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BSA-PS Giant Amphiphiles through the direct, click chemistry mediated, coupling of polystyrene

CHAPTER II FORMATION OF GIANT AMPHIPHILES BY CLICK CHEMISTRY REACTION

II.2 R ESULTS AND DISCUSSION

II.2.4 BSA-PS Giant Amphiphiles through the direct, click chemistry mediated, coupling of polystyrene

Diante deste cenário de possibilidades ampliadas, pensando em uma possível educação mais integral para o parto, trazemos, na sequência, uma discussão sobre os sentidos de humanização, no contexto da assistência ao parto e nascimento, procurando evidenciar alguns limites nos usos deste termo, especialmente na literatura acadêmica que se debruça sobre ele, com vistas a oferecer um sentido de humanização enraizado na educação, pensada enquanto formação humana.

A pesquisadora médica Carmen Simone Diniz (2001; 2005), uma das pioneiras no estudo da humanização do parto no Brasil, com base em seu trabalho de doutorado, levantou vários sentidos do termo “humanização”, levando em conta a prática obstétrica e o movimento social que vem buscando “humanizá-la”. Segundo

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Como já dissemos, para Wilber, holarquia constitui a hierarquia natural do mais simples ao mais complexo.

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ela, os sentidos revelam uma reivindicação de legitimidade do discurso por grupos sociais que ora convergem, ora divergem em suas perspectivas. Além disso, há uma superposição de sentidos que também emerge nos discursos, os quais foram, pela autora, assim resumidos:

a) Humanização como a legitimidade científica da medicina, ou da assistência baseada na evidência (evidence-based, orientada pelo conceito de tecnologia apropriada e de respeito à fisiologia) […]

b) Humanização como a legitimidade política da reivindicação e defesa dos direitos das mulheres (e crianças, e famílias) na assistência ao nascimento. Uma assistência baseada nos direitos (rights-based), demandando um cuidado que promova o parto seguro, mas também a assistência não-violenta, relacionada às idéias de “humanismo” e de “direitos humanos”, dando às usuárias inclusive o direito de conhecer e decidir sobre os procedimentos no parto sem complicações [...]

c) Humanização referida ao resultado da tecnologia adequada na saúde da população. Além dos melhores resultados nos indivíduos de uma assistência apropriada, esse resultado é visto em sua dimensão coletiva. A reivindicação de políticas públicas no sentido de uma legitimidade epidemiológica, ou de saúde pública.

d) Humanização como legitimidade profissional e corporativa de um redimensionamento dos papéis e poderes na cena do parto. Incluiria o deslocamento da função principal, ou pelo menos exclusiva, no parto normal, do cirurgião-obstetra para a enfermeira obstetriz – legitimado pelo pagamento desse procedimento pelo Ministério da Saúde.

e) Humanização referida à legitimidade financeira (sic) dos modelos de assistência, da racionalidade no uso dos recursos. Esta

racionalidade é argumentada tanto como desvantagem

(economia de recursos e sonegação do cuidado apropriado para as populações carentes, uma “medicina para pobres”), quanto como vantagem (economia de recursos escassos, propiciando um maior alcance das ações e menos gastos com procedimentos desnecessários e suas complicações).

f) Humanização referida à legitimidade da participação da parturiente nas decisões sobre sua saúde, à melhora na relação médico-paciente ou enfermeira-paciente – ênfase na importância do diálogo com a paciente, inclusão do pai no parto, presença de doulas (acompanhantes de parto), alguma negociação nos procedimentos de rotina, a necessidade da gentileza e da “boa educação” na relação entre instituições e seus consumidores.

(DINIZ, 2005, p. 633-634)

Como podemos ver, estes sentidos de humanização, trazidos pela autora, atravessam vários aspectos importantes de legitimação desta proposta de mudança do modelo de assistência dominante. Porém, destacamos que nenhum deles

significa humanização por um aspecto de legitimidade existencial, no sentido de trazer à tona o impacto transformativo sobre a vida das pessoas, a partir do ciclo gravídico-puerperal, especialmente do parto/nascimento. O foco mais próximo do sujeito remete à perspectiva de autonomia, “participação nas decisões sobre sua saúde”, “direitos das mulheres (e crianças e famílias)” (DINIZ, 2005, p. 634).

Por outro lado, Bourguignon (2014, p. 85) observa que “saber e poder atravessam o discurso sobre humanização, servindo para determinar qual ocupação detém a competência para uma assistência mais humanizada”. Em sua dissertação, a autora identificou que, no âmbito acadêmico, lócus privilegiado de legitimação dos discursos, o discurso pela humanização do parto e nascimento trabalha no sentido de desconstruir o lugar médico da cena de parto, dada a hegemonia, historicamente construída, desta categoria profissional.

