A análise dos dados/informações da pesquisa apontou que aspectos profissionais do dia a dia dos professores também são fatores que influenciam no trabalho desses profissionais, e ajudam na compreensão do contexto no qual seus procedimentos de avaliação são desenvolvidos. Os aspectos profissionais a serem considerados na análise são os seguintes: formação e titulação dos professores; experiência profissional e no Ensino Médio; quantidade de turmas e alunos que ensinavam/trabalhavam no período da pesquisa, entre outras informações.
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Semelhante à análise dos aspectos socioeconômicos dos estudantes da pesquisa, porém numa perspectiva mais qualitativa, é possível se observar semelhanças e também algumas diferenças em relação aos aspectos profissionais dos professores de Geografia. Entre os cinco professores participantes da pesquisa, três deles(as) declararam possuir mais de vinte anos de experiência na docência em Geografia; uma professora afirmou ter dezessete anos de experiência na docência e um professor possuía cinco anos de experiência. No geral, podemos observar se tratar de professores com uma boa experiência no ensino de Geografia, principalmente, quando a referência é o Ensino Médio da rede pública. Na maioria dos casos, foi consenso entre os profissionais o fato de que a integralização do curso de licenciatura/graduação em Geografia coincidiu com o início das experiências profissionais da docência.
A título de contextualização, são relevantes breves informações relacionadas à formação e titulação dos docentes participantes da pesquisa.
A professora Lívia declarou ter se formado em Licenciatura em Geografia pela UFRN, possui especialização em Geografia pela UFRN e mestrado em Ciências Sociais pela mesma instituição, tem vinte e sete anos de experiência na docência em Geografia.
O professor Rafael é bacharel em Ciências Econômicas pela UFPB e licenciado em Geografia pela UFRN, possui Especialização em Educação de Jovens e Adultos (EJA) pela UFRN e Especialização em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido pelo IFRN, tem vinte e três anos de experiência na docência em Geografia. No período da pesquisa exploratória, o profissional se encontrava afastado da escola por motivos de saúde, mas mesmo assim aceitou o convite e participou da entrevista.
O professor Gabriel é licenciado em Geografia pela UFRN, possui vinte e dois anos de experiência no Ensino Médio. Iniciou um curso de Especialização, todavia não conseguiu concluir. No período da pesquisa exploratória, o docente se encontrava afastado, mas aceitou o convite e participou da entrevista.
A professora Cecília possui Licenciatura em Geografia pela UFRN e uma Especialização em Educação Ambiental e Patrimonial pela mesma instituição. Tem treze anos de experiência na docência em Geografia, sendo todos dedicados ao Ensino Médio. Atuava como supervisora do PIBID há três anos, contribuindo na formação de aproximadamente 15 professores de Geografia.
O professor Miguel possui Licenciatura em Geografia pela UFRN e Mestrado em Geografia pela mesma instituição. É supervisor do PIBID há quatro anos e contribuiu na formação de aproximadamente 40 professores de Geografia.
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A partir dessas informações referentes à formação/titulação dos professores, podemos observar que se tratam de profissionais engajados em suas respectivas carreiras: a maioria dos professores possui considerável tempo de experiência no ensino, formações complementares em programas de qualificação profissional (Pós-Graduação em níveis de Especialização e Mestrado) e atuação em programas de formação de professores, a exemplo do PIBID. Apesar de não ser o foco da presente pesquisa, é importante destacar que os professores de Geografia também relataram possuírem experiência docente na rede de ensino privada.
Como já destacado anteriormente, esses professores têm contato cotidianamente com estudantes de origens e contextos diversos. Assim, uma informação que chamou atenção e que avaliamos importante ser destacada é o número de turmas e alunos que esses professores possuem. No geral, a maioria dos professores vinculados à rede pública de ensino estadual possuem mais de um vínculo/matrícula na rede pública de ensino, ou seja, acúmulo de cargos, o que leva os profissionais a trabalharem com um elevado número de turmas e alunos para poder completar a carga horária/regime de trabalho. Na Escola II da Região Norte, onde funciona o Ensino Médio Integrado vinculado à rede pública de ensino federal, o(a) docente possui um regime de trabalho de dedicação exclusiva, o que lhe confere maior tranquilidade para realização das atividades profissionais, se comparadas às realidades das duas redes de ensino em questão.
