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B.  Synthèses

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Chapitre  2   :  Utilisation  de  liquides  ioniques  supportés  pour  la  synthèse

III. B.  Synthèses

INTEGRANDO A PÓS-GRADUAÇÃO E A EDUCAÇÃO BÁSICA

A produção de conhecimento é aqui compreendida como “manifestação de racionalidade e historicidade” (BOMBASSARO, 1992, p. 120) construída no diálogo entre o campo da formação e da prática profissional. Assim, a pesquisa é considerada como

84 fundamental ao processo de ensino, como parte da natureza da docência, orientada para a produção de conhecimento em superação às lógicas de formação voltadas para o consumo de conhecimentos produzidos longe das escolas, pautada em relações dialógicas onde “[...] há sujeitos que se encontram para a pronúncia do mundo, para sua transformação.”(FREIRE, 1983, p. 196).

Isso significa, com ancoragem em Freire (2003, p. 29), que “[...] pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade” o que nos remete à valorização do diálogo entre os saberes construídos nas pesquisas e nos contextos de prática docente, num movimento de indissociabilidade do ensino e da pesquisa, na perspectiva da formação do professor pesquisador.

Tais pressupostos no campo das pesquisas em educação encaminham para uma compreensão de investigação que supere a tradicional dicotomia entre sujeito e objeto investigado. Assim, as intencionalidades por metodologias de abordagens participativas são relevantes para a produção de conhecimento contextualizado, assim como as que tenham como horizonte uma educação libertadora.

Dessa forma, a pesquisa participante, também considerada como um ato político e uma “[...] pedagogia que entrelaça atores-autores e que é um aprendizado no qual, mesmo quando haja diferenças essenciais de saberes, todos aprendem uns com os outros e uns através dos outros” (BRANDÃO; STRECK, 2006, p. 13), configura-se como um diálogo, “[...] momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como a fazem e re- fazem” (SHOR; FREIRE, 2008, p.122).

A pesquisa participante tem como um dos horizontes a superação da “oposição sujeito/objeto” na construção de “[...] redes, teias e tramas formadas por diferentes categorias entre iguais/ diferentes sabedores solidários do que de fato importa saber” (BRANDÃO; STRECK, 2006, p. 12).

Podemos depreender, considerando os dados da realidade e os aportes teóricos em análise, a relevância de projetos que integrem estudantes de Programas de Pós-Graduação em Educação stricto sensu e demais pesquisadores na Universidade com professores atuantes na Educação Básica, neste momento, em especial, das supervisoras pedagógicas que trabalham na Educação Básica, na investigação e trabalho coletivo que possibilite a vivência da formação numa dimensão ética articulada com a dimensão estética, política e técnica (RIOS, 2008), diante da necessidade em compreendemos que a formação é ponto de partida para

85 humanização do homem, o refinamento das suas faculdades e requer uma dimensão de humanização e emancipação dos sujeitos (LUKÁCS, 1979, p. 16).

Na medida em que são consideradas tais dimensões na formação associada à pesquisa com professores e estudantes, a produção de conhecimento no Grupo de Pesquisa apresentou alguns aspectos a destacar.

Primeiramente, destacar que o trabalho coletivo na pesquisa expressou uma competência profissional, que nas palavras de Fernandes (2012, p. 135) “[...] encaminha o trabalho com o conhecimento em uma tecitura permanente com os saberes da experiência e sua interação com o mundo da vida e do trabalho”.

Tal movimento, além de considerar a educação como direito de todos, e neste momento, o direito à formação continuada, compreendida como formação com professores e não para ou de, diante da necessidade da superação da nossa “inexperiência democrática” (FREIRE, 2002, p. 30), como anteriormente explicitado, com propostas formativas verticais, caracterizou-se como uma formação construída na relação dialógica entre os sujeitos e instituições, com reconhecimento e valorização da autonomia das escolas e de seus Projetos Políticos-Pedagógicos.

Assim, o Projeto abriu possibilidades para a articulação teoria e prática e a vivência de processos que provoquem o distanciamento necessário para a problematização, reflexão e pesquisa nas Escolas e na Universidade que contribuam para a ressignificação do trabalho docente, a produção de conhecimento contextualizado na formação inicial de professores e para a compreensão de como estão sendo os dos processos de implementação das políticas educacionais.

Outro aspecto a destacar está relacionado à valorização dos sujeitos trabalhadores em educação na Escola Pública ancorada numa perspectiva crítica sobre a escola e a sociedade e com o ensino voltado para a transformação social (SHOR; FREIRE, 2008, p. 25). Esse movimento aproximou também a comunidade escolar, representada nos Seminários Integradores pelas famílias e estudantes, da Universidade e do debate necessário para a garantia de uma educação para todos.

