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La logique floue

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Les approches th´ eoriques pour l’information imparfaite et

5.2 La logique floue

A par da caracterização dos ENs segundo a sua organização semântico- cognitiva, há que identificar as funções comunicativas que cada um deles realiza no âmbito de um acto comunicativo superior (o todo da conversação / entrevista).

Em termos globais, a introdução de um EN de cariz pessoal numa conversação é motivada, essencialmente, por uma procura de proximidade, de comunhão com o interlocutor. Na linha de Malinowsky e Dell Hymes, Rath (1981) refere-se à Narrativa como acção fática, como forma privilegiada de estabelecer e manter laços sociais de proximidade e pertença. Ao narrar as suas experiências de vida, o narrador convida o(s) narratário(s) a partilhá-las e, dependendo do grau de encenação do narrado, a vivenciá- las consigo. Assim, situações de comunicação marcadas pela função fática são o espaço ideal para a proliferação de narrativas. Através do relato de experiências pessoais ou de terceiros (incluindo aqui géneros como a Anedota) vai-se criando um sentido de „comunidade‟: os interlocutores riem e ironizam sobre as mesmas coisas, trocam informações pessoais sobre o quotidiano de cada um, vão-se „conhecendo‟ melhor. Pode-se, então, concluir que, em primeira instância, a narrativa conversacional é uma forma socioculturalmente reconhecida de criar/cultivar e manter/aprofundar relações.35 Mas a par desta “motivação” central, que está vinculada ao aspecto relacional da enunciação (Watzlawick et alii, 1969; Kerbracht-Orecchioni, 1992), é possível identificar, para cada um dos ENs em análise, funções específicas directamente relacionadas com o contexto e cotexto de enunciação em que é introduzido.

O seguinte quadro sumariza os resultados obtidos na totalidade do corpus em relação às funções dos ENs transcritos e analisados. Para cada um dos ENs foi estabelecida uma ou mais funções, informação essa que foi incluída nas Fichas de Indexação no ponto 7 referente às funções do EN. Em primeiro lugar, surge sempre a função principal do EN.

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Este aspecto foi também realçado no trabalho de Almeida (2005: 859-891) a propósito de ENs introduzidos num corpus de interacções radiofónicas.

87 Quadro 17

Funções Comunicativas dos Enunciados Narrativos

Funções em primeira instância voltadas para o locutor

Construir a sua Imagem Pessoal Catarse: Alívio de Pressão Psíquica

Funções em primeira instância voltadas para o interlocutor

Informar (resposta a um pedido para narrar ) Divertir

Ironizar Emocionar

Funções em primeira instância voltadas para o cotexto (argumentativas)

Ilustrar / Exemplificar Tese Justificar Avaliação ou Atitude

Comprovar Erro de Avaliação de Terceiros

Funções em primeira instância voltadas para o referente

(Des)Construir a Imagem de Outrem

Optou-se aqui, conscientemente, por uma leitura qualitativa da distribuição das funções elencadas no Quadro. Se foi possível identificar inúmeros exemplos para cada uma delas, a sua representação numérica enferma da falta de unicidade dos dados a serem contabilizados. Na realidade, na sua maioria, os ENs acumulam várias funções comunicativas, sendo mesmo, nalguns casos, impossível decidir qual a principal. Observe-se o seguinte exemplo retirado da Interacção com o Código C251 psf-profi. A narradora, dona de um restaurante, explica a razão do nome “Chez Lapin”.

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22 MAR: bem / para mudar para o Chez Lapin //

23 para lhe justificar / porque é que foi / que se pôs o nome estrangeiro //

24 não foi porque se fosse buscar o nome estrangeiro //

25 foi à medida / que a Casa Coelho de Sá da Bandeira / queixou-se contra o meu marido //

26 em como aqui / &ah: / estava como Casa Coelho //

27 está claro / foi para tribunal //

28 e o juiz / começou:[/] chamou o meu marido //

29 disse que ele que teria que / que modificar //

30 que procurasse qualquer coisa //

31 o meu marido então disse //

32 bem / eu a procurar / procuro Chez Lapin //

%com: o Discurso Directo é dramatizado (encenação).

