Chapitre 5. Détection et suivi d’objets en temps réel
5.4. Proposition d’une approche pour la détection et le suivi de balle unicolore
5.4.2. Suivi temps réel
Palavras que não têm a mesma ortografia e são constituídas pelos mesmos fonemas podem ser distinguidas pela posição do acento, tal como pode ser percebido pelo clássico exemplo: sábia – sabia – sabiá. O acento não está entre os segmentos, superpõe-se a eles. Mas a sua posição não depende dos fonemas que constituem a palavra, pois mantém relação com o tipo de língua. Há as línguas de acento fixo, isto é, aquelas em que o acento recai sobre uma sílaba que se situa em uma mesma posição na palavra, de cujo tipo são exemplos o turco (última sílaba) ou o tcheco (primeira sílaba). Já nas línguas de acento livre ou móvel, como o português, espanhol, entre outras, a sua localização é variável. Cabe ressaltar, entretanto, que essa mobilidade, nesses casos, é limitada às três últimas sílabas do vocábulo (cf. COLLISCHONN, 2005).
Assim, o acento, como categoria linguística, desempenha funções de natureza distinta quer seja no nível lexical (função distintiva, semântica) quer seja no nível supralexical (função sintática).
No nível lexical, sabe-se que cada vocábulo com mais de uma sílaba possui um acento tônico e que este recai em uma das três últimas sílabas do vocábulo, constituindo o que se chama de acento lexical principal ou primário. Uma de suas funções é delimitar a unidade formal da palavra. Isso torna possível perceber como acentuadas duas sílabas contíguas, pertencentes a
vocábulos diferentes, como no exemplo: „Ele mandou mesmo‟. A operação mental a ser feita para definir o que deverá ser percebido como tônico ou átono toma por base, evidentemente, os limites do vocábulo (cf. MORAES, 2000).
No nível supralexical está o acento frasal. O acento frasal desempenha sua função em um nível mais elevado que o acento lexical, portanto se superpõe ao acento lexical. Assim, a sílaba que irá receber a proeminência (acento frasal) deverá coincidir com uma sílaba acentuada lexicalmente, como em „O garoto de branco estudou muito, mas não conseguiu passar‟ (acentos lexicais em negrito e frasais em sublinha). Nesse tipo de acento, considera-se que a sua localização tem relação direta com a organização sintática do enunciado. No nível perceptivo, no português do Brasil, o acento frasal se expressa, sobretudo, por mudança no contorno da variação melódica das sílabas. Vocábulos não acentuados, como artigos, preposições, conjunções, numerais, pronomes e alguns advérbios, recebem acentuação no nível frasal somente em contexto de uso metalinguístico, para conferir proeminência a um morfema átono (cf. MORAES, 2000).
O acento possui duas funções básicas: distintiva e demarcativa. Nas línguas de acento móvel, ele assume uma função semântica, responsável pela distinção de conteúdos referenciais como em crítica/critica/criticar. Em línguas de acento fixo, ele desempenha uma função demarcativa, ou seja, recaindo sempre na mesma sílaba, possibilita que se tracem as fronteiras entre as palavras.
É importante acrescentar que, na realidade, a função distintiva do acento pode ocorrer tanto no nível vocabular como no nível sintagmático, em línguas com acento livre, como se pode observar no exemplo abaixo:
(nível sintagmático)
dançar assim dançará sim
(nível vocabular)
dançara sim
Quadro 2 - Função distintiva do acento em diferentes níveis. Fonte: MORAES, 2000
Note-se que, no quadro acima (cf. quadro 2), em uma emissão coloquial, normalmente não ocorre uma pausa entre dançar e assim, como também não se realiza uma
articulação particular do [R] em final de palavra seguida por vocábulo que se inicia por vogal, de modo que o diferencie do [r] intervocálico de dançará, o que significa que a oposição em destaque se pauta em uma distinção efetivamente acentual (cf. MORAES, 2000).
Segundo Collischonn (2005), é predominante o grupo de palavras da língua portuguesa que tem o acento na penúltima sílaba. No grupo das paroxítonas, estão presentes os substantivos, verbos, adjetivos, preposições e advérbios. Já o grupo das proparoxítonas é o menor em português, constituído, principalmente, por empréstimos do latim e do grego. Uma evidência da origem não-nativa destas palavras é o fato de que há uma tendência a regularizar o acento para a posição paroxítona, através do apagamento da penúltima sílaba, tal como em xícara que passa a ser xicra. O grupo das oxítonas é maior do que o anterior e pode ser dividido em dois grandes grupos: o das palavras que têm consoante final e o grupo das que não têm. A posição do acento sobre a última sílaba é preferida, quando a palavra for terminada em consoante. Quando a palavra for terminada em vogal, a posição do acento na penúltima sílaba passa a ser a preferida. As generalizações apresentadas são fatos que podem ser explicados por diferentes modelos de descrição do acento em português, mas não serão tratados neste estudo.
1.8 Tessitura
Outro elemento prosódico, que tem relação com a estrutura do discurso, é a tessitura. Nos estudos fonético-fonológicos do português, a tessitura pode ser definida como „a escala melódica do falante, isto é, os limites em que se situam os seus valores mais altos e mais baixos da frequência fundamental, quando fala normalmente‟. Por meio de ajustes da laringe, uma pessoa pode abaixar ou elevar a sua frequência fundamental (F0) relativamente ao intervalo das frequências mais altas e mais baixas que costuma utilizar na sua fala habitual, com fins expressivos (como a expressão de alegria, raiva, desespero, etc.). Esse tipo de variação de tessitura também é chamado de variação de registro (cf. MATEUS et al., 1990 apud CAGLIARI e MASSINI;CAGLIARI, 2003).
Variações de tessitura têm um papel importante na determinação da função dos elementos prosódicos, enquanto organizadores do contínuo da cadeia sonora e reveladores da estrutura do discurso. Por ser um dos elementos prosódicos da língua, o estudo da tessitura não pode dar-se de maneira isolada dos demais, em especial, da entoação e do ritmo. A aproximação