O presente estudo teve seus objetivos alcançados, contribuindo para uma melhor compreensão quanto aos Modos de enfrentamento e Apego materno-fetal em gestantes de alto e baixo risco. Neste foi possível verificar que as participantes relataram predominantemente estratégias de enfrentamento focalizadas no problemas, sendo estas mais presentes no grupo de baixo risco.
Tal dimensão aponta para o uso de estratégias de enfrentamento positivas e adaptativas onde as mulheres procuram por informações como fonte de dados de realidade para terem condições concretas de cuidar do seu bebê desde a vida intrauterina e reflete a busca destas gestantes por recursos para superar ou lidar com as situações estressoras provenientes da gravidez de baixo ou alto risco. A diferença encontrada nas estratégias de enfrentamento focalizadas no problema entre os grupos pode estar relacionada desde a condições pessoais da gestante para lidar com a situação estressora até a condição de risco como um estressor a mais na gestação gerando maior dificuldade em solucionar essa condição ou mesmo de ressignificar tal problema.
Foi possível também observar que as gestantes apresentaram Apego materno-fetal médio, não havendo distinção entre os grupos de alto e baixo risco. Tal resultado esclarece sobre a qualidade da vinculação que a gestante desenvolve com o seu bebê antes mesmo do nascimento e dos instrumentos necessários que ela faz uso para estabelecer tal contato.
Tais dados podem ser provenientes da maior vinculação das gestantes devido a percepção dos movimentos fetais com o aumento da idade gestacional. No caso do grupo das gestantes de alto risco, tal resultado pode basear-se no reconhecimento das necessidades reais
do seu bebê promovido pelas informações oferecidas na consulta pré-natal, que configurou-se como o contexto da coleta de dados. Outra hipótese versa sobre a dúvida das gestantes em relação a existência real do risco. Ademais, a vinculação pode surgir como mecanismo de defesa adaptativo à condição do risco gestacional.
Observou-se também, através do presente estudo, que houve correlação positiva, significativa e fraca entre as variáveis Apego materno-fetal e o fator 1 “enfrentamento focalizado no problema” do EMEP no grupo de gestantes de risco. Tal relação, sendo positiva, indica que a medida que o AMF aumenta o uso de estratégias positivas para enfrentar a situação estressante também aumentam, e vice-versa. Vale salientar como caraterística do uso do teste correlacional não há indicativos de causa e efeito, apenas da presença, sentido e magnitude de tal relação entre as variáveis.
Nesse sentido, tal pesquisa pode ser útil a estudantes da área da saúde que buscam maiores informações acerca do apego desenvolvido entre a gestante e o feto, bem como das estratégias de enfrentamento usadas por estas, visto que este é um assunto que, apesar da grande relevância, apresenta ainda escassez na literatura. Além disso, esta traz contribuições ao ressaltar a importância de que as ações de humanização e integralidade da atenção à saúde reprodutiva da mulher sejam efetivas, enfatizando a dimensão psíquica como fundamental na atenção à gestante e ao bebê.
É necessário, contudo, discorrer acerca das limitações encontradas no presente estudo. A primeira versa sobre o processo de amostragem da pesquisa, já que a amostra por conveniência não possibilita generalizações, entretanto ela possibilita conhecer o contexto investigado, o que se mostra importante visto que outros estudos realizados com população semelhante utilizaram-se também desta forma de seleção da amostra.
Outra limitação é referente ao contexto da coleta, onde as gestantes respondiam aos questionários enquanto aguardavam a consulta pré-natal, isso gerou um grande número de perdas amostrais, que foram compensadas no aumento percentual de 10% no número amostral. Ademais, no grupo contraste de gestantes de baixo risco, tal contexto foi ainda mais limitante, visto que no período de coletas nas unidades básicas de saúde houveram mobilizações e greves nas instituições públicas de saúde que impossibilitaram que a coleta de dados abarcasse o número inicial estimado de 120 gestantes de baixo risco, finalizando a pesquisa, assim, com o número total de 49 gestantes no grupo contraste.