33 porque os estudantes # / do orfeão do Porto / e da &uni / e das universidades / e colégios / e tudo isso //

34 quando falavam ao telefone a marcar qualquer almoço / < dirigiam-se / e diziam //

35 é do Chez Lapin > ?

36 I15: [<] < XXX / hhh > /

37 MAR: / e eu cá dizia / é da Casa Coelho // 38 diz / mas não / minha senhora //

39 mas agora queremos que seja Chez Lapin //

%com: o Discurso Directo (34 -38) é dramatizado (encenação).

40 o meu marido lembrou-se dessa coisa //

41 e então ficou sendo Chez Lapin //

42 foi por isso //

43 não foi para tirar o nome português //

44 < foi a [/] pela força das circunstâncias / que mudámos o nome > //

45 I15: [<] < pois / XXX / e até tem mais graça > // 46 e até tem mais graça //

Extracto da interacção C251 psf-profi

Porque resultado de um pedido de informação do interlocutor, há que considerar, em primeiro lugar, uma função informativa para o EN. No entanto parece evidente que este EN realiza, ao mesmo tempo, funções de cariz argumentativo: por um lado, explica a origem do nome do restaurante e, por outro, justifica-o. Por último, é ainda possível

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atribuir-lhe uma função lúdica. A forma narrativa dada à informação permitiu a introdução de um segmento dialógico de cariz anedótico. Em última análise, poder-se-ia considerar que é esta encenação jocosa da informação que justifica a introdução do EN na interacção. De outra forma, a mesma informação poderia ter sido transmitida sem activar um esquema narrativo.

São vários os exemplos de ENs que resultam de um pedido de informação do interlocutor, mas em quase todos eles se sobrepõem, rapidamente, outras funções enunciativas.

Há, no entanto, algumas generalizações válidas para o conjunto do corpus: i) A grande maioria dos ENs tem uma função argumentativa, isto é, surge como exemplo, ilustração, justificação ou contra-argumento de uma tese, opinião ou avaliação expressa anteriormente, normalmente pelo futuro narrador. Tal significa que é fundamental interpretá-los no seio de unidades textuais superiores em função das quais adquirem o seu sentido.

ii) No conjunto de exemplos voltados em primeira instância para o locutor é possível identificar uma polarização extrema quanto à exposição da face por parte do mesmo. Assim, de um lado, surgem ENs orientados para a construção da sua imagem pessoal em que é nítido o cuidado com a preservação da sua face negativa. Por outro lado, nos exemplos de catarse, há uma exposição de si mesmo que é apenas compreensível pela proximidade com o interlocutor e, provavelmente, pelo esquecimento de que se está a proceder à gravação da interacção.

iii) Nos ENs voltados em primeira instância para o interlocutor, a par dos que pretendem ir ao encontro de um pedido explícito daquele para narrar algo, destacam-se as Anedotas e Narrativas de Episódios Pessoais de Cariz Cómico ou Irónico. Embora estejamos perante diferentes géneros textuais (o que, em última análise, se reflecte na questão da autoria e da responsabilização do narrador pelo narrado), por exigirem ambos um forte envolvimento do interlocutor na construção dos seus duplos sentidos36, são instrumentos fortíssimos de aproximação e criação de cumplicidade entre interlocutores.

iv) Quanto ao grupo de ENs voltados em primeira instância para o referente, há que sublinhar que têm, predominantemente, uma orientação negativa, isto é, são usados pelos narradores para desconstruir a imagem de outrem. No geral, fazem-no

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actualizando estereótipos sociais e, dessa forma, contribuindo para a sua manutenção. „A sogra‟, para usar um exemplo repetido quatro vezes no corpus, mais que „o pescador‟ de Genette, é um programa narrativo fortíssimo, porque construído sobre um estereótipo socioculturalmente definido. De tal forma que, seja „boa‟ ou „má‟, é sempre uma boa História.

3. AS FRONTEIRAS DO ENUNCIADO

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