Esta etapa objetivou avaliar a conveniência do apoio ao processo de decisão provido pelo modelo implementado em software. Para tal, valeu-se de questionários. Na opinião de Richardson (1999), o questionário é realmente uma entrevista estruturada que se propõe a descrever características e medir determinadas variáveis de um grupo, sendo um valioso instrumento de coleta.
Para a medição da conveniência do apoio, utilizou-se do modelo desenvolvido por Torkzadeh e Doll (1999), que mesmo revelando uma estruturação simples proporcionou um tratamento multidimensional para o estudo, ao considerar aspectos técnicos e comportamentais, fatores apontados pela literatura de AMD e SAD-G (DeSANCTIS e GALLUPE, 1987; MARAKAS, 1998; SAATY,1980; 1988; 1990; 2004; GOMES et al, 2002; BANA e COSTA e CHAGAS, 2004) como importantes na avaliação do processo de decisão.
Baseados em trabalhos de diversos pesquisadores, Doll e Torkzadeh (1988) desenvolveram seu modelo fundamentado em quatro variáveis: produtividade, inovação no trabalho, satisfação do usuário e controle gerencial, que combinados, auxiliam a descrever o impacto de uma aplicação sobre os indivíduos em uma organização. Estas variáveis são definidas ao nível da utilização da TI por indivíduos para realizar uma tarefa (decisão) (TORKZADEH e DOLL, 1999). O quadro 6 apresenta as definições dadas por Doll e
Torkzadeh (1988) para as quatro variáveis e as relacionam com a literatura que trata a abordagem multicriterial e implementações em software para apoiar decisões.
Variáveis
Avaliação da conveniência do apoio com suporte tecnológico
Inferência na decisão (AMD) e tecnologia
(SAD/SAD-G)
Controle Gerencial: Em que medida a aplicação ajuda a regular processos e desempenho.
DeSanctis e Gallupe (1987). Shimizu (2001), Saaty (1980;
1988; 1990; 2004) Inovação: Em que medida a
aplicação ajuda a criar ou tentar expressar novas idéias em seu trabalho.
Gomes et al (2002). Shimizu (2001)
Produtividade: Em que medida a aplicação interfere na produção do usuário em determinada unidade de tempo.
Simon (1987), Nunamaker et al (1993), Marakas (1998), Gomes et
al (2002), Bana e Costa e Chagas (2004)
Satisfação do usuário: Em que medida a aplicação ajuda o usuário a criar valor para os clientes internos e externos à organização. Doll e Torkzadeh (1988), Maçada e Borenstein (2000), Maçada e Oliveira (2000), Giesta et al (2003) Gomes et al (2002), Saaty (1980; 1988; 1990; 2004).
A credibilidade para a utilização do instrumento já validado repousa no seu vasto lastro de referências na literatura nacional e internacional, com destaque para as similaridades presentes nos trabalhos de Maçada e Borenstein (2000), no contexto de um sistema de apoio à decisão em uma empresa pública, Maçada e Oliveira (2000), na área portuária, com um sistema logístico, Giesta et al (2003), na indústria de manufatura, com um sistema de produção enxuta.
Tais instrumentos foram aplicados a todos os decisores participantes do processo de decisão anteriormente destacado, sendo a aplicação, feita imediatamente após o término da 2ª etapa, de forma a registrar mais fielmente as percepções dos gestores sem que houvesse decorrido grande intervalo de tempo.
4.5 Análise de dados
A análise dos dados realizada no método delphi fez uso de estatística descritiva. Tomando-se por base as informações obtidas dos painelistas, ou seja, os julgamentos
particulares de cada participante no decorrer dos questionários dos rounds delphi, o pesquisador resumiu as perspectivas individuais calculando a média dos dados de cada perspectiva, chegando-se a um resultado. Os resultados de cada round influenciaram a próxima aplicação do questionário para reavaliação de julgamentos iniciais.
Após algumas rodadas consecutivas, obteve-se um consenso do grupo, não necessitando solicitar aos participantes, cujas opiniões se desviaram consideravelmente da maioria, argumentar sobre suas opiniões contrárias.
Por fim, o pesquisador avaliou, agregou e apresentou as informações a cada participante em termos estatísticos obtendo assim um resultado final do processo. É importante destacar, que a instrumentação estatística básica ajudou a analisar o comportamento do fenômeno estudado, efetivando a agregação dos julgamentos individuais em torno de uma única opção.
