Segundo Stake (2009, p.18), "o caso é uma coisa específica, uma coisa complexa e em funcionamento", logo é considerado um sistema integrado. A escolha de um caso se dá por
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várias razões quer por imposição, por curiosidade, necessidade de conhecimento e exploração de um determinado problema ou atividade, ou até mesmo um estudo mais aprofundado no caso escolhido. Seja qual for a razão da motivação, certamente estará associada a um objetivo.
O caso que nos propomos a estudar reveste-se de particularidades próprias, desperta o interesse e está ligado diretamente aos problemas desta investigação, pois serve de instrumento para viabilizar a tentativa da resolução do problema ora enfrentado pela educação brasileira que é, segundo o MEC, a má qualidade do ensino brasileiro, em maior proporção, pela falta de qualificação dos professores, neste caso específico, os responsáveis pelas primeiras séries do ensino fundamental. Usando as palavras de Stake (idem, p.11), "estudamos um caso , quando ele próprio se reveste de um interesse muito especial, e então procuramos o pormenor da interação com os seus contextos". O autor esclarece que os casos de interesse em educação, em sua maioria, são as pessoas e os programas e cada caso pode ter semelhança a outros casos, entretanto pode ser único em muitos aspectos. Este é único em vários aspectos.
O caso é o curso de formação oferecido pela Universidade do Estado da Bahia. O projeto recebe o nome de REDE UNEB 2000, com a proposta de levar educação de qualidade para os professores da rede pública principalmente nas microrregiões onde ela tem unidade de ensino. Criado no ano de 1998, anterior à Lei que determinava a obrigatoriedade de formação dos professores das primeiras séries do ensino fundamental em nível superior, visa conferir o título de licenciatura plena em pedagogia com habilitação em ensino fundamental, para professores da rede pública de ensino, que estão em serviço, condição essencial para participar da formação, que não tenham o nível acadêmico superior e que lecionem nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.
Tem duração de dois anos, com carga horária de 2.670 horas com regime semestral. O projeto que estudaremos, funcionou na cidade de Catu /Bahia que estava ligado ao departamento da universidade do campus II localizado na cidade de Alagoinhas. O regime de ingresso é a seleção e foram oferecidas 100 (cem) vagas as quais foram, de início, totalmente preenchidas e durante o curso houve duas desistências.
O programa de formação REDE UNEB 2000, iniciou com certo receio por parte das pessoas devido ao fato da carga horária lhe dar a característica de um curso intensivo, entretanto, com a sua continuidade, tal receio deu lugar à credibilidade e foi grande sua aceitação a ponto de, na metade da primeira etapa, compreendida entre Dezembro de 1998 a Junho de 2000,serem oferecidas 3.020 ( três mil e vinte ) vagas, para as quais concorreram
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3.842 ( três mil oitocentos e quarenta e dois) professores dos quais 1.920 ( hum mil novecentos e vinte ) foram matriculados. Abrangeu 21 Municípios dentre os quais Catu está inserido.
O curso no Município de Catu, contou com 98 (oitenta e oito) professores/ alunos, 14 (quatorze) professores/orientadores, 1 (um) coordenador local e 1 (um) coordenador de estágio. Funcionou no prédio da Secretaria de Educação do Município de Catu/BA.
Os professores/ alunos todos ligados à rede pública de ensino, com formação acadêmica no segundo grau completo e/ou magistérios, todos atuando como professores das primeiras séries do ensino fundamental.
O percentual de participação de professores /orientadores no curso é de 21% mestres, 71% especialistas e 7,2% graduados, sendo todos professores concursados da Universidade do Estado da Bahia, condição para ser professor/orientador do programa.
3.2.1. Característica da cidade de Catu
História da cidade
Conforme o site oficial do Município, a área onde foi criada a cidade de Catu fazia parte das terras das sesmarias do Conde da Ponte, onde grande número de colonos se estabeleceu. Entretanto, coube à Igreja Católica dar o primeiro passo para a fundação da freguesia de Santana do Catu abrangendo a vastidão daquelas terras.
Foi o décimo segundo Arcebispo da Bahia, Dom Antônio Correia que, em 1787, fundou aquela freguesia.
Por força da Lei provincial n.º 1.058, de 26 de junho de 1868, foi criado o município com a denominação de Santana do Catu, com território desmembrado da então denominada Vila de São Francisco, ocorrendo sua instalação a 6 de março de 1877.
Na divisão administrativa do Brasil, de 1911, o Município compunha-se dos distritos de Santana do Catu (sede), Pojuca e São Miguel, perdendo o segundo pela Lei estadual n.º 979, de 29 de julho de 1913, quando elevado à categoria de Município. Santana de Catu teve o nome simplificado pelo Decreto estadual número 7.455, de 23 de junho de 1931, ratificado pelo de número 7.479, de 8 de julho do mesmo ano. Foi elevado à categoria de Cidade em 30 de março de 1938.
