Chapitre III : la commande par DTC de la machine asynchrone double étoile
III.14 Structure générale de la DTC appliquée à la MASDE
De acordo com a abordagem dinâmica da perspectiva ecológica, não é através da consistência ao longo do tempo que os efeitos desenvolvimentais do temperamento se fazem sentir (Bronfenbrenner,
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exhibited early in life that then evoke differential patterns of response from the environment.” (ibd.,
p.134). Segundo esta perspectiva, as características que distinguem uma pessoa num dado momento no tempo, mais do que assegurar traços psicológicos inalteráveis ao longo da vida, provavelmente incentivam mudança desenvolvimental progressiva numa direcção particular, dependendo da resposta ambiental (Wachs, 2000). Assim, as características do temperamento não são intrinsecamente positivas ou negativas, podendo funcionar como factores de risco ou de protecção, dependendo do contexto.
Ao realçar a importância de considerar características pessoais no estudo dos processos de desenvolvimento Bronfenbrenner (1993) propôs o conceito de características desenvolvimentalmente
instigadoras como um conjunto de atributos pessoais que têm um potencial diferente para influenciar
o crescimento psicológico subsequente. Estes atributos pessoais distinguem-se por uma ou ambas das seguintes características – a primeira característica são qualidades pessoais (Pedidos) que convidam ou desencorajam reacções do ambiente (e.g., um bebé exigente versus um bebé alegre; responsividade social versus evitamento); a segunda característica (Forças) refere-se a qualidades que implicam uma orientação activa e interacção da criança em relação ao meio (e.g., exploração motora e visual; prontidão para procurar e manter relações com outras pessoas). Ambos os tipos de características desenvolvimentalmente instigadoras, ao manifestarem-se ao longo do tempo em contextos particulares, evocam padrões complementares de feedback ambiental, dando origem a trajectórias desenvolvimentais que manifestam uma certa continuidade ao longo do tempo. Esta continuidade que também se verifica para diferentes locais “. . . manifesta-se na forma consistente como a pessoa varia o seu comportamento
em função da situação.” (Bronfenbrenner, 2005, p.136). O resultado deste processo interactivo é um
repertório pessoal de disposições em evolução, baseadas no contexto, que é notório ao longo da vida da pessoa e que constitui aquilo que reconhecemos, ao longo dos anos, como a personalidade da pessoa. Este processo sinergético de desenvolvimento apresenta características idênticas aos mecanismos envolvidos no modelo de “goodness-of-fit” (Thomas & Chess, 1977, 1981, 1989; Lerner, 1989) segundo o qual os problemas emocionais e comportamentais da criança podem ser explicados por um mau ajustamento entre as características de temperamento da criança e os pedidos do meio, e que foi sintetizado por Bronfenbrenner (2005) como um princípio que descreve o papel dos atributos da pessoa para o seu próprio desenvolvimento:
Os atributos da pessoa que mais provavelmente moldam o curso do desenvolvimento são formas de comportamento ou crenças que reflectem uma orientação activa, selectiva e estruturante em relação ao meio e/ou que têm tendência para provocar uma reacção do meio. O termo características
desenvolvimentalmente instigadoras é utilizado para designar atributos pessoais deste tipo. O efeito destas
características no desenvolvimento depende, em larga medida, dos padrões de resposta correspondentes que evocam por parte do meio (p. 144).
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Bronfenbrenner (2005) afirma que “. . . for the researcher, this differential power in affecting
subsequent psychological growth provides a useful criterion and conceptual frame for selecting and classifying those human qualities that are especially significant for the person’s future development
(p.139).
