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contexte accidentel

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Question 1 Le Secouement : démarche diagnostique

VII. Diagnostic différentiel 1. facteurs médicaux

2. contexte accidentel

Compreendemos que os indivíduos de modo geral, recorrem a múltiplas imagens para representar o mundo em seu entorno, construindo assim imagens dos outros indivíduos e de si próprios. Esse processo se desenvolve tomando por base uma complexa produção pessoal e social de imagens subjetivas que são construídas ao longo da vida. As informações que os indivíduos têm acesso são fontes de conhecimento que contribuem para a construção de imagens sobre o mundo, sobre a vida e suas relações sociais. Para captar essas imagens, considerando a perspectiva do outro, segundo Barbier (1998, p.169) desenvolvemos uma “escuta sensível” a partir do exercício de uma sensibilidade intelectual criativa e uma escuta cientifico-clínica (metodologia), poético-existencial (sensibilidade) e espiritual-filosófica (respeito aos valores que atuam no sujeito bem como no grupo social ao qual ele pertence) a partir de uma hermenêutica da existência, “[...] aceitando correr o risco de “atribuir sentido” (Jacques Ardoino) às atividades de outrem.” (BARBIER, 1998, p. 169).

Ao dar voz aos sujeitos, os momentos de escuta são embasados em três perspectivas imagéticas: o imaginário pessoal, que corresponde às subjetividades individuais dos sujeitos; o imaginário social, que corresponde às construções próprias do período em que o estudo se desenvolve, considerando a história sociocultural e a trajetória escolar dos sujeitos; e o imaginário sacral apoiando-se em forças e energias que os sujeitos não conseguem controlar. (BARBIER, 1998, p,170).

A partir das explicações de Barbier (1998), podemos então entender que através de suas falas, os sujeitos retratam imagens sobre a docência, tomando como referencial o contexto sócio histórico e cultural por eles vivido em cada fase de sua escolaridade. Sendo assim, neste momento importa-nos refletir sobre o modo como os estudantes, enquanto sujeitos sociais, envoltos em uma rede de relações que constituem a sociedade, atribuem sentido as imagens docentes anteriores a entrada na universidade, a partir das experiências vividas na condição de alunos, considerando a influência de representações assimiladas em outros espaços sociais em que vivem.

Ao instigar a construção de um olhar retrospectivo reflexivo sobre suas experiências escolares, percebemos nas conversas com os sujeitos que a imagem do professor não é única se apresentando sob diferentes perspectivas, sendo transformadas gradualmente ao longo da trajetória escolar. Essas imagens são representações sociais que estarão intrinsecamente ligadas às experiências que estes sujeitos sociais vivenciam. Elas

se diversificam pela forma como vão se construindo e descontruindo as relações entre professores, alunos, colegas e comunidade escolar, considerando conhecimentos, saberes, valores, crenças, visões do mundo, comportamentos e atitudes.

A primeira imagem atribuída à professora pelos sujeitos, ao se referir aos primeiros professores do ensino fundamental, se encontra relacionada à maternagem podendo ser percebida quando os estudantes lhes atribuem atitudes de paciência, atenção, carinho, cuidado, amorosidade e dedicação. Ao se referirem aos primeiros anos escolares, a escola é retratada por todos os sujeitos como extensão do espaço familiar, um lugar em que a professora é valorizada como uma “segunda mãe”, construindo uma imagem da docência associada às funções maternas, compreendida como uma profissão muito linda sendo enaltecida por suas famílias.

Associar a figura feminina dos primeiros professores do ensino fundamental à maternidade é recorrente nas falas, podendo ser percebida quando os sujeitos lhes atribuem atitudes de paciência, atenção, carinho, amorosidade e dedicação. Também quando se referem às recomendações familiares sobre a escola e a professora, ao se reportarem a fala de suas mães preparando para o primeiro contato com a escola. A necessidade de respeito é bastante evidenciada nas falas como uma forma de valorização da profissão que é enaltecida pelos pais e reconhecida pelos sujeitos. O sentimento de alegria e prazer de estar na escola e da forma como eram tratados por seus professores também pode ser percebido nas falas, como podemos ver:

“Minha mãe falava que a escola era nossa segunda casa, que devíamos respeitar a professora, porque ela era como se fosse uma segunda mãe. ” (LM6).

“Meus pais sempre incentivaram estudar, diziam que os professores eram muito carinhosos, afetivos, queridos, que a escola era como se fosse nossa segunda casa e a professora nossa segunda mãe”. (LB2).

“A professora era nossa segunda mãe, passávamos metade do dia com aquela pessoa e tínhamos que respeitar” (LL3).

“Eu gostava muito da forma como ela nos tratava, escola era sinônimo de alegria para mim e a professora era mesmo como se fosse uma mãe, como meus pais falavam”. (LM5).

Nesta fase escolar inicial, além da concepção bastante comum da professora sendo representada pela imagem de uma “segunda mãe”, como uma forma de valorização da profissão por parte de suas famílias, a escola também é associada à extensão do lar. Podemos entender que essa foi a forma encontrada pelos pais para aproximar seus filhos familiarizando o novo lugar social que seus filhos estariam frequentando, associando às

relações entre a professora e os alunos, a mesma relação de respeito existente entre pais e filhos.

Essa associação da profissão docente com o universo feminino tem ligação com a construção do processo histórico do papel que homens e mulheres devem desempenhar na sociedade e na cultura, sendo uma leitura feita a partir do senso comum, que se encontra permeada nas comunidades e no interior das famílias, influenciando a construção de sentidos sobre a docência e fortalecendo uma imagem maternal que os próprios sujeitos vão construindo, pelas relações de afeto construídas no cotidiano escolar fortalecendo uma imagem positiva de seus primeiros professores.

Há um discurso hegemônico de que a figura feminina tem de forma pré- estabelecida o grandioso destino de ser mãe, representar o marido, cuidar dos filhos, da família, dos futuros cidadãos. A ideia de cuidado, carinho, atenção e paciência, atribuídas a figura feminina, numa perspectiva social, fortalece a imagem de detentora de um perfil materno, no entendimento que a mulher tem o “dom” de cuidar e ensinar. Deste modo como a característica fundamental do magistério é o ensino, seria “natural” que neste lugar a atividade de ensinar fosse exercida com amor, cuidado, dedicação, doação, adjetivos que aproximam a maternagem da docência. Contexto que reforça o magistério como um lugar essencialmente feminino, em que a professora é frequentemente associada à figura materna, atributos ainda fortemente presentes nos dias atuais como podemos perceber nas falas dos sujeitos.

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