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Les structures architectoniques dans les basiliques romaines à l'époque de Constantin

Dans le document ANASTASIS Research in Medieval Culture and Art (Page 135-138)

DANS LE RITE ROMAIN MÉDIÉVAL Daniel Iacobuţ

LA CROIX ET SON LIEU CONSACRE DANS L'EGLISE, UNE LECTURE MYSTAGOGIQUE DE L'ESPACE

1. Pergula/templon comme espace de séparation et de communion à l'intérieur de l'espace ecclésial

1.1 Les structures architectoniques dans les basiliques romaines à l'époque de Constantin

Rudolf Otto, em sua obra “O Sagrado” (1992), afirmava que a dimensão do sagrado, enquanto essência da religião, possui ao mesmo tempo a característica do “tremendum et

fascinans”. Enquanto “tremendum”, exerce temor e poder, de forma mesmo violenta. Enquanto

“fascinans”, tem caráter santo, gerando adesão e coesão (OTTO, 1992). Mircea Eliade, em “O

Sagrado e o Profano” (1992), afirma que a manifestação do sagrado (hierofania) gera ritos e

mitos que fundamentam o sacrifício, isto é, o sagrado e sua ordem exercem seu poder de forma violenta e fascinante sobre as pessoas humanas. Se seu funcionamento supõe fé, adesão e fascínio, a autocompreensão secular do capitalismo explicita sua real condição? Então, esta breve aproximação torna possível afirmar o capitalismo como religião? Somente entendemos essa relação analisando-a no quadro maior de referências da Modernidade e na complexidade da compreensão da religião no mundo moderno.

Procuramos demonstrar que nas ciências humanas constitui-se um senso comum de que seria evidente a distinção radical de campos entre economia e religião como uma formulação básica do pensamento moderno. Consolidou-se a tese de que a sociedade moderna se caracteriza pela irrelevância da dimensão religiosa. Também consolidou-se a derivação considerada lógica de que, se o capitalismo é um sistema econômico moderno, é secular e distinto da religião. Baseado nessas premissas, excluem-se a priori as propostas de estudo do “capitalismo como religião”. Superar esse contrassenso supõe debater o paradigma moderno.

Desse modo é significativo que um pensador crítico da Modernidade como Walter Benjamin proponha essa associação que pressupõe uma análise das contradições entre a autocompreensão da Modernidade sobre a distinção da vida em subsistemas autônomos e as formas em que, em seu funcionamento, um sistema econômico assuma características religiosas. Esta mesma crítica está presente no pensamento latino americano em um setor da Teologia da Libertação que identificamos como “Escola do DEI”.

Em síntese, por um lado, o pensamento crítico das ciências humanas modernas se compreende como adversa ao religioso, mas também há setores deste mesmo pensamento crítico que questionam esta lógica típica da Modernidade. O questionamento deste pressuposto inicia-se não no âmbito das teorias analíticas, mas na sensibilidade frente às vítimas que o sistema capitalista produz ao impor-se como única forma humana de existir. Consta-se que o capitalismo produz sistematicamente dominação, exploração, exclusão social e muitas vezes mata muita gente em sua dinâmica de funcionamento. Um sistema que se sustenta entre um Estado social mínimo, um Estado penal máximo e a criminalização da pobreza, no controle dos excluídos gera potencialmente desespero. Surgem amplas mobilizações que desvelam a insatisfação com a “normalidade” cotidiana da violência, que constituem um contínuo “estado de exceção” (BENJAMIN). Mas esta insatisfação não significa um rompimento com a legitimidade do capitalismo, expressando em muitos casos o desejo de participação plena no sistema.