Significado funcional do temperamento – o conceito de “goodness-of-fit”
As primeiras formulações da ideia que práticas parentais semelhantes têm diferentes consequências para crianças com diferentes características temperamentais incluem o conceito de “experiência efectiva” de Escalona (1968; citado por Rothbart & Bates, 1998) depois desenvolvido na noção de “especificidade organísmica” (Wachs & Gruen, 1982; citados por Wachs, 1987) e pelo modelo “goodness-of-fit” utilizado pela primeira vez no NYLS (Thomas, Chess, & Birch, 1968; citados por Thomas & Chess, 1981) e depois desenvolvido por Lerner e Lerner (1983; citados por Lerner, Nitz, Talwar, & Lerner (1989). Segundo estas conceptualizações, variações na medida de um resultado, tal como adaptação psicossocial, desenvolvimento cognitivo ou problemas de comportamento, são vistas como resultando de reacções diferenciais de crianças com diferentes temperamentos a práticas parentais semelhantes. De facto, a pesquisa sobre temperamento de Thomas, Chess e colaboradores foi pioneira, na medida em que ilustrou uma trajectória desenvolvimental transaccional, através da qual crianças com temperamento difícil estimulavam práticas parentais desadequadas, que, por sua vez, provocavam, posteriores perturbações comportamentais nas crianças. Estes autores mostraram ainda que, quando os pais não reagiam de forma negativa ao temperamento dos seus filhos, não se verificava esta trajectória que conduz a desvios comportamentais (Chess & Thomas, 1991; Thomas & Chess, 1977, 1981). Segundo Sameroff e MacKenzie (2003b), o aspecto descritivo do modelo transaccional emergiu destes resultados da pesquisa sobre temperamento em crianças, bem como da reinterpretação de Bell (1968; citado por Sameroff & MacKenzie, 2003b), acerca da direcção dos efeitos da investigação, ao mostrar que muitos comportamentos parentais não tinham como objectivo socializar a criança, mas antes constituíam respostas às características e ao comportamento da criança. Estas constatações também contrariaram as interpretações das teorias psicanalítica e behaviorista que consideravam as más práticas parentais como a causa para problemas nas crianças (ibd.).
Tais constatações revestem-se de uma importância acrescida, pois foi com base nestes estudos descritivos que Sameroff e Chandler (1975) propuseram os processos transaccionais enquanto parte central do desenvolvimento. À semelhança do modelo ecológico do desenvolvimento humano, estes autores viam as crianças como envolvidas em organizações e reorganizações activas, e, o que era constante no desenvolvimento de uma criança, não era um conjunto de “traços”, mas antes os processos atarvés dos quais os traços se mantinham, e que reflectiam a relação entre a criança e a sua experiência, numa variedade de contextos sociais (Sameroff & MacKenzie, 2003a).
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Como vimos, a pesquisa sobre temperamento iniciada por Thomas e Chess (1977, 1981, 1989) e colaboradores no NYLS contribuiu para reconceptualizar a socialização como um processo mutuamente interactivo e para considerar as pessoas como participantes activos no seu próprio desenvolvimento. As suas observações levaram-nos a colocar a hipótese que a criança nasce com um repertório comportamental que lhe permite moldar, de forma activa, as suas reacções aos estímulos do meio e que, ao mesmo tempo influencia as respostas dos seus educadores em interacções organismo-meio recíprocas e contínuas, de tal forma que mudanças num dos lados da interacção estão incluídas em mudanças no outro lado.
Surgem nesta linha de estudos concepções como vulnerabilidade/resiliência, tipo de actividade congénita, individualidade neonatal e o conceito de experiência efectiva proposto por Escalona (1968; citado por Rothbart & Bates, 1998). Este conceito veicula a ideia que os acontecimentos da vida das crianças só serão efectivamente experimentados por elas quando filtrados através do seu sistema nervoso central. Assim, um acontecimento terá diferentes efeitos para crianças com temperamentos diferentes, sendo que a codificação objectiva dos acontecimentos ambientais não capta informação essencial acerca da reacção efectiva da criança a esses acontecimentos.
Os resultados desta linha de pesquisa têm contribuído para o reconhecimento que, desde muito cedo, as crianças diferem em qualidades tais como responsividade às estratégias parentais, capacidade de controlar a sua reactividade emocional e capacidade de provocar prazer ou angústia aos seus pais (Putman et al., 2002) o que levou a perspectivar o temperamento na primeira infância como regulando e sendo regulado pelas acções dos outros desde as primeiras horas de vida (Rothbart, 1989a).
