VIII. PLANNING OPERATIONNEL GLOBAL 2010-2012 DE LA CAPAD
9.2 Suivi et évaluation des activités de CAPAD
De acordo com Brazelton e Cramer (1992), o homem é o único, entre as espécies animais, em que todos os sistemas sensoriais já então em funcionamento antes mesmo do parto. A existência dessas capacidades sensoriais no feto promove a compreensão das interações bidirecionais entre a mãe e o seu bebê durante a gestação (Brazelton & Cramer, 1992; Schmidt & Argimon, 2009). Estudos mostram que ainda na condição de feto é possível perceber a luminosidade, a sonoridade e responder a outros estímulos (Oliveira, Maia & Araújo, 2012).
As investigações sobre apego vêm sendo ampliadas, incluindo o período fetal como um período também de vinculação (Schmidt & Argimon, 2009). As ligações orgânicas e afetivas desenvolvidas entre o feto e a gestante possibilitam manifestações não apenas como estímulo- resposta, mas também se configura como a primeira relação e interação social desse bebê ainda no período intrauterino, através de reações comportamentais, fisiológicas e empáticas (Oliveira et al., 2012). Evidencia-se, dessa forma, que o apego materno-fetal é um preditor do apego pós- natal entre mãe e bebê, essencial para um desenvolvimento saudável da criança (Schmidt & Argimon, 2009; Oliveira et al., 2012).
Diante disso, o AMF diz respeito aos comportamentos e atitudes da mulher de adaptação à gravidez (Schmidt & Argimon, 2009). Cranley (1981 como citado em Schmidt & Argimon, 2009) definiu o AMF como a intensidade com a qual a gestante manifesta comportamentos que representam a afiliação e a integração com sua criança dentro do útero.
Estudos como o de Piccinini, Gomes, Moreira e Lopes (2004) e Alvarenga, Teixeira e Peixoto (2015) corroboram com ideia da existência do apego entre a mãe e o bebê antes mesmo do nascimento. No estudo realizado por Ruschel (2011) com gestantes com diagnóstico de cardiopatia fetal, observou-se que mesmo após o diagnóstico da doença no bebê, o AMF
aumentou. Em um estudo comparativo realizado por Faria et al. (2013) com gestantes com e sem o vírus HIV, foi encontrado que não houve diferença significativa no escore total do Apego materno-fetal entre os grupos.
Já na pesquisa proposta por Saviani-Zeoti e Petean (2015), em São Paulo, com 48 mulheres de alto e baixo risco gestacional, comprovou a existência do AMF em ambos os grupos estudados. A pesquisa de Borges et al. (2015) também demonstra que, mesmo com a notícia de malformação fetal, as pacientes mantiveram alto nível de apego. Contudo, Pisoni et al. (2014), em seu estudo de revisão sobre os fatores de risco e proteção associados ao desenvolvimento do AMF, constatou os estudos incluindo gestações de alto risco geraram achados equívocos, não indicando claramente se a angústia da condição clínica tem influência significativa na qualidade ou intensidade do apego desenvolvido durante o período intrauterino. Assim, as pesquisas realizadas na área comprovam a existência e importância deste vínculo construído no período pré-natal. No entanto, ainda são poucos os estudiosos que se dedicam a esta temática, mesmo sabendo-se que o apego é necessário para a qualidade dos relacionamentos futuros de qualquer indivíduo (Saviani-Zeoti, 2011).
3. Objetivos
3.1. Geral
Investigar se há diferença nos modos de enfrentamento e apego materno-fetal em gestantes de alto risco e gestantes de baixo risco.
3.2. Específicos
a) Avaliar os modos de enfrentamento das gestantes de alto risco e gestantes de baixo risco; b) Verificar o apego materno-fetal em gestantes de alto risco e gestantes de baixo risco; c) Avaliar se há correlação entre os modos de enfrentamento e o apego materno-fetal em
4. Método
4.1. Delineamento do estudo
Trata-se de um estudo comparativo e correlacional de corte transversal. Segundo Dancey e Reidy (2006), o delineamento correlacional é uma forma de verificar o relacionamento entre variáveis, portanto, não tem como objetivo inferir causas, mas sim averiguar possíveis associações. Já o corte transversal envolve obter informações de uma única vez a partir de pessoas em uma série de diferentes condições que, espera-se, são significativas para a mudança (Breakwell, Fife-Schaw, Hammond, & Smith, 2010).
4.2. Participantes
As partícipes da pesquisa foram um grupo de gestantes de alto risco e um grupo comparativo de baixo risco que estavam realizando pré-natal pelo SUS. O cálculo amostral foi realizado com dados sobre a população usuária do serviço de pré-natal na Maternidade Escola Januário Cicco. De acordo com levantamento realizado, fora verificado que, em 2013, uma média de 420 gestantes realizaram atendimentos pré-natais de alto risco por mês, sendo este valor utilizado ao cálculo de amostra.
