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4.2 Entraînement d’ensembles de SVM pour la validation croisée

4.2.6 Conclusion et discussion

PRODUTIVA CAFÉ (ES)

As primeiras ações de articulação do arranjo institucional da Cadeia Produtiva de Cultivo de Café (ES) podem ser datadas a partir da década de 1980. Após uma conjuntura conturbada de quase três décadas de oscilações decorrentes da politica nacional de erradicação dos cafezais na década de 1960, de segunda erradicação por causa de pragas, do plano de emergência para a crise instalada, do plano de renovação dos cafezais e incentivos de expansão na década de 1970. Uma série sistemática de crises em um cenário político no estado adverso, marcado por desmandos do governo, má utilização dos recursos públicos, ausência de políticas estruturais para a agricultura além de retrocessos na gestão administrativa da região. No cenário nacional o movimento era de convergência da estrutura agrícola, de base familiar de pequeno porte, para padrões técnicos facilitadores à aproximação da indústria, cujo interesse estava mais focado nas atividades ligadas a agricultura de grande porte ou de exportação, relegando a agricultura familiar, de pequena produção.

A agricultura familiar, no decorrer das duas décadas do processo de Modernização Conservadora, décadas de 1960 e 1970, confronta-se com o modelo técnico agrícola patrocinado pelo governo que mais se interessa em engendrar recursos e inovações tecnológicas para a agricultura, obstruindo o crescimento de técnicas sustentáveis mais propícias à pequena produção agrícola familiar (SOUZA, 2011, p. 239).

Souza (2011) ainda argumenta que a falta de prioridade para a agricultura familiar decorreu de estigmas oriundos dos paradigmas teóricos nos campos da economia e da sociologia rural que a percebia marcadamente ainda como uma agricultura de subsistência ou relacionada em alguma medida com esse modelo de produção.

Os elementos institucionais que compõem o arranjo atual da Cadeia Produtiva de Café (ES) refletem os pilares históricos de ações cumulativamente desenvolvidas ao longo de décadas. O fator histórico deflagrador de um longo processo de retomada e recuperação da cafeicultura e sequente composição de seu arranjo institucional (predominantemente orientado à produção do café conilon) foi gestado em âmbito local, junto à prefeitura

municipal de São Gabriel da Palha (ES), por iniciativa do então prefeito Eduardo Glazar, no ano de 1970 (SILVA et al., 2007)16

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O esforço dessa prefeitura traduziu os interesses latentes à época de encontrar alternativas para os agricultores, em sua grande maioria, diretamente afetados pelo Programa de Erradicação dos Cafezais (de 1963-1966), com lavouras de produção do tipo arábica. A prefeitura tomou a decisão e realizou a distribuição de mudas de café, do tipo conilon, aos agricultores da região visto que a prefeitura de São Gabriel não havia sido incluída no Plano de Renovação do Parque Cafeeiro (no ano de 1969) que previa incentivos apenas para lavouras estabelecidas em regiões de altitude superior a 400 metros, mais propicias à produção do café do tipo arábica. Tal iniciativa também foi endossada pelo prefeito sucessor, Dário Martinelli e subsequentes gestões de outros prefeitos e de forma progressiva, instituíram na região uma política de fomento à criação, transferência de tecnologia e distribuição de mudas de café conilon. O projeto, batizado de Projeto Conilon, exigia que os agricultores, em troca das mudas gratuitas de café, adotassem a tecnologia de plantio em nível, validada pelo IBC. Nesse período o município recebeu o primeiro viveiro de mudas de café conilon no Brasil como também foram distribuídos quarenta quilos de sementes para cada um dos municípios no estado (MERLO, 2012) .

Estas iniciativas históricas definiram a estratégia do arranjo institucional da cadeia produtiva de café: a emergência de um arranjo ainda embrionário baseado em ações inovadoras e orientado à pesquisa em meio a um contexto pessimista de crise oriunda dos condicionantes externos às forças sociais e políticas da sociedade capixaba, de descompasso entre “[...] crescimento econômico e indicadores sociais [...], e o “[...] caráter abrupto e concentrado das transformações ocorridas entre 1967 e 1985 [...] no estado (SILVA, 2010, p. 32 e 33).

A década seguinte (de 1970) foi permeada por lutas contra os efeitos da erradicação dos cafezais, de pesquisas e investimentos em alternativas que propiciassem a melhoria da renda dos agricultores e principalmente, de esforços significativos para a inclusão do café conilon na politica do setor e agenda de financiamentos (SILVA et al., 2007). Em âmbito

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Tais ações nos parecem derivativas do contexto sócio-político do município. Desde o ano de 1963 o município já contava com ações da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), fundada através da iniciativa e ações pessoais do Padre Simão Civalero para sanar as dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores da região. A cooperativa foi organizada emergencialmente para atender as necessidades básicas dos seus associados (mercearia e supermercado), e posteriormente orientou-se à prestação de serviços de comercialização e beneficiamento do café (COOABRIEL, 2013).

geral, a crise oriunda da erradicação dos cafezais provocou junto à economia estadual a articulação de ações entre elites políticas e empresariais resultando em captação de recursos federais para investimentos em logística e produção de energia, modernização da gestão pública, constituição de fundos financeiros para apoiar investimentos voltados às atividades agroindustriais, industriais e de comércio exterior (ROCHA; MORANDI, 2012).

