CHAPTER II FORMATION OF GIANT AMPHIPHILES BY CLICK CHEMISTRY REACTION
II.2 R ESULTS AND DISCUSSION
II.2.7 Further studies of the direct click chemistry approach utilizing other
EDUCAÇÃO PARA O PARTO MAIS INTEGRAL
Pensando em uma humanização (educação) para o parto, enquanto formação humana que almeja uma integralidade, ou seja, uma humanização integral contemplando a multidimensionalidade, trazemos à tona duas práticas que possuem um caráter notadamente simbólico, com um apelo a aspectos subjetivos mais sutis. Estes métodos preparatórios parecem possuir uma associação mais direta com espiritualidade, na medida em que intenciona uma conexão da mulher e/ou da família consigo mesma, com sua ancestralidade e com um sentido ou força superiores.
A pintura de barriga (também chamada “ultrassom natural”), é uma técnica desenvolvida pela parteira mexicana Naoli Vinaver, e consiste em um registro artístico, por meio de palpação, ausculta, conversa e intuição de como se encontra o ambiente intra-uterino. Trata-se de um desenho na superfície externa da barriga, ou
seja, na pele, representando útero, placenta, liquido amniótico, cordão umbilical e a posição real do bebê no útero. A ideia é ajudar a estabelecer uma conexão da mulher e/ou da família com esta “barriga” (Figura 11-a).
Outra prática relacionada àquela, que pode se realizar independentemente, é o que vem sendo chamado de “chá de bênçãos”, normalmente realizada quando a grávida ou o casal, próximos do término da gestação, reúnem pessoas que lhe são significativas e, sob a orientação de um ou mais assistentes (parteira, doula, enfermeira obstetra ou outro profissional), realizam um pequeno ritual de despedida da barriga, para que o bebê seja autorizado/convidado a vir ao mundo. Assim, poderia ser vista como uma prática de abertura psicoespiritual para facilitar a passagem, tanto do bebê para fora do ventre materno, quanto dos pais para dentro da paternidade e da maternidade (Figura 11-b).
O “chá” não tem uma estrutura fixa, entretanto alguns rituais costumam se repetir. O encontro geralmente começa com um escalda-pés e massagem para a gestante, que pode ser realizado com imersão de ervas, óleos essenciais, sais e outras especiarias. Para a medicina chinesa, aquecer os pés é como aquecer os órgãos internos, portanto, para a grávida o calor vai principalmente para o útero, o que pode estimular as contrações. Enquanto a gestante relaxa, os convidados vão expressar suas “bênçãos” para a mãe, o bebê e o pai por meio de palavras, cartas ou objetos que possam ser acessados nos primeiros sinais do trabalho de parto. No momento final do Chá de Bênçãos geralmente se conduz uma mentalização guiada sobre a hora do nascimento, quando todos os presentes fecham os olhos e imaginam desde os primeiros sinais do trabalho de parto até hora em que a mãe e o pai seguram o bebê em seus braços39.
39
SALEH, N. Chá de Bênçãos: apoio e carinho para a grávida na preparação para o parto. Revista Crescer. Disponível em: <https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Cha-de-
bebe/noticia/2017/02/cha-de-bencaos-apoio-e-carinho-para-gravida-na-preparacao-para-o- parto.html>. Acesso: em 07 jun. 2018.
Figura 11 ‒ Imagens exemplificativas de recursos simbólico-espirituais de preparação para o parto
(a)
(b)
Fonte: arquivo do Nascer Luz40 (imagens autorizadas). Nota: (a) Pintura de barriga (ultrassonografia natural).
(b) Chá de Bênçãos.
Considerando que estas práticas, além de trazerem elementos de cuidado (massagem, expressões de reconhecimento e afeição, desejos de sucesso e realização), transmitidos por entes queridos especialmente à mulher, refletindo também aspectos mais sutis de conexão e comunhão espiritual (aspecto subjetivo), consideramos estarem associadas a uma assistência mais holística na preparação para o parto. Porém, pensando em nossa perspectiva de uma humanização integral, tais métodos precisariam ser pensados e implementados, levando-se em conta aspectos intersubjetivos, na integração com os valores e visões de mundo da mulher (e/ou do casal); aspectos objetivos, na consideração pelas condições biomédicas e comportamentais desta mulher; além de aspectos interobjetivos, considerando-se a adequação do ambiente físico, das condições materiais e institucionais, para possibilitar esta proposta.
40
Equipe de enfermeiras obstétricas que prestam assistência domiciliar/hospitalar à gestação, parto e pós-parto, em Recife-PE, desde o ano de 2015.
6 METODOLOGIA
Neste trabalho, situamo-nos numa perspectiva integral transpessoal, a qual se coloca como uma das alternativas ao paradigma clássico em ciência, que separa fortemente sujeito e objeto de estudo. Mediante a posição epistemológica assumida, enquanto ser-no-mundo-com-outros, enquanto consciência intencional, afirmamos nossa implicação no conhecimento produzido. Neste entendimento, o chamado “objeto” de estudo, mais propriamente chamado fenômeno, desdobra-se em nosso horizonte de percepção. Significa dizer que estamos concebendo o fenômeno investigado (espiritualidade), descrito ao longo da tese, não como um dado em si, externo a nós mesmos, mas ao contrário como algo emergente à medida em que colocamos a pergunta central em andamento, qual seja: como se desvela a
espiritualidade dentre os participantes da cena de parto e nascimento, diante dos cenários de nascimento da atualidade?
