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Supervision avec FAN – Full Automated Nagios

Dans le document Rapport du projet de sécurité (Page 38-0)

V. Application d’audits – Système d’informations

4. Supervision avec FAN – Full Automated Nagios

A espiritualidade se caracteriza como uma busca pelo sagrado, que não necessariamente se desenvolve dentro de uma tradição religiosa (Zinnbauer & Pargament,

2005). O sagrado se refere ao valor específico que certas realidades possuem com base em sua natureza inerente; representa realidades essenciais e ideais (Vergote, 1997). Paiva (1998) observa que o sagrado engloba realidades invioláveis, como a vida e a família, não se referindo apenas a deuses, espíritos ou forças superiores. Não necessariamente faz referência a uma religião, sendo possível “perceber o sagrado e reagir a ele, afetiva e ativamente, sem 5

referência ao absolutamente transcendente e, por consequência, ter a experiência do sagrado que nem sempre é experiência religiosa” (Paiva, 1998, p. 159).

Como apontado anteriormente, alguns participantes se referiram à espiritualidade como um caminho de conexão com o sagrado ou divino, o qual eles associaram com a natureza – entendida tanto como entidade, divindade, relacionada à noção de Mãe Terra 10

(como no caso da Ísis, que cultua a deusa Aset), como de forma mais difusa, sendo algo de valor inerente que inspira gratidão e reverência. Os trechos abaixo exemplificam como o tema compareceu em alguns relatos:

E se você vive conectado com essa noção, de que você não tá aqui sozinho, tá 15

partilhando com várias outras pessoas, com vários outros seres, animais, plantas, pedras, tudo no mundo, então, eu acho que isso aí é você conseguir ver o sagrado na natureza. Eu acho que é aí. E isso pra mim é muito nítido. Pra mim, quando você chega num ambiente que é uma natureza bruta, pura, você consegue ver, eu sinto aquilo como a maior manifestação divina que poderia acontecer. Você sente aquele 20

lugar ali vibrando, o lugar vibra e você vibra também. (Aruanã, homem, 30 anos). A reverência, ou o cuidado que eu tinha com a natureza, com o meio ambiente, ele passou a ser potencializado de uma forma gigante. Eu já comecei a olhar como entidade mesmo, viva. Diferente de quando eu conheci a hipótese de Gaia lá na 25

biologia. É uma hipótese, né. Não passa pelo nível do sentir tão profundo quanto, nesse momento, eu tava passando, assim. Eu senti realmente que eu era como a natureza. Todo mês eu ovulo, como a natureza também faz os seus ciclos, então... caramba, que força que eu tenho, né. E que potência que a natureza, que benevolente, misericordiosa em me permitir ser como ela. (Selene, mulher, 30 anos).

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Em busca de compreender a base de sustentação ideológica, imaginativa, estética, religiosa e moral da sacralização da natureza, expressa na prática e narrativa de pessoas do

século XXI, Carvalho e Steil (2013) discutem como a vivência dessa sacralidade se articula com o processo de secularização e a emergência das espiritualidades de Nova Era. Os autores argumentam a existência de um duplo movimento: de reinserção do ser humano no ambiente e de sacralização da natureza.

A compreensão de uma maior aproximação entre seres humanos e demais seres vivos, 5

influenciada pela emergência da ecologia e os avanços do ambientalismo, se alia ao questionamento da visão antropocêntrica do cristianismo e do racionalismo científico, que objetifica a natureza. Afastando-se do sentido objetificado, a natureza assume caráter subjetivo: a alteridade fundante do humano, que na narrativa cristã se expressava pela oposição radical entre criador e criatura, se desloca para a oposição entre cultura e natureza. 10

Assim, feita a crítica à sociedade industrial capitalista, a natureza passa a ser valorizada como contraponto, o lugar da autenticidade, do bom e do belo. Nesse sentido, a natureza adquire qualidades que eram atribuídas aos deuses e seres sagrados, objeto dos rituais, das cosmologias, dos cultos e dos mitos. A natureza, selvagem e antiga, passa a ocupar o lugar da divindade como referência ética e estética (Carvalho & Steil, 2013).

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Faz sentido supor que as pessoas se tornam propensas a cuidar daquilo que percebem como sagrado. Essa suposição tem sido corroborada por estudos empíricos, como afirmam Pargament e Mahoney (2005), ao discutir uma série de exemplos: a extensão da luta dos judeus por preservarem suas identidades sagradas frente ao holocausto; a postura mais protetora e colaborativa de pessoas casadas que entendiam o casamento como algo sagrado; 20

menores índices de agressão verbal aos filhos por parte de pais e mães que concebem a criação familiar como algo sagrado; entre outros. Especificamente em relação à sacralização da natureza, Dietz et al. (1998) encontraram que crenças sobre a natureza sagrada estavam associadas à disposição de fazer sacrifícios pelo cuidado ambiental e o consumo ecologicamente correto e Tarakeshwar, Swank, Pargament e Mahoney (2001) identificaram 25

que pessoas que compreendiam a natureza como sagrada apresentavam mais crenças pró- ambientais e disposição a investir economicamente em causas ambientais.

Nesse sentido, uma vez que a natureza é revestida de teor sagrado, o cuidado ambiental se torna exercício de espiritualidade. Em alguns casos, ele é entendido como parte de uma espécie de missão espiritual. Guaraci, após experienciar rituais xamânicos e estados 5

alterados de consciência devido ao uso de enteógenos, assumiu para si a tarefa de disseminar a consciência ecológica que adquiriu, tendo desenvolvido diversos projetos de educação ambiental que trabalham, dentre outros aspectos, vivências de conectividade com a natureza. Aruanã descreve seu trabalho como professor, no qual busca sempre discutir questões ecológicas e disseminar noções de conectividade entre seus alunos, como “um compromisso 10

espiritual de religação com a Terra”.

Particularmente as práticas de cuidado que envolvem o contato direto com a natureza, como ações de plantio e jardinagem, parecem assumir esse teor de prática espiritual. De fato, ao serem diretamente indagados sobre quais eram suas práticas espirituais, três deles responderam “cuidado com plantas” e “plantio” junto às menções a orações, rituais diversos, 15

meditações, etc. Telumo, que tem as práticas de plantio e cuidado com as plantas como centrais em sua prática ecológica, tendo sido responsável, junto a outros colegas, pela criação e manutenção de um horto em sua comunidade, se refere à jardinagem como “um diálogo espiritual”.

A utilização da palavra “diálogo” nesse contexto é interessante, uma vez que sugere 20

troca, participação ativa. Não é apenas o contato com a natureza, mas a ação da pessoa nesse contexto – o cuidado com a natureza que, por sua vez, imediatamente se reverte também em cuidado de si, tendo em vista as sensações de integração, de conexão, bem-estar, tranquilidade, equilíbrio e harmonia que esse cuidado gera. Relatos sobre tais práticas

descreveram uma postura de profundo respeito e reverência diante da natureza, algo que foi apontado por alguns deles como um olhar “encantado”:

Eu tenho brotinhos de girassol na minha horta, porque as outras coisas que eu planto, os pavões comem, então não deu certo. Então, qual é o cuidado? Preparar aquela terra, 5

na hora que eu abro aquela terra, de fazer uma oferenda, de dizer “por favor, receba essa semente, que as fadas, os devas...”, esses seres conscientes da natureza, que os nossos próprios olhos não conseguem perceber, mas que eles estão aí, porque para produzir a beleza de uma orquídea, para produzir um fruto, aquela manga que vem agora em novembro, aquela árvore de gigantes já florescendo para produzir os seus 10

frutos... que força, que sabedoria é essa? Que encantamento é esse? É contemplação, de perceber, meu deus, como você é perfeita, só com água você consegue produzir aquela quantidade de manga e estar carregada durante 2, 3 meses?! E os teus troncos, que conseguem sustentar essa quantidade de frutos... (Pachamama, mulher, 46 anos). 15

Porém, o próprio contato com a natureza também é revestido de espiritualidade. Para aqueles que concebem a natureza como sagrada, esse contato fornece a possibilidade da experiência direta do sagrado, sem a mediação das instituições e dogmas religiosos ou de um racionalismo científico entendido como reducionista; sendo valorizados, em vez disso, o “sentir” e a intuição, tão enfatizados nas falas da Selene. Mas, mesmo por aqueles que não 20

abordaram diretamente uma noção de natureza sagrada em seus relatos, como Sebastião e Ossain, o contato com a natureza foi por vezes relacionado à espiritualidade. Estudos recentes têm demonstrado que a espiritualidade atua como fator mediador da relação entre contato com a natureza e bem-estar psicológico, bem como da relação entre conectividade com a natureza e bem-estar (Kamitsis & Francis, 2013; Trigwell, Francis, & Bagot, 2014).

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Segundo Fredrickson e Anderson (1999), a experiência do contato com a natureza como espiritualmente inspirador se relaciona ao reconhecimento da insignificância pessoal frente ao cosmo e a interdependência entre todas as formas de vida, que gera sentimentos de paz e humildade. De forma similar, alguns entrevistados se referiram aos momentos de contato com a natureza como momentos de conexão e integração com o todo, o que fornece 30

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