Os resultados apareceram em curto e médio prazo. Ainda no ano de 1970, o governo federal incorporou a cultura do café conilon no Programa de Renovação de Lavouras de Café. Em 1971 com a implantação da Real Café Solúvel, a produção recebeu um grande incentivo visto que, praticamente toda a produção no norte do Estado foi absorvida pela empresa. Silva et al. (2007) registra que em 1974 a produção do conilon, em torno de 200 mil sacas, passou a fazer parte dos registros estatísticos de governo, significando também, a inclusão do café conilon como alvo das ações e programas gestados pelo órgão responsável, o IBC. Em 1971 também foi implementado no Estado o curso de graduação em Agronomia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Em 1973 e 1975 respectivamente foram criadas as duas empresas orientadas à pesquisa e extensão rural: a Emcapa e a Emater-ES, dando suporte aos avanços da cafeicultura (VENTURA; GIRELLI, 2013-2014).

O marco gerador de pesquisa e investimentos em transferência de tecnologias citado por Silva et al. (2007), de iniciativa da pesquisa pública, refere-se à técnica de propagação vegetativa difundida no ano de 1972 por técnicos do IBC: a atividade consistiu de enraizamento de partes da planta “[...] como estacas de nó inteiro e meio nó [...]” ( SILVA et al., 2007, p. 551) para gerar mudas consideradas normais ao cultivo, com o mesmo padrão de longevidade das plantas clonais. Uma técnica produzida em um ambiente constituído de raríssimos estudos formalizados sobre o plantio de café conilon. Porém, a sua aplicação em escala comercial só ocorreu a partir de 1983, quando foram realizados estudos comparativos utilizando como “[...] referência o processo de multiplicação clonal do eucalipto, adaptado para o café conilon” (SILVA et al., 2007, p. 551). Tal inovação tecnológica estimulou o IBC a manter os investimentos em pesquisas continuadas sobre a capacidade genética de enraizamento entre plantas de conilon e outras temáticas afins. No campo da pesquisa privada foram registrados importantes avanços também relativos a replicação ou aplicação dos resultados da pesquisa baseada na multiplicação clonal do eucalipto, a partir de 1983. A empresa Verdebrás passou a utilizar tal técnica para a produção de mudas do café conilon em escala comercial, propiciando a validação de tal inovação.

Nesse mesmo ano – 1983 – foi criada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) a Coordenadoria Estadual de Café, responsável por articulações, formulações e acompanhamento de importantes ações orientadas à cafeicultura, dentre elas a aquisição de mudas clonais de café, incentivo à criação de viveiros e jardins clonais pelas prefeituras, associações e cooperativas para suprir as demandas de mudas dos cafeicultores. Já existiam as empresas públicas Emater-ES e a Emcapa que, a partir de 1985, passaram a desenvolver pesquisas sistematizadas sobre o café conilon tratando, respectivamente, de ações extensionistas orientadas à transferência de tecnologia aos cafeicultores e de pesquisa focada nos processos de melhoramento genético, fisiologia e nutrição do café conilon. Posteriormente a Embrapa passou a apoiar com recursos financeiros a agenda estadual de investimentos na agricultura e, especificamente, os investimentos orientados à melhoria do padrão genético das mudas de café conilon resultando no aperfeiçoamento, segundo Silva et al. (2007), do padrão tecnológico de produção e transferência de tecnologias das três primeiras variedades clonais produzidas e utilizadas no estado para o cultivo da café conilon: Emcapa 8111, Emcapa 8121 e Emcapa 8131 (variedades produzidas pela Emcapa). Essa articulação entre pesquisa, financiamento e incentivos de natureza pública definiram as bases sobre as quais foram estruturados os arranjos institucionais da Cadeia Produtiva de Café (ES).

Ao inicio da década de 1980 a cafeicultura capixaba encontrava-se em processo de maturação, decorrente dos financiamentos e apoio creditício oferecido pelo governo para diversificar a agricultura, cujo rescaldo serviu para impulsionar o aumento da produção em 80% e de sua expansão em 50%. O modelo de produção através da agricultura familiar e/ou sistema de parcerias foi mantido, mas também foi incentivada a expansão de empresas rurais, modeladas sob a lógica capitalista do trabalho assalariado e produção em escala. Nessa nova cafeicultura a tecnologia foi instrumentalizada como o seu maior insumo, incorporando maquinário e técnicas de produção, cultivo e beneficiamento do produto – um novo modelo sustentado pela tecnificação agrícola.

