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2.7 Conclusion

3.1.1 Synopsis de la méthode

A modernização das fronteiras agrícolas ou como Santos; Silveira (2008) descrevem a cientificização da agricultura significou a incorporação dos progressos da ciência e da técnica e a circulação acelerada de informações.

A gestão agrícola no território brasileiro, em sua face mais contemporânea, pode ser contada a partir da atribuição de sentido produzida pela nova agricultura, ou pela nova face do desenvolvimento capitalista na agricultura brasileira, a partir também da década de 1970. Trata-se de estratégias ou de uma nova racionalidade que começou com um processo de modernização, nomeada como modernização dolorosa por Silva (1982) e que,

posteriormente também designou-se como modernização conservadora no ambiente organizacional da agricultura.

Essa nova agricultura orientada principalmente pelos interesses de expansão do mercado, sob a lógica da urbanização e industrialização, estabeleceu diferentes usos para o território, novos modelos de relações espaciais e de acumulação de capital em uma constante dinâmica modernizadora. Impôs também sucessivas mudanças, nos espaços e fazeres agrícolas, ligadas a um tipo de organização técnica, que na atualidade se apresenta sistêmica, complexa e orientada por fluxos produtivos ou tecnoprodutivos intensos e baseados em informação. Promoveu crescente integração entre a agricultura e a indústria visto que, os rendimentos passaram a ser obtidos a partir da elevação constante da produtividade, alcançada pela adoção de inovações tecnológicas de produção e organizacionais (PAULILLO, 2007). Essa nova lógica sob paradigma tecnoeconômico se estruturou orientada por três tendências: “[...]1a a concentração e a centralização das decisões de caráter estratégico; 2a a descentralização do gerenciamento organizacional, 3a as inter-relações espaciais possibilitadas pelos fluxos informacionais” (ALBAGLI, 1999, p. 194). Esses fluxos de informação foram definidos pelas estruturas dominantes de poder e pelos limites da infraestrutura comunicativo-informativa disponível.

Ramos (2006, p. 384) descreve com precisão essa evolutiva como uma nova face da economia capitalista na agricultura, explicitada em periodizações no processo de modernização: nas décadas de 1960 e 1970 ocorreu o “[...] aprofundamento da modernização agrícola com acréscimos de novos objetos técnicos5 [...]” e nas décadas de 1980 e 1990 se dedicaram a produção e sofisticação desses objetos e também a expansão para áreas ainda não incluídas na dinâmica de produção, conformando o meio técnico- científico-informacional descrito por Santos (1988; 1994; 2006) e Santos; Silveira (2006; 2008).

Esses novos objetos ou novos componentes técnicos embora permitissem a diminuição ou eliminação de condições naturais adversas (nos territórios) e de difícil

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Esses objetos técnicos segundo Santos (1994) referem-se a um conjunto de máquinas, implementos, componentes, insumos materiais e intelectuais utilizados para um tipo de consumo produtivo forjado para atender a demanda e aos interesses produtivos do mercado. “Os objetos já não trabalham sem o comando da informação, mas, além disso, passam a ser, sobretudo, informação. Uma informação especializada, específica e duplamente exigida: informação para os objetos, informação nos objetos” (SANTOS, 1994, p. 50).

controle, ao mesmo tempo, produziram distorções ou densidades técnicas desiguais decorrentes do uso de inovações técnicas e da concentração de ganhos, variáveis no tempo e no espaço, com áreas mais ou menos densas em conteúdo técnico (RAMOS, 2006). Seus traços gerais podem ser assim descritos (RAMOS, 2006):

a) Oferta de crédito e financiamentos, a partir de meados da década de 1960 e durante a década de 1970 para deslanchar o processo de modernização e subsidiar os investimentos, o custeio e a comercialização das safras;

b) Inicio do processo pela mecanização da produção através de incentivos para aquisição e uso de equipamentos como arados, aspersores, pulverizadores, colheitadeiras e tratores;

c) Utilização de derivados da indústria química (fertilizantes, agrotóxicos, herbicidas, inseticidas, fungicidas e corretivos para o solo) enquanto os centros de pesquisa trabalhavam para o desenvolvimento de biotecnologias e engenharia genética, já na década de 1980, dadas as preocupações sociais latentes sobre o meio ambiente e orientação para a agricultura orgânica;

d) Em sua fase mais recente desenvolveu a agricultura de precisão utilizando recursos tecnológicos para mapeamento, via satélite, de terrenos, para zoneamentos agroclimatológicos e melhoramento genético, dentre outras tecnologias. Nessa fase busca-se além do aumento da produtividade a redução do tempo e do espaço ocupado de produção.

