3.4 Experiments, Comparison, and Analysis
3.4.3 Summary and Conclusion
Para se trabalhar com o ensino de ciências naturais nos anos iniciais do EF é necessário que o professor considere que os educandos desse nível de ensino possuem uma curiosidade e avidez de conhecimentos típica da infância. Não sentem vergonha de perguntar e se entusiasmam com experimentos e atividades práticas, diferentemente dos alunos mais velhos e mais resistentes às interferências dos professores (LOPES, 2006). Nessa perspectiva, é importante que possa ser oferecido aos alunos condições para expressarem o que pensam e acreditam. Trabalhar os conhecimentos prévios dos educandos contribui para a construção de um aprendizado significante, “pois tudo o que realmente conhecemos está integrado as nossas vivências” (BORGES & MORAIS, 1998).
Diante do apresentado, é importante percebermos que o ensino/aprendizagem em ciências nos anos iniciais é fundamental para que o educando amplie o conhecimento do mundo e de si mesmo, desenvolvendo assim, a capacidade de expressão oral e escrita.
Embora não existam respostas prontas sobre como ensinar ciências naturais, pois as situações de sala de aula se apresentam de forma imprevisível. E, além
disso, Deve-se ainda, considerar que o contexto social e a realidade de cada grupo de educandos poderá exigir do professor alternativas metodológicas diferenciadas. No entanto, Borges & Moraes (1998) indicam uma perspectiva de ensino de ciências com vistas no construtivismo. Na Figura 2, a seguir, podemos visualizar as possíveis alternativas que esses autores apresentam para o ensino dessa disciplina.
Fonte: Borges; Moraes (p. 17, 1998)
Figura 2. Possíveis alternativas para o ensino de ciências
A perspectiva proposta por esses autores pode oferecer ao aluno a possibilidade de construção de conhecimentos conceituais e da sua própria realidade, contribuindo assim para a sua atuação nos diferentes espaços da sociedade. APRENDER CIÊNCIAS É APRENDER A LER O MUNDO Não só construir
conhecimentos, mas também desenvolver a capacidade de
resolver problemas
Exploração natural do meio para aquisição de
conhecimentos e desenvolvimento intelectual Um permanente perguntar e buscar respostas a questões significativas para os alunos. Não transmitir o conhecimento, mas criar condições para o aluno
poder construí-lo.
Promover a construção de novos conhecimentos a partir
do que a criança já conhece e traz para a escola.
Associar a realização de atividades a reflexão, discussão e comunicação dos resultados. Explorar temas do cotidiano de modo a melhorar as condições de vida Desafiar permanentemente o aluno a ir além do que já
sabe
Permitir à própria criança participar nas decisões sobre o que investigar e
como fazê-lo.
Desenvolver a capacidade de pensar
Predispor-se a aprender junto com os alunos sem pretender ter todas as respostas prontas
A partir do que é proposto por Borges & Moraes (1998) na figura 2, e concordando com os referidos autores, destacamos a pertinência do enfoque dado ao contexto social do educando.
Nessa perspectiva, entendendo que as relações estabelecidas com o ambiente no qual o indivíduo (educando) se encontra inserido contribui para a construção de uma aprendizagem que apresenta um significado real, isto é uma possibilidade de inserção na sociedade pelo educando de forma crítica.
Nessa perspectiva apresentaremos algumas ideias defendidas por Freire (2006) em relação à educação para a autonomia.
4.3.1 Os educandos e seus saberes
“Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos”. É com esse subtítulo que Freire (2006) introduz a discussão sobre o trabalho do professor em sala da aula relacionando o contexto social dos educandos. Desse modo, o ensino na perspectiva da autonomia proposta por Paulo Freire (1998) vem em consonância com que o propõe Borges & Moraes (1998) para o ensino de ciências naturais numa perspectiva crítica.
Na figura apresentada no tópico 4.3 vemos a importância que os autores dão ao contexto social do educando. Não apenas para tornar o ensino mais atraente, como também para oferecer a partir do ensino condições de reflexão, atuação e possível mudança desse contexto social.
Freire (1998) destaca ainda, que para ensinar é necessária a compreensão de que somos seres em constante processo de mudança, e, portanto de aprendizado. Entender isso significa compreender que os saberes que os educandos trazem para a sala de aula devem ser considerados e que o professor pode sim, aprender com seus alunos.
No entanto, para que isso possa ser efetivado na educação escolar é preciso uma ruptura com a concepção de uma ciência pronta. Isso, poderá contribuir para que o educando se torne sujeito da sua aprendizagem e para que o professor se perceba como não detentor de todo saber. A partir dessa percepção, o docente poderá favorecer não apenas a construção de conhecimentos pelos educandos, mas também desenvolver a capacidade de questionar, de refletir, de resolver problemas e de comunicar os resultados alcançados.
Assim, respeitar os saberes dos educandos é favorecer a construção de uma identidade social, e isso se dá a partir do que o educando traz do seu meio cultural.
Desse modo, é pertinente discutirmos a questão do ensino de ciências naturais com vistas na alfabetização científica e no letramento científico dos educandos. Compreendendo a importância do trabalho com o conceito, sem, no entanto perder de vista a importância da compreensão desse conceito pelos educandos como forma de contribuir para uma tomada de decisão consciente perante as questões de ordem científica, tecnológica, social e ambiental. Destaca-se também, a importância da formação do professor em relação aos saberes docentes e a sua articulação para o desenvolvimento de um trabalho com os conteúdos da disciplina de ciências naturais nos anos iniciais do ensino fundamental.
Dentro dessa perspectiva, é que surge a educação ambiental com a finalidade de discutir as relações entre natureza e sociedade e intervir nos problemas e conflitos ambientais.