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Passados mais de 200 (duzentos) anos desde a fundação da freguesia de Santana do Catu, hoje ele é denominado de Município. A população estimada em 2001 era de 51.735 habitantes. A topografia irregular do município faz com que suas casas se derramem pelas ruas traçando um retrato singular da cidade.
A cidade fica localizada na BR - 110 entre os municípios de Salvador e Alagoinhas, situada a aproximadamente 78 km da primeira cidade, no caso Salvador, e a 32 km da segunda chamada Alagoinhas. Faz parte da região Metropolitana de Salvador, capital do Estado da Bahia.
Atualmente tem sua base econômica nos setores petrolífero e comercial, entretanto até meados dos anos 1950, a comunidade possuía baixo desenvolvimento humano e social, com sistema educacional e infraestrutura frágeis e tradicionalmente antigos, cuja base econômica era nomeadamente a pecuária, o cultivo de sisal, mandioca e derivados. Após o advento da criação da empresa de petróleo Petrobrás/SA em 1953, Catu passa a ser um local de exploração de petróleo o que ajuda para melhorar a realidade local.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2000-2010), a participação dos 20% mais pobres da população na renda passou de 3,1%, em 1991, para 1,2%, em 2000, aumentando ainda mais os níveis de desigualdade.Em 2000, a participação dos 20% mais ricos era de 61,2%, ou 50 (cinquenta) vezes superiores à dos 20% mais pobres.
No município, no ano 2010, 16,9% das crianças de 7 a 14 anos não estavam cursando o ensino fundamental, a taxa de conclusão, entre jovens de 15 a 17 anos, era de 32,5%. Esta realidade nos anos de 1999 -2002 não era melhor do que atualmente, muitos dos profissionais de ensino tinham apenas o segundo grau completo e nenhuma competência para estarem em sala de aula e, a habilidade que tinham era fruto do quotidiano.
Neste município, de 1991 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 29,5%; para alcançar a meta de redução de 50%, deve ter, em 2015, no máximo 32,9%. Para estimar a proporção de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza foi somada a renda de todas as pessoas do domicílio, e o total dividido pelo número de moradores, sendo considerado abaixo da linha da pobreza os que possuem rendimento per capito menor que 1/2 salário mínimo. No caso da indigência, este valor será inferior a 1/4 de salário mínimo. O crescimento anual da população nos anos de 2000 - 2010 foi
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Abaixo apresentamos uma foto atual da cidade de Catu - Bahia para caracterizar melhor o local de funcionamento do curso de formação para professores das primeiras séries do ensino fundamental.
Figura 6 - Fotos da cidade de Catu http://turismo.culturamix.com
3.2.2. Caracterização da amostra
As entrevistas foram feitas nos meses de julho, agosto e setembro do ano de 2013 de acordo com a disponibilidade dos entrevistados na cidade de Catu no Estado da Bahia. A amostra foi composta por 10 professores/alunos, sendo 1 da primeira série, 3 da segunda, 4 da terceira e 2 da quarta série, cujas idades concentravam-se no intervalo de 35 a 55 anos, identificados na pesquisa, a título de proteção de suas respectivas identidades, com os códigos a seguir, os quais informam a função e a série na qual lecionam:
PA1 = Professor/aluno da primeira série; PA2 = Professor/aluno da segunda série; PA3 = Professor/aluno da terceira série; PA4 = Professor/aluno da quarta série.
Para respostas correspondentes a todos os professores/alunos entrevistados, convencionou-se utilizar a seguinte simbologia: PAs = Todos os professores/alunos entrevistados.
Em continuação à composição amostral, foram entrevistados 7 professores/orientadores e 3 coordenadoras sendo: a coordenadora geral, a coordenadora local e a coordenadora de estágio supervisionado, esta ultima, devido ao fato de haver lecionado componente curricular, para efeitos didáticos, na apresentação e análise dos dados empíricos foi considerada como professor/orientador de estágio supervisionado. Vale a pena mencionar que dentre os professores/orientadores, um deles durante o curso lecionou três componentes curriculares.
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A codificação dos professores orientadores é composta pela indicação da sua função e respectiva letra inicial da componente lecionada, deste modo:
POs= Todos os professores/orientadores; POG = Professor/ orientador de Geografia; POS = Professor/orientador de Sociologia; POHE = Professor/orientador de História da Educação; POPP= professor/orientador de Prática pedagógica; POM= Professor/orientador de Metodologia da Pesquisa; POC = Professor/orientador de Ciências; POE = Professor/orientador de Estágio Supervisionado.
Como codificação dos coordenadores, foram atribuídas as seguintes siglas para identificação: CGP = Coordenadora Geral do Programa; CL = Coordenadora Local do Programa.
Para respostas correspondentes a todos os participantes entrevistados, usou-se a seguinte simbologia: TPe = Todos os participantes entrevistados.
Como informação adicional, declaramos que não foi possível entrevistarmos as pessoas que ocuparam os cargos de Prefeito do Município e Secretária de Educação na época em que a formação foi levada a efeito devido a falta de contato.