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2 Suivi d’un groupe de patientes à risque de diabète gestationnel

Dans le document THESE POUR LE DOCTORAT EN MEDECINE (Page 56-72)

Nesse item, falaremos sobre dois aspectos que são recorrentes tanto na família de Pedro II quanto na de Nicolau II e que compreendem as formas pelas quais os romances eram lidos e a transmissão de romances entre amigos e membros da família.

Em grande parte das cartas e documentos das duas famílias, seus membros escreviam sobre a leitura de romances e, especificamente, sobre a leitura em voz alta. Essa prática é, algumas vezes, associada às pessoas analfabetas, que conseguiam compreender o conteúdo de um livro apenas quando escutava outra pessoa lendo-a em voz. Em seu texto “Comunidades de Leitores”, porém, Roger Chartier apresenta, ao escrever sobre os requisitos necessários para a

252 ABREU, Márcia et al. Op. cit.

construção de uma história da leitura, uma outra função da leitura em voz alta, a de “cimentar as formas de sociabilidade imbricadas igualmente em símbolos de privacidade – a intimidade familiar, a convivência mundana, a conivência letrada.”253 Márcia Abreu também escreve sobre a realização desse tipo de leitura que, até o século XVIII, “era uma forma de sociabilidade comum. Lia-se em voz alta nos salões, nas sociedades literárias, em casa, nos serões, nos cafés. Esse tipo de leitura, além de permitir o contato com ideias codificadas em um texto, era uma forma de entretenimento e encontro social.”254

A partir da análise de trechos das cartas enviadas pela elite do Brasil e da Rússia, é possível perceber que esse tipo de leitura permaneceu sendo realizada até o final do século XIX, ao menos entre membros da nobreza, dentre os quais manteve a sua função de reforçar os laços familiares e de amizade, e de promover momentos de lazer em família.

Esse hábito de ler em voz alta parece ser algo que as crianças nobres aprendiam desde cedo, com os seus tutores. Como já foi mencionado no primeiro capítulo desta dissertação, o imperador Pedro II aprendeu com Frei Pedro, um de seus tutores, a “ler em voz alta para adquirir o gosto pela boa leitura”255. É possível, portanto, que esse hábito tenha sido frequente em sua vida desde a infância. O mesmo acontecia com a sua filha, a princesa Isabel: em algumas de suas cartas escritas durante a infância (nas quais, na maioria das vezes, ela apenas relatava como estavam sendo seus estudos), ela dizia que iria ler com o seu mestre. A utilização da leitura como forma de instrução das princesas já estava determinada em um documento específico, chamado “Atribuições da Aia” e escrito provavelmente no ano de 1856. Nesse documento, em meio às informações sobre os horários em que as princesas deveriam fazer as refeições, descansos e estudos, havia também o estabelecimento de um horário específico para a “recordação do preparo das lições e leituras instrutivas ou conversa com a Aia (...). As leituras instrutivas devem ter relação com as matérias ensinadas, sendo ora em português, ora em qualquer das outras línguas.”256

A partir desse trecho do documento, é possível perceber como a leitura (que possivelmente era realizada em voz alta, pois podia ser substituída por conversas com a Aia), fazia parte da rotina das princesas e da sua formação. Porém, a exigência de que estas fossem

253 CHARTIER, Roger. A Ordem dos livros. Op. cit.

254 ABREU, Márcia. Diferentes formas de ler. Disponível em: http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/. Acesso em: 01 out. 2018.

255 MONTEIRO, Mozart. A Infância do imperador. Op. cit.

256 Documento Atribuições da aia [1857] POB- Maço 29, Doc. 1038. Museu imperial/Ibram/MinC . Apud: AGUIAR, Jaqueline Vieira de. Mulheres educadas para governar. Op. cit.

estritamente instrutivas provavelmente tirou os romances do repertório: afinal, como visto anteriormente, estes eram relacionados com um tipo de leitura ligado ao lazer e momentos de ócio.