Mesmo frente aos dados da realidade que demonstram a crueldade social do Capitalismo, o terror da violência e o horror frente às suas vítimas não diminuem a força e legitimidade do sistema, que continua a produzir fascínio e adesão. São duas faces que, opostas, se articulam unidas. É uma expressão da ambiguidade na qual a violência e exclusão estão relacionadas a um irresistível fascínio que mantém o desejo de participar, uma adesão que o reforça. A força mobilizadora que fascina as pessoas para sua adesão ao modo de vida capitalista estaria relacionada com o poder de sedução da mercadoria, pelo consumo. Esta hipótese demonstraria uma modificação do “espírito do capitalismo” (WEBER) que, ao consolidar-se como sistema de acumulação na produção e consumo de mercadorias, desdiferencia (JAMESON) as dimensões modernas da vida na dimensão econômica.

Pelo consumo, a mercadoria disciplina a vida na sociedade globalizada. Surge um padrão de normalidade no consumo, que não se reduz à operação mercantil da compra e venda, mas institui uma forma de viver (MARX). Não se trata de pura razão instrumental, mas de uma racionalidade que convence e gera apostas existenciais. A lógica do consumo e da ostentação de mercadorias proporciona a distinção social, o “reconhecimento” do outro pela posse e também autoestima. Pela aquisição de bens, o ser humano deseja superar sua condição atual e realizar-se plenamente. O consumo oferece felicidade plena na superação dos limites da vida humana. Desse modo, as relações de consumo não são apenas relação econômica, mas possuem uma dimensão espiritual (SUNG). É uma dimensão simbólico-religiosa que assegura o aspecto fascinante do sistema. Teríamos um funcionamento que questiona o pressuposto de autocompreensão moderna de seu carácter antirreligioso. Seria um resultado do próprio

fetichismo da mercadoria, que não é um simples bem, mas articuladora de aspirações, sucesso, felicidade e outros valores que concedem ao seu consumo um aspecto transcendente, fascinante, espiritual. No entanto, esta mesma mercadoria é a expressão concreta do caráter violento do sistema produtivo, seja pela objetivação do trabalho, seja a exploração econômica de seu verdadeiro valor (custo), na relação de exploração do centro sobre a periferia e do capital sobre a natureza.

O consumo da mercadoria, em sua dimensão fascinante, oculta a sua dimensão violenta. Como vimos na teoria de Bauman, é uma atração que elege e redime, mas também julga, condena e exige seus sacrifícios. Se não se adequar à normalidade capitalista é um comportamento criminoso, recebe tratamento cada vez mais cruel e sangrento, que reforça o quadro de desespero. Uma economia que se organiza pela concorrência sempre gera seus derrotados, como resultados sombrios de sua lógica.

Se o desespero é sensação generalizada, a violência e morte contra aqueles que não realizam o ideal do consumo são vistas como uma violência legítima, exemplar, necessária. Fascinados pelo feitiço do consumo, essa exploração, exclusão ou morte são consideradas como justas, legítimas e, ainda, como progresso e científico. São “sacrifícios necessários”, sempre considerados metáforas do funcionamento do sistema capitalista. Rigor, austeridade, esforços, sacrifícios, disciplinas, medidas doloridas estão associados às promessas de futuro, em que a expiação conduz à redenção. Uma lógica de sacrifício racionalizada de modo “laico e secular”? Ou o espírito do capitalismo produz uma aposta de fé que o legitima e, ao mesmo tempo, é onipresente e invisível?

Não se limita a metáforas, pois corresponde a uma lógica de funcionamento. Duvidar das promessas capitalistas, como do progresso e da realização humana pelo consumo, é demonstrar falta de fé, questionando não apenas a eficácia do modo de produção, mas também as categorias epistemológicas que o explicitam como racional. É uma crise de fé, que supõe uma crise na confiança na normalidade do sistema capitalista. Para compreender a contradição interna entre negação da relevância da religião (e sua radical distinção da economia) e uma lógica de funcionamento marcadamente religiosa, analisaremos alguns dos marcos teóricos da Modernidade que gera o quadro referencial da epistemologia que a critíca. Por isto, vamos rever o que constitui a Modernidade (realidade histórica e sua compreensão filosófica), bem como o paradigma da secularização, associado aos conceitos de desencantamento, laicidade e de utopia.

Dans le document ANASTASIS Research in Medieval Culture and Art (Page 135-138)