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Synth` ese et caract´ erisation des produits de r´ eaction

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3.3 Et en solution ?

4.1.2 R´ esultats : r´ eactivit´ e des complexes encombr´ es de samarium

4.1.2.1 Synth` ese et caract´ erisation des produits de r´ eaction

Com relação à identidade profissional, esta vai sendo formada em paralelo, junto com todos os outros papéis que as pessoas assumem, e sendo influenciada por eles no decorrer desta formação. As categorias correlacionadas à identidade profissional têm origem na modalidade de formação do indivíduo e nas especificidades do trabalho, sendo este último – o emprego – a principal referência para o processo identitário (DUBAR, 2005).

O processo de constituição da identidade profissional possui um caráter emi- nentemente histórico, pois o sujeito, localizado em um determinado tempo e em um determinado espaço, por meio de seus atos, a constrói, criando o seu conhecimento e o seu fazer profissional, limitado pelos fatores condicionantes de seu espaço histórico-cultural. De acordo com as circunstâncias e as exigências impostas pela sociedade em determinada época, o fazer profissional tem, historicamente, maneiras diferentes de atuação (PIMEN- TA, 2002). Desse modo, o sujeito é constantemente produzido pelo contexto social, histórico e cultural em que está inserido. Os percursos de vivências e as histórias vividas e construídas marcam significativamente o exercício da sua profissão (GUIMARÃES, 2006).

A formação é um fator essencial na construção das identidades profissionais, uma vez que facilita a incorporação de saberes que possibilitam estruturar as relações com o trabalho e com a futura carreira profissional. Considerando a conjuntura econômica atual, em que há uma dificuldade geral de acesso ao emprego, a formação tem sido um fator considerável de influência na constituição das identidades sociais, obrigando os indivíduos a delicadas transformações em suas identidades, tendo em vista os requisitos e desafios inerentes à futura profissão (DUBAR, 2005).

Qualquer que seja a ocupação, o tempo é um fator de importância para compreender a constituição da identidade profissional, uma vez que, para exercer uma profissão, é preciso aprendê-la antes, isto é, adquirir, progressivamente, os saberes indis- pensáveis para a realização do trabalho e das atividades inerentes à profissão. Não poderia ser diferente com a profissão docente. Ela requer uma escolarização prévia que fornecerá ao futuro profissional os conhecimentos teóricos e técnicos introdutórios ao trabalho inicial. A escolarização, por si só, não é suficiente, e precisa ser complementada por uma

formação prática, por uma experiência direta no local de trabalho, de duração variável, a qual propiciará ao professor e à professora iniciantes a oportunidade de se familiarizarem com a cultura do local em que exercerão a sua profissão, bem como de assimilarem, progressivamente, os saberes necessários à realização de suas tarefas (TARDIF; RAYMOND, 2000).

Os saberes que constituem a base para o ensino não estão limitados apenas a conteúdos referentes a um conhecimento especializado, porém são muito mais abrangentes e incluem uma gama diversa de objetos, de questões e de problemas relacionados com a profissão docente. São adquiridos, em parte, na universidade, mas é o local de trabalho, por meio da experiência prática, a fonte privilegiada de aprendizagem do saber ensinar. Outros já estão incorporados nos indivíduos, como fruto de suas histórias de vida (TARDIF; RAYMOND, 2000).

A escolha da profissão é um dos determinantes da identificação profissional e, segundo Orlandelli (1998), essa decisão nem sempre é feita de maneira tranquila. Influên- cias familiares, econômicas, de traços psicológicos e de afetividades, e a existência ou não de oportunidades impulsionam as pessoas para um ou outro caminho. Tratando-se da carreira docente, essa escolha não é somente realizada de maneira consciente, pois existem outras questões a influenciá-la: a afetividade, o idealismo, questões econômicas entre outras. Esses motivos estão baseados nas representações que os indivíduos possuem dessa profissão, as quais foram criadas ao longo de suas vidas, através de suas relações, do convívio com professores e professoras e do falar sobre eles.

Tardif e Raymond (2000) citam pesquisas que apontam os fatores que influen- ciaram na escolha da profissão docente: muitos professores e professoras, particularmente estas últimas, indicaram a família como fator de escolha de sua carreira, ou porque seus pais e suas mães exerciam essa profissão, ou porque esta era valorizada no meio em que viviam; outros apontaram a influência exercida por seus antigos professores e professoras; e alguns, as experiências escolares significativas, vivenciadas em seu tempo de escolariza- ção básica, tais como ajudar outros alunos e alunas em seus trabalhos escolares.