Entre os membros da família de Nicolau II, as leituras em voz alta também eram comuns entre as crianças nobres. Em suas cartas, os filhos do imperador e da imperatriz Alexandra relatavam com frequência a realização dessas atividades com seus tutores. A diferença é que, para a família russa, essa atividade poderia incluir obras do gênero prosa ficcional. Em carta enviada em outubro de 1914 para seu pai, a duquesa Anastácia afirma: “Eu estou tendo aula de russo agora e Pyotr Alexeyevich está lendo Memórias de um Caçador, do Turguenev para nós (...)”257 Os relatos das leituras realizadas com tutores também estão presentes nas cartas da duquesa Maria que, em dezembro de 1914 escreveu: “Pyotr Vasilyevich (Petrov) está lendo Turguenev para mim e para Anastácia”258 e, em setembro de 1915: “Pyotr Vasilyevich (Petrov, um professor) está lendo Uma Casa Gelada para mim e para Anastácia. É extremamente interessante”259. Com base nesses trechos, é possível perceber que a leitura realizada com tutores era uma atividade comum para as filhas do imperador russo: porém, ao contrário do que acontecia na corte do Brasil, essas leituras “instrutivas” poderiam também incluir obras ficcionais, como as obras de Turguêniev, um autor russo de origem nobre, cujos livros obtiveram grande sucesso260.

Entre os membros da família de Pedro II, parece que a prática da leitura em voz alta era mais comum entre os casais. A imperatriz Teresa Cristina escreveu muitas vezes em seu diário, por exemplo, que o imperador foi ler com ela durante a tarde e à noite. E a princesa Isabel, nas cartas para o seu pai, também relatou muitas vezes as leituras que havia realizado com seu esposo, o conde d’Eu. E essas leituras entre os casais não se restringiam apenas a obras do gênero romance: eles também liam obras “sérias”, como as teses de cientistas, enciclopédias, revistas e jornais etc. Em uma carta de 19 de dezembro de 1864, por exemplo, a princesa Isabel escreveu:

257 Cartas da Duquesa Anastácia para o imperador Nicolau II. No original: “I am having a Russian class now and Pyotr Alexeyevich is reading Turguenev's "The Hunter's Notes" to us...". Tradução minha.

258 Cartas da Duquesa Maria para o imperador Nicolau II. No original:“Pyotr Vasilyevich (Petrov, a teacher) is reading "An Icy House" to me and Anastasia. It's awfully interesting (...)”. Tradução minha.

259 Idem. No original: “Pyotr Vasilyevich (Petrov, a teacher) is reading ‘An Icy House’ to me and Anastasia. It's awfully interesting”. Tradução minha.

260 Ver: SCHAPIRO, Leonard. Turgenev, his life and times. Cambridge - Massachusetts: Harvard University Press, 1978.

Hontem lemos Montaigne e um jornal de New York que mandarão a Gaston, hoje lemos no Couto uma grande descripção de [ilegível], labyrinthos e idolos, e lemos no Thiers as negociações para o tratado de Amiens. No Montaigne d’hontem vimos além de outras cousas que os homem maiores para elle erão Homero, Alexandre e Epaminondas261

A partir desse exemplo, nota-se que a princesa Isabel lia obras de todos os gêneros literários com o esposo. Em outras cartas, ela diz que leu com ele a obra de Dante e um livro denominado

Viagem à China. As leituras de obras ficcionais também aconteciam frequentemente e às vezes

