos de discussão utilizando o Facebook, entre outros. Portanto, a maneira de avaliar vai depender das estratégias utilizadas para o uso do TDC e dos objetivos almejados pelo professor.
Para verificar a aprendizagem dos alunos deve-se “construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem [...]” (BNCC, 2019, p. 17).
Partido desse pressuposto, as formas de avaliar os trabalhos com TDC propostas por MR vão ao encontro dessas orientações.
Anterior à BNCC, as orientações dos PCN do Ensino Médio (MEC, p.30-33, 2000), já estipulavam uma avaliação com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, que estimule a iniciativa dos estudantes e que promova o domínio dos princípios científicos e tecnológicos que regem a produção moderna.