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Dans le document Groupe Minoteries SA RAPPORT DE GESTION (Page 92-101)

A construção civil é uma das atividades mais antigas que se tem conhecimento e desde os primórdios da civilização foi realizada de forma artesanal, gerando desde aquela época, grande quantidade de entulho. Na época das cidades do Império Romano tal situação já despertou atenção e datam daí os primeiros registros da reutilização de resíduos minerais da construção e demolição para a construção de novas obras. (LEVY, 1995).

Existem relatos do final da Segunda Guerra Mundial, onde cidades europeias após serem devastadas, reutilizaram os destroços como agregados no concreto para reconstruir as cidades e seria essa a primeira aplicação significativa de agregado reciclado. Assim, pode-se dizer que foi a partir de 1946 que deu-se o início da reciclagem de entulhos da construção civil. (WEDLER; HUMMEL, 1946 apud LEVY, 1995).

Os resíduos da construção e demolição (RCD) representam de 13% a 67% em massa, dos resíduos sólidos urbanos, no mundo, e cerca de duas a três vezes a massa de resíduos domésticos (JOHN, 2000). De acordo com Angulo et al. (2002), no senso do IBGE de 2002, no Brasil, estimou- se uma geração de 68,5 milhões de toneladas/ano de RCD para uma população urbana de 137 milhões de pessoas.

As experiências nacionais e internacionais indicam que, quando ignorados pelas administrações públicas, os RCD acabam sendo depositados ilegalmente na malha urbana (EC, 2000 apud JOHN et al., 2006). Essa deposição acaba sendo responsável pela degradação da paisagem urbana e também da saúde da população e do ambiente, devido ao assoreamento de rios, entupimento de bueiros, degradação de áreas urbanas e proliferação de escorpiões, aranhas e roedores. (PINTO, 1999).

______________________________________________________________________________ Muitos países, e até cidades brasileiras, como Belo Horizonte, investem num sistema formal de gestão dos resíduos urbanos, onde há mecanismos que tratam especificamente dos RCD. (JOHN et al., 2006). No Brasil, para regulamentar a situação dos resíduos da construção civil (RCC), o CONAMA aprovou no ano de 2002, a Resolução n° 307 que define os RCC como:

[...]são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. (CONAMA, 2002)

A resolução também define os aterros destinados para os resíduos classe A, as áreas de transbordo e triagem de resíduos, gerenciamento de resíduos e gestão, além de atribuir responsabilidades aos geradores, transportadores e gestores municipais. Aos municípios cabe a definição de políticas municipais para o RCD, incluindo sistemas de pontos de coleta. Dos construtores, exige a definição de planos de gestão de resíduos para cada empreendimento. (JOHN et al., 2006). Ela também classifica os resíduos em classe A, B, C e D, sendo as classes A e B recicláveis.

Os resíduos classe A são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: os oriundos de construções, demolições, reformas e reparos em: pavimentação e outras obras de infraestrutura, inclusive solos de terraplenagem; edificações, sendo componentes cerâmicos (tijolos, telhas, placas de revestimento, etc), argamassa e concreto. E, de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meio-fios, etc) produzidas nos canteiros de obras. (CONAMA, 2002).

Os resíduos classificados como B, são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas imobiliárias e gesso. Os classe C são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam sua reciclagem ou recuperação. E, por fim, os classe D, são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros ou os que foram contaminados ou prejudiciais à saúde provindos de demolições, reformas ou reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e

demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros que sejam nocivos à saúde. (CONAMA, 2002).

A geração de RCD só tende a crescer, de 2011 a 2012 o volume de RCD coletado pelos municípios aumentou 5,3%, que é cerca de três vezes mais do que o crescimento registrado na geração de resíduos sólidos urbanos (RSU). Esse crescimento é preocupante, visto que além desse valor registrado, há os resíduos que não estão sob coordenação dos municípios, não sendo contabilizados. (ABRELPE, 2012). Sendo assim, buscar métodos para reaproveitamento desse material é fundamental.