envolviam amigos e damas de companhia. Em carta de 16 de julho de 1875, por exemplo, a princesa escreveu: “com a Condessa temos lido Au Jour le Jour, por Fréderic Soulié e estamos lendo l’Homme à L’Oreille cassé por Edmond About”262. Não há explicações claras sobre quem seja a condessa: essa pessoa pode ser a condessa d’Áquila, irmã de Pedro II; ou a condessa de Barral, antiga preceptora da princesa, ou ainda outra amiga do casal. Assim, os dados contidos nessas cartas mostram que a realização de leituras em conjunto não se restringia ao círculo mais íntimo da família, mas também incluía outras pessoas e amigos próximos. As obras citadas pela princesa também dão indícios, mais uma vez, que a época em que uma obra foi lançada não determina o período em que ela será lida: Au Jour le Jour, de Fréderic Soulié, por exemplo, foi lançada no ano de 1844, e l’Homme à L’Oreille Cassé, em 1860. Ainda assim, essas duas obras estavam sendo lidas de maneira compartilhada no ano de 1875, por membros da elite brasileira. Além disso, esses membros da família imperial estavam lendo obras que fizeram sucesso entre o público amplo do Brasil e da França e não livros que apenas circularam entre círculos restritos de intelectuais ou pessoas da elite. Segundo os dados cadastrados no CITRIM, Au Jour le Jour teve ao menos duas reedições, em 1864 e em 1879, e duas traduções para o português, nos anos de 1845 e 1846. Além disso, em 1847 ele foi anunciado duas vezes no Diário do Rio de Janeiro, e estava presente no catálogo de livros da Biblioteca Fluminense, de 1866, e no Catálogo de Livros do Gabinete Português de Leitura, em 1858. Esse romance também aparece no catálogo de 1866 da livraria Garnier, e no de 1857 da livraria Garraux. Apenas por esses indícios, é possível perceber que se tratava de uma obra de ampla circulação no Brasil, disponível aos leitores por diversos meios. A obra l’Homme à L’Oreille Cassé também parece ter obtido

261 Cartas da princesa Isabel ao imperador Pedro II. Acervo do Museu imperial de Petrópolis – Arquivo Grão Pará. 262 Idem.

grande sucesso de público: ela teve uma reedição em 1862 e traduções para o português nos anos de 1866 e 1876.

Os dados acima dão indícios de que esses membros da família imperial do Brasil não formavam seu repertório de leitura de maneira isolada do restante da sociedade. Muito pelo contrário, eles pareciam estar inteirados dos romances que faziam sucesso no período e não viam problemas em inserir essas obras entre as outras que eram lidas em voz alta nas reuniões familiares.

Para a família de Nicolau II, a leitura em voz alta também era comum. Em muitas cartas trocadas entre eles entre os anos de 1897 e 1917, há relatos de leituras realizadas em conjunto. Em 1898, por exemplo, o imperador Nicolau II escreveu em seu diário que estava realizando a leitura de Guerra e Paz, de Tolstói, com a esposa. As descrições dessas leituras foram escritas nos dias 13 e 26 de fevereiro e 15 de abril, o que permite perceber o ritmo de leitura do casal. Aparentemente, a leitura desse romance demorou mais de dois meses, talvez pela grande extensão desse livro, somada ao hábito do casal imperial de revezar as leituras com outras obras, que também liam em conjunto. A partir das anotações, também é possível perceber que o imperador gostou do livro e o leu ao menos duas vezes, pois ele escreveu que ele era “muito interessante, embora eu o esteja lendo pela segunda vez”263.

Além disso, esse trecho pode ser confrontado com as informações sobre o catálogo da biblioteca imperial russa, que foi analisado no primeiro capítulo desse trabalho. O único exemplar existente de Guerra e Paz na parte da biblioteca estudada está em russo e data de 1912. Apesar disso, o relato presente no diário citado acima mostra que o imperador já estava lendo essa obra pela segunda vez 14 anos antes da data dessa publicação264. Esses dados explicitam como a análise de um catálogo de biblioteca é imprecisa para afirmar o que uma pessoa lia, mas que esta pode ser complementada pela existência de documentos pessoais, como cartas e diários.

Em outros dias, o imperador relatou outras leituras com a esposa: no dia 1º de janeiro de 1891, por exemplo, ele estava lendo Histórias do Mar, de um autor russo chamado Stanyukovich's, em 18 de janeiro do mesmo ano a leitura era um livro de memórias de um tutor francês, e no início de 1908 os dois estavam lendo juntos pequenos contos de Leskóv e a

263 Diário de Nicolau II. No original: "...In the evening I read "War & Peace" aloud to Alix for a long time. Very interesting though I am reading it for the second time!".