Podemos considerar que esta abordagem do temperamento se enquadra nas perspectivas desenvolvimentais sistémicas, na medida em que assume a natureza transaccional dos processos proximais. Na compreensão da natureza de tais processos transaccionais, Scarr (1992) sublinha a importância de evitar a equívoco de considerar que, porque as características individuais das crianças podem influenciar o seu ambiente subsequente, todas as influências ambientais são devidas à variabilidade nas características individuais. Nesta perspectiva Wachs (2000) sublinha que a influência das características individuais no ambiente próximo subsequente tem uma natureza probabilística. Por exemplo, embora crianças com um temperamento difícil tenham mais probabilidades de provocar reacções negativas nos seus pais, outras influências tais como o nível de ansiedade dos pais, a experiência que estes têm com educação de crianças e a sua preferência por certas características individuais da criança, podem acentuar ou atenuar as ligações entre um temperamento difícil e o ambiente (Slabach, Morrow, & Wachs, 1991). Além disso, embora as características individuais possam influenciar a natureza do ambiente subsequente da criança, as mudanças ambientais podem, por sua vez influenciar o desenvolvimento subsequente das características individuais (Wachs, 1996). Por outro lado, características
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ambientais próximas podem ter efeitos acentuadamente diferentes, dependendo das características do indivíduo (Wachs, 2000). Segundo estas perspectivas, o carácter probabilístico do desenvolvimento é acentuado pelo facto de o contexto ser conceptualizado como sendo composto por níveis múltiplos e qualitativamente diferentes (e.g., o interno-biológico, o individual-psicossocial, o externo-físico e o sociocultural) (Riegel, 1975, 1976; citado por Lerner, 2002). Assim, embora a pesquisa tenha fornecido evidência empírica acerca das bases genéticas do temperamento, Bates (1989a) realça a importância de considerar padrões temporais de acção dos genes, bem como a influência plausível dos ambientes pré e pós-natal no sistema nervoso central e nos sistemas comportamentais. Reconhecer a base genética de alguns traços de temperamento não inviabiliza a adopção de uma perspectiva sistémica, segundo a qual a organização comportamental pode ser considerada mais emergente do que programada, sendo que o código genético apenas molda os contornos gerais e os parâmetros iniciais das respostas individuais às condições ambientais (ibd.).
A teoria do temperamento desenvolvida por Thomas, Chess e colaboradores com base nos dados do NYLS, baseia-se num nível puramente descritivo, na medida em que as categorias de temperamento por eles identificadas têm uma fundamentação empírica e não são desenvolvidas a partir de conceitos neurobiológicos, neuroquímicos ou psicofisiológicos colocados à priori. Para estes autores, embora o temperamento tenha bases biológicas, é passível de modificações a nível individual, por acção do meio. A análise empírico-indutiva de dados descritivos do comportamento de crianças (seguidas desde os 2-3 meses até à idade adulta), contendo dados de observações e de entrevistas, resultou na definição de nove categorias de temperamento: (a) Qualidade do Humor; (b) Ritmo (regularidade de funções biológicas); (c) Aproximação/Retraímento (resposta positiva versus negativa a uma nova situação, pessoa ou exigência ambiental); (d) Adaptabilidade a uma exigência de mudança num padrão comportamental estabelecido; (e) Intensidade de Reacções; (f) Limiar de Responsividade; (g) Nível de Actividade (nível de energia motora); (h) Distractibilidade; e (i) Atenção e Persistência em tarefas difíceis. Com base nas cinco primeiras dimensões os autores identificaram três padrões de temperamento, nomeadamente crianças “difíceis”, crianças “fáceis” e crianças “slow-to-warm up”28. “Dificuldade” descreve um
pólo de um cluster incluindo humor negativo, evitamento, dificuldades de adaptação, intensidade de respostas elevada e baixa regularidade, sendo o pólo oposto desta medida descrito como “fácil”, ao passo que “slow-to warm-up” descreve crianças mais lentas na adaptação e com tendência a reagirem negativamente perante novos estímulos, mas que, com o tempo, acabam por apaziguar as suas respostas negativas e por revelar outras mais positivas (cf. Thomas & Chess, 1981; Chess & Thomas, 1991).
Ao contrapor este tipo de teorias descritivas do temperamento com as teorias causais, anteriormente referidas, que tentam explicar o temperamento, Hofstee (1991) conclui que a tarefa dos investigadores
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na área da personalidade e do temperamento é, antes de tudo, descrever e não explicar. Este autor salienta ainda que assumir uma ou outra destas duas estratégias – explicação ou descrição – tem consequências a nível teórico e a nível prático: para os investigadores biologicamente orientados é importante não cair numa atitude reducionista, que consiste em reduzir o fenómeno psicológico do temperamento a reacções fisiológicas e/ou a processos bioquímicos; para os investigadores da abordagem descritiva é crucial revelar o poder preditivo dos traços de temperamento.
