Méthodologie et composantes des 2fiS en expérimentation
RAS 1 : hévéa + forest secondaire en interligne
2.3 Synthèse rapide des résultats techniques des essais
do seu ritmo de evolução
A população portuguesa, de acordo com os dados do último recensea- mento – mantendo a mesma taxa de crescimento anual médio –, precisará de 352 anos para duplicar, para atingir aproximadamente 20 milhões de habitantes, ou seja, passarmos dos 10,6 milhões que somos atualmente para o dobro. Precisaríamos de mais de três séculos e meio para que tal viesse acontecer, desde que se mantivesse constante o crescimento ob- servado, em média, anualmente, entre 2001 e 2011 (v. quadro 5.1).
3Valores mais elevados a nível mundial no respeitante à proporção de idosos (por ido-
sos entendemos as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos) em 2015 foram esti- mados para: Japão, 26 %; Mónaco, 24 %; Itália, Alemanha e Grécia, 21 %; Finlândia, Suécia e Bulgária, 20 %; Portugal, Dinamarca, Estónia e Letónia, 19% (World Population
Porém, para que a população com 65 e mais anos duplicasse o seu efe- tivo, para passar dos cerca de 2 milhões de pessoas que com essas idades foram recenseados em 2011 para 4 milhões, precisaríamos somente de trinta e nove anos. Ou seja, mantendo também neste caso constante a taxa de crescimento anual médio registada para aquelas idades no mesmo período, Portugal irá dobrar a população com idades iguais a 65 e mais anos em 2050.
De entre a população constituída por estes idosos destaca-se uma sub- população com idades ainda mais avançadas, com 85 e mais anos, que precisará somente de quinze anos para duplicar (o que ocorrerá por volta de 2026). Isto é, não nos confrontamos apenas com um (simples) pro- blema de envelhecimento populacional, antes este parece estar a ser agra- vado por um outro problema associado ao ritmo a que a população en- velhece. Aliás, à data da divulgação dos dados do último recenseamento, esta constatação foi talvez uma das que mais surpreenderam: o envelhe- cimento populacional registou um significativo crescimento na última década, instalando-se definitivamente na sociedade portuguesa, caracte- rizando-se por uma significativa aceleração no seu ritmo de evolução.
Os valores apresentados no quadro 5.1 obrigam necessariamente a uma reflexão, nomeadamente em termos de políticas públicas e de pla- neamento futuro.
Frequentemente, quando estimamos a tendência de evolução futura, subvalorizamos a possibilidade de progresso na esperança de vida que se perspetiva.
Vejamos nos anos de 1811, 1911, 2011, o país que detinha a esperança de vida mais elevada: o Reino Unido, com 41 anos em 1811; cem anos depois, em 1911, a Noruega e a Suécia, com 58 anos; em 2011, o Japão, com 83 anos.4Se realizarmos o mesmo exercício, projetando o aumento
Envelhecimento na Sociedade Portuguesa
Quadro 5.1 – Tempo de duplicação em anos da população total, população idosa (65 e + anos) e população muito idosa (85 e + anos) em Portugal
2001-2011 Tempo de duplicação Ano (em anos)
População total 352 2363 População com 65 e + anos 39 2050 População com 85 e + anos 15 2026
Fonte: Elaboração da autora com base nos dados dos recenseamentos de 2001 e 2011.
4Fonte: Gapminder World, Wealth and Health of Nations, 2011.
espetacular da esperança de vida que ocorreu entre 1811 e 2011, princi- palmente entre 1900 e 1950, poderemos esperar ultrapassar, em média, em 2111, os 110 anos. O que significa que, se perspetivarmos uma evo- lução idêntica para o século XXIàquela a que assistimos no século XX, daqui por cem anos, a esperança de vida humana poderá ser francamente superior a 100 anos.
Sobre esta matéria têm surgido grandes discussões, que, no fundamen- tal, se resumem a saber se, biologicamente, conseguimos ultrapassar a mítica barreira a que Jean Bourgeois-Pichat5se referia em 1952 e que sus-
tentou enorme controvérsia nos anos 80 do século passado, de que a es- perança de vida não ultrapassaria, em média, os 85 anos.6Em 2002, num
trabalho pioneiro, Jim Oeppen e James Vaupel publicam na revista Science que, após 1841, a esperança de vida aumentou (imperturbável) 3 meses em cada ano,7o que os leva a concluir que podemos continuar a prever
um aumento progressivo da esperança da vida ainda durante um longo período, embora possa realizar-se a um ritmo diferente do observado até agora.
Provavelmente, naquela altura, a idade-limite de 85 anos pareceria muito afastada, quase uma impossibilidade para a generalidade das pes- soas. Atualmente já percebemos que estamos a atingir aquele limiar, mesmo em Portugal.
As previsões demográficas acabam por falhar, em grande medida, por- que supomos sempre que a mortalidade não consegue tantos ganhos quantos efetivamente acaba por verificar mais tarde. Se se analisarem as projeções demográficas – quer sejam as elaboradas pelo nosso Centro de Investigação,8pelo INE, pelo Eurostat, mesmo pelas Nações Unidas, ou
por outros investigadores que trabalham especificamente na área das pro- jeções demográficas –, o desvio observado está quase sempre associado a
5Em 1952, o demógrafo francês Jean Bourgeois-Pichat estimava que a esperança de
vida à nascença se fixaria numa idade-limite de 78,2 anos (Jacques Vallin, «L’évolution de la mortalité aux grands-âges, la population de la France», in Évolutions démographiques
depuis 1946, t. II, ed. preparada por Christophe Bergouignon, Chantal Blayo, Alain Parant, Jean-Paul Sardon e Michèle Tribalat, CUDEP, Université Montesquieu – Bordeaux IV, 2005, 481-492).
6No final dos anos 80, o biólogo francês James Fries, Bernard Benjamin (1982) e Jay
Olshansky et al. (1990), defendiam, a partir de análises distintas, que a esperança de vida não ultrapassaria os 85 anos, valor que o Japão atingiu em 2002.
7Jim Oeppen, e James W. Vaupel, 2002, «Broken limits to life expectancy», Science,
296 (10): 1029-1031.
8Laboratório de Demografia do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Socie-
dades, http://www.cidehus.uevora.pt/Laboratorios/laboratorio_demografia/apresenta- cao.
uma subavaliação do aumento da esperança de vida, a uma tendência de desvalorização relativamente à sua capacidade de incremento. Estas cons- tatações podem significar que devemos esperar que a esperança de vida em Portugal continue a aumentar gradualmente nas próximas décadas.