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Symptômes initiaux

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Question 1 Le Secouement : démarche diagnostique

I. 1 Symptômes initiaux

Para a Sociologia das profissões, o termo profissão tem dois sentidos, pode ao mesmo tempo significar a totalidade dos empregos e definir profissões liberais e científicas. No século XIII, o trabalho era considerado arte desenvolvida por artistas e artesãos. Trabalhadores manuais e intelectuais pertenciam à mesma corporação, tendo direitos reconhecidos, mediante do “ofício juramentado, promovido em cerimoniais de admissão, momento em que assumiam o compromisso de respeitar as regras profissionais,

guardar segredos e honrar seus superiores”. Com a consolidação das universidades as artes liberais e as artes mecânicas são separadas, assim as profissões passam a ser compreendidas como oriundas de formação universitária, enquanto ofício é compreendido como a força braçal, marcando a divisão entre trabalhos manuais e trabalhos intelectuais. (DUBAR, 2005, p. 163 – 165).

Numa perspectiva funcionalista das profissões, Parsons (1955, p. 193 – 255, apud Dubar, 2005, p. 172 - 173), fundamenta três dimensões profissionais que articulam normas sociais e valores culturais em uma profissão: um saber prático, compreendido como a articulação do saber teórico e da experiência, adquirido ao longo de um processo de formação; uma competência especializada, compreendida como a capacidade profissional mais a especialização técnica; interesse imparcial que abrange normas e valores. Deste modo, o desenvolvimento das profissões exige um equilíbrio entre necessidades profissionais e sociais, que se apoia em um corpo de saberes que podem ser ensinados, testados e executados.

As dimensões profissionais elaboradas por Parsons estão apresentadas sob uma ótica individual, enquanto que para Chapoulie (1973, p. 92, apud Dubar, 2005, p. 174), o tipo profissional ideal é apresentado numa ótica coletiva de categoria, sendo necessário competências técnica e científica fundamentadas, um código ético que regule a atividade profissional. E acrescenta a necessidade de formação longa desenvolvida em estabelecimentos apropriados com controle técnico, ético e legalizado das atividades, controle dos interesses específicos assegurando identidade profissional e reconhecimento remunerado conferindo prestígio e poder. Nas contribuições teóricas apresentadas é possível perceber que há uma amplitude do olhar sobre as profissões, enquanto Parsons enfatiza a competência profissional individual, Chapoulie apresenta a perspectiva de categoria profissional organizada. No entanto, elas são complementares para afirmar que uma coletividade profissional exige normas e valores éticos que são estruturados em saberes científicos e práticos.

Segundo Dubar (2005, p. 177), aprofundando o olhar sobre os homens e seus trabalhos, a partir da abordagem do interacionismo simbólico analisa a relação entre profissionais iniciantes e o campo de trabalho. Duas noções importantes, que se constituem as bases da “divisão moral do trabalho” são apresentadas: licença profissional (diploma) e mandato. O diploma assegura licença para exercer uma profissão, enquanto o mandato corresponde à obrigação de assegurar o desempenho da função. Deste modo, a formação profissional, que se caracteriza pelo conhecimento especializado, se

diferencia do desenvolvimento profissional que se caracteriza pelo exercício legítimo de um saber profissional. Uma coisa é estar formado, outra coisa e saber desempenhar a função profissional.

No interior das áreas profissionais há “saberes secretos”, são conhecimentos íntimos da profissão respeitados como sagrados, que correspondem a momentos específicos compreendidos como “ritos de passagem”. São tempos individuais, próprios da natureza do saber profissional, que são cuidadosamente zelados por instituições organizadas para assegurar a licença e o mandato profissional, se constituindo numa proteção dos rituais profissionais próprios. Podemos entender que os tempos individuais correspondem às fases do desenvolvimento profissional e as características próprias de cada profissão. As instituições podem ser as instituições de formação e de organização da categoria.

Segundo esse autor, cabe a cada categoria profissional administrar as situações que expõem sua área profissional, justificando práticas comuns do processo de profissionalização e descartando práticas indesejadas, assumindo a tarefa de promover a formação, a iniciação e a disciplina dos profissionais. A constituição da organização profissional em categorias ajuda proteger a área profissional dos processos discriminatórios comuns, em todo campo profissional. (DUBAR, 2005, p. 180).

Na socialização profissional há três mecanismos fundantes, segundo Hughes (1955, apud Dubar, 2005, p. 182). O primeiro é a imersão na cultura profissional; o segundo é a passagem entre modelo ideal profissional e modelo prático; e o terceiro é a identidade profissional em vias de constituição. A imersão na cultura profissional é uma espécie de “passagem através espelho”, é como um olhar invertido para a área profissional que revela os problemas ocultos e provoca o dilema da “identificação progressiva com a função”, é o desvelamento da realidade encantada. A construção dessa identidade profissional acontece a partir da superação ou renúncia dos estereótipos profissionais da área que se pretende emergir, sendo fundamental a compreensão da natureza da

função, promovendo uma antecipação da carreira a partir da projeção de uma imagem de si. Esse desvelamento da realidade profissional pode ser brusco, inoportuno ou

excitante, dependendo em que momento está o processo de socialização profissional. O modelo ideal profissional corresponde aos valores simbólicos, enquanto o modelo prático corresponde às tarefas cotidianas. A compreensão do meio profissional passa pela interação entre esses dois modelos e a constituição de um grupo de referência, contribui no processo de antecipação e legitimação de capacidades profissionais. Essa

identificação profissional caracteriza uma socialização antecipatória que implica a aquisição antecipada de comportamentos, normas e valores de um grupo, decorrente dos objetivos de busca de uma ascensão social por meio de um campo profissional.

A identidade profissional em vias de constituição é o ajuste de Si, é a consciência de suas capacidades, gostos e desejos relacionados à suas chances na carreira profissional pleiteada. Esse processo passa pela identificação de uma possível carreira profissional e a projeção das aprendizagens necessárias implica identificar decisões estabelecendo uma correlação entre sucesso profissional e oportunidade de mobilidade

social. Este é um processo de construção de estratégias frente aos riscos da projeção de

Si para o futuro e das previsões mais ou menos realistas em relação ao sistema social que o indivíduo está exposto e a carreira profissional, com sua trajetória e suas práticas, oferece a chave do processo de construção da identidade profissional.

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