II. 3.2.2.2.1 Multiphase pulse polar transmitter
III.3 Procédures d’étalonnage et de synchronisation en enveloppes complexes
III.3.2 Synchronisation des trames en enveloppe complexe aux accès du DUT
Memória Digital de Canárias,
http://mdc.ulpgc.es/cdm/landingpage/collection/revhistoria [em linha, consultado em 5/12/2015].
163
Los Portugueses en Canarias, http://mdc.ulpgc.es/cdm/ref/collection/MDC/id/1460 [em linha, consultado em 5/12/2015].
Revista dos Centenários nos 2 e 3, Fevereiro e Março de 1939, Portugal. Comissão
Nacional dos Centenários, Hemeroteca Municipal de Lisboa,
http://hemerotecadigital.cm-
lisboa.pt/Periodicos/RevistadosCentenarios/N02_3/N02_3_master/RevistadosCentenari osN2e3.pdf [em linha consultado em 12/2/2016].
164
165
CARTA DE D. AFONSO IV, REI DE PORTUGAL, AO PAPA CLEMENTE VI
12 DE FEVEREIRO DE 1345227
227FONSECA, Faustino da, A Carta de D. Afonso IV ao Papa Clemente VI, 1916, Anais das Bibliotecas e Arquivos de Portugal, Vol. II, n.º7, pp.69-71. http://purl.pt/258/1/bad-1507-v/bad-1507_1-serie/index- a_1916-HTML/M_index.html
167
Fac-simile dos documentos contidos no Livro n.º138, fls. 148 e 149, do Arquivo Secreto do Vaticano.
(Registos das cartas de Afonso XI de Castela e de Afonso IV de Portugal ao Papa Clemente VI, a respeito da descoberta e doação das Ilhas Afortunadas).
A tradução apresentada por Costa de Macedo228, diz-nos acerca das palavras do rei castelhano o seguinte:
[…] que tendo os seus antecessores arrancado a Hespanha das mãos dos Mouros com muito risco de suas pessoas, e muita despeza de sua fazenda, lhe competia a conquista de Africa; porém que se conformava com a nomeação feita, e dava por ella as graças a Sua Santidade, […]
E da resposta do rei de Portugal nos seguintes termos:
Ao Santíssimo Padre e Senhor Clemente, pela Divina Providencia Summo Pontífice da Sacrosanta e Universal Igreja, Affonso Rei de Portugal e do Algarve humilde e devoto filho vosso, com a devida reverencia e devotamente beija os beatos pés.
228 MACEDO, Joaquim José da Costa de, (1816), Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Memórias para a História das Navegações e Descobrimentos dos Portuguezes
168
Aquelle que sobre a pedra angular fundou a sua Santa Igreja quiz que ella fosse para o futuro governada pelos seus successores, de maneira que direitamente em tudo, com peso, conta, e medida, recebesse continuamente os mais assiduos e saudaveis incrementos; para que dilatada cada dia com o augmento dos fieis, enfraquecida a perfídia dos Pagãos, totalmente floreça a fé de Christo. E por isso vós, digníssimo successor do Senhor, a quem foi commettido inteiramente o, cuidado e a diligencia acerca do rebanho Christão , não só cuidais em guardalo das mordeduras dos lobos, mas ainda em augmentalo , como entendemos da Carta que Vossa Santidade nos dirigio, creando Principe a D. Luiz nosso parente para extirpar as estéreis varas da infidelidade que inutilmente occupão toda a terra das Ilhas Afortunadas, e para plantar a vinha dilecta de Deos. Respondendo pois á dita Carta o que nos occorreo, diremos reverentemente, por sua ordem, que os nossos naturaes forão os primeiros que achárão as mencionadas Ilhas.