Por fim, uma terceira limitação é relacionada ao instrumento utilizado para investigar o modo de enfretamento das gestantes. O EMEP não possui padronização para o público de gestantes, sendo um instrumento de uso geral, assim, a escolha deste se deu por não haver outro instrumento validado ou adaptado para tal público no Brasil e o EMEP foi o instrumento mais utilizado em pesquisas com gestantes no país, o que possibilitou a discussão dos dados da presente pesquisa com base em outras realizadas com população semelhante. Sugere-se assim, a criação ou mesmo adaptação de instrumentos para este público, já que características biopsicossociais tão específicas são observadas nesse grupo e um instrumento não-específico pode não dar conta da dimensão de tais características.
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Apêndices
Apêndice A
QUESTIONÁRIO SOCIOBIODEMOGRÁFICO
Data da aplicação do questionário: / / Questionário número:
Local de coleta do questionário:
Nome
Data de nascimento: / / Idade:
Cidade de residência UF
Dados sociais:
Tem alguma ocupação? ( ) sim ( ) não. Qual?
Renda familiar aproximada em valor bruto (ex: R$ 700,00):
Escolaridade (em anos estudados):
Você tem alguma religião? ( ) sim ( ) não. Qual?
Com que frequência você participa de atividades religiosas:
( ) 1 vez no ano ou nenhuma ( ) algumas vezes no ano ( ) 1 vez no mês ou mais ( ) 1 vez por semana ( ) mais de uma vez por semana
Estado civil: ( ) solteira ( ) casada ( ) viúva ( ) divorciada ( ) união estável Você se sente apoiada na atual gestação? ( ) Sim ( ) Não
Dê uma nota de 0 a 10 ao apoio que você percebe estar recebendo durante sua atual gestação NADA DE APOIO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 COMPLETAMENTE APOIADA
Dados de saúde:
Você tem alguma queixa de saúde? ( ) sim ( ) não. Qual?
Dados gestacionais:
Com quantas semanas de gestação você está? _____________________________________
Com quantas semanas você descobriu que estava grávida?
A gestação da criança foi planejada? Foi desejada?
Você tem outros filhos? ( ) sim ( ) não. Quantos?
Com quantas semanas você começou o pré-natal?
Tentou algum método abortivo? Se sim, qual?
Ingere ou ingeriu alguma substância na gestação que você acredite que possa prejudicar o desenvolvimento do seu bebê agora ou no futuro? Com que frequência? Já sabe o sexo do bebê? ( ) sim ( ) não. Se sim: ( ) menino ( ) menina
Apêndice B
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE
Esclarecimentos
Este é um convite para você participar da pesquisa “Modo de enfrentamento e Apego materno- fetal em gestantes de alto risco”, que é coordenada pela Profa. Dra. Eulália Maria Chaves Maia.
Esta pesquisa pretende investigar se há diferença no modo de enfrentamento e apego materno-fetal em gestantes de alto risco e gestantes em curso normal da gestação.
O motivo que nos leva a fazer este estudo é a pouca visibilidade dada aos aspectos emocionais durante o curso da gestação de alto risco. Caso decida aceitar o convite, você responderá a três questionários, sendo estes: 1) questionário sociobiodemográfico (que contém perguntas relacionadas a dados sociais, como por exemplo quantos anos você estudou, biológicos como quantos filhos você tem e demográfico como o município onde você mora); 2) Escala de Apego Materno-Fetal (que investiga os comportamentos que a mulher desenvolve durante a gravidez na preparação para o nascimento de seu bebê); 3) Escala de Modo de Enfrentamento de Problemas (que investiga as estratégias que você usa para enfrentar os problemas lhe que aparecem).
Os riscos envolvidos na sua participação são mínimos, já que os instrumentos de coleta de dados corresponderão apenas a questionários e haverá a manutenção do sigilo absoluto das
informações coletadas e da identidade de todos os participantes. Todavia, caso haja algum desgaste emocional no decorrer da entrevista, serão realizadas intervenções psicológicas, imediatamente, pela própria pesquisadora integrante da pesquisa.
