Chapitre III : la commande par DTC de la machine asynchrone double étoile
III.10 Correcteur de couple
III.10.2 Le correcteur du couple à trois niveaux
Embora a maioria dos investigadores concordem com a suposição que o temperamento tem uma forte determinação biológica, os autores que adoptam o nível constitucional de explicação do temperamento, realçam a sua determinação genética e baseiam-se no facto de as características de temperamento serem aparentes desde as primeiras semanas de vida (e.g., Buss & Plomin, 1984; citados por Goldsmith et al., 1987). Nesta linha, numerosos estudos sobre gémeos, família e adopção têm fornecido informação acerca das bases genéticas das diferenças individuais no temperamento e na personalidade.
Os investigadores que realçam as bases biológicas do temperamento privilegiam teorias causais do temperamento e utilizam o conhecimento acerca do funcionamento de mecanismos neurofisiológicos e bioquímicos para explicar diferenças individuais em características de temperamento. Alguns dos constructos subjacentes ao conceito de temperamento segundo esta perspectiva emergiram de autores da linha psicobiológica, tais como Strelau (1991), Eysenck (1991), Gray (1991) e Zuckerman (1991). As abordagens psicobiológicas de estruturas emocionais e motivacionais baseiam-se na suposição que variações no temperamento são reguladas pelo sistema nervoso central e referem um sistema que, sendo preservado ao longo do processo evolutivo, pode ser activado perante circunstâncias específicas de novidade, estimulação súbita ou intensa, reacções ao perigo, interacções sociais com factores não familiares ou respostas condicionadas ao medo. Conceitos tais como reactividade e auto-regulação ou inibição são centrais para a maioria das teorias fisiológicas do temperamento que se enquadram nestas abordagens (cf. Rothbart & Bates, 1998; Rothbart, 2004). A existência de conceitos comuns possibilita uma maior concordância entre os autores desta linha de pesquisa acerca do que constituem variáveis de temperamento, do que em outros tipos de abordagem, e confere uma certa unicidade às diferentes dimensões e estruturas de temperamento por eles definidas.
Nesta linha de estudos, Rothbart e Bates (1998) consideram o temperamento como tendo uma base constitucional que se reflecte em diferenças individuais na reactividade (ou nível de activação) a nível emocional, motor e de atenção, bem como na auto-regulação (ou inibição). Os autores realçam os factores biológicos do temperamento, influenciados pela herança genética, pela maturação, mas também pela experiência. Nesta perspectiva, as características temperamentais são vistas como o resultado
resultados de investigação: factores que influenciam o envolvimento da criança em contextos educativos
da evolução biológica e o temperamento é relacionado com padrões comportamentais herdados, nomeadamente componentes de auto-regulação e de nível de reactividade (Campos et al., 1983). Rothbart e Derryberry (1981; citados por Rothbart & Bates, 1998), consideram que os parâmetros de reactividade do temperamento (i.e., nível de excitabilidade, de responsividade a estímulos) podem ser medidos em termos do seu aparecimento, da sua duração e da intensidade da expressão de reacções afectivas (e.g., medo, zanga, afecto positivo), bem como pela variabilidade entre os sujeitos no nível de activação (arousal) e de dor perante a sobre-estimulação, e nos níveis de actividade e de atenção. Por seu lado, a auto-regulação refere-se a processos neurológicos e comportamentais que funcionam para modular a reactividade subjacente. Numa abordagem semelhante Strelau (1991) propõe a Regulative Theory of
Temperament (RTT) que procura explicar as características de temperamento com base em diferenças
na organização neurológica. Baseando-se nas teorias do nível de activação (arousal) e na tipologia de Pavlov acerca da actividade superior do sistema nervoso, refere duas dimensões de temperamento: reactividade e actividade. A reactividade tem subjacentes os sistemas fisiológicos responsáveis pela regulação do nível de activação (arousal) e revela-se, de forma relativamente estável, pela intensidade ou magnitude das reacções individuais a estímulos do meio. A actividade é o traço de temperamento que corresponde às características energéticas do comportamento, tem uma função reguladora primária, de forma a manter um nível óptimo de activação (arousal), e exprime-se na quantidade e amplitude das acções realizadas pelo indivíduo (comportamentos orientados para objectivos) para um certo nível de estimulação.
Numa abordagem neuropsicológica, Gray (1991) estudou o papel do cérebro nas funções comportamentais e psicológicas e definiu temperamento como predisposições para tipos particulares de emoções. O seu modelo considera três sistemas de emoções que correspondem a conjuntos separados de acontecimentos reforçantes para tipos específicos de comportamentos, mediados por conjuntos separados de estruturas cerebrais que processam tipos específicos de informação: (a) o Behavioral
Inhibition System (BIS) cujo pólo mais elevado corresponderia a um traço de elevada ansiedade; (b) o Flight/Fight System (F/FLS) com o pólo superior correspondendo a uma propensão para comportamento
agressivo-defensivo; e (c) o Behavioral/Approach System (BAS) cujo pólo mais elevado corresponderia a uma propensão para comportamentos motivados por reforços positivos e orientados para as emoções de prazer concomitantes (esperança, alegria e êxtase), semelhantes aos traços de Empenhamento / Afecto Positivo / Extroversão. Este modelo descreve tendências unipolares, mutuamente inibidoras, em vez de considerar dimensões bipolares do comportamento.
Outros modelos psicobiológicos incluem dimensões como Orientação (Orienting) (implicado na capacidade de direccionar a atenção para locais relevantes, ou de associar informação a um local de forma a percepcionar objectos) e Controlo do Esforço (Effortful Control). O Controlo do Esforço, definido como a capacidade de inibir uma resposta dominante de forma a realizar uma resposta não
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dominante, está relacionado com os aspectos da atenção implicados na dimensão Orientação, mas também com o funcionamento executivo, sendo assim activado na detecção de tarefas e de erros, na planificação e durante situações de conflito e envolve a utilização voluntária da atenção de execução, permitindo às crianças regular as suas tendências mais reactivas (cf. Rothbart et al., 2000; Rothbart, 2004).
