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Synth` ese

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Diagnostic et reconfiguration de mod` eles de d´ ecision hi´ erarchique

7.4 Synth` ese

Foi feito levantamento para verificar o gênero dos autores das teses defendidas e de seus orientadores, onde se percebeu a predominância de mulheres na pesquisa sobre letramento.

Dentre os 150 orientadores, 74,00% (n=111) são do gênero feminino e 26,00% (n=39) do gênero masculino, como representado na Figura 10.

Figura 10 – Gênero dos orientadores das teses.

Fonte: dados da pesquisa.

Dos 237 autores das teses, 82,28% são mulheres (n=195) e 17,72% homens (n=42), como mostra a Figura 11.

Feminino (74%) Masculino

Figura 11 – Gênero dos autores das teses.

Fonte: dados da pesquisa.

Percebe-se que a porcentagem de orientadores homens é maior que a de autores homens, mas, ainda assim, a predominância de autoria e orientação é feminina.

Em relação aos orientadores que recebem bolsa produtividade em curso, 78,79% (n=26) são mulheres e 21,21% (n=7) são homens. Quanto à frente de pesquisa dos orientadores, 100% é formada por mulheres.

A presença de homens como autores, orientadores, orientadores contemplados com bolsa produtividade e na frente de pesquisa, é muito inferior e só ultrapassa ¼ na autoria das teses.

A presença feminina não pode ser avaliada sem se considerar questões de acesso e promoção na carreira, remuneração salarial e a subdivisão da ciência em áreas. De acordo com Montenegro, Gonçalves e Silva (2017, p. 1):

Segundo dados da ONU (2016) a distribuição da população por gênero no mundo é de 101,8 homens para 100 mulheres. No Brasil essa proporção é de 96,7 homens para 100 mulheres. Já no tocante à participação das mulheres na ciência e tecnologia cai para uma média de 27% a 35%, dependendo da atividade.

Mas como explicar a presença feminina maciça nas pesquisas sobre letramento?

Olinto (2011) chama a atenção para a falsa noção da supremacia feminina na academia, uma vez que barreiras sutis e profundamente enraizadas prejudicariam a progressão das mulheres na carreira, como as dificuldades de se avançar a postos acadêmicos mais altos e alcançar fomento à pesquisa.

Segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2018), de 2001 a 2015 foram concedidas 49,53% de bolsas para mulheres e 50,47% para

Feminino (82,28%) Masculino

homens, o que revela uma distribuição bem equilibrada. Em relação a bolsas no exterior no mesmo período, esse equilíbrio é um pouco abalado, com 43,67% para mulheres e 56,33% para homens. Entretanto, essa pretensa equidade aparece somente quando somados os dados gerais, mas quando avaliada a distribuição de homens e mulheres nas grandes áreas do conhecimento, as disparidades são percebidas. A maioria das bolsas foram concedidas a mulheres na área de Saúde (67,06%), Humanidades (60,80%) e Biológicas (60,54%). Já os homens tiveram a maior parte das bolsas na Engenharia e Computação (66,05%) e nas Ciências Exatas e da Terra (65,90%).

Apesar de a participação feminina na C&T ter aumentado de forma global, a desagregação dos dados permite perceber a existência de duas formas de sub- representação das mulheres no sistema científico e tecnológico: na exclusão horizontal, que indica o pequeno número de mulheres em determinadas áreas ou subáreas do conhecimento; e na exclusão vertical, que aponta para o pequeno número de mulheres nos postos de prestígio em todas as áreas do conhecimento, mesmo nas carreiras consideradas femininas. (LIMA; BRAGA; TAVARES, 2015, p. 16)

As mulheres são minoria na modalidade bolsa de Produtividade em Pesquisa, recebendo 36,00% contra 64,00% dos homens, sendo que a participação feminina diminui à medida que o nível das bolsas aumenta, ou seja, a maior parte das bolsas níveis 1A e 1B são destinadas a pesquisadores: respectivamente 76,00% e 61,00% em 2013. Além disso, entre 2005-2014 não houve aumento significativo de bolsas de produtividade para cientistas mulheres (LIMA; BRAGA; TAVARES, 2015).

Também percebe-se que as mulheres devem se dedicar mais tempo à carreira para aceder à bolsa produtividade, pois “[...] a maior frequência de bolsistas do sexo masculino está nas faixas mais jovens – até os 50 anos. As bolsistas mulheres, ao contrário, são percentualmente mais frequentes após os 50 anos.” (LIMA; BRAGA; TAVARES, 2015, p. 20). Além disso, desde 2010 nenhuma mulher com menos de 45 anos chegou ao nível 1A anos, contra 26 homens.