Você terá como benefício da participação da pesquisa a possibilidade de criação de intervenções que visem proporcionar melhorias a saúde mental e equilíbrio emocional.
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para a coordenadora da pesquisa Profa. Dra. Eulália Maria Chaves Maia no número (84) 3215-3592 ramal 225.
Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você.
Os dados que você irá nos fornecer serão confidenciais e serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar.
Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de 5 anos.
Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você.
Se você sofrer algum dano comprovadamente decorrente desta pesquisa, você será indenizado.
Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, telefone 3215-3135.
Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com o pesquisador responsável Profa. Dra. Eulália Maria Chaves Maia.
Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa “Modo de enfrentamento e apego materno-fetal em gestantes de alto risco”, e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar.
Natal ____ / ____/ ____.
Assinatura do participante da pesquisa
Declaração do pesquisador responsável
Como pesquisador responsável pelo estudo “Modo de enfrentamento e apego materno- fetal em gestantes de alto risco”, declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo.
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano.
Impressão datiloscópica do
Natal ____ / ____/ ____.
Anexos
Anexo 1
Escala de Apego Materno-Fetal
(C:CRANLEY\SCALE.3 © MECCA CRANLEY,1979)
Por favor, responda as perguntas seguintes sobre você o bebê que você está esperando. Não há respostas certas ou erradas sua primeira impressão é a que mostra melhor seus sentimentos.
Marque apenas uma resposta por pergunta.
Eu penso ou faço o seguinte: Certamente
Sim
Sim Dúvida Não
Certamente Não 1. Eu converso com meu bebê na barriga.
2. Eu acho que apesar de toda a dificuldade a gravidez vale a pena. 3. Eu gosto de ver minha barriga se mexer quando o bebê chuta. 4. Eu me imagino alimentando o bebê.
5. Eu realmente estou ansiosa para ver como vai ser o meu bebê. 6. Eu me pergunto se o bebê se sente apertado lá dentro.
7. Eu chamo meu bebê por um apelido. 8. Eu me imagino cuidando do bebê.
9. Eu quase posso adivinhar como será a personalidade de meu bebê pelo como ele se mexe.
10. Eu já decidi que nome vou dar se for uma menina.
11. Eu faço coisas para me manter saudável que não faria caso não estivesse grávida.
13. Eu já decidi que nome eu vou dar se for um menino.
14. Eu fico pensando se o bebê pensa e sente “coisas” dentro de mim. 15. Eu procuro comer o melhor que posso para o meu bebê ter uma boa dieta.
16. Parece que meu bebê chuta e se mexe para me dizer que é hora de comer.
17. Eu cutuco meu bebê para que ele cutuque de volta. 18. Eu mal posso esperar para segurar o bebê.
19. Eu tento imaginar como meu bebê vai se parecer.
20. Eu acaricio minha barriga para acalmar o bebê quando ele chuta muito.
21. Eu posso dizer quando o bebê tem soluço. 22. Eu sinto que meu corpo está feio.
23. Eu deixo de fazer certas coisas, para o bem do meu bebê. 24. Eu tento pegar o pé do meu bebê para brincar com ele.
ESCALA DE MODO DE ENFRENTAMENTO DE PROBLEMAS (EMEP)
Nome: _______________________________________________________________
As pessoas reagem de diferentes maneiras a situações difíceis ou estressantes. Para responder a este questionário, pense sobre como você está lidando com essas situações, neste momento. Concentre-se nas coisas que você faz, pensa ou sente para enfrentar esta condição, no momento atual.
Veja um exemplo: eu estou buscando ajuda profissional para lidar com a minha gestação.
1 2 3 4 5 Eu nunca faço isso Eu faço isso um pouco Eu faço isso às vezes Eu faço muito isso Eu faço isso sempre
Você deve assinalar a alternativa que corresponde melhor ao que você está fazendo quanto à busca de ajuda profissional para lidar com sua gestação. Se você não está buscando ajuda profissional, marque com um X ou um círculo o número 1 (eu nunca faço isso); se você está