Estudos recentes na área da neurociência cognitiva que exploram as ligações entre processos mentais e o funcionamento do cérebro e estudos em neurociência do afecto, que investigam associações entre processos afectivo-motivacionais e funcionamento do cérebro, têm identificado estruturas neuronais relacionadas com a emoção, com o nível de activação (arousal) e com a atenção, permitindo uma melhor compreensão do temperamento a nível psicobiológico (Bates & Wachs, 1994). Segundo esta visão, as diferenças individuais no temperamento reflectem variabilidade na forma de processar a informação, levando cada indivíduo a conferir um valor ou significado próprio a acontecimentos ou a objectos (cf. Putman et al., 2002). Esta informação emocional pode depois ser influenciada por sistemas de atenção. Assim, diferenças individuais nesses sistemas de atenção são frequentemente consideradas como influenciando dimensões como a persistência e o controlo do esforço (ibd.).
A abordagem psicobiológica do temperamento relaciona-se com a área de estudos que evidenciaram os contributos da genética comportamental para o desenvolvimento das características temperamentais. Estes resultados ilustrados entre outros, nos estudos de Goldsmith e colaboradores (Goldsmith et al., 1987; Goldsmith, Lemery, Buss, & Campos, 1999) indicam uma hereditabilidade considerável das características temperamentais nas populações estudadas. No entanto, mesmo quando um traço é considerado como tendo uma forte hereditabilidade, isso não significa que as influências ambientais não sejam relevantes ou que esse traço não seja modificável através de efeitos ambientais, nomeadamente na forma como o programa genético evolui (e.g., a insuficiência genética na fenilcetonúria) (Meadows, 1996). De facto, as estimativas da hereditabilidade baseiam-se na acção conjunta dos genes e do ambiente e, como tal, nada nos revelam acerca dos resultados que seriam obtidos através de uma intervenção ambiental, nem acerca dos processos implicados nos resultados temperamentais (Rothbart e Bates, 1998). Estes autores sublinham que é importante reconhecer que os sistemas afectivo-emocionais, os processos envolvidos no temperamento, são sistemas abertos: o conteúdo da experiência influencia o seu desenvolvimento, sendo por isso necessário estudar as ligações entre temperamento e experiência. De facto, autores que estudam a genética desenvolvimental, embora frequentemente negligenciem o papel das influências ambientais, reconhecem, de forma geral que a dicotomização natureza-ambiente (nature-nurture) obscurece, mais do que ajuda a clarificar a interacção a nível desenvolvimental (cf. Meadows, 1996). Parte da importância do trabalho dos genéticos desenvolvimentalistas reside na evidência que fornece acerca da importância da variância, que é definitivamente ambiental, mais do que genética. Neste sentido, Scarr e McCartney (1983) descrevem várias possibilidades de co-variação
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gene-ambiente a nível pós-natal: co-variância “passiva”, pela qual a criança herda tanto os genes dos pais como o ambiente que os pais organizaram devido às suas próprias características e preferências, também geneticamente determinadas; co-variância “reactiva”, pela qual outras pessoas fornecem à criança o ambiente que lhes parece ajustar-se melhor às características do fenótipo tal como é por eles percepcionado; co-variância “activa”, que corresponde ao facto de a criança procurar ambientes que se ajustam ao seu fenótipo, maximizando, assim a influência dos aspectos do ambiente que são convenientes e minimizando os aspectos que são menos adequados em termos genéticos. Enquanto a influência da co-variância passiva é maior na infância e declina à medida que a individualidade da criança se torna mais reconhecível, e as suas oportunidades para seleccionar experiências aumentam, os efeitos reactivos mantêm-se ao longo da vida e os efeitos activos aumentam da infância até à adolescência, à medida que a criança se confronta com ambientes cada vez mais amplos, com maior variedade de escolha. Scarr realça este último tipo de efeitos, “a escolha do nicho ambiental”, que parece ser um luxo mais acessível à população branca americana de classe média na última parte do século vinte, participante nos estudos destes geneticistas ambientais, do que da maioria do resto da humanidade.
De modo idêntico, as abordagens psicobiológicas acima descritas, ao conceptualizarem o temperamento como diferenças individuais em dimensões de reactividade e de auto-regulação, estão em posição de argumentar que, à medida que a criança se desenvolve, os processos auto-regulativos vão assumindo uma acção modeladora crescente sobre os processos reactivos. Por reactividade os autores significam o nível de activação de múltiplos sistemas fisiológicos e comportamentais do organismo e por auto-regulação referem o processo que actua para modular a reactividade, incluindo, ao nível comportamental, a atenção selectiva e a responsividade a pistas associadas a recompensa ou a punição, a inibição comportamental a estímulos novos ou demasiado intensos, e o controlo do esforço (Campos et al., 1983; Eysenck, 1991; Gray, 1991; Putman et al., 2002; Rothbart & Bates, 1998; Rothbart et al., 2000; Strelau, 1989). Consequentemente, estes autores argumentam que nem todas as diferenças individuais no temperamento estão presentes na altura do nascimento, na medida em que os processos de reactividade e auto-regulação emergem durante a infância. Neste sentido, ao referir que as características temperamentais são relativamente estáveis, Strelau (1989) assume que o temperamento, embora seja mais estável relativamente a outros fenómenos psicológicos, é susceptível de mudar sob a influência de factores de maturação e ambientais.
5.1.4.2.2. Temperamento e o papel activo da criança no seu desenvolvimento