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Magn´ etisme en champ continu

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3.1 Electronique des pr´ ´ ecurseurs de thulium (II)

3.1.2 Propri´ et´ es magn´ etiques

3.1.2.1 Magn´ etisme en champ continu

O conceito de redes é fundamental para compreendermos melhor o comportamento e as ações dos indivíduos no contexto de uma sociedade de Antigo Regime, e tem sido muito bem trabalhado pelos historiadores portugueses. Mafalda Soares da Cunha, 403 ao trabalhar com redes relacionais, procura deslocar a análise do grupo para as redes interindivinduais, entendendo o indivíduo dentro do grupo. A autora, ao analisar as ações dos indivíduos dentro da Casa de Bragança, procura entender a ação destes dentro do grupo, como cada qual irá agir, mediante à expectativa que se tem com relação ao outro. A partir desta noção de redes, é que podemos trabalhar as estratégias utilizadas pelos camponeses dentro do seu próprio grupo social, as relações que mantinham entre si, e as estratégias das quais se utilizavam.

Outra noção fundamental de redes nos é fornecida por Ângela Barreto Xavier e Antônio Manuel Hespanha404. Trata-se do conceito de “redes clientelares”, que se constituem através de relações de poder, ou seja, entre grupos hierarquicamente diferenciados. É uma noção que permeia o campo dos poderes informais e da "economia moral". Esta lógica clientelar seguia uma obrigatoriedade de conceder mercês aos mais amigos, muitas vezes em situações cotidianas, que acabavam por escapar do nível institucional ou jurídico, e se baseavam em critérios de amizade, parentesco, fidelidade, honra e serviço.

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CUNHA, Mafalda Soares da. Modelo de Análise de redes sociais. In: A Casa de Bragança - 1560-1640. Práticas sociais e redes clientelares. Lisboa: Estampa, 2000.

404

XAVIER; Angela Barreto e HESPANHA, Antônio Manuel. As redes clientelares. In: HESPANHA, Antônio Manuel. (coord.) História de Portugal. Lisboa: Estampa, vol.4, 1998

Estas redes que se formavam em torno de relações de poder, traziam para ambos os lados envolvidos (dominante/dominado), benefícios não somente econômicos, mas também simbólicos, de gratidão e serviço.

Uma das formas mais comuns de manifestação deste estado de desequilíbrio é a idéia de 'amizade' (desigual) que para o polo dominante (credor), se traduz na disponibilidade de quem dá um benefício e não exige uma contrapartida expressa e/ou imediata, e do lado do polo dominado (do devedor) está associada às idéias de respeito, serviço, atenção, significando a disponibilidade para prestar serviços futuros e incertos.405

Esta relação criava a existência, do que os autores denominam "dever vazio", em função de um benefício ainda não retribuído por parte do polo dominado, e que gera uma vantagem do polo oposto, e a necessidade e obrigação de uma retribuição.

É a partir desse conceito de redes que procuraremos desvendar e analisar as relações entre os camponeses e os demais grupos sociais. Nosso propósito é compreender de que maneira se configuravam estas relações e quais as estratégias utilizadas por ambos em função de seus interesses, visto que, como lembra Ângela Xavier e Hespanha, "as redes clientelares

funcionavam para ambos os lados, como um excelente instrumento de luta política".406 Devemos lembrar que estas estratégias poderiam ser usadas tanto do ponto de vista de conservação da política social, como de uma tentativa de modificá-la, pois, segundo Nuno Gonçalo Monteiro:

O facto de nos antigos regimes a sociedade ser representada, em primeiro lugar, como um conjunto de corpos sancionados pelo direito, não nos garante que sua estratificação social fosse imediatamente visível, nem nos assegura que existisse uma correspondência linear entre os corpos sociais definidos pelo direito e as hierarquias sociais.407

O mesmo autor afirma ainda que, apesar da institucionalização e legitimação da estrutura social, vários conflitos de classificação decorrentes dos distintos esquemas de percepção do mundo social, exerciam forte influência na configuração deste tecido social. As sociedades de Antigo Regime nos apresentam uma complexa gama de situações, pois como afirma Giovanni Levi, estamos falando de uma sociedade marcada pelas incertezas, onde concepções 405 Idem. p. 340. 406 Idem. p.347 407

MONTEIRO; Nuno Gonçalo. Poder Senhorial, Estatuto nobiliárquico e Aristocracia. In: HESPANHA, Antônio Manuel .(coord). História de Portugal. O Antigo Regime. Lisboa: Estampa, vol.4, 1998 p. 297

juridicamente institucionalizadas acabam por se readaptar a situações específicas. É dentro desta sociedade marcada por uma forte diferenciação social, uma sociedade altamente excludente, característica de Antigo Regime, que continuaremos a identificar o comportamento camponês.