A aplicação do modelo desenvolvido à luz dos princípios do AHP e implementado pelo Web Hipre®, permitiu observar o entendimento dos decisores quanto à forma pela qual o método deriva todas as prioridades, constrói a hierarquia da decisão e compara pares de alternativas. Assim, foi possível inferir quanto aos aspectos da operacionalidade da família de critérios e ordem de classificação das preocupações estratégicas pelos decisores, mediante expressão da importância relativa dos critérios.
Ademais, acerca da medição da conveniência do apoio ao processo de decisão provido pelo modelo implementado em software, foram analisados os dados coletados dos questionários respondidos por votação a questões objetivas, que apresentaram as quantidades e os percentuais dos julgamentos dos decisores a aspectos do uso software e da metodologia empregada, do desempenho e controle do processo e do enriquecimento informacional.
4.5.1 Aspectos de validade
Além das medidas parciais de controle adotadas e destacadas em cada um dos procedimentos anteriores, convém mencionar algumas de caráter geral para assegurar maior rigor e validade aos instrumentos e procedimentos utilizados. Entre as ações catalogadas, somam-se:
• Validade de construto: avaliação dos elementos conceituais e operacionais envolvidos na construção do modelo;
• Validade de face: validação de face dos instrumentos usados na coleta, de modo que sua implementação permitisse saber exatamente o que se quer estudar – medir e descrever. Este procedimento permitiu a validação das questões abordadas, quanto à sua compreensão, seqüência e adequação aos objetivos a serem atingidos;
• Capacidade de replicação: mostrar que o estudo pode ser repetido, obtendo-se resultados assemelhados. O protocolo de estudo de caso e a base de dados do estudo são fundamentais para esta tarefa.
O quadro 7 sumariza as táticas de validação do estudo.
4.6 O esboço do protocolo de estudo de caso
Para condução do estudo de caso, levaram-se em consideração as proposições destacadas por Yin (2001) quanto à necessidade de elaboração de um protocolo de estudo de
Testes Tática do estudo de caso Fase da pesquisa para
aplicação da tática
Validade de construto Exercício conceitual Construção do modelo
Projeto da pesquisa Coleta de dados Validade de face Exercício conceitual Projeto da pesquisa Capacidade de replicação Utilização do protocolo de estudo
Banco de dados para o estudo de caso
Coleta de dados Coleta de dados Quadro 7 (4) – Táticas de validação do estudo de caso
caso que contemplasse: uma visão geral do projeto de estudo de caso, procedimentos de campo e um guia para o relatório de estudo de caso.
A figura 26 abaixo apresenta um esboço detalhado do protocolo de estudo de caso para o desenvolvimento da pesquisa, adaptado da metodologia de mapeamento de processos denominada 4Q1POC (o que, quem, quando, por que, onde e como). A versão completa do protocolo de estudo está no Apêndice A.
A ordem lógica guiada pelo protocolo de estudo de caso permitiu uma investigação criteriosa e cuidadosa do cenário, minimizando as chances de equívocos e maximizando as evidências do estudo. Esta orientação é herança de diversas obras estudadas sobre metodologia de pesquisa.
2. Determinar as pessoas envol vi das
4. Realizar 1ª e tapa de coleta de dados 5. Re alizar 2ª etapa de coleta de dados 6. Re alizar 3ª etapa de coleta de dados 3. Le vantar informaç ões 1. Contac tar organiz ação 7. Analisar os dados coletados 8. Apresentação final PROPAD / NEPSI AB EP CODIN 2. Determinar as pessoas envol vi das
2. Determinar as pessoas envol vi das
4. Realizar 1ª e tapa de coleta de dados 4. Realizar 1ª e tapa de coleta de dados 5. Re alizar 2ª etapa de coleta de dados 5. Re alizar 2ª etapa de coleta de dados 6. Re alizar 3ª etapa de coleta de dados 6. Re alizar 3ª etapa de coleta de dados 3. Le vantar informaç ões 3. Le vantar informaç ões 1. Contac tar organiz ação 1. Contac tar organiz ação 7. Analisar os dados coletados 7. Analisar os dados coletados 8. Apresentação final 8. Apresentação final PROPAD / NEPSI AB EP CODIN