Essa mudança evolutiva tem sido sustentada pelas políticas agrícolas nacionais que ainda conduzem, segundo Ramos (2006), o processo de modernização do atual sistema agroindustrial ou de agronegócios no país (EMBRAPA, 2014).

O traçado atual da agricultura brasileira decorre da abertura de mercado, no âmbito de processos globalizantes ou mundializados, durante a década de 1990, período no qual, sob o signo da reforma e da inovação (NOGUEIRA, 2005), foi instaurado um amplo processo de competição no mercado nacional, com concorrentes externos e sem a proteção das barreiras alfandegárias e fiscais até então existentes (CASTRO, [2001?]).

A globalização pela superposição não apagou os traços característicos do território brasileiro, mas modificou o seu significado, introduziu também novos objetos e ações que definiram a nova fase do capitalismo. Agravaram-se as diferenças e distorções por conta das

novas dinâmicas de controle e dominação. “Onde carregava a indústria esse papel motor agora é a informação que ganha tal poder” (SANTOS; SILVEIRA, 2006, p.253).

Dessa variante global de alto impacto foi cunhada a estrutura atual desse sistema agrícola, como uma nova conceituação para a agricultura permeada de preocupações com processos inovadores e de desempenho frente ao novo mercado emergente, reconhecendo também que, a modelagem da agricultura até aquele momento, em distintas disciplinas do conhecimento, não dava mais conta de produzir uma percepção clara dos processos em curso e se apresentava insuficiente para cunhar estratégias de gestão nesse novo cenário de mercado (CASTRO, [2001?]; CASTRO; LIMA; CRISTO, 2002).

A mudança estrutural ocorrida na lógica do mercado modificou a gestão da agricultura como um todo. Ocorreram rupturas nas fronteiras geopolíticas, institucionais e disciplinares até então delimitadas. Do ponto de vista da economia da informação os fenômenos, processos e atividades de informação foram posicionados na centralidade dos processos e reconhecidos como infraestruturas produtivas para a transmissão e geração de valor (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002). Tal posicionamento já havia sido identificado por Santos (1994, p. 20) quando assinalou que o “[...] território inclui obrigatoriamente ciência, tecnologia e informação”. Ocorreram inúmeras rupturas em um intenso processo de reestruturação produtiva (restauração do capital pela conjunção da globalização e do neoliberalismo) desde a década de 1970, de dimensão global na dinâmica da vida social. Na ambiência do mercado ocorreram três mudanças estruturais (DALL’ACQUA, 2003):

a) Emergência de um novo paradigma técnico-econômico baseado nas tecnologias da informação e da comunicação impondo processos produtivos essencialmente baseados em conhecimento produzindo, por consequência, novos padrões de consumo;

b) Aceleração de processos de terceirização no desenvolvimento econômico com remodelação da estrutura de produção, prestação de bens e serviços e manejo das transações econômicas;

c) A globalização, a mundialização ou internacionalização do capital em todas as suas dimensões.

Compreendemos que, a concepção dessa estrutura agrícola sob uma visão sistêmica (um grande sistema nacional, segmentado em subsistemas, dentre eles as cadeias produtivas) representa, na dinâmica de desenvolvimento capitalista, uma estratégia de

interpretação e compreensão dos processos de análise e manejo dos estoques de informação frente às demandas de desempenho e competitividade desse mercado à época emergente. Essa nova concepção, agora denominada de agronegócio ordenou uma infraestrutura de informação6 articulada com a tecnologia e a economia (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002).

Em traços gerais podemos dizer que a agricultura brasileira vem se constituindo como um grande sistema nacional orientado à produção agrícola ou agroflorestal composto por subsistemas, dentre eles a cadeia produtiva, que também carrega em si outros subsistemas menores, como o sistema produtivo de certa especialidade ou na especialidade das cadeias produtivas (de soja, de café, de mamão, etc.) operando em diferentes ecossistemas (CASTRO, [2001?]; CASTRO; LIMA; CRISTO, 2002).

As cadeias produtivas, em seu ambiente externo ou de contexto, contêm um conjunto de instituições de apoio (organizações provedoras de crédito, assistência técnica, etc.), e de aparato legal e normativo. Tal ambiente define para as cadeias um volume de institucionalidades reguladoras, interventivas, instrumentais, técnicas e gerenciais objetivando a melhoria de desempenho. Sob a visão sistêmica todo esse aparato revela “[...] um conjunto de operações de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização de insumos e de produtos agropecuários e agroflorestais” (CASTRO, [2001?]).

1.3 TERRITÓRIO E CADEIAS PRODUTIVAS: OS MÚLTIPLOS