Em relação aos saberes docentes, “Uma boa parte do que os professores sabem sobre o ensino, sobre os papéis do professor e sobre como ensinar provém de sua própria história de vida, principalmente de sua socialização enquanto alunos” (TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 216-217).

Nem todos os diversos saberes são construídos pelos próprios professores e professoras, pois muitos provêm de fora, do ambiente com o qual eles interagem ou interagiram. Isto é, parte tem origem em lugares sociais até anteriores às suas atuais

carreiras – de suas famílias, das escolas em que cursaram o Ensino Básico ou de sua cultura pessoal –; outros têm suas origens na instituição escolar em que os docentes estão atuando – programas, objetivos, princípios pedagógicos, cultura da escola7, colegas de trabalho etc. São denominados como saberes da formação profissional, saberes disci- plinares, saberes curriculares e saberes da experiência. Assim, os saberes profissionais são plurais e originários de fontes sociais diversas, bem como adquiridos em tempos sociais diferentes: durante a infância, no Ensino Básico, no curso de formação inicial e no ingresso e decorrer da carreira (TARDIF; RAYMOND, 2000).

Os professores e professoras configuram um tipo de profissional que já convi- veu, antes mesmo de iniciarem as suas carreiras, durante um longo tempo com o ambiente de trabalho. Em consequência, incorporaram uma bagagem de conhecimentos, traduzidos em crenças, em valores, em representações e em certezas sobre a prática docente, os quais permanecem estáveis e duradouros e fundamentam as suas relações com os Outros, especificamente com os alunos e as alunas. Dessa forma, os saberes dos professores e professoras decorreriam, em grande parte, de pré-concepções – creio que não cabe aqui afirmar se são corretas ou não, se são adequadas ou não, pois cada indivíduo tem a liberdade de criar a sua ideia da realidade, não cabendo ao pesquisador questioná-las – fortemente arraigadas sobre o ensino e sobre a aprendizagem herdadas de suas histórias escolares (TARDIF; RAYMOND, 2000). Assim,

A maioria dos dispositivos de formação inicial dos professores [e professoras] não consegue mudá-los nem abalá-los. Os alunos [e as alunas] passam através da formação inicial para o magistério sem modificar substancialmente suas crenças anteriores sobre o ensino. E, tão logo começam a trabalhar como professores [ou professoras], sobretudo no contexto de urgência e de adaptação intensa que vivem quando começam a ensinar, são essas mesmas crenças e maneiras de fazer que reativam para solucionar seus problemas profissionais (TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 217).

Os professores e professoras, ao se verem perante situações inusitadas em sala de aula, tais como dificuldades maiores de aprendizagem, situações de conflito ou de indisciplina e outras que fogem do padrão esperado, evocam, nas suas memórias, fatos do passado e tendem a reproduzir (em termos de possibilidades, não determinísticos) as práticas pedagógicas efetivadas por seus antigos professores e professoras. Por exemplo, para solucionar um problema de indisciplina, podem adotar procedimentos já vividos por

7 Cultura da escola pode ser compreendida pelos ritmos e ritos da escola, sua linguagem, seu imaginário,

seus modos próprios de regulação e transgressão, e seu regime próprio de produção e gestão de símbolos. Ela pode ser percebida nas formas de relações hierárquicas, no disciplinamento das mentes, dos corpos e dos

eles mesmos, ou podem repetir o modo que seus pais e mães adotavam para conter a indisciplina dos filhos, ou, da mesma forma, podem reproduzir as práticas adotadas por seus antigos professores e professoras. Em qualquer caso, o modo de agir não será inato, pois, como construção social, repetirá fatos ou concepções já vivenciados ou presenciados.

Mesmo nas coisas e práticas corriqueiras, o passado se faz presente. Portela et

al. (2000), como exemplo, procuram explicar a preferência por práticas tradicionais de

ensino pelo fato de ter sido este o modelo pedagógico que permeou a escolaridade desses profissionais. Vasconcellos (2001, p. 181) também alerta que, se os professores e as professoras, durante o período de formação, não tiverem a oportunidade de conhecer novas concepções de práticas pedagógicas, e de praticá-las, a tendência é “a contínua reprodução daquilo que ele [ou ela] viveu [viveram] no ambiente escolar, seja nos bancos da escola elementar, seja nos da universidade”. Desse modo, para o autor, o professor e a professora serão induzidos a uma eterna repetição, e estes acharão que tudo é muito natural, “pois, afinal, sempre foi assim...”.

Após a formação inicial, os professores e professoras adentram em um contexto de trabalho que não lhes é totalmente estranho, já que viveram em seu meio durante grande parte de suas vidas. Entretanto, são outros os desafios, os quais serão fatores de significativa importância para a continuidade de construção de suas identidades.

