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Neste capítulo faremos uma abordagem histórica dos conceitos inerentes ao tema e que são: o Fairplay, o Espírito Desportivo e a Ética/Ética Desportiva. Posteriormente explanaremos cada um dos conceitos referidos e concluiremos com a análise da Ética em contexto escolar.

2.1. Abordagem histórica: Fairplay / Espírito Desportivo /Ética

Desportiva

A inclusão desta rúbrica, enquadrada na consulta da literatura sobre o tema, pretende expor um conjunto de acontecimentos/iniciativas que acreditamos pertinentes neste âmbito. É comum reportar as origens deste padrão de atitudes e comportamentos aos ideais da Grécia Antiga consagrados nos Jogos Olímpicos.

A este respeito Otmar Weiss na abordagem ao conceito de Fairplay refere que: o desenvolvimento do Fair-Play teve início em Inglaterra, durante os séculos XVIII e XIX, tendo a noção de “gentleman” tido um papel importante neste conceito. Nos colégios privados, transpôs-se o ideal do “gentleman” para as competições desportivas (2006: p.62).

Contudo, alguns autores mencionam que:

o ideal de “Fair-Play, como nós o conhecemos hoje, tem raízes romano-celtas, acrescentando que os soldados romanos levaram para Inglaterra um código moral rígido, uma vez que só era considerado bom soldado aquele que na batalha tivesse uma conduta justa e com honra (Liponski, 1998; cit. por Loland, 2002, p.12).

A este respeito António Santos relata que o marco da reorganização do desporto moderno foi a recuperação dos Jogos Olímpicos Modernos,

propostos e realizados pelo francês Pierre de Coubertin, em 1986, que ficou entusiasmado, após ter visitado a Inglaterra, com o sucesso da implantação do desporto no sistema educativo inglês. Com a reorganização dos Jogos Olímpicos Modernos, o desporto teve um crescimento sem precedentes, marcadamente no desporto de alto rendimento, influenciado pelo modelo dos ideais originários dos primitivos Jogos Olímpicos Gregos. (Santos, 2005: p.15)

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Devido essencialmente à evolução tecnológica, à melhoria das leis laborais, a mais e melhores condições de mobilidade, os indivíduos passaram a ter mais tempo livre. Inicia-se, pois, um processo que levará a que alguns encarem o desporto como profissional.

Assiste-se à multiplicação de casos de corrupção, ao mercantilismo dos atletas, ao uso frequente da violência, verbal e física, à ingestão de substâncias dopantes cada vez mais sofisticadas, ao abandono progressivo dos princípios e valores inerentes ao Fair Play., ao aumento despudorado dos casos de racismo e xenofobia nos terrenos desportivos (Gonçalves, 2006: p.94).

Face à dimensão crescente destes fenómenos, os comportamentos dos sujeitos que participam no desporto, de forma direta ou indireta, passou a ser alvo de preocupações por parte das autoridades.

A constatação desta situação suscitou, paralelamente, a reação de diferentes organizações governamentais e não governamentais europeias, empenhadas não só no combate àquelas manifestações como, simultaneamente, na valorização ética e cultural do desporto e consequente reforço do seu alcance formativo e educativo (Gonçalves, 2006: p.94).

Em jeito de resumo, destacaríamos os seguintes acontecimentos e iniciativas:

- A criação, na Alemanha, do Comité Internacional de Fair Play (CIFP), o qual foi mais tarde associado ao Comité Olímpico Internacional (1964) (Costa, Pereira e Silvério, 2008: p.433);

- “Manifesto sobre Desporto e Fair Play” (1971), publicado pelo Comité Francês de

Fair Play (fundado em 1960, o primeiro da Europa), que constitui a primeira brochura sobre Fair Play publicada na Europa (Costa, Pereira e Silvério, 2008: p.434);

- Em 1972, o francês Charles Drago cria a Associação Internacional para um Desporto sem Violência e a ministra Belga da Cultura a Associação Internacional para a Luta contra a Violência Associada ao Desporto, passados cerca de nove anos fundem-se, originando ao Entente Internacionale pour un Sport sans Violance et pour de Fair-Play (Costa, Pereira e Silvério, 2008: p.433);

- “O Manifesto sobre Fair Play” (1976), publicado pelo Intenational Council of Sport and Physical Education (ICSPE), em colaboração com a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) e o International Olympic Committee (IOC), em que se procuraram definir as responsabilidades dos atletas e das equipas, onde se

Relatório de Atividade Profissional – Ética e Espírito Desportivo nas aulas de Educação Física

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apresenta uma relação de comportamentos específicos do Espírito Desportivo (Costa, Pereira e Silvério, 2008: pp.433);

- A Carta sobre o Espírito Desportivo, em 1984, foi publicada pela organização governamental do Canadá “La Régie de la Securité dans les Sports du Québec-RSSQ” no seu articulado apresenta essencialmente o Espírito Desportivo

compreendendo cinco elementos básicos: 1- Respeitas os regulamentos; 2- Respeitar os árbitros e aceitar as suas decisões; 3- Respeitar os adversários; 4- Demonstrar preocupação com a igualdade de oportunidades entre os competidores; 5- Manter permanente a sua própria dignidade (Santos, 2006: p.83);

- O Código de Ética Desportiva (1992), editado pelo Conselho da Europa, apresentando a sua perspetiva relativa à responsabilidade, nomeadamente dos governos, federações, treinadores, pais e professores, na defesa do Fair-Play (Costa, Pereira e Silvério, 2008: p. 434);

- Declaração sobre “Fair Play” – “Fair-Play para todos” (1992), editado pelo Comité

International pour le Fair Play (CIFP), onde destaca a importância do Fair Play no Desporto

em crianças e jovens, no desporto de competição, para todos e no Desporto para deficientes (Costa, Pereira e Silvério, 2008: p. 434);

- A Carta Europeia do Desporto adotada pelos ministros europeus do desporto (1992) (Gonçalves, 2006, p.94);

- A criação do European Fair Play Mouvement em (1994), na Suíça, órgão representativo dos comités nacionais. Atualmente, constituído por 36 comités europeus, com o propósito de defender os valores e os princípios associados ao Espírito Desportivo e à tolerância, em todas as práticas desportivas e na vida em sociedade. Esta entidade não-governamental promoveu vários Seminários Europeus sobre o Fair Play, sendo que, em 1997, este congresso teve lugar em Oeiras com a temática "Fair Play e o Desporto de Alta Competição" (Santos, 2006:p.82);

- A resolução, em 1995, sobre Tolerância e Desporto, adotada pelos ministros Europeus do Desporto (Gonçalves, 2006, p.95);

- A nomeação, em 1996, de embaixadores nacionais para o Desporto, Tolerância e

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Desporto, Tolerância e Fair Play, por iniciativa do Conselho da Europa (Gonçalves, 2006, p.95);

- A realização, por proposta da Comissão Europeia, do Ano Europeu da Educação pelo Desporto (2004) (Gonçalves, 2006, p.95).

Bem mais recente, e de caráter nacional, registam-se duas iniciativas do Plano Nacional da Ética no Desporto (PNED): 1) o lançamento, a 27 de fevereiro de 2012, do Ano Nacional da Ética no Desporto, tendo como objetivo cimeiro a Criação do Código de Ética para os Agentes Desportivos; 2) O Código de Ética Desportiva (CED, apresentado a 10 de julho de 2014, em Lisboa, no qual estão referidas as normas de conduta que devem orientar a ação dos diferentes intervenientes no desporto.

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