Neste sentido, Diniz (2001) pontuou que a chamada Medicina Baseada na Evidência científica (MBE) partiu, em grande medida, da Iniciativa Cochrane, um esforço internacional de grupos de pesquisa para revisar e divulgar estudos científicos em todas as especialidades médicas, a fim de averiguar a efetividade e segurança dos procedimentos até então utilizados sem evidências de benefícios para a população. Segundo Bourguignon (2014, p. 117, grifos nossos), “[…] A iniciativa homenageou o epidemiologista Archibald Cochrane, o qual afirmava que a medicina orientava-se por ‘10% de evidências científicas e 90% de pajelança’”. Percebemos, assim, desde a origem, uma referência pejorativa38 a processos de cura que fogem da lógica formal da ciência positivista.

Na mesma direção seguem os comentários de Santos (2002), que mesmo valorizando os avanços da MBE, assevera uma importante limitação, qual seja, o viés do pesquisador.

Dentro do paradigma tecnocrático a Medicina Baseada em Evidências é considerada como um grande avanço sobre outras formas menos “científicas” de abordar o uso de tecnologia, rotinas e procedimentos, no entanto os seus críticos lembram a recusa em aceitar e levar em consideração na análise dos resultados a influência do observador sobre a pesquisa. (SANTOS, 2002, p. 168).

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Pejorativa e colonialista, afinal Cochrane era escocês, sofrendo influências do imperialismo britânico. http://pt.wikipedia.org/wiki/Archie_Cochrane

Outro pilar importante, constituinte das bases epistemológicas das pesquisas em defesa do “paradigma da humanização”, refere-se ao Movimento Feminista. Em sua tese, Diniz (2001, p. 50-57) enumera as contribuições desse movimento para o questionamento das concepções e práticas obstétricas vigentes: a) “[...] a crítica à

compreensão naturalizada da reprodução e da sexualidade, tratadas como

dimensões biológicas da esfera privada da vida dos indivíduos, como se nessa cena não se inscrevessem relações de poder, hierarquia, violência”; b) o questionamento das “[...] bases históricas e políticas da concepção do feminino como ‘fisiologicamente patológico’”; c) “[...] a busca das dimensões relativas à sexualidade e ao prazer sexual na discussão sobre a reprodução”, o que implica em compreender “o parto como uma função sexual normal das mulheres”; d) a concepção de parto como “[...] um ritual transformativo para todos, ainda que centralmente da mulher e da família, seja ela nuclear ou não, em que as

identidades de gênero, entre outras, são transformadas e renegociadas”

(BOURGUIGNON, 2014, p. 119, negrito nosso). Neste caso, apesar da referência a uma transformação, o foco recai sobre um aspecto da perspectiva coletiva (quadrante cultural do modelo de Wilber), tendo em vista readequações nas visões de mundo e valores intersubjetivos.

Continua Bourguignon (2014), problematizando o discurso da humanização do parto, que esse discurso é constituído por uma trama retórica, sugerindo que a assistência propicie à mulher o encontro com sua condição fisiológica para dar à luz. Deste entendimento surgem caracterizações de retorno à natureza, considerando a possibilidade de um “fisiológico” sem um aprendizado, sem uma educação para o corpo (RIFFEL, 2005), sem a cultura (TORNQUIST, 2004). Assim, afirma a autora que

Como evento sociopolítico, o parto e o nascimento na atualidade são eventos biomédicos e biopolíticos. Para que uma mulher atinja, no sistema de saúde brasileiro, a condição para ter um parto vaginal, ela deverá ser inspecionada e examinada constantemente para se aferir se a gestação enquadra-se no definido como normal, de baixo risco. [...] É somente após essas etapas essencialmente biomédicas que a mulher pode ter acesso ao que as autoras de referência da humanização chamam de “parto normal desmedicalizado”. É também após esse controle dos riscos que a mulher recebe a chancela para ser “protagonista” do seu parto. [...] Diferente do que propõem alguns estudiosos da assistência obstétrica, entendemos que os avanços históricos da biomedicina configuram a superfície de emergência do discurso de humanização do parto. Ainda que o discurso de humanização combata o denominado “modelo biomédico”, as

concepções de “fisiologia do parto”, “protagonismo da mulher”, “mínimo de intervenções”, “desospitalização” só tem a possibilidade de se concretizar na vida da parturiente, após a chancela biomédica e médica de que a gestante está no grupo de 85% da população feminina cuja gestação pode ser classificada como de baixo risco (BOURGUIGNON, 2014, p. 126-129).