E nós attendendo a que as referidas Ilhas estavão mais perto de nós do que de qualquer outro Principe, e a que por nós podião mais commodamente subjugar-se, dirigimos para alli os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento, mandámos lá as nossas gentes, e algumas náos para explorar a qualidade daquella terra, as quaes abordando ás ditas Ilhas se apoderarão por força de homens, animaes, e outras coizas, e as trouxerão com grande prazer aos nossos Reinos. Porem quando cuidávamos em mandar huma armada para conquistar as referidas Ilhas, com grande numero de Cavalleiros e Peões, impedio o nosso propósito a guerra que se ateou primeiro entre nós e ElRei de Castella, e depois entre nós e os Reis Sarracenos. Tudo isto, por ser notório, estamos certos de que não se escondia a V. Santidade, e tomando-o em consideração os nossos Embaixadores que ha pouco enviámos a V. Santidade (como nos consta da litteral relação do predicto D. Luiz) julgárão, e não sem causa, que se nos tinha feito aggravo em terdes assignado e provido nas ditas Ilhas o mesmo D. Luiz; e assim o fizerão chegar aos vossos ouvidos; considerando que não só pela nossa visinhança com as sobreditas Ilhas, como pela commodidade e oportunidade que temos sobre todos os outros para as conquistar, e também por termos já nós e as nossas gentes começado felizmente este negocio, deveríamos ser convidados por V. Santidade, com preferencia a qualquer outro, para louvavelmente o concluir, ou ao menos pedia a razão que
169
isto nos fosse communicado por V. Santidade. Porém nós, não obstante o que fica dito, desejando seguir as pizadas de nossos antecessores, que sempre cuidárão em obedecer aos mandados Apostólicos, em reverencia da vossa e da Apostólica Santidade, conformamos absolutamente a nossa vontade com a vossa vontade e disposição, e principalmente porque elegestes para Príncipe das mencionadas Ilhas ao nobre e prudente varão D. Luiz nosso parente, o qual assistindo-lhe a Divina graça, a vossa clemência, e a da Sé Apostólica, que em tamanho e tão pio negocio lhe dê mão ajudadora, se mostrará tal operário e cultivador na cultura da vinha do Senhor Sabahot, que he a Santa Igreja de Deos, que pelo seu Ministério haja de augmentar-se para o futuro a honra e gloria da Christandade.
Mas quanto ao que a vossa piedade nos roga, e para que mais attentamente nos exhorta em o Senhor, e vem a ser que em reverencia divina e da Santa Sé Apostolica, e por zelo da mesma Fé, tenhamos por mui recommendado o referido Príncipe e o negocio acima dito, e lhe demos o auxilio e favor que commodamente podermos, ao menos que o sobredito Príncipe possa ter e tirar livremente de nossos Reinos e terras, á sua custa e por seus justos preços, navios, gentes d'armas, e outras coizas para o dito intento: certificamos a V. Benigna Clemencia que havemos por mui recommendado assim o Príncipe, como o negocio, á vista do que fica exposto, e que se commodamente podessemos lhe daríamos auxilio e favor, &c.229
Mas quem pode dar o que não tem? Quem é que tendo os seus carneiros sedentos, deixa correr a agua que nasce nos seus prédios para uso dos outros vizinhos?
Acaso a caridade bem entendida não deve começar por nós? Acaso, o Pai espiritual, não exposemos, há pouco, a V. Santidade, por intermedio dos nossos embaixadores as nossas necessidades, que pela defesa e dilatação da fé catholica havemos contraído, e em razão das quaes vos temos suplicado Beatissimo Padre, que vos digneis auxiliar-nos, concedendo-nos com paternal piedade o dizimo das
229 Termina neste ponto a transcrição da carta na apresentação de Costa de Macedo, voltando a transcrever apenas o fecho da Carta, no último parágrafo que manteremos na devida transcrição do texto referente ao mesmo autor. A transcrição da Carta de D. Afonso IV, a seguir a este interregno de Costa Macedo encontramo-la na transcrição de Faustino da Fonseca, que transcrevemos até ao parágrafo antes ao fecho da Carta.
170
egrejas dos nossos reinos? Quem acusará um rei de pedir quando carece? Nisto porem V. Santidade nos desculpará. A gente de guerra e os nossos navios, ainda que os tivéssemos em maior quantidade, não podemos distrahi-los, e envia-los em auxilio dos outros, por causa da guerra que sustentamos e nos propomos sustentar com os agareremos nossos vizinhos pérfidos e poderosos. Quanto porein a viveres o outras cousas necessárias, permitimos que os levem livremente dos nossos reinos e terras, tanto quanto for possível, sem detrimento destes e dos meus súbditos, por respeito para com Deos, para com V. Santidade e á Sé Apostolica, zelo de fe, e também por consideração com o referido Principe, nosso parente, ao qual dispensaremos o mais possível todo o auxilio e favor.
O Altissimo Senhor conserve a V. Santidade por longos anos. Dada na Villa de Monte Mor o novo em 12 do mez de Fevereiro de 1345.