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dans la problématique de l’appropriation publique des technologies de l’information et de la communication

1.1. Les différentes stratégies mobilisées en la matière : discours et actions actions

relacionadas com um plano de água, podendo a sua dimensão ser micro e local, respeitando por exemplo, um lago, ou macro, pela exploração das oportunidades ainda infinitas de um oceano. Assim, importa perceber que esta tipologia turística se estrutura num dos recursos mais importantes e sensíveis existentes no planeta, a água disponível, seja doce ou salgada. Por esta via a dinâmica de consumo colide com os respetivos ecossistemas, mais naturais do que humanizados. Aos naturais as atenções centram-se maioritariamente sobre as espécies faunísticas, populações e seus habitats, assim como sobre os impactes ambientais decorrentes das alterações climáticas. Quanto ao humanizado destacam-se as atividades socioeconómicas decorrentes da exploração dos recursos marinhos e o conflito de interesses existente nos interfaces geográficos, maioritariamente faixas costeiras continentais e insulares.

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A efetivação das oportunidades despoletadas pelo encetamento de um processo objetivando na criação de condições favoráveis ao florescimento das atividades náuticas depende, todavia, da sua integração no quadro de uma estratégia sectorial capaz de identificar e estabelecer as necessárias articulações virtuosas de cariz multidimensional, indutoras da dinamização de atividades conexas e complementares a montante e a jusante [(Figura 2)], numa perspetiva de desenvolvimento sustentável e sustentado. Desta forma, será possível criar as sinergias indispensáveis a afirmação e a amplificação dos efeitos multiplicadores do recreio náutica na economia local e regional (Sousa, et al., 2011).

Tal como acontece com outras tipologias turísticas emergentes e muito dinâmicas no seu processo evolutivo, que ainda não atingiram níveis mercado maduros, também o TNR carece de uma definição concreta e globalmente aceite. A partir da multiplicidade de subsetores é difícil definir e assentar a terminologia. O que existe têm sempre uma base geográfica nacional ou continental, dependendo da entidade que investiga. Desta forma, para efeitos de investigação académica, importa para o investigador analisar a estrutura interna do TNR no seu país, para definir os conceitos e as vertentes de abordagem que orientem o estudo. Para quem integra uma instituição, europeia por exemplo, será mais importante o aspeto da desenvoltura socioeconómica implícita em territórios com características comuns para aferir cenários e definir rumos porque, “although the term of nautical tourism is used in everyday life, there is still no a generally accepted definition, and therefore its scope should be determined depending on the purpose of its analysis” (Ministry of Tourism of the Republic of Croatia, 2008).

As primeiras tentativas de definição do TN e do TNR nascem sempre das dinâmicas de mercado que o estruturam. Caso contrário e no contexto em que uma geografia não oferece condições para a sua prática, não se coloca sequer a necessidade de atentar no debate sobre esta questão. A forma como as atividades direta ou indiretamente relacionadas com a náutica se apresentam na geografia onde acontecem é fator condicional para definir a sua estrutura de análise. Os académicos portugueses, afetos à evidência atlântica de Portugal, propõem que “ (...) de uma forma geral, a procura pela Náutica de Recreio pode ser dividida em três grandes grupos: 1) Nautas que procuram lazer, 2) Nautas que procuram soluções competitivas de invernagem das embarcações e 3) Nautas que procuram condições de prática profissional de desportos ligados à Náutica de Recreio” (GTNR, 2012, p. 19). Alguns autores defendem a proveniência do TNR a partir do turismo desportivo. A náutica tem uma forte componente desportiva, contudo, a sua forma turística tem berço nos cruzeiros, atualmente democratizados e acessíveis mas outrora elitistas, que providenciavam exatamente o oposto da vertente desportiva, a saber, ócio e lazer. Assim “maritime tourism is the sector of the tourism industry that is based on tourists and visitors taking part in active and passive leisure and holidays pursuits or journeys on (or in)

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coastal waters, their shorelines and their immediate hinterlands” (Jamshidi, 2015). A interpretação do conceito passa por dissecar o termo geral, em que “TN é uma combinação de duas noções, náutica e turismo” (Lukovic, 2012)4. Partindo das dimensões de espaço e tempo que compõem a definição de Turismo, dever-se-á entender que tudo o que deriva da náutica turística acontecerá numa geografia fora da residencial5 do praticante – o nauta – por um período superior a vinte e quatro horas e inferior a um ano – ou de outra forma entendível, com a passagem de noite incluída – sem que o mesmo esteja a exercer atividade remunerada.

The notion of nautical, very much used in the specialist literature, refers to all that is connected to water, being used to identify all water-related activities and sports but, at the same time, all that refers to navigation. Nautical tourism proper, includes nautical ports (marinas), yacht charter, river and maritime cruises. In relation with customers, nautical tourism contains a series of fundamental requests (harbour facilities – marinas, transportation services, parking, sheds, etc.) and additional requests (accommodation, food, extreme sports, recreation and entertainment, etc., the final purpose being to satisfy the customers) (Pavel-Musteata & Simon, 2012).

De acordo com o dicionário oficial da língua portuguesa “Náutico” é o adjetivo relativo à navegação. “Náutica” é a arte ou ciência de navegar e “Nauta” é aquele que navega o mareante ou o marinheiro. Já o “Navegador” é 1) aquele que navega 2) percorrendo longas distâncias no mar e 3) que se especializou na orientação de barcos ou aeronaves. De acordo com Pavel- Musteata e Simon (2012) “Nautical tourism is a form of tourism which beside recreational navigation, organized with one’s own or rented boats, accommodation and/or overnights on board, includes also trips organized by cruising ship owners and travel agencies, cabin cruisers for the toursit´s rest and recreation (e.g. fishing, scuba diving, underwater photographing)” No mesmo sentido, Lukovic (2012), afirma “Nautical tourism is a sum of poly-functional activities and relations that are caused by the tourists boaters' stay within or out of the ports of nautical tourism, and by the use of vessels or other objects related to the nautical and tourist activities, for the purpose of recreation, sports, entertainment or other needs”. O autor identifica a envolvente multidisciplinar desta tipologia para afirmar que o conceito evoluiu ao longo do tempo e assim continuará a acontecer, sendo que de forma sintética, aponta para que o TN seja “uma atividade polifuncional dotada de uma forte componente marítima” (Lukovic, 2012).

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Curiosamente, Portugal é dos países que mais downloads (157) originaram deste paper de Lukovic, apenas precedido dos EUA, Filipinas e Croácia, deste ultimo onde o autor é professor na Universidade de Dubrovnik.

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Pode dar-se o caso do turista ser um viajante que transporta a sua própria residência. Acontece quando a embarcação que o transporta é também a sua habitação, situação possível em países como a França e Holanda, onde este modo de vida é reconhecido e possível por exemplo em rios como o Sena.

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À convergência dos saberes refina-se a definição, centrando a atenção no praticante, o Nauta, cuja motivação turística implica uma deslocação para uma geografia aquática ou plano de água, onde exerce uma atividade ai contextualizada dado que “nautical tourism can occur in all the waters of the world, so in addition to the sea, it is present on lakes, rivers and canals, i.e. in both salt and fresh water” (Lukovic, 2012). Dependendo ainda da linguística e do país referenciado a terminologia associada ao TN pode assumir a designação de Turismo marítimo ou “maritime Tourism”. Se Portugal considerar no termo marítimo apenas o que respeita ao mar e apostar isoladamente sobre esse recurso, para enquadrar o estudo do TNR, diminuindo e mitigando o turismo fluvial, o lagunar… incorre num erro grave, que complicará os estudos e as equivalências interpretativas internacionais decorrentes do contexto académico e do mercado náuticos. Não é este o caminho das autoridades estrangeiras. O Turismo Costeiro merece uma abordagem diferenciada por correlacionar especificamente as plataformas terrestre e marítima. Decorrente da organização espacial atual dos territórios náuticos e do imenso potencial de atividades e inovação futuras é possível interpretar o TNR por duas vertentes essenciais que no final convergem; por uma abordagem ao conjunto de atividades possíveis e por outra abordagem às especificidades das plataformas aquáticas onde decorrem essas mesmas atividades – os territórios náuticos. Destes, a CE apresenta uma estrutura de mercado assente em:

Coastal tourism covers beach-based tourism and recreation activities, e.g. swimming and sunbathing, and other activities for which the proximity of the sea is an advantage, such as coastal walks and wildlife watching. Maritime tourism covers predominantly water-based activities, e.g. sailing and nautical sports (often carried out in coastal waters) and cruising, where marine regions such as the Mediterranean or Baltic can be covered in the course of a week’s holiday (Comissão Europeia, 2013).

Considerando esta divisão terminológica a exatidão da análise parece desfalcada no conceito, sendo difícil distinguir a situação dos corpos de água que suportam, por exemplo, mercados náuticos interiores tais como rios lagos e albufeiras localizados em territórios continentais não costeiros. Contudo, a CE classifica-os como um dos 5 mercados europeus estratégicos da náutica de recreio – European Lakes and Inland Waterways.

No caso de Portugal e da Irlanda a CE considera-os na totalidade como Regiões Costeiras Atlânticas Europeias assim como algumas regiões francesas e inglesas (Figura 3). A estrutura dos mercados é determinada pela abordagem administrativa das NUTS II face aos maiores corpos de água que lhes são adjacentes. Assim, o potencial dos territórios náuticos em Portugal verifica-se do Minho (Rio) à Costa algarvia sem esquecer os arquipélagos dos Açores e da

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Madeira, pelo que, também toda a plataforma marítima já conferida à soberania portuguesa e a potencial futura de 4 milhões de km2, almejados pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Marítima Continental (EMEPMC), compõem equitativamente oportunidades de desenvolvimento do TN e do TNR. E, assim, coloca-se a questão: está o nauta a praticar TN quando desenvolve uma atividade num lago interior de um país ou região de geografia não costeira ou oceânica?

Figura 3 – Regiões Costeiras (NUTS II) Atlânticas Europeias

Fonte: (CSIL, 2008)

Responder torna-se complexo requerendo, por um lado, uma abordagem isolada à verdadeira motivação do turista e à possível correlação com outras tipologias turísticas conexas que possa estar a integrar e\ou a consumir no momento (sendo ainda de ressalvar a questão do termo turístico propriamente definido) e, por outro, o que são efetivamente territórios e atividades (produtos e serviços) náuticas, sem esquecer a dinâmica e os modelos de fruição.

Desta forma propõe-se facilitar a compreensão deixando o modelo da dualidade marítima e costeira, adotando um substituto, tripartido, em que sobretudo os territórios, mas também as atividades ai praticadas, determinam a distinção entre TN (ou marítimo) em 1) interior, 2) costeiro e 3) oceânico. Observar estes três é conceptualizar esta tipologia turística de acordo com as diferentes instituições e investigadores e planos de água possíveis de explorar na esfera da náutica turística. Uma tendência central “is easily identified with regard to spacial distributions of marine recreation is that there is an inverse relationship between distance from shore and intensity of use” (Orams, 1998, p. 21), ou seja, quanto maior a distancia à costa

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menor será o numero de possíveis atividades a praticar. Agir sobre esta tendência possibilitará também novas oportunidades de mercado. Contudo, requer-se ainda mais investimento na investigação e na tecnologia.

Progressivamente a “dissecagem” da estruturação conceptual do TN continua pela abordagem às estruturas e meios de transporte utilizados. Segundo Lukovic (2012) “Esta classificação náutica de turismo enfatiza os seus 3 tipos base: (1) marinas, (2) charters6 e (3) cruising, justificado pelas características específicas e distintas destas indústrias”7

(Lukovic, 2012). De acordo com o autor as marinas e os portos são as estruturas comercialmente mais importantes, sendo que tanto o mercado de charters náuticos como o de cruzeiros estão muito dependentes delas. Certamente também porque estas são as estruturas possíveis para realizar a transição entre as plataformas terrestres e marítimas e que em conjunto com docas e ancoradouros menores servem de suporte básico à generalidade das outras atividades náuticas. Neste campo há uma evidência a destacar sobre a propriedade pública ou privada destes equipamentos, mais simples ou complexos, até porque aí existem consequências diretas, mais ou menos correlacionáveis com condicionalismos aos diversos segmentos e mercados alvo. Mas, à parte destas estruturas, uma outra que potencia e diversifica da oferta turística náutica de forma inovadora está omissa. São os parques temáticos que se assumem presentemente como focos de atração turística e que em Portugal, dada a carga histórico-cultural característica do país, podem evoluir para polos de desenvolvimento e estruturar novos destinos turísticos regionais, enquadrados numa unidade nacional completamente distinta da concorrência internacional. Dois exemplos já se afirmam com grande potencial de crescimento: 1) o Museu e Parque temático “World of Discoverys”8

no Porto e 2) o Parque temático Subaquático “OceanRevival”9

em Portimão. O modelo conceptual do TN aqui proposto (Figura 4) reúne a estrutura académica internacionalmente aceite com as tendências de evolução futuras, onde consagra a interligação dos modelos de mercado, direta ou indiretamente associados através da novidade dos clusters náuticos.

Para melhor compreender a sua interligação com as diferentes abordagens integradas nesta investigação foi primeiro necessário destacar a perspetiva territorial da perspetiva do mercado, cruzando-a com os conceitos base que estruturam o TN. Desta forma, do território emerge o

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“Realizados por operadores turísticos generalistas que fretam os navios para organizarem os seus próprios cruzeiros, normalmente fora da época alta e destinados a camadas socioeconómicas médias e médias-baixas e cuja estratégia é a da verticalização da atividade, sobretudo para destinos «resorts»” (Gamito, 2009, p. 52).

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Fica a referência, mas, porque a industria dos cruzeiros e a tipologia turística “turismo de cruzeiros” que lhe está associada é sempre analisada e consensualmente estruturada de forma distinta à margem do TN, a mesma não será alvo de análise neste trabalho, por não ser também convergente com os objetivos da investigação.

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Disponível para consulta online em: https://www.worldofdiscoveries.com/

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turismo pela função da deslocação do nauta, sendo este ao mesmo tempo fator central e decisivo para a modelação conceptual do mercado, em função do seu padrão de consumo, a partir dos 3 segmentos tradicionais. Um quarto é necessário associar – as estações náuticas. Não se pode também olvidar a componente da intensidade e do risco aplicáveis às atividades náuticas, percebidos e aceites pelo praticante.

Figura 4 – Modelo Conceptual tendencial e futuro do Turismo Náutico

Fonte: Produção Própria

2.2.2. Dinâmicas ativas\passivas, desportivas\ de competição das atividades

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