Ainda segundo a autora, mesmo havendo uma crítica severa ao ambiente hospitalar, posto que é o lócus do domínio médico da cena de parto, o discurso da humanização não é oposto a ele, mas tenta modificar sua lógica de funcionamento, propondo modificações em seus processos institucionais, arquitetura etc., e a criação de centros de parto normal para a institucionalização do novo modelo de assistência. Ao mesmo tempo, sustenta a possibilidade de partos e nascimentos domiciliares, desde que mediante a opção informada da mulher. Além disso, “no ideário do movimento, parir na vertical é um símbolo de empoderamento, indicando o poder de decisão da mulher sobre seu corpo, o que muitas vezes é referido no discurso da humanização como 'parir lindamente'” (BOURGUIGNON, 2014, p. 138).

Na visão da autora, a tática retórica parece sempre remeter a um jogo de opostos, onde se diferencia entre dois modos de conceber o parto e a assistência obstétrica: “modelo da humanização contra modelo tecnocrático, modelo feminino versus modelo médico hegemônico, modelo medicalizado contra modelo desmedicalizado” (BOURGUIGNON, 2014, p. 144-145). Neste sentido, o termo humanização remete a um novo tipo de assistência ao parto e nascimento, carreando em sua semântica características derivadas da concepção humanitas. “Trata-se de uma ideia indefinida e flexível que estabelece um critério crítico de diferenciação à Obstetrícia, propõe uma educação para mulheres e profissionais de saúde, uma ênfase no estudo sobre a natureza do ciclo gravídico puerperal” (BOURGUIGNON, 2014, p. 148, negrito nosso), ligando-se à defesa da ciência como princípio da prática e ao diálogo com o humanismo, presente na formação ética das profissões envolvidas, sobretudo da Medicina e da Enfermagem.

Na perspectiva de estabelecer-se enquanto paradigma ou modelo, o discurso científico da humanização parece criar certa figura idealizada do parto saudável e da

mulher protagonista e feliz com a experiência. Essa figura do parto ideal consubstancia-se no resguardo do direito a toda mulher ter a oportunidade de conhecer as possibilidades de parir e escolher como deseja o seu parto.

Também é digno de nota as referências que as ativistas do movimento no Brasil fazem para estabelecer figurações do discurso, sínteses que permitem compreender essa mulher e esse parto: ênfase em citações a divindades antigas (Ártemis, Deméter, Ísis etc.), mulher é figurada como uma deusa, imagens representando a placenta como árvore da vida, associação a medicina oriental e indígena, práticas e técnicas de ioga e shantala, imagens de mulheres grávidas com mensagens escritas no ventre (“esse parto é meu, esse corpo é meu”), proliferação de vídeos com partos considerados humanizados. “[...] Essa vinculação ao holístico, ainda que atenuado, também aparece em teses e dissertações, e demonstram como se constitui uma estética do parto e nascimento que extrapola a produção acadêmica e a influência na busca por conhecimentos que, paradoxalmente, muitas vezes são chancelados pela ciência ocidental. Essas características reforçam aspectos do movimento ecológico que influenciam fortemente a visão de parto e nascimento proposta pela humanização, visão que inclusive é criticada por correntes do feminismo (BOURGUIGNON, 2014, p. 169- 170).

Além da crítica à MBE, refletida na invisibilidade do observador (SANTOS, 2002), e um certo essencialismo da condição feminina, supostamente carreada por um “movimento ecológico”, outra limitação do discurso de humanização, segundo Bourguignon (2014, p. 191) é que “[...] Humanização, como a própria palavra sugere, é uma forma de educação, de pastoral, de controle para a civitas (RIFFEL, 2005) [...]”. Ao mesmo tempo em que se coloca como discurso por uma prática mais individualizada, singularizada, através das normativas dele decorrentes, a exemplo do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (BRASIL, 2002), ele também opera na adoção de medidas de ordem estrutural, gerencial, financeira e educativa, na perspectiva de propiciar um parto verdadeiramente humanizado. “Dirigida ‘sobretudo às mulheres carentes’, tais medidas produzem e impõem formas ‘humanizadas’ de parir, ao ordenar à população para que siga as normas do programa e entrem no ‘compasso’ [...]” (RIFFEL, 2005, p. 89).

Neste sentido, parece haver algo de prescritivo nessa concepção de humanização como educação, controle civilizatório, ainda que, ao mesmo tempo, destaque-se a valorização do sujeito autônomo, capaz de fazer “suas” escolhas. Assim, a nosso ver, há um limite para esta autonomia, esta liberdade de escolha da mulher, e esses limites são postos pelo caráter biomédico “baseado em evidências”, que a proposta do discurso de humanização sustenta, atacando sobretudo a questão do chamado risco obstétrico. Ou seja, para uma mulher obter a chancela de apta a um parto humanizado, é preciso ser classificada como de ‘risco habitual’. Só a partir daí, ela poderá escolher.