Ao longo da década de 1980 ocorreu a expansão do café conilon para outras regiões de baixa altitude por conta dos resultados positivos já identificados nesta modalidade de plantio, por interesse de produtores na ampliação e busca de outras estratégias de plantios para enfrentar os prejuízos produzidos por pragas reincidentes junto às lavouras do café

arábica e também propiciada pelo apoio e inclusão do café conilon nas pautas de várias prefeituras e pelo governo de Estado.

Os esforços na década de 1980 para qualificar a base tecnológica e ampliar o avanço da cafeicultura produziram um ambiente e infraestrutura favorável à organização de atividades institucionalizadas para a gestão técnica, evolução e expansão desse circuito produtivo. Em 1986, com a extinção do IBC, a Emcapa assumiu a pesquisa pública sobre café respeitando as singularidades e especificidades das localidades produzindo assim, tecnologias mais contextualizadas e voltadas ao manejo de plantas. Mantiveram e deram solução de continuidade aos experimentos em andamento produzindo um incremento com novas variedades mais produtivas e resistentes à seca. Sinteticamente podemos dizer que foram mantidas nesta década de 1980 as bases evolutivas da pesquisa sobre café, ainda embrionárias, mas em progressão.

Na década de 1990 várias ações de iniciativa estadual propiciaram a maturação organizacional da cadeia produtiva. No âmbito do Estado foi lançado, em 1993, o Programa

de Revitalização da Cafeicultura Capixaba (Recafé), em parceria com várias instituições

participantes da cadeia produtiva, objetivando a ordenação dos serviços de pesquisa, transferência tecnológica e o financiamento de infraestrutura necessária aos processos de pesquisa.

Essa década foi, considerando os registros históricos, um período de consolidação das instituições e institucionalidades (um ambiente regulatório) no arranjo estrutural da cadeia produtiva: o Estado como principal agente formulador e financiador das políticas se mobilizou rumo ao estabelecimento de bases mais estáveis para um processo evolutivo de médio e longo prazos para os espaços de produção da cafeicultura. Foi criada a Câmara Setorial do Café para, segundo Silva et al. (2007, p. 553), “[...] elaborar e discutir políticas e rumos para a atividade cafeeira”; foi criado o Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf) para atuar como um agente articulador e mediador entre os setores público e privado; foi organizado o 1º Simpósio Estadual de Café, coordenado pelo Cetcaf; foi realizado o lançamento da obra técnico-científica Manual Técnico para a Cultura do Café, pela Seag, como uma estratégia de sistematização, nivelamento e socialização do conhecimento até então produzido. Como ação de amplo espectro e impacto estadual foi realizada também a Campanha da Poda do Café Conilon para alcance de maior produtividade e revigoramento das lavouras. Por iniciativa do Estado através da Seag, foi

realizado o Zoneamento Agroecológico para a Cultura do Café, em 1997, fruto da articulação entre Estado, governo federal (Ministério da Agricultura/Procafé), Cetcaf, Emater e Emcapa. Esse estudo foi basilar para definições futuras relativas à implantação de lavouras para o café conilon no Estado (SILVA et al., 2007).

Ao final desta década de 1990 o Estado possuía um conjunto de instituições, uma base institucional orientada ao desenvolvimento de tecnologias para o cafeicultor: representações importantes oriundas da sociedade civil (as cooperativas e sindicatos), agência de pesquisa (a Emcapa), fóruns coletivos para formulação de políticas (Câmara Setorial de Café, Cetcaf, eventos mobilizadores), publicações e ações tecnoeconômicas para disseminação de saberes (manuais e campanhas), além do papel ativo do Estado (Seag).

No âmbito nacional, o Estado sofreu a interferência de ações oriundas do Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (PNP&D/CAFÉ), resultado de parceria estabelecida entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Ministério da Indústria e do Comércio e Turismo (MICT) objetivando o desenvolvimento de processos de trabalho articulado entre as instituições envolvidas com Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no agronegócio café. Posteriormente foi instituído também o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), a principio entre dez instituições brasileiras, entre elas o Incaper e o Cetcaf representando a cafeicultura capixaba.

Foi uma década produtiva para a cafeicultura, embora no campo político estadual a década de 1990 tenha sido marcada pela deterioração de grande parte das instituições e organizações do Estado, pela falta de sinergia para acompanhar mudanças significativas em curso na dinâmica nacional e internacional e perda de confiança nas instituições públicas pela sociedade capixaba (SILVA, 2010). Ao final da década e inicio dos anos de 2000, a cafeicultura capixaba encontrava-se em um ambiente favorável ainda de maturação em relação ao seu nível de organização produtiva, arranjo institucional, progresso tecnológico e grau de inserção na dinâmica nacional de pesquisa nesse campo. Silva et al. (2007) relacionam um conjunto de ações realizadas, de amplo alcance, que gradativamente foram favorecendo a dinâmica reprodutiva da Cadeia Produtiva de Café (ES). Essas ações propiciaram o contínuo e sistemático avanço dessa cadeia produtiva em três bases dinâmicas: tecnológica, metodológica e institucional.

3.3 A IDENTIDADE E A NATUREZA PRODUTIVA DO LUGAR: