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Structure du projet Andromède

Chapitre 1 : Etat de l’art

1.2 Le projet Andromède

1.2.2 Structure du projet Andromède

Estudos de neotectónica e sismotectónica levados a cabo nas últimas duas décadas (Ribeiro, 1988; Ribeiro et al., 1990; Cabral, 1993; entre outros) mostram que, no Quaternário, a situação geodinâmica do território português é bastante diferente da que é descrita para o período Neogénico.

A tectónica activa da MOI é consequência da sua localização num contexto de tectónica de placas muito particular, dada a proximidade com a fronteira de placas Açores-Gibraltar (Fig. II.14). Estudos sobre a cinemática das placas e mecanismos focais dos sismos mostram que o regime no limite de placas entre África e Eurásia se altera progressivamente desde extensão pura no seu limite ocidental até desligamento direito puro na falha da Glória. Por seu turno, no domínio continental, para leste da Crista Tore – Madeira, estudos de tectónica activa juntamente com análises à distribuição da sismicidade suportam a tese de uma convergência oblíqua e a existência de uma larga faixa de transpressão desde o Banco do Gorringe, passando pela Mar de Alboran até à cadeia montanhosa do Atlas – Tell (Jiménez-Munt & Negredo, 2003).

Fig. II. 14 – Esboço geodinâmico da margem ocidental e meridional ibérica. A batimetria é dada em km. Legenda:

(1) – Crosta oceânica; (2) – Crosta oceânica adelgaçada; (3) – Crosta continental (continente, plataforma e talude continental); (4) – Zona de colisão entre placas continentais; (5) – Zona de fronteira de placas difusa; (6) – Limite de placa aproximada; (7) – Zona de subducção incipiente; (8) - Dobra antiforma activa; (9) - Falha activa; (10) – Falha activa (provável); (11) – Falha de desligamento; (12) - Falha inversa; (13) – Falha normal; BGa – Banco da Galiza; PAI – Planície Abissal Ibérica; T – Montanha de Tore; EE – Esporão da Estremadura; PAT – Planície Abissal do Tejo; FG – Falha da Glória; PAF – Planície Abissal da Ferradura; Gq – Banco do Quadalquivir; Gi – Estreito de Gibraltar. Adaptado de Dias (2001).

A MOI é considerada tradicionalmente como uma margem passiva, mas alguns autores advogam que esta se encontra num estado transitório para uma margem activa convergente (Ribeiro & Cabral, 1987; Cabral & Ribeiro, 1989b; Cabral, 1995; Ribeiro et al., 1996), situando-se a zona de subducção, ainda incipiente, na base da vertente continental do Banco do Gorringe, e com tendência de propagação para norte.

Recorrendo ao modelo “3_PLATES”, Jiménez-Munt & Negredo (2003) reproduziram as características principais do regime tectónico actual e orientação dos campos de tensão para a região compreendida entre a Crista Média-Atlântica e as montanhas de Atlas-Tell (Algéria). As autoras reavaliaram o movimento relativo entre as placas da América do Norte, África e Eurásia e o efeito do ridge push sobre a litosfera continental. A direcção dos eixos de compressão horizontal máxima previstos, assim como o regime tectónico resultante da aplicação do modelo (Fig. II.15) está, na sua grande maioria, de acordo com os dados e estudos sismotectónicos mostrados em Ribeiro et al. (1996), Herraiz et al. (2000) e Borges et al. (2001).

Este quadro geodinâmico, que na região em que se enquadra a área de estudo é compressivo e com trajectórias máximas de tensão orientadas segundo NW-SE a WNW-ESE, é responsável por uma actividade sísmica difusa (Martins & Mendes-Victor, 2001; Borges et al., 2001). Deste modo, é de esperar que o campo de tensões actualmente vigente seja responsável pela reactivação frágil de diversas estruturas que compartimentam a cobertura meso-cenozóica do Esporão da Estremadura, nomeadamente as falhas de direcção NNE-SSW que se estabelecem nas Costeiras Pêro da Covilhã (Fig. II.8; Fig. II.10; e Fig. II.11).

Em termos de estruturas neotectónicas cartografadas na plataforma continental do Esporão da Estremadura (Fig. II.16), Cabral & Ribeiro (1989b) reconheceram um horst (provável) de orientação NW-SE cartografado sobre a depressão estrutural neogénica do Mar da Ericeira e um conjunto de falhas com componente de movimentação vertical (normal?) que alinham o Vale Submarino da Ericeira com o Maciço de Sintra. Os autores cartografaram ainda uma falha que corta a Península de Peniche, a qual apresenta uma componente de movimentação vertical de tipo inverso.

Ainda relacionado com a actividade neotectónica, Kullberg & Kullberg (2000) colocou em evidência uma série de lineamentos a partir da interpretação de imagens de satélite da região da Estremadura (Fig. II.17-A). Tais estruturas constituem duas famílias, de direcção NW-SE e WNW-ESE, com comprimento médio de cerca de 20 km e espaçamento variável. Os lineamentos mais extensos (com mais de 50 km de comprimento) são aqueles que melhor se observam, sugerindo uma continuidade no sentido da plataforma continental. Segundo Kullberg & Kullberg (2000), tais lineamentos são apenas observáveis a escalas de observação pequenas (1:200 000 e 1:500 000), sendo difíceis de discernir à escala do afloramento, uma vez que não apresentam rejeitos verticais e são perpendiculares aos cavalgamentos quaternários activos do vale inferior do Tejo.

No referido estudo, a interpretação dos lineamentos e a sua disposição relativamente a outras estruturas conhecidas na região, como a Falha do Vale Inferior do Tejo, por exemplo, sugerem tratar-se de macro-fendas de tracção ocasionadas por dobramento litosférico e/ou crustal em domínio continental, de grande raio de curvatura, com comprimento de onda mínimo de 50 km. O dobramento está associado a uma compressão horizontal máxima orientada segundo WNW-ESE, como sugere o modelo geodinâmico para o Quaternário defendido por Cabral & Ribeiro (1989b) e Ribeiro et al. (1996). As fendas de tracção, com enraizamento profundo, estão relacionadas com a geração de dobramento flexural com estiramento segundo o eixo cinemático b (Fig.17-B), de acordo com o preconizado por Dias et al (1995) in Kullberg & Kullberg (2000). Em domínio continental estes lineamentos foto-interpretados deverão se equivalente às lineações do geóide em domínio oceânico (Fig. II.12).

Fig. II. 15 – Mapa com as trajectórias de compressão máxima obtidas pelo modelo "3_PLATES”. Adaptado de

Jiménez-Munt & Negredo (2003).

Fig. II. 16 – Excerto da Carta Neotectónica de Portugal Continental à escala de 1/1 000 000 e respectiva legenda.

Legenda: 1 - Falha com tipo de movimentação desconhecido; 2 - Falha com tipo de movimentação vertical de tipo normal (marcas no bloco inferior); 3 - Falha com tipo de movimentação vertical de tipo inverso (marcas no bloco superior); 4 - Falha de inclinação desconhecida com tipo de movimentação vertical (marcas no bloco inferior); 5 - Falha de desligamento (setas indicam o sentido do deslocamento); 6 – Diapiro; 8 - Lineamento geológico que pode corresponder a falha. Simbologia marcada a tracejado significa provável. Adaptado de Cabral (1993).

Fig. II. 17 – Padrão de distribuição da família de lineamentos WNW-ESE. Retirado de Kullberg & Kullberg (2000).