• Aucun résultat trouvé

: Subvention départementale - Montant de la subvention départementale

A questão multicultural tem se tornado mais visível na contemporaneidade em diferentes segmentos sociais, tanto na abrangência internacional, continental e local. Nesse sentido, em países da América Latina como o Brasil, há uma formação própria dessa relação multicultural, uma vez que a base de formação desse país é permeada por conflitos e marcada pela “eliminação física [...] ou por sua escravização” (CANDAU, 2013, p. 17-18). Portanto, nesse país, a abordagem multicultural está permeada de pessoas que sofreram uma longa trajetória de lutas e de resistências, em uma situação de subordinação (CANDAU, 2013).

Segundo Candau (2013), uma sociedade multicultural desencadeia o surgimento do conceito de multiculturalismo, o qual possui diferentes significados na sociedade atual. Portanto, para a autora, o multiculturalismo vivenciado no Brasil é diferente do experimentado na Europa ou em outras sociedades, sendo necessário compreender o contexto multicultural de cada sociedade. Assim, pode-se entender multiculturalismo:

[...] não simplesmente como um dado da realidade, mas como uma maneira de atuar, de intervir, de transformar a dinâmica social. Trata- -se de um projeto político-cultural, de um modo de se trabalhar as relações culturais numa determinada sociedade, de conceber políticas públicas na perspectiva de radicalização da democracia, assim como de construir estratégias pedagógicas nesta perspectiva (CANDAU, 2013, p. 20)

De acordo com Candau, infere-se que o multiculturalismo é visto como forma de intervenção social, sendo uma construção e um projeto cultural que,

de certa forma, força uma participação democrática, uma vez que políticas públicas surgem para dar legitimidade a essa ação, bem como novas estratégias no campo educacional (CANDAU, 2013, p.20).

O termo “multiculturalismo” apresenta uma diversidade de significados: “expressões como multiculturalismo, conservador, liberal, celebratório, crítico, emancipador e revolucionário podem ser encontrados sobre o tema e se multiplicam continuamente” (CANDAU, 2013, p. 19). Dessa forma, suas diferentes vertentes crescem a cada dia, ganhando diferentes significados. (CANDAU, 2013).

Candau (2013, p. 19-20) trata a questão do multiculturalismo sob duas abordagens: “uma descritiva e outra propositiva”. A abordagem descritiva vê como sendo uma configuração da sociedade de hoje, de modo que suas formas têm relação com “contexto histórico, político e sociocultural”. De modo geral, pensar o multiculturalismo no Brasil, na visão propositiva, requer saber que ele não é visto como algo da realidade, mas como forma de atuação, intervenção e de transformação da sociedade. Portanto, é uma maneira de desenvolver um trabalho com as relações culturais, na tentativa de originar políticas públicas, buscando formas de tratar as questões em âmbito pedagógico (CANDAU, 2013).

Moreira e Candau (2013, p. 7), sobre o multiculturalismo na Educação, comenta:

Não há como deixar de se oferecer algumas respostas a essa inescapável pluralidade. Multiculturalismo envolve a natureza de respostas que se dá nos ambientes e arranjos educacionais, ou seja, nas teorias, nas práticas e nas políticas: Multiculturalismo em educação envolve, ainda, um posicionamento claro a favor da luta contra opressão e a discriminação a que certos grupos minoritários têm, historicamente, sido submetidos por grupos mais poderosos e privilegiados. Neste sentido, multiculturalismo em educação envolve, necessariamente, além de estudos e pesquisas, ações politicamente comprometidas.

Pode-se evidenciar que o multiculturalismo possibilita compreender os diferentes grupos compostos nos ambientes escolares, tanto nas dimensões teóricas, práticas e políticas. Além disso, em âmbito educacional, está relacionado a assumir uma postura contra condições de oprimido e de preconceitos contra grupos considerados minorias que, ao longo da história, sofrem pelas imposições de grupos mais privilegiados. Nessa perspectiva,

além de investigações no campo de estudos e pesquisa, requer ações políticas.

O multiculturalismo, no Brasil, além de discutir sobre as diferentes formas de mudanças culturais, busca trazer para as novas gerações as diferentes culturas que estão presentes na sociedade, bem como sua contribuição, levando em consideração os “negros, indígenas e europeus”, os quais contribuíram para construção da sociedade (SANTANA, 2009, p. 65).

Na sócio-histórica educacional, as diferenças e desigualdades de minorias “não faz parte do núcleo comum dos currículos escolares de educação básica nem de Pedagogia e licenciatura, apesar de ser um núcleo estruturante de nossa formação social, política, cultural e pedagógica”. (ARROYO, 2008, p. 14-5). Por outro lado, no momento em que programas de diversidade e formação estabelecerem essa direção, esses contribuem para dar novo sentido às concepções da educação, seja no ensino básico, nos cursos de licenciatura, pedagogia e nas universidades (ARROYO, 2008, p. 14- 5).

