Descrevem o fenômeno Descrevem as condições, ações/interações, consequências de um fenômeno
Figura 8: Subcategorias, por Strauss e Corbin (2008, p.119). Texto adaptado para o formato de figura.
Definir as subcategorias, identificando onde, como, quando e porque um determinado fenômeno ocorre, auxilia no esclarecimento sobre as propriedades e as dimensões de uma categoria, ampliando as possibilidades para a aplicação de formas diversas de comparação e de análise.
O processo de codificação passa por várias etapas, a primeira denomina-se codificação aberta e está relacionada com a fase inicial de estabelecer rótulos para representar os conceitos e as categorias.
Segundo Strauss e Corbin46 (2008, p.26), o processo de codificação pode ser descrito da seguinte forma:
46
STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Pesquisa Qualitativa - Técnicas e procedimentos para o
desenvolvimento de Teoria Fundamentada; tradução Luciane de Oliveira da Rocha. Porto Alegre:
TIPO DE CODIFICAÇÃO
DEFINIÇÃO
(por Strauss e Corbin (2008))
ABERTA “Processo analítico por meio do qual os conceitos são identificados, suas
propriedades e suas dimensões são descobertas nos dados”. (p.103).
A análise pode ser feita de várias formas, a mais utilizada é fazer linha por linha com micro análise, por exemplo: palavra por palavra, frase por frase etc.
“Na codificação aberta, o analista está preocupado em gerar categorias e suas propriedades e depois tentar determinar como as categorias variam dimensionalmente” (p.143).
AXIAL “Em termos de procedimento, a codificação axial é o ato de relacionar categorias
com subcategorias ao longo das linhas de suas prioridades e suas dimensões”(p.124).
Para Strauss (1987), a codificação axial envolve: “1.organizar as propriedades de uma categoria e suas dimensões, uma tarefa que começa com a codificação aberta; 2. Identificar a variedade de condições, ações/interações e consequências associadas a um fenômeno; 3. Relacionar uma categoria à sua subcategoria por meio de declarações que denotem como elas se relacionam umas às outras; e 4. Procurar nos dados pistas que denotem como as principais categorias podem estar relacionadas umas às outras (p.125-126).
“Na codificação axial, as categorias são sistematicamente desenvolvidas e associadas às subcategorias. Porém, somente depois que as principais categorias são integradas para formar um esquema teórico maior é que os resultados de pesquisa assumem a forma de teoria”. (p.143).
SELETIVA “Codificação seletiva é o processo de integração e de refinamento da teoria. Na
integração, as categorias são organizadas em torno de um conceito explanatório central...a teoria é validada através da comparação com dados brutos ou de sua apresentação aos informantes para ver a reação deles” (p.159).
Quadro 5: Tipos de codificação, por, Strauss e Corbin47 (2008, p.26). Texto adaptado para o formato de quadro.
A codificação aberta inicia o processo de codificação, resultando em um elevado número de registros a partir dos dados, devendo se tornar mais focalizada e, para isto, são utilizados alguns códigos anteriores que servirão para sintetizar e explicar um volume maior de dados. A codificação mais focalizada é entendida como um desdobramento da codificação aberta. Conforme Cassiani, Caliri e Pelá48 (1996, p.80- 81), o processo de codificação aberta ocorre da seguinte forma:
47
STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Pesquisa Qualitativa - Técnicas e procedimentos para o
desenvolvimento de Teoria Fundamentada; tradução Luciane de Oliveira da Rocha. Porto Alegre:
Artmed, 2ª.ed., 2008, p.26.
48
CASSIANI, S. de B.; CALIRI, M.H.L.; PELÁ, N.T.R. A teoria fundamentada nos dados como
abordagem da pesquisa interpretativa. Revista latino-americana de enfermagem, v. 4, n. 3, p. 75-88,
“O investigador codifica os incidentes em tantas categorias quanto possível. Todos os dados são passíveis, neste momento, de uma codificação. A codificação é o processo em que os dados são codificados, comparados com outros dados e designados em categorias.
Assim que a categoria e as subcategorias emergirem, o investigador notará dois tipos: aquelas categorias que ele mesmo construiu e aquelas que foram abstraídas da linguagem de pesquisa. Notará que os conceitos abstraídos das situações tenderão a ser os nomes para os processos e comportamentos que estão sendo explicados, enquanto os conceitos, construídos pelo investigador serão as explicações.
Algumas “dicas” não sugeridas pelos estudiosos para se proceder à codificação aberta, quais sejam: submeter os dados a questionamentos: Este dado refere-se a este estudo? Que categoria este incidente (ou indicador) indica? Indica o que está acontecendo?”
A descrição de codificação aberta sugerida por Cassiani, Caliri e Pelá (1996, p.80), no que se refere ao resultado deste tipo de codificação, poderia ser resumida conforme figura a seguir:
CATEGORIAS Abstraídas das situações Nomes dos processos e dos comportamentos
DADOS
SUBCATEGORIAS Conceitos atribuídos pelo pesquisador
Explicações
Figura 9: Representação gráfica do produto da codificação aberta, Por Cassiani, Caliri e Pelá49
(1996, p.80). Texto adaptado para o formato de figura.