Um detalhe chama a atenção na pesquisa de Guedes, Azevedo e Ferreira (2015): a diferença nos gráficos sobre bolsas produtividade segundo sexo e idade do bolsista nas diferentes áreas do conhecimento. As mulheres só ultrapassam os homens em número de bolsas na Humanidades e na Linguística, Letras e Artes, sendo que, no geral, o peso relativo das bolsistas mulheres caiu de 67,90% para 63,30% entre 2001-2012.

De acordo com Rigolin, Hayashi e Hayashi (2013), que avaliaram a participação da liderança feminina nos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia por intermédio de pesquisa

cientométrica, ocorre o processo de “feminização de hierarquias acadêmicas” em determinadas áreas de conhecimento científico, sendo que as mulheres estão concentradas nas chamadas áreas soft, ou seja, Saúde, Ciências Sociais e Humanidades, e atuam em posições de base ou intermediárias da carreira. Dos 122 institutos avaliados, 104 (85,20%) são coordenados por homens e apenas 18 (14,80%) por mulheres; destes, 14 estão situados na região Sudeste do Brasil.

Segundo Cislak, Formanowicz e Saguy (2018), as mulheres são sub-representadas nos altos escalões e órgãos de decisão e nos conselhos editoriais, sua pesquisa é menos provável de receber financiamento e é dez vezes maior a chance de pesquisadoras serem citadas como se fossem homem do que os pesquisadores do sexo masculino serem erroneamente identificados como mulher.

Em relação à educação básica, de acordo com Vianna (2013), a maciça presença feminina seria fruto, na verdade, do rebaixamento salarial e do desprestígio social. No Brasil, a inserção da mulher no magistério foi marcada pela criação dos Cursos Normais, em 1830, quando os homens começaram a deixar a profissão de professor em busca de carreiras com maior remuneração, prestígio e autonomia. No início do século XX, havia a distinção entre disciplinas ministradas exclusivamente por homens, melhor remuneradas, das ministradas por mulheres, que já somavam 72,50% da força de trabalho nas escolas (VIANNA, 2013).

A oposição binária entre os significados masculinos e femininos presentes em nossa sociedade sedimenta de forma a-histórica as atribuições destinadas aos homens e às mulheres e dificulta a percepção de outras maneiras de estabelecermos as relações sociais. E, no caso da docência, referenda os estereótipos de gênero que justificam os baixos investimentos na remuneração e formação docentes, na garantia de melhores condições de trabalho e de carreira, com a alegação de que professora não precisa ganhar bem, tem um marido que a provê, entre outros aspectos. (VIANNA, 2013, p. 172)

A porcentagem de mulheres no magistério diminui conforme aumenta o nível de ensino: 97,90% em creches, 96,10% em pré-escolas, 90,80% nos anos iniciais do Ensino Fundamental, 73,50% nos anos finais do Ensino Fundamental, 64,10% no Ensino Médio e 44,80% no Ensino Superior (VIANNA, 2013). Quanto mais alto o nível de ensino, melhores são os salários, diminuindo a participação feminina.

Para Sardenberg (2007, p. 1), a crítica feminista, mais do que denunciar a exclusão e invisibilidade das mulheres, tem questionado os próprios pressupostos da ciência, “[...] virando- a de cabeça para baixo ao revelar que ela não é nem nunca foi neutra”. Ao realizar pesquisa bibliométrica sobre preconceito de gênero e de raça nas ciências sociais, Cislak, Formanowicz

e Saguy (2018) notaram que artigos sobre questões de gênero recebem financiamento com menor frequência e são publicados em periódicos com menor fator de impacto do que artigos sobre instâncias comparáveis de discriminação social. As autoras sugerem que existe a possibilidade de haver preconceito contra a própria pesquisa sobre preconceito de gênero na comunidade acadêmica.

A predominância de mulheres na autoria e orientação de teses sobre letramento é mais um reflexo da configuração da ciência brasileira. No mapeamento do perfil do corpus aqui analisado, percebeu-se que prevalência de orientadoras e autoras das teses reproduz a concentração nas ditas áreas soft da ciência. Em relação à predominância de orientadoras na frente de pesquisa e no recebimento de bolsa produtividade, nota-se que há relação direta com o predomínio de mulheres nas Humanidades e Linguística.

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