Os agregados reciclados são classificados como: agregados de concreto, alvenaria e misto (ABNT, 2004) com o objetivo de facilitar o emprego dos agregados de concreto na produção. (JOHN et al, 2006).

Os RCD podem se originar de três formas, conforme segue Figura 5.

Figura 5: Formas de geração do RCD

Fonte: Adaptado de Inojosa (2010)

No Brasil, ainda predomina a construção artesanal e isso contribui para a existência de perdas consideráveis de materiais e mão de obra. (VIDAL, 2014). De acordo com Pinto (1999), a intensidade da perda de material gira em torno de 20 a 30% da massa total, dependendo da qualidade da tecnologia do construtor.

______________________________________________________________________________ Nos países mais desenvolvidos, a quantidade gerada de resíduos a partir de construções novas é menor do que o gerado a partir de demolições, visto que obras de reformas e infraestrutura são mais comuns (PONTES, 2007).

O desenvolvimento de técnicas construtivas mais sustentáveis e um maior controle durante as construções interferem diretamente na quantidade de resíduos gerados. Porém, mesmo com um grande controle e técnicas avançadas, a geração de resíduos vai continuar existindo, pois resíduos oriundos de demolições não dependem do processo construtivo ou qualidade da obra, eles são inerentes ao processo de demolição. (MORAIS, 2006).

A composição do RCD é diferente em cada país e Pinto (1999) atribui as diferenças à diversidade tecnológica construtiva empregadas. Além disso, ela também varia em função da região geográfica, da época do ano, do tipo de obra, do estágio em que se encontra a obra, etc. (POON et al., 2001 apud VIDAL, 2014). Na Figura 6 são apresentadas as composições médias dos resíduos da construção civil no Brasil.

Figura 6: Composição média dos RCC no Brasil

Fonte: (TECHNE, 2001 apud VIDAL, 2014)

Vidal (2014) cita que de maneira geral, a grande maioria dos resíduos de construção e demolição possuem grande potencial para serem reciclados. Henrichsen (2000) afirma que mais de 90% dos RCD podem ser reciclados.

A reciclagem do resíduo é realizada por empresa recicladora. A empresa recicladora Resicon, do município de Santa Rosa, que fornece o material para a região noroeste do Rio Grande do Sul, descreve em seu sítio eletrônico seus procedimentos para a realização da reciclagem. Os procedimentos realizados são divididos em etapas, após o material chegar através de caçambas de

entulho da própria recicladora ou diretamente dos usuários, inicia-se a etapa de triagem do RCC, onde o material é separado. O que não é classe A é separado do montante. A etapa de reciclagem é iniciada, o material classe A, ou caliça, é derrubado em uma tulha e uma mesa vibratória. Desta mesa vibratória resulta um material fino, como areia e terra misturados ao RCC. Após, o resíduo é conduzido por esteiras até o britador que reduz o resíduo em várias granulometrias. Do resíduo britado podem resultar pequenos fragmentos de ferro, e os mesmos são retirados através de um separador magnético.

O RCC ou RCD britado passa por peneiras, separando suas granulometrias em quatro distinções:

• Rachão – material acima de 48 mm;

• Bica corrida 1 – material entre 9,30 e 48 mm; • Pedrisco – material entre 4,60 e 9,30 mm;

• Pó de pedra ou areião – material com até 4,60 mm.

Nas Figura 7 e Figura 8 tem-se alguns exemplos do material reciclado de RCD. Pode-se observar a diferença na granulometria dos materiais. Na Figura 7 é mostrado o agregado reciclado misto na granulometria “Pedrisco” e na Figura 8 é mostrado o agregado reciclado de concreto na granulometria “Pó de pedra”.

Figura 7: RCD misto na granulometria de pedrisco

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Figura 8: RCD de concreto na granulometria pó de pedra

Fonte: Autoria própria

Na Figura 9 pode-se observar a diferença entre o RCD misto e o RCD de concreto, ambos na granulometria “pedrisco”.

Figura 9: Lado esquerdo: RCD misto; Lado direito: RCD de concreto

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