Como vimos no capítulo anterior, os autores com perspectivas consonantes com a abordagem desenvolvimental-sistémica (developmental systems) (Lerner, 1998; Sameroff, 1983), baseando-se nas teorias dos sistemas biológicos (Cairns, 1998; Gottlieb, 1996, von Bertalanffy, 1968) consideram a mudança desenvolvimental como consequência das relações bidireccionais entre as características de um organismo activo e as características do contexto activo. O modelo de relação pessoa-contexto, denominado “goodness-of-fit” (Thomas & Chess, 1977, 1981, 1989; Lerner, 1989) enquadra-se nesta abordagem, na medida em que surge da convicção que os mecanismos normais ou patológicos de adaptação psicológica e social não dependem somente do temperamento, mas antes que é a natureza da interacção entre o temperamento e as outras características da criança com um conjunto de exigências ou pedidos (“demands”) que fornece a influência dinâmica de base para o desenvolvimento (Chess & Thomas, 1991). Segundo Lerner (2002) estes pedidos29, que são colocados numa situação,
relacionam-se com as componentes sociais e físicas do contexto e podem tomar a forma de: (a) atitudes, valores ou estereótipos de outras pessoas relativamente à pessoa em desenvolvimento que são, em larga medida, social e culturalmente definidos, (b) atributos (geralmente comportamentais) de outros significativos com quem a pessoa se deve coordenar ou aos quais se deve ajustar, de forma a que possam ocorrer interacções adaptativas, (c) características físicas de um contexto (e.g., a presença ou ausência de rampas para pessoas com incapacidades) que requerem que a pessoa possua certos atributos (habitualmente comportamentais) de forma a que a interacção seja eficaz. Este modelo foi desenvolvido para explicar a natureza da retroacção que um organismo recebe dos outros como consequência da sua individualidade, bem como para predizer o futuro desenvolvimento com base na qualidade do ajustamento actual entre organismo e contexto (Lerner & Walls, 1999). É o grau de congruência entre os pedidos ambientais e as características individuais da pessoa que vão determinar o significado funcional e as implicações desenvolvimentais dessas características, sendo que congruência produz um bom ajustamento, possibilitando um funcionamento e desenvolvimento favoráveis e incongruência resulta num mau ajustamento, aumentando a probabilidade de ocorrerem formas de funcionamento e de desenvolvimento desfavoráveis (Chess & Thomas, 1991; Thomas & Chess, 1981). Por exemplo, considerando o segundo tipo de pedidos ambientais – aqueles que surgem como consequência das
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características comportamentais de outros significativos presentes no contexto da criança – poderiam ocorrer problemas de ajustamento numa criança com funções biológicas e regulares (e.g., alimentação, ciclos de sono) quando esta interage num contexto familiar com horários e hábitos de comportamento extremamente regulares. Deste modo, uma dada característica da criança pode ter valores adaptativos diversos em diferentes contextos, dependendo do conjunto de pedidos com que se vai confrontar. Da mesma forma, num mesmo contexto, os factores específicos passíveis de determinar um bom ou um mau ajustamento variam de criança para criança e, na mesma criança, de um período etário para o seguinte. Um exemplo comum do conceito de “goodness-of-fit”, fornecido por Chess e Thomas (1991), é a diferença entre uma criança que responde de forma positiva a situações novas e se adapta rapidamente à mudança e a criança com um temperamento oposto que tem reacções negativas a situações novas e que tem dificuldade em adaptar-se à mudança. As diferenças entre estas duas crianças tornam-se mais evidentes aquando da sua entrada para um contexto formal de educação (creche, jardim de infância ou escola). Mais tarde, estes indivíduos com reacções negativas relativamente à novidade e de difícil adaptação podem tornar-se muito tímidos, ter dificuldades nas interacções sociais e mesmo recusar empregos ou oportunidades de promoção, especialmente se tiverem tido muitas experiências desagradáveis e perturbadoras ao serem forçados de forma demasiado rápida em situações novas, durante o seu período de crescimento. No entanto, o facto de esta dificuldade de adaptação se transformar num bom ou num mau ajustamento depende do reconhecimento e respeito que os seus pais e educadores tiverem