Os triglicerídeos são outros tipos de lípidos que circulam na corrente sanguínea. Estes são transportados na sua maioria pelas quilomicras e as VLDL. Têm como principal função o armazenamento dos ácidos gordos no tecido adiposo como salvaguarda energética do organismo. São produzidos de forma endógena a nível do fígado e do tecido adiposo e também são adquiridos através da alimentação. 73 Níveis normais de triglicerídeos situam-se abaixo de 150mg/dL. 73, 74
Ao longo do estágio, muitos utentes me perguntavam o que eram os triglicerídeos pois não percebiam a diferença que havia com o colesterol.
4.3. Tratamento não farmacológico
O tratamento não farmacológico é muito similar para a hipercolesterolemia e a hipertrigliceridemia. Baseia-se principalmente na redução dos fatores de risco modificáveis ao adotar estilos de vida mais saudáveis. Este inclui 73, 74, 76, 77:
• Adotar uma alimentação saudável seguindo as seguintes recomendações: o Preferir carnes brancas (peru, frango ou coelho, retirando-lhes a
pele);
o Reduzir a ingestão de gorduras de origem animal como carnes vermelhas, manteiga, queijo e leite gordo, gema de ovo;
o Consumir peixe 3 a 4 vezes por semana (salmão, sardinha, atum); o Consumir de preferência produtos frescos;
o Aumentar o consumo de frutos e vegetais;
o Cozinhar a vapor, grelhar ou estufar os alimentos. Evitar os fritos; o Consumir de preferência leite magro ou meio-gordo assim como
outros produtos lácteos magros;
o Dar preferência ao azeite em vez do óleo, margarinas, manteiga ou banha;
o Evitar charcutaria e alimentos preparados industrialmente; o Evitar natas e maioneses;
o Consumir doces de chocolate em ocasiões especiais; o Consumir cereais ricos em fibras, trigo, arroz integral; • Reduzir o excesso de peso para um peso saudável;
• Praticar exercício físico regularmente: ajuda a diminuir o LDL e aumentar o HDL – meia hora por dia é suficiente;
• Parar de fumar;
• Se tomar medicação, tomar de acordo com as indicações do médico.
De modo a veicular corretamente esta informação ao utente e para que pudesse aplicar estas medidas em casa, elaborei um panfleto para fornecer aos utentes após a medição destes parâmetros bioquímicos (Anexo VI – Figura 2a e 2b 73, 74, 76, 77).
5. CONCLUSÃO
As doenças cardiovasculares de causa aterosclerótica são a principal causa de morbilidade e mortalidade nos países desenvolvidos e uns dos fatores de risco para tal são a hipertensão arterial e as dislipidemias. Por isso, quanto mais cedo adotar medidas preventivas, melhor será a nossa saúde cardiovascular no futuro. Existem fatores de risco não modificáveis mas também existem fatores de risco modificáveis, relacionados com o estilo de vida, e sobre os quais recai a prevenção. É importante ter em mente que quando existem vários fatores de risco estes potencializam-se tornando o risco maior do que se eles se adicionassem. 73
Uma parte importante da prevenção passa pela informação ao utente não só dos riscos que corre ao não cuidar da sua saúde cardiovascular como também dos meios de prevenção que pode adotar.
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ANEXOS
Anexo I – Espaço físico exterior da farmácia Progresso
Figura 