Por outro lado, o fenômeno não existe como uma mera visão subjetiva de nossa experiência como investigador, mas se expressa tanto como “realidade” objetiva, material, empírica, individual e coletiva, quanto como dimensão intersubjetiva, na medida em que tentamos desvelar o fenômeno a partir de e dentro de redes culturais e semânticas já constituídas. Por esta perspectiva, e resgatando o paradigma integral transpessoal, desde já ponderamos a limitação de nossa visão, nela pressupondo a impossibilidade para dizer tudo o que há para ser dito (FERREIRA, 2012). De maneira que nossos achados (ou nossos “buscados”) se mostram necessariamente como aproximação, uma versão de sentido do fenômeno perquirido, a partir de nossa imersão no campo de investigação.
Conforme sinalizamos no Capítulo 2 deste trabalho, no perspectivismo integral de Wilber, todo fenômeno se desdobra em quatro macrovisões ou quadrantes: o dentro e o fora do individual e do coletivo. Porém, segundo o teórico, em cada quadrante é possível assumir posições de percepção que ele nomeia como “de dentro” e “de fora”. Assim, apresentam-se oito grandes grupos de metodologia, que Wilber também chama de hori-zonas, ou simplesmente zonas.
Com esta base, e procurando estudar espiritualidade a partir de suas “realidades interiores”, segundo pontuadas no Capítulo 2, centramos nosso estudo nas zonas 2 e 3, ou seja, olhamos o fenômeno a partir do individual “de fora”, em
busca de rastros que possam indicar padrões na descrição do fenômeno (essencialmente por meio de testes psicométricos), e também o observamos dentro de uma visão do coletivo interior, visto “de dentro”, com base na interação com os sujeitos participantes, tendo em vista interpretarmos suas falas enquanto pesquisador implicado na produção do discurso (entrevistas individuais semiestruturadas). A Figura 12 traz as oito zonas/metodologias, com base nos quadrantes.
Figura 12 ‒ As Oito Zonas e Metodologias no Pluralismo Metodológico Integral de Wilber.
Fonte: Wilber (2006).
Vale destacar ainda que, mesmo o nosso recorte empírico-metodológico agregando as zonas 2 e 3, que na Figura 12 aparecem com as designações “estruturalismo” e “hermenêutica”, não significa dizer que a leitura dos dados tenha se filiado a estas escolas teórico-metodológicas. Nossa perspectiva mais ampla no estudo da espiritualidade é a da integralidade, aqui representada pelos quatro quadrantes e as oito zonas do modelo de Wilber. Discussões mais aprofundadas sobre estes aspectos metodológicos podem ser conferidas em Wilber (2006).
Levando em conta esta nossa posição epistemológica, também seguimos neste trabalho uma abordagem de métodos mistos (CRESWELL; CLARK, 2013). Do ponto de vista dos dados, a escolha para a mescla dos elementos qualitativo e quantitativo acompanha a ideia segundo a qual cada um deles pode ajudar a esclarecer os resultados do outro, o que casa com as horizonas escolhidas (2 e 3). Assim, utilizamos um desenho de pesquisa “paralelo convergente”, cujo propósito central é obter dados diferentes e complementares sobre o mesmo tópico. Uma de suas vantagens é a possibilidade de colher os dados de ambos os elementos mais ou menos simultaneamente, e também realizar cada uma das análises de forma independente.
Entretanto, tal projeto requer um cuidado maior para articular possíveis contradições entre os achados dos diferentes componentes (CRESWELL; CLARK, 2013). Seguindo os autores, buscamos viabilizar a concatenação dos dados a partir da escolha de um eixo temático comum, qual seja: (1) Espiritualidade; (2) Religiosidade / Fé; (3) Estados incomuns de consciência; (4) Preparação/Educação para o parto; (5) Crescimento pessoal decorrente do parto. De forma geral, entendemos que esta composição multimétodos está em concordância com o pluralismo metodológico integral (WILBER, 2006). Assim, descrevemos, no Quadro 6, os métodos adotados, relacionando-os com os objetivos específicos e nossas perguntas de pesquisa.
Quadro 6 ‒ Descrição dos métodos conforme as perguntas e objetivos da pesquisa
PERGUNTAS OBJETIVOS MÉTODOS
1. Como uma visão integral de espiritualidade poderia contribuir na humanização da assistência ao parto, dada a hegemonia do modelo tecnocrático?
1. Mapear estudos relacionados a espiritualidade e parto e apresentar um quadro-resumo
1. Pesquisa bibliográfica *Quadro-resumo
2. Como espiritualidade é significada pelos participantes da cena de parto e nascimento?
2. Compreender alguns sentidos de espiritualidade no ciclo gravídico- puerperal, via entrevista
2. Estudo de caso *Entrevistas semidirigidas *Classes, núcleos de sentido 3. Que mudanças são observadas
nas expressões de espiritualidade e nos esquemas religiosos após a experiência de parto, em três contextos distintos da assistência?
3. Caracterizar possíveis variações nos índices das expressões de espiritualidade, em função de variáveis demográficas, obstétricas, de estados etc.
3. Levantamento estatístico *Questionário Online *Tabelas comparativas