As vozes do Projeto expressas nos encontros de Pesquisa buscaram a superação da dicotomia “sujeito e objeto, mente e matéria, em que o conhecimento é coisificado e separado do processo de construção pessoal.” (FERNANDES, 2011, p. 66), perspectivando a democratização da educação, o protagonismo da escola pública e a vivência dos espaços/tempos na Universidade como um bem público.

86 Assim, a abordagem metodológica na Pesquisa reafirmou a Escola como lugar de produção de conhecimento e os trabalhadores em educação como sujeitos produtores de conhecimento, encaminhando para a necessidade de uma significativa compreensão acerca da epistemologia da prática profissional.

Num processo de superação do possível distanciamento entre o campo da formação e da prática profissional, o trabalho no Grupo de Pesquisa possibilitou ainda, a investigação acerca de questões da cotidianidade do trabalho nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e da ação da supervisão pedagógica na escola. E nesse sentido, considero que possibilitou revisão das minhas próprias práticas, como supervisora e pesquisadora em formação, bem como a reafirmação do compromisso com a vivência de uma educação libertadora, como já anunciado.

A participação das supervisoras das escolas, bem como as investigações realizadas nesse período, possibilitou, ainda, reafirmar a necessidade e a importância do trabalho de formação continuada centrado na escola, no fortalecimento institucional, focalizado na articulação do Projeto Político-Pedagógico e no debate acerca das questões que perpassam o trabalho nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de forma a criar condições para a compreensão das facetas e condicionantes sociais, culturais e políticos do processo de alfabetização (SOARES, 2011, p. 25).

Nesse contexto, os processos de alfabetização e letramento foram compreendidos no Projeto como responsabilidade dos professores e não apenas dos alfabetizadores tradicionalmente nominados, o que implicou em trazer à discussão o compromisso de todos para a superação do quadro histórico de desafios relacionado à alfabetização no país.

A formação associada à pesquisa, assim, foi compreendida como ato político, intencional, visto que “[...] não se pode pretender formar um homem sem um prévio conceito ideal de homem” (VIEIRA PINTO, 2010, p. 37) voltada ao trabalho coletivo e à emancipação dos sujeitos num processo de indissociabilidade da análise e do estabelecimento de relações entre as perspectivas macro e microcontextuais.

Outros aspectos e dimensões do Projeto Formação Continuada de Professores Alfabetizadores e Processos de Alfabetização nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental são passíveis de reflexões e possibilidades de estudo, no entanto, os sinalizados neste recorte foram considerados agora necessários no sentido de que buscaram a aproximação e o diálogo com as especificidades locais e construção de inéditos-viáveis em processos de formação

87 associada à pesquisa integrando a Universidade, através da Pós–Graduação em Educação e a Escola de Educação Básica.

Contudo, mesmo considerando as lacunas e possíveis silêncios e contradições aqui verificados, reafirmo a importância e necessidade de Projetos de Pesquisa que perspectivem práticas compartilhadas com os sujeitos e construídas no diálogo entre os saberes do campo da formação e do campo profissional. Projetos que integrem a Universidade e a Escola de Educação Básica em investigações com abordagens participativas que possibilitem a produção de conhecimento na vivência de uma formação cidadã com professores da escola pública, estudantes em formação nos Programas de Pós-Graduação e professores pesquisadores na Universidade. Reafirmo a defesa da participação enquanto diretriz suleadora da formação associada à pesquisa na/para Educação Básica.

Destaco, ainda, a importância da continuidade de políticas educacionais que valorizem os projetos locais articulados com as macropolíticas no campo da educação, voltadas para a garantia do direito à educação, projetos que envolvam diferentes grupos de pesquisas numa perspectiva de democratização do conhecimento e compromisso com a transformação da realidade educacional do País.

Analiso que neste capítulo, como referido anteriormente, apresentei um recorte do Projeto, visto sua complexidade e abrangência, diante da participação dos pesquisadores em formação neste período, a produção científica destes socializada em encontros científicos nacionais e internacionais, a participação dos professores das Escolas Públicas, tanto nos processos de planejamento com as supervisoras, quanto na mediação dos encontros na Universidade, a participação dos professores pesquisadores das Universidades e a produção de conhecimento construído no diálogo entre os campos de formação e de atuação profissional. Diante da abrangência do projeto, não descarto a possibilidade de construção de uma representação gráfica de uma rede, em estudos posteriores.

Da mesma forma, compreendo que na realização da investigação necessitei de uma postura de vigilância permanente em virtude do grau de interação com a situação estudada (ANDRÉ, 2008, p. 26). Tais preocupações são tratadas no próximo capítulo.

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7 METODOLOGIA

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