264A imperatriz Alexandra, ou Alix, era neta da rainha Vitória e recebeu uma educação tipicamente inglesa. Além disso. Segundo os pesquisadores STEINBERG e KHRUSTALEV, era essa língua em que ela mais se comunicava. Ver: STEINBERG, Mark D., KHRUSTALËV, Vladmir M. Op. cit.

biografia da imperatriz Elisabeth265. Em abril de 1911, o imperador estava lendo com a esposa

Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski.

Os exemplos citados são o suficiente para mostrar que o repertório de leitura desse casal imperial, como o da princesa Isabel e do conde d’Eu, era bem amplo e compreendia obras de diversos gêneros literários, incluindo o romance. As obras desse gênero presentes nos relatos são, muitas vezes, de autores russos de grande sucesso e bem avaliados pela crítica do período, como Tolstói e Dostoiévski, apesar de serem os franceses os que mais se destacam na parcela da biblioteca analisada. Nota-se ainda que, nas cartas da família desse imperador, há uma predominância das menções a leituras de autores russos. Um dos motivos possíveis para explicar esse fato pode ser a valorização da produção de escritores nacionais pelos russos, que tinham o costume de considerar esse tipo de leitura como algo sério, ainda que as obras lidas pertencessem ao gênero romanesco. Outro ponto a ser notado é que, nas cartas, os títulos dos romances russos estão sempre em inglês. Porém, é preciso considerar que os próprios membros dessa família podem ter traduzido os títulos dos livros ao falar sobre eles, para que, assim, estes ficassem na mesma língua em que eles estavam escrevendo. Dessa forma, não é possível afirmar com certeza que eles estavam lendo traduções, ou em qual língua o casal realizava suas leituras.

As cartas também revelam que o casal imperial lia obras que pertenciam a um período anterior ao do envio das cartas: a data de publicação original de Voiná i mir [Guerra e Paz] é de 1869, e de Bratya Karamazovy [Os Irmãos Karamazov] é de 1880. Isso é mais um indício de que, também na Rússia do século XIX, não existiam necessariamente ligações entre a nacionalidade de um autor e a data de publicação de sua obra, e o tempo, o local ou o ano em que ele seria lido por seus leitores.

Nas atividades de leitura em voz alta também eram inclusos, algumas vezes, os filhos do casal. Segundo Helen Rappaport, as noites de ceias familiares eram passadas em meio a atividades de bordado, jogos de tabuleiro e escrita de cartas, e era comum que o imperador lesse em voz alta para todos eles266. Em algumas passagens do ano de 1917 do seu diário, Nicolau II confirmou que havia lido para as crianças267 e que, no dia 16 de dezembro desse mesmo ano,

265 Diário de Nicolau II. Os trechos mencionados são do dia 1º de janeiro (“We spent the evening in our usual way. I read aloud to Alix Stanyukovich's "Sea Stories") e 18 de janeiro de 1898 (“In the evening I read aloud to Alix interesting memoires of the former French tutor M.Janson about his stay in Russia for 5 months in 1886..."), 25 de janeiro de 1908 ("...After dinner I read aloud to Alix Leskov's short stories...") e 30 de março do mesmo ano ("...I read aloud to Alix the beginning of Empress Elizabeth's Biography written by Nickolai Michailovich..."). 266 RAPPAPORT, Helen. Op. cit.

leu Na Véspera, do autor russo Turguêniev, enquanto os outros jogavam belzique268. Nota-se que, em dezembro de 1917, Nicolau II já havia sido deposto, e é provável que um clima de tensão pairasse no cotidiano familiar. Ainda assim, as atividades de leitura continuavam a ser realizadas em conjunto, mostrando a importância desse tipo de convívio para essa família.