Enfim, o multiculturalismo na Educação é uma invenção recente, surge fora da escola e ganha espaço no interior dela, por força de leis que são conquistadas e reafirmadas no campo educativo. Entretanto, o caminho para uma educação na perspectiva multicultural ainda está sendo construído e requer ações para além das legislações. No próximo capítulo, será delimitado os encaminhamentos metodológicos dessa investigação, que visam descrever o método, os instrumentos, o lócus de pesquisa, questões éticas bem como ações materializadas na elaboração e aplicação de um processo educacional como caminho para trabalhar com questões multiculturais na escola.

4 ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO

Este capítulo trata dos sujeitos e dos contextos nos quais se passou a investigação, bem como os caminhos metodológicos. Contempla também as etapas de formação docente para materialização da elaboração de um processo educacional, constituído por um “Curso de Extensão: Formação e Autoformação Docente Multicultural na Escola”.

Inicialmente, é apresentado o contexto em que se passa o estudo, por meio de uma breve descrição do cenário da escola e da comunidade e algumas características dos professores, dos alunos e do meio em que vivem. Dessa forma, diante do cenário educacional apresentado, fica evidente que a escola atende uma diversidade étnica, cultural e regional.

No segundo momento, é discutida a metodologia e a natureza da pesquisa qualitativa e de campo com inspirações etnográficas que pretende investigar os fenômenos de uma cultura escolar. Além disso, são apresentados as técnicas e os instrumentos de trabalho empregados na investigação.

Considerando a natureza qualitativa da pesquisa, questões éticas são discutidas a partir dos estudos de Lüdke e André (2015), a fim de firmar, no

campo de estudo, um compromisso com os sujeitos, haja vista que a investigação com seres humanos requer.

O percurso desta investigação se inicia desde a inserção em uma escola pública do Norte do Paraná como professora e formadora de professores que, na sua relação de ensino e aprendizagem, atende, dentre tantas culturais, o aluno indígena em uma realidade escolar não indígena.

Desse modo, desde o ingresso no mestrado, as disciplinas do curso foram relevantes para delimitar o estudo envolvendo questões multiculturais. A participação no grupo de estudo “Observatório de Políticas Públicas” trouxe um repensar sobre o projeto de investigação envolvendo uma formação docente multicultural.

O ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza (PPGEN) da UTFPR, Multicampi, tem como exigência da CAPES desenvolver uma produção técnica e tecnológica que compreende um produto ou processo educacional. Além disso, a participação em eventos científicos, como o Simpósio de Ensino Aprendizagem (SEA) do câmpus de Londrina da UTFPR (UTFPR-LD), aproximou e delimitou a

investigação proposta. Esses são outros subsídios que contribuíram para promover uma investigação sobre a formação docente multicultural e colaborativa.

Com vista a estabelecer um processo mais autônomo na formação docente, a proposta assume uma formação docente multicultural e colaborativa. Portanto, para elaboração de uma formação docente levou-se em consideração: (1) o ambiente multicultural; (2) a experiência como professora e formadora de professores; e (3) os diálogos realizados com os docentes por meio de entrevista em campo.

Em relação ao aprimoramento nos estudos sobre formação docente multicultural, os dados coletados em entrevistas e as avaliações docentes iniciais e finais trazem dados relevantes para a investigação, a fim de contribuir com a elaboração e aplicação de um processo educacional multicultural nas perspectivas de autoformação e trabalho colaborativo.

Sobre uma formação docente colaborativa, Moura (2004, p. 261) diz que essa ocorre nas relações com os professores, havendo motivos pessoais e coletivos. Com relação aos pessoais, envolvem os conhecimentos e aspirações à vida que são necessários para investir no desenvolvimento de seu trabalho. Já com relação aos motivos coletivos, compreendem as parcerias entre os envolvidos que compõem a escola como uma equipe. Assim esse grupo torna- se uma referência de trabalho profissional, que por meio das ações da escola é composta a sua formação, com base nas parcerias formadas pelo coletivo escolar.

De forma geral, frente à necessidade de um trabalho de formação multicultural na escola essa investigação contempla a elaboração e aplicação de um Curso composto por seis etapas. A primeira e a segunda foram organizadas de forma flexível, em hora-atividade. Nessas etapas, os professores se dedicaram a realizar leituras e a responder questões organizadas em fichas sobre o estudo. Essas etapas tiveram roteiro e orientações, questões para análise e discussão e registros em que a pesquisadora delimitou o estudo.

A terceira etapa, contou com todos os professores da instituição escolar e foi realizado as discussões das leituras sobre multiculturalismo. Assim, houve reflexão sobre formação docente colaborativa e sobre a proposta de um estudo pautado nessa abordagem, além de indicações de leituras para

os cursistas contribuírem de forma protagonista com a elaboração da sexta etapa de formação, pautada no multiculturalismo.

Ao partir-se da ideia de formação colaborativa de Imbernón (2010), os docentes, na quarta e quinta etapas, em hora-atividade, organizaram a formação sobre estudos multiculturais e, na sexta etapa, os resultados da formação colaborativa foram vivenciados por todos os professores, pela pesquisadora e orientador da investigação.

A aplicação de um processo educacional na forma de um curso de extensão, trouxe contribuições para a reflexão sobre a formação docente multicultural na instituição escolar e os desafios no processo de formação continuada na escola da Educação Básica.

Na seção seguinte, são apresentados os sujeitos da investigação e as suas implicações éticas.

Documents relatifs