Concluída a primeira etapa de codificação aberta, o processo de codificação segue para a codificação axial. Na codificação axial (ou desenvolvimento de conceitos) é descrita como sendo a mais específica e se destina a classificar, sintetizar, organizar e agrupar grandes volumes de dados, estabelecendo relações entre as categorias e as suas subcategorias.
49
CASSIANI, S. de B.; CALIRI, M.H.L.; PELÁ, N.T.R. A teoria fundamentada nos dados como
abordagem da pesquisa interpretativa. Revista latino-americana de enfermagem, v. 4, n. 3, p. 75-88,
Na etapa da codificação axial é necessário especificar as propriedades e as dimensões de cada uma das categorias. A codificação axial é necessária para reagrupar os dados que foram fragmentados na codificação aberta. Cassiani, Caliri e Pelá50 (1996, p.81) explicam que na codificação axial:
“Comparando todos os dados assim que os recebe, o investigador faz uma opção a respeito da permanência relativa dos problemas apresentados na cena em estudo.
A redução, procedimento realizado a seguir, é o processo indutivo de agrupamento dos códigos em categorias. Nele, as categorias já formadas são analisadas comparativamente, à luz dos novos dados que estão chegando, com o intuito de tentar identificar...as mais significativas. Esse processo reduz o número de categorias, pois estas se tornam mais organizadas.
O agrupamento de categorias é uma forma teórica de análise, pois assim que as integrações emergem, as categorias reunidas formam outras mais gerais. O passo vital é descobrir o principal processo, denominado variável central, que explica a ação na cena social”.
Na codificação axial são reagrupadas as categorias iniciais em outras categorias mais amplas e gerais, avaliando a adequação e a necessidade de permanência de cada uma das categorias definidas na codificação aberta. Concluída a codificação axial, o processo segue para a codificação final denominada de codificação seletiva.
A codificação seletiva tem como objetivo destacar a variável central promovendo a integração das categorias identificadas anteriormente, conforme explicado por Cassiani, Caliri e Pelá51 (1996, p.82):
Na codificação seletiva, “...as condições causais, o contexto, as condições intervenientes, as estratégias e consequências formam as relações teóricas pelas quais as categorias são relacionadas uma a outra e à categoria central. Esse procedimento força o investigador a desenvolver alguma estrutura teórica e é denominando paradigma de análise.
O paradigma se constitui, portanto, do seguinte formato: Condições causais => Fenômeno => Contexto => Condições Intervenientes => Estratégias de ação/interação => Consequências”.
50
CASSIANI, S. de B.; CALIRI, M.H.L.; PELÁ, N.T.R. A teoria fundamentada nos dados como
abordagem da pesquisa interpretativa. Revista latino-americana de enfermagem, v. 4, n. 3, p. 75-88,
dezembro 1996.
51
Cassiani, Caliri e Pelá (1996, p.82) definem cada parte de um paradigma de análise, conforme o quadro a seguir:
PARTES INTEGRANTES DE UM PARADIGMA DESCRIÇÃO
Condições causais “... são definidas como o conjunto de eventos, incidentes e acontecimentos que levam à ocorrência ou desenvolvimento do fenômeno”
Fenômeno “...é a ideia central, o evento, acontecimento e
incidente sobre o qual um grupo de ações ou interações são dirigidas ou estão relacionadas”
Contexto “...tratado como um grupo específico de
propriedades que pertencem ao fenômeno, representando um grupo particular de condições dentro do qual as estratégias de ação/interação são tomadas”
Condições intervenientes “...são aquelas condições estruturais que se
apoiam nas estratégias de ação/interação e que pertencem ao fenômeno. Elas facilitam ou bloqueiam as estratégias tomadas dentro de um contexto específico”
Estratégias de ação/interação. São as estratégias que devem ser utilizadas para lidar com o fenômeno ou para responder ao mesmo.
Consequências “...são identificadas como os resultados ou
expectativas da ação/interação”.
Quadro 6: Partes integrantes de um paradigma de análise, por Cassiani, Caliri e Pelá (1996, p.82), o
texto original foi adaptado para o formato de quadro.
Algumas perguntas podem auxiliar o analista a identificar as condições e os contextos onde estão situados os fenômenos ou que os fazem surgir. Strauss e Corbin52 (2008, p.127-128) explicam que quando um analista responde as perguntas de pesquisa (Quem? Quando? Onde? Por que? Como? Com quais consequências?), consegue respostas que o auxiliam a relacionar a estrutura com o processo. Esses
52
STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Pesquisa Qualitativa - Técnicas e procedimentos para o
desenvolvimento de Teoria Fundamentada; tradução Luciane de Oliveira da Rocha. Porto Alegre:
autores descrevem um paradigma como sendo “...nada além de uma perspectiva assumida em relação aos dados, outro ponto de vista analítico que ajuda a reunir e a ordenar os dados sistematicamente, de forma que estrutura e processo sejam integrados”.
Na abordagem de Strauss e Corbin53 (2008, p.127-128), as condições formam a estrutura (circunstâncias e situações) nas quais ocorrem as ações ou as interações (quem e como) e as consequências como os resultados destas últimas. Em resumo, na abordagem da Teoria Fundamentada um paradigma pode ser entendido conforme figura a seguir:
Serve para