Considerando o Erro Amostral de 5% e Nível de Confiança de 95%, obteve-se uma amostra de acordo com o seguinte balanço:
No qual N seria o tamanho da população, logo 420 indivíduos. Z representa o valor crítico correspondente ao grau de confiança desejado, que é de 95% (erro amostral de 5%), sendo Z = 1,96. π é a proporção populacional de indivíduos que pertence à categoria que será estudada,. cContudo, quando não se sabe sobre esta proporção, pode-se atribuir o valor de 0,5, conforme sugere Levine, Berenson e Stephan (2000). Assim:
Como indivíduos são seres de valores discretos e não contínuos, o resultado deve ser arredondado. Utilizando regras da lógica matemática, o valor deveria ser igual a aproximadamente 103 sujeitos.
Estimava-se, portanto, a participação de 103 gestantes de alto risco atendidas no ambulatório da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC). Um hospital de referência em atendimento de pré-natal às gestantes de alto risco no estado do Rio Grande do Norte. Entretanto, verificou-se a necessidade de acrescentar a esse cálculo amostral o percentual de 10%, a fim de minimizar perdas de dados coletados. A partir disso, o número final de participantes do grupo de gestantes de alto risco ficou em 120.
O grupo comparativo foi formado por 49 gestantes de baixo risco atendidas em unidades básicas de saúde (UBS) do Município de Natal-RN. Este número de participante do grupo de baixo risco inferior ao número de participantes do grupo de gestantes de alto risco se justifica pelo fato que no período de coletas de dados nas unidades básicas de saúde houveram mobilizações e greves nas instituições públicas de saúde que impossibilitaram que esta abarcasse o número inicial estimado de 120 gestantes de baixo risco, finalizando a pesquisa, assim, com o número total de 49 gestantes no grupo contraste.
Para o presente trabalho, foram adotados os seguintes critérios de inclusão: (a) ser gestante de alto risco atendida na Maternidade Escola Januário Cicco; (b) no caso do grupo comparativo, ser gestante de baixo risco e realizar o pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde de Candelária, Pirangi, Mirassol ou Cidade Satélite; (c) ter idade igual ou superior a 18 anos; (d) aceitar participar da pesquisa, mediante a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Já os critério de exclusão consistiram em: (a) a gestante apresentar impossibilidade de participação na pesquisa por efeito de substâncias químicas, doenças psiquiátricas e/ou complicações clínicas que impossibilitassem a mesma partícipe de responder instrumentos da pesquisa. Tais critérios foram avaliados por meio de observação no momento da coleta de dados, se algum desses critérios não pudessem ser devidamente avaliados por observação era requerido o prontuário da paciente junto à equipe de saúde das instituições onde os dados foram coletados.
4.3. Locais de coleta
A Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) foi selecionada como local de coleta de dados referente às gestantes de alto risco por ser um hospital de referência em atendimento de pré-natal às gestantes de alto risco no estado do Rio Grande do Norte. Já as UBS selecionadas foram quatro do Distrito Sanitário Sul: UBS de Candelária, Pirangi, Mirassol e Cidade Satélite. Esta escolha teve por justificativa o fato que este distrito ofereceu facilidade de acesso aos dados quantitativos de gestantes em pré-natal em suas Unidades Básicas de Saúde através do sistema do SISPRENATAL.
A escolha das unidades para realização da pesquisa segue a ordem quantitativa de maior número de grávidas atendidas nas Unidades do Distrito Sanitário Sul no período de 02 de janeiro a 31 de agosto de 2015 (data na qual tivemos acesso aos dados). A partir desse quantitativo, foi
requerido junto à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal a anuência e autorização para realização da coleta de dados nas UBS dos bairros de Candelária, Mirassol, Cidade Satélite e Pirangi. Após essa etapa, foi realizado o contato com a direção das respectivas unidades e exposição do projeto de pesquisa, bem como calendário de coletas de dados, além da anuência e autorização por escrito da SMS de Natal-RN.
4.4. Instrumentos
A escolha dos instrumentos para a realização deste trabalho se deu não apenas por possibilitarem avaliar os aspectos referidos nos objetivos do presente trabalho, como também serem utilizados em outros estudos com população semelhante. Em seguida apresenta-se cada um de forma detalhada.
4.4.1. Questionário sociobiodemográfico
Trata-se de um questionário estruturado criado pela pesquisadora e aplicado em forma de entrevista às participantes. Este teve como objetivos obter informações sociobiodemográficas e psicológicas como nome, idade, escolaridade, configuração de moradia, religião, apoio percebido, situação profissional e dados de saúde, como doenças prévias, gestações anteriores, abortos, doenças familiares, entre outros (Apêndice A).