“Entre os acontecimentos mais importantes para a identidade social, a saída do sistema escolar e a confrontação com o mercado de trabalho constituem atualmente um momento essencial da construção de uma identidade autônoma” (DUBAR, 2005, p. 148).

Os resultados dessa primeira confrontação influenciarão sobremaneira na cons- tituição da identidade profissional básica inicial, a qual delineará uma trajetória de emprego e a projeção da vida pessoal futura (DUBAR, 2005). É oportuno repetir o afirmado por Nóvoa (2006) anteriormente, em que ele aponta essa fase inicial na profissão como essencial para a configuração de uma identidade profissional docente. Tardif e Raymond (2000) destacam os anos iniciais de carreira como fundamentais para a estrutu- ração dos saberes docentes, pois é, nesse período, que os professores e professoras se deparam com os primeiros desafios e que ocorre o chamado choque com a realidade, ou

choque de transição ou ainda choque cultural, o qual é acompanhado também de uma fase

crítica, em que são forçados a questionar a visão idealista que porventura tenham sobre a prática de ensino. O autor e a autora se referem a uma fase em que os recém-formados seriam confrontados com “a dura e complexa realidade do exercício da profissão”

corações, nos ritos e rotinas do cotidiano, em que tudo é traduzido em tradições e em formas naturalizadas de agir (FORQUIN, 1993).

(TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 226). Essa fase, segundo estudos citados por eles, duraria de três a cinco anos e representaria um período crítico de aprendizagem intensa da profis- são, constituindo fator determinante de seu futuro e de sua relação com o trabalho.

Outros autores e autoras também se referem a essa fase inicial na carreira, sendo que vários citam o ciclo de vida profissional dos professores e professoras, elabo- rado por Huberman (1995, grifo nosso), o qual apresenta os dois ou três primeiros anos como um período de descobertas e, ao mesmo tempo, de sobrevivência na profissão, em razão de conflito entre o que os recém-formados idealizam e a realidade encontrada nas salas de aula. Esse período é assim caracterizado pelo autor:

O aspecto da ‘sobrevivência’ traduz o que se chama vulgarmente o ‘choque do real’, a confrontação inicial com a complexidade da situação profissional: o tactear constante, a preocupação consigo próprio [ ... ], a distância entre os ideais e as realidades quotidianas da sala de aula, a fragmentação do trabalho, a dificuldade em fazer face, simultaneamente, à relação pedagógica e à trans- missão de conhecimentos, a oscilação entre relações demasiado íntimas e demasiado distantes, dificuldades com alunos que criam problemas, com material didáctico inadequado, etc.

Em contrapartida, o aspecto da ‘descoberta’ traduz o entusiasmo inicial, a experimentação, a exaltação por estar, finalmente, em situação de responsabi- lidade (ter uma sala de aula, os seus alunos, o seu programa), por se sentir colega num determinado corpo profissional. [ ... ] Mas verifica-se, igualmente, a exis- tência de perfis com uma só destas componentes (a sobrevivência ou a descoberta) impondo-se como dominante, ou de perfis com outras caracterís- ticas: a indiferença ou o quanto-pior-melhor (aqueles que escolhem a profissão a contragosto ou provisoriamente), a serenidade (aqueles que têm já muita experiência), a frustração (aqueles que se apresentam com um caderno de encar- gos ingrato ou inadequado, tendo em atenção a formação ou a motivação iniciais) (HUBERMAN, 1995, p. 39).

Esta identidade inicial não será definitiva, pois sofrerá o embate das transfor- mações tecnológicas, organizacionais e de gestão que ocorrerem no local de trabalho, além de vários outros desafios. Portanto, será uma identidade marcada pela incerteza e estará destinada a ajustes e a conversões sucessivas (DUBAR, 2005). No entanto, a reconstrução das identidades não se processará em um terreno neutro, pois as concepções sobre a prática docente já se encontram firmemente estruturadas nos professores e professoras iniciantes. Elas são tão fortes e arraigadas que resultam em práticas que, frequentemente, reproduzem papéis e rotinas institucionalizadas da escola (cultura da escola), em virtude da tendência de naturalização das práticas sociais (TARDIF; RAYMOND, 2000).