No que se refere aos números de alunos e turmas dos professores (as), temos a seguinte situação: a professora Lívia informou que ao longo de sua jornada de trabalho semanal leciona em uma escola para cinco turmas de Ensino Médio, ou seja, uma média de aproximadamente 150 estudantes; a professora Cecília declarou que leciona em quatro escolas para dezessete turmas (438 estudantes), sendo cinco turmas de Ensino Médio; o professor Gabriel informou que leciona em três escolas para dezesseis turmas (480 estudantes, aproximadamente), sendo oito turmas de Ensino Médio; e o professor Rafael declarou que leciona para dezessete turmas, sendo dez turmas de Ensino Médio. O professor Miguel não informou esses dados.
A partir desse cenário muitas nuances podem ser aferidas e expõem verdadeiras contradições que se refletem no espaço escolar, na rotina de professores e estudantes. Assim, Vesentini (2009) destaca,
A escolarização integral e de boa qualidade se tornou no segredo do sucesso para uma sociedade que procura acompanhar a revolução técnico-científica. Integral, porque deve ocupar praticamente todo o dia do aluno, de manhã e à tarde, com no mínimo 9 horas de aulas diárias, tal como já ocorre há décadas em vários países: Japão, Cingapura, Holanda, Dinamarca etc. Escolas de qualidade não quer dizer apenas – embora também – equipadas com laboratórios, bibliotecas, computadores à disposição dos alunos e professores, conexão à internet e/ou às intranets, videotecas, projetores multimídia,
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programas obrigatórios e bem elaborados para estudos do meio etc. Mas quer dizer, principalmente, docentes bem formados e bem remunerados, que se atualizam constantemente, que possuem no máximo 30 alunos por sala de aula e 25 horas-aula por semana (o restante do tempo, remunerado, deve ser preenchido por estudos, pesquisas, preparação de aulas, correção de trabalhos etc.). (VESENTINI, 2009, p. 56).
Os dados da pesquisa não somente revelam, mas também denunciam uma realidade perversa que atinge o sistema educacional e de ensino do Brasil. Isso mostra que, apesar das reformas educacionais ocorridas desde décadas passadas, os problemas mais sérios e preocupantes ainda persistem, ainda estão “vivos” no cotidiano escolar. Para dispor de uma renda que garanta seu sustento e de sua família, grande parte dos professores são submetidos a jornadas de trabalho de 60 horas (acúmulo de cargo), número excessivo de alunos e turmas, e ainda dispor de tempo “extraclasse” não remunerado para corrigir trabalhos e fazer avaliações, pois, conforme constatado na pesquisa, o tempo de planejamento não é suficiente para essas demandas. Para Cavaco (1999),
Um pouco por todo o lado procuram-se soluções que permitam recriar e redimensionar a escola. Entre nós, inovação, mudança, criatividade, autonomia, tornaram-se termos que brilham no discurso oficial de sedução, mas que não escondem a realidade da rotina estritamente regulamentada e a mediocridade de condições de trabalho que limitam, em larga medida, a vivência nos espaços escolares. Definem-se finalidades em política educativa que manifestam uma aparente visão holística, global e integrada dos problemas, mas regula-se e decide-se compartimentando, desagregando, gerando conflitos e entropias. (CAVACO, 1999, p. 158).
A pesquisa revela a presença de velhos problemas no ambiente escolar das instituições de ensino público onde aconteceu a investigação, problemas dos quais já foram superados por muitos países em momentos passados. No contexto pesquisado, a análise dos dados evidencia que a grande exceção parece ser a escola tecnológica vinculada à rede pública de ensino federal com Ensino Médio Integrado. A combinação desses fatores revela uma realidade preocupante, seus elementos manifestam desigualdades que repercutem no ensino de Geografia, na aprendizagem de seus conteúdos e, consequentemente, no ENEM.
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4.2. Procedimentos e recursos didáticos de avaliação dos professores participantes da