relativamente aos traços temperamentais da criança, de forma a permitir-lhe adaptar-se ao seu próprio ritmo durante o período de crescimento. Assim, a pessoa pode tornar-se capaz de reconhecer que a sua primeira reacção à novidade é apenas temporária e que será capaz de participar de forma activa em situações, socialmente ou a nível de trabalho, pois sabe, através da sua experiência de vida, que o desconforto inicial desaparecerá, e que será capaz de ganhar mestria e de tirar prazer dessas situações. Assim, diferentes estilos educativos ajustam-se de forma diferente a diferentes crianças – por exemplo, como os bebés “difíceis” são mais exigentes em relação aos seus pais, as estratégias educativas habituais podem ser ineficazes; além disso, estes bebés podem provocar práticas educativas mais pobres. A natureza específica deste mecanismo de ajustamento viabiliza a ligação entre as características de temperamento precoces e a qualidade de adaptação futura. Caspi e Silva (1995) definiram três tipos de interacção pessoa-ambiente para descrever a forma como diferenças individuais no temperamento se desenvolvem ao longo do tempo e podem ter um papel na promoção da continuidade das características de personalidade: (a) interacções evocativas ocorrem quando um estilo de comportamento individual provoca respostas distintas por parte dos outros; (b) interacções reactivas ocorrem quando diferentes indivíduos que estão inseridos num mesmo ambiente o experimentam, interpretam e reagem a ele de diferentes formas; (c) interacções pró-activas ocorrem quando os indivíduos seleccionam ou criam ambientes próprios. Estes processos interactivos podem funcionar de forma a elaborar estilos
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comportamentais emergentes, através de dois tipos de processos: (1) continuidade cumulativa pela qual diferenças individuais da criança são elaboradas ao longo do curso de vida devido à acumulação das suas próprias consequências (e.g., crianças impulsivas, com baixo auto-controlo podem ter dificuldades de adaptação às exigências da escola, o que pode resultar em baixo aproveitamento académico que, por sua vez, pode produzir frustração adicional, sentimentos de alienação e irritabilidade impulsiva); (2)
continuidade interactiva através da qual o padrão de interacção da pessoa com os outros tende a recriar
as mesmas condições repetidamente, e desta forma elaborar as diferenças individuais ao longo do curso de vida devido ao facto de o padrão de interacção da pessoa com os outros tender a recriar as mesmas condições repetidamente (e.g., a passividade de crianças inibidas pode contribuir para que sejam ignoradas ou para que passem despercebidas, e desta forma reforçar ou elaborar o seu comportamento não agressivo e o seu estilo não assertivo).
Chess e Thomas (1991) consideram que todas as cotações de temperamento, mesmo que atingindo valores máximos e mínimos, se encontram dentro dos limites normais do comportamento. Assim, um traço temperamental como um nível muito elevado de actividade, é normal, em contraste com a hiperactividade, que constitui uma característica comportamental patológica, na medida em que a hiperactividade inclui, não só um nível de actividade extremamente elevado, como também outros sintomas, tais como comportamento impulsivo, tempos de atenção muito curtos e dificuldade em organizar actividades. Segundo os autores um traço de temperamento torna-se um factor de comportamento patológico, não por si só, mas somente quando é combinado com um mau ajustamento, isto é, com exigências ambientais e expectativas que são excessivas e stressantes para um indivíduo com aquele temperamento específico. É, pois, evidente, a utilidade do conceito de “goodness-of-fit” na prática diária, tanto a nível educativo, como psicológico, como de saúde.
Enquadrando este conceito nos princípios do modelo transaccional, algumas ideias são claras: as crianças afectam os ambientes à sua volta e os ambientes afectam as crianças; os contextos ambientais afectam e são afectados uns pelos outros; as crianças não são, nem condenadas, nem protegidas, pelas suas próprias características ou pelas características dos seus educadores, consideradas separadamente (Sameroff & MacKenzie, 2003a). A complexidade dos sistemas transaccionais abre a possibilidade de muitas trajectórias de intervenção, de forma a facilitar o desenvolvimento saudável das crianças e das suas famílias (ibd.).