Na correspondência enviada por outros membros da família, esses momentos passados em conjunto também eram narrados. Em uma carta enviada pela duquesa Anastácia para o seu pai, em 1914, por exemplo, ela escreveu que Anya estava lendo para a imperatriz. A pessoa citada provavelmente é Anna Alexandrovna Vyrubova, uma nobre da corte russa que era muito amiga da família do imperador Nicolau II269. Esse relato mostra que a família de Nicolau II, da mesma maneira que os da de Pedro II, também incluía amigos íntimos da família em suas atividades de leitura: assim, da mesma forma que a princesa Isabel e o conde d’Eu liam com a condessa, a imperatriz Alexandra, da Rússia, realizava leituras com a jovem nobre Anya. Essa moça também foi mencionada em cartas da imperatriz para o imperador, em que ela dizia constantemente que estava lendo para a amiga e que Anya estava lendo para ela. Em uma das cartas, ela dá, inclusive, uma explicação para isso, dizendo que ela não conseguia ler em voz alta o tempo todo270.

A realização de sessões de leitura com os membros mais novos da família também parecia ser comum no Brasil. Em alguns relatores de seu diário, a imperatriz afirma que Pedro II estava lendo com os netos, filhos da princesa Leopoldina. Em 26 de julho de 1872, por exemplo, a imperatriz escreveu que “toda manhã estiveram meus netos comigo. Lerão com o imperador em portuguez271”. Além disso, segundo Jaqueline Aguiar, o imperador sempre reservava um tempo para ler com as suas filhas, quando pequenas. Porém, segundo os dados encontrados, parece que essas leituras tinham um foco maior na educação das princesas e não em momentos de lazer e convivência familiar, como acontecia na Rússia. Segundo a autora, em anotações de 1862, dom Pedro diz que iria ler com as meninas obras de autores portugueses como João de Barros e Camões, em horários distribuídos entre a tarde e a noite, e em outros horários de estudo

268 Belzique é um jogo de cartas de origem francesa, parecido com o Piquet. No trecho em questão, o imperador afirma: “While bezique is being played, I am now reading aloud Turgenev's "On the Eve.”

269 Informações sobre Anna Alexandrovna Vyrubova podem ser encontradas no site oficial do Palácio Alexandre. Disponível em: http://www.alexanderpalace.org/palace/Anya.html

270 Trecho de carta da imperatriz Alexandra. Acervo online do Palácio Alexandre. No original: “Mordvinov lunched with us, then I had Prince Galitzin, Rauchfuss, had to see about coats - then Ania came & read to me as I cant talk the whole time”.

das duas272. É importante ressaltar, porém, que por se tratarem de informações retiradas do diário do imperador (que ele possivelmente acreditava que seria lido no futuro), talvez ele tenha retirado algumas informações, como a leitura de romances com suas filhas. Os dados dessa fonte não condizem, portanto, inteiramente com a realidade do cotidiano dessa família, mas dão indícios de que atividades de leituras entre pais e filhos nobres também eram comuns no Brasil. Além disso, é interessante notar que o imperador do Brasil faz questão de dizer que está lendo autores portugueses com as filhas, da mesma maneira que a família de Nicolau II parece gostar de citar os autores e as obras russas em suas cartas, apesar de sua biblioteca conter vários livros em francês. Esse dado pode ser um indício de que os documentos pessoais das famílias nobres (e, principalmente, os que eles acreditavam que poderia ser lidos por terceiros) fossem um lugar em que eles desejavam mostrar o nacionalismo em suas leituras e o seu conhecimento da literatura escrita originalmente em sua língua materna.

As cartas, além de relatarem os acontecimentos do cotidiano dessas famílias da elite, também eram utilizadas como uma forma de trocas de indicações e opiniões referentes a obras literárias de todos os gêneros e áreas do conhecimento. Nas cartas da família brasileira, é possível encontrar diversos indícios de aquisição de determinadas obras. Desde 1859, a princesa Isabel pede constantemente para que os pais comprassem livros (no Rio de Janeiro ou na Europa, quando eles estavam viajando) e os enviassem para o Palácio em que ela ficava, em Petrópolis. Em 2 de outubro de 1868, por exemplo, ela pediu que os pais lhe enviassem A

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