Outra crítica importante ao discurso de humanização, igualmente baseada em Foucault, é feita por Cavalcanti (2014), desta feita a partir do cinema documentário. Apesar de reconhecer uma “complexa revolução micropolítica no plano da subjetividade”, e valorizar um conjunto de experiências positivas ligadas à “partilha de saberes, de vivência e espiritualidades” (CAVALCANTI, 2014, p. 136, grifos no original), a autora observa

[...] uma não ruptura do modelo humanizado com as necessidades econômicas sobre as quais o discurso se produz na medida em que os mesmos elementos que deram lugar à emergência histórica da retórica higienista (industrialização, capitalismo monopolista industrial, consolidação do estado nacional e legitimidade da medicina como científica) estão presentes no nascimento da retórica da humanização (informacionalismo, capitalismo de mercado, racionalidade de governo mínimo e Medicina Baseada em Evidências).

Diante destas interpretações biopolíticas, com base na arqueologia foucaultiana de Bourguignon (2014), entendemos que as noções que permeiam o discurso da humanização do parto e nascimento ficam operando entre epistemologias empírico-positivistas (ex.: Medicina baseada em evidências; epidemiologia) e interpretativas. Nesta direção, o que uma crítica, pautada numa perspectiva clínica, poderia tentar resgatar? Uma abordagem mais fenomenológica

que desse conta de aspectos, presentes numa assistência mais “humanizada”, e que o modelo biomédico-racionalista parece não dar.

É nesta brecha que enxergamos um lugar para a intuição, ou “função transcendente” (NOGUEIRA, 2013a, p. 105), por meio da qual se ascende a sentidos humanos mais profundos, a partir de níveis mais sutis de consciência, sendo campo profícuo para uma reflexão envolvendo espiritualidade e educação. Neste sentido, Nogueira (2013a, p. 104), ao tematizar a problemática mente-corpo na análise dos paradigmas da assistência, discute a questão da identificação do ideário da humanização do parto com a necessidade de acumulação de informações, tendo em vista o empoderamento feminino, e com ele, a realização da experiência desejada.

[...] No movimento de mulheres o paradigma da separação mente- corpo triunfa na crença segundo a qual basta dar informações cientificamente embasadas para “empoderar as mulheres”, o que reflete sua identificação com o neo-córtex, ou seja sua alienação do corpo como organismo complexo e psíquico. Quando, baseadas em informações e força de vontade, as mulheres não conseguem o parto dos sonhos elas são responsabilizadas e acusadas de “não ter quisto o suficiente”.

Este tipo de ambiguidade existe porque se tenta criar uma conexão mente-corpo dentro do antigo paradigma, que é o da separação, daí as tentativas desengonçadas e mecânicas de unir as duas dimensões. Essa situação é evidente seja nas práticas que visam humanizar o serviço hospitalar como, entre as mulheres, na forma de lidar com as emoções como sendo algo distinto do “núcleo verdadeiro” da pessoa (que seria sua identidade e vontade conscientes). [...]

Podemos, assim, esboçar uma concepção de humanização enquanto uma tentativa de acolher e tornar o humano mais humano. E para isto, é fundamental um olhar mais integral à assistência ao parto; um olhar que abranja as evidências científicas, através dos guidelines, por exemplo, porém sem perder de vista um olhar clínico mais individualizado, personalizado, que inclua as necessidades específicas de cada mulher e seu contexto familiar, incluindo sua espiritualidade. Da mesma forma, nesta linha, também se mostra relevante considerar os sentidos negociados no discurso entre esta mulher (ou o casal, a família) e os profissionais da

assistência, considerar uma abertura a outras racionalidades de atenção e cuidado que contribuam para significar o “espiritual”, a seu modo.

Assim, é nesta conjugação entre sentidos libertários (intersubjetivos), secundados por boas práticas ancoradas em evidências empíricas (objetivas e interobjetivas), refletindo em bem-estar existencial e processos de crescimento pessoal (subjetivos) decorrentes do evento parturitivo, que está o nosso sentido de humanização do parto. Dessa maneira, compreendemos o parto enquanto momento formativo, oportuno para promover transformação de vida, desenvolvimento humano. A partir desta perspectiva de uma humanização integral, esperamos que os humanos se tornem mais humanos, um pouco mais autorealizados ou desenvolvidos em suas potencialidades. Isto vale tanto para o ser (bebê) que está chegando quanto para os adultos envolvidos. De modo que, não-humanização neste caso significaria um verdadeiro desperdício da experiência envolvendo o ciclo gravídico- puerperal.