Nosso trabalho concentrou-se até o momento em analisar a conduta camponesa, que procurou se firmar enquanto um grupo autônomo e buscou melhores condições de vida, como por exemplo, o acesso a terra. Destacamos a importância do trabalho familiar para a formação do campesinato, e nosso objetivo neste momento é procurar entender com base nos documentos que tivemos possibilidade de trabalhar, a constituição de laços familiares, consangüíneos ou não e as relações de sociabilidade e solidariedade que estes laços proporcionam.

Se a família era de fundamental importância, para a sociedade de um modo geral e especialmente no mundo agrário, para o segmento camponês, esta assumia uma importância ainda maior, sendo a base e o princípio do sustento destas unidades. Dentre os camponeses trabalhados, 87% deles eram casados ou viúvos e estabeleceram família o que, além de representar uma estratégia de sobrevivência, auxílio e proteção, proporcionava inclusive “status”, promovendo uma diferenciação na sociedade em relação àqueles que viviam sob o estado de solteiro ou como concubino. Hebe Mattos encontrou para o sudeste do Brasil, um percentual de 85% de inventariados casados ou viúvos, enquanto Sônia Souza detectou para Juiz de Fora um percentual de 96%. Porém, mesmo as uniões não legalizadas pela Igreja, proporcionavam sobrevivência e estabilidade como bem confirma Sheila de Castro Faria: (...) era a constituição

de uma família o princípio básico de funcionamento de unidades em zonas agrárias. Casamentos e recasamentos legais orientavam a estabilidade. Dificilmente um homem ou uma mulher sozinha poderia sobreviver na zona rural. Buscar estabilidade do matrimônio era solução priorizada(...)408 . Apesar do percentual de casados ou viúvos representar 87%, até mesmo os inventariados solteiros possuíam filhos, e em apenas um inventário de um indivíduo solteiro não é informada a presença de filhos, deixando como herdeira sua afilhada. Portanto, todos os casados ou viúvos possuíam filhos e tomando como base tanto casados como solteiros praticamente todos os inventariados possuíam filhos. Entre aqueles que tinham prole, 61,10% possuíam menos de cinco filhos, enquanto 38,90% deles tinham mais de cinco. Apesar desta diferença, no geral, os números apontam para uma média de 5,22 filhos, o que significa um considerável número.

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As listas nominativas também apontam uma tendência ao casamento e um alto número de domicílios chefiados por casados e viúvos.

Tabela 30 – Distribuição dos chefes de domicílios por estado civil

Casados Viúvos Solteiros S/ informação Total

Freguesia H M H M H M H M H M Manja- Léguas 34 01 03 06 09 05 - - 46 12 São José do Xopotó 44 - 04 06 09 03 03 01 60 10

Fonte: Listas nominativas de Manja-Léguas e São José do Xopotó

Os dados retirados das listas confirmam o significativo índice de pessoas que estavam casadas ou foram casadas em algum momento. Nos dois distritos analisados, 76,56% das pessoas correspondem ao estado de casado ou viúvo(a). Não considerando, portanto, o número de agregados casados que poderiam existir nos domicílios. Alguns dados, no entanto, merecem atenção, como a presença de mulheres e viúvas como chefes de domicílio. Encontramos apenas um caso em que a mulher casada comanda o seu domicílio. Os domicílios sob o domínio de mulheres solteiras representavam 6,25%, enquanto aqueles sob o domínio de viúvas correspondiam a 9,38%. Podemos perceber que as mulheres viúvas chefiando domicílios superam os homens na mesma condição, que representavam 5,47%. Já os homens solteiros superam as mulheres nesta condição, e significaram 14,06%. Podemos então concluir pelos dados apresentados que as mulheres procuram um casamento mais precoce, porém quando ficavam viúvas, mantinham ao menos por um tempo maior este estado, enquanto os homens buscavam bem mais rapidamente um novo casamento, principalmente se possuíam filhos pequenos. Um bom exemplo é o de Manoel Gomes Sande, que se casou com Ana Francisca Teixeira em 1785, esta faleceu em 1798 e no ano de 1801, ele abriu processo matrimonial para se casar com Liberata Vitória Francisca, ou seja, buscou reconstruir sua família.409 Os próprios inventários demonstram que entre os inventariados informados como viúvos 66,67% eram mulheres.

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