Foi visto que, no processo de socialização, o indivíduo, desejando pertencer a um determinado grupo, adota voluntariamente as atitudes desse grupo, em busca de um reconhecimento por parte dos demais integrantes do grupo. No caso da identidade profis- sional, a transação entre o indivíduo e as instituições empregatícias é reduzida ao reconhe-

cimento ou não de sua competência para o trabalho, dos saberes prévios que possui e da imagem que ele mesmo tem de si. Desse modo, o indivíduo, durante a formação inicial e na prática diária, procura adquirir as competências e qualificações exigidas pelas institui- ções e incorporar as atitudes manifestadas pelos demais colegas de trabalho, tentando adaptar-se ao contexto e buscando, assim, um reconhecimento de suas competências e de seus saberes por parte dos demais integrantes do grupo profissional (DUBAR, 2005). Nóvoa (1995a, p. 16) sintetizou este pensamento, ao dizer que “A identidade é um lugar de lutas e de conflitos, é um espaço de construção de maneiras de ser e de estar na profissão”.

Ou seja, os professores e professoras dependem dos saberes docentes adquiri- dos antes de se formar, durante os cursos de formação e em sua experiência em sala de aula, para demonstrarem competência e, então, se afirmarem e serem reconhecidos na profissão.

Por outro lado, a carreira dos professores e professoras será influenciada tanto pela dimensão individual como pela dimensão coletiva, do grupo, tendo por base as repre- sentações que o grupo – a classe docente – faz sobre essa profissão (SCHAFFEL, 2007). Ao longo de sua história de vida profissional, os professores e professoras também interiorizarão um certo número de conhecimentos, de crenças, de valores e de experiências, os quais estruturarão a sua identidade docente, que irá sofrendo transformações nas rela- ções estabelecidas com o ambiente familiar, profissional e social (LINHARES, 2006).

Mas, conforme afirma Schaffel (2007), a intensidade com que se processa a socialização inicial em determinada carreira profissional poderá constituir-se em fator determinante para as futuras reconstruções da identidade profissional. Para ela, nas profissões em que a socialização é exercida com vigor durante o processo de formação, as pré-disposições e pré-concepções existentes nos indivíduos minimizam-se com o decorrer do tempo. Porém, caso esta socialização seja incipiente, os valores, as atitudes e as orientações que os indivíduos já trazem de sua história de vida exercerão forte influência em sua prática profissional, conforme foi ressaltado anteriormente por Tardif e Raymond (2000). Segundo a autora, a profissão do magistério se encontra entre aquelas que são vulneráveis, uma vez que o impacto da socialização inicial não se faz de forma vigorosa, resultando que, diante de um desafio, os professores e professoras tomarão atitudes com base em suas concepções adquiridas no passado (SCHAFFEL, 2007). A autora relacionou várias razões para que a socialização, na carreira docente, seja incipiente, tais como:

• as estruturas de entrada são frouxas para facilitar o acesso, pois se trata de uma profissão que sempre tem uma grande demanda, ainda mais nas séries iniciais; • os candidatos ao magistério não se submetem a uma seleção rigorosa;

• os novatos não passam por um processo mais rigoroso de observação, princi- palmente na rede pública de ensino;

• o lugar de trabalho do professor – a escola – não está organizado para promo- ver pesquisa;

• o tempo de experiência requerido antes do exercício profissional é insigni- ficante; e

• introdução do iniciante de forma brusca no ambiente de trabalho, delegando- lhe a responsabilidade pela direção de uma turma (SCHAFFEL, 2007, p. 112).

Daí, acontece que certas concepções, com relação à diversidade de alunos e alunas, nem sempre são desconstruídas nos cursos de formação, vindo, mais tarde, a influenciar negativamente a prática docente. Ressalta, nesse caso, a importância dos professores e professoras formadores8 com relação à constituição de identidades, nos futuros docentes, que sejam direcionadas para a diversidade. Não são eles que constroem as identidades dos futuros docentes, senão os próprios alunos e alunas dos cursos de formação. Porém, seus exemplos de vida, suas maneiras de ser e estar na profissão e suas concepções sobre a diversidade são fatores que exercerão forte influência nessas pessoas.

Enfim, ao longo de sua trajetória de vida, com destaque para os períodos relativos à formação inicial e ao início da carreira, os professores e professoras constituem as suas identidades profissionais docentes.

Pelo exposto, acredito que o conjunto de características identitárias individuais dos professores e professoras acaba por configurar a identidade do grupo e, considerando que as identidades são constantemente reconstruídas, em função dos fatores que influem sobre as pessoas, creio também que essa identidade grupal evolui ao longo do tempo, de acordo com o contexto sócio-histórico em que os integrantes do grupo estão inseridos.

Assim, será necessário estudar o contexto atual – cenário – de diversidade em que os profissionais da docência estão desenvolvendo suas práticas no momento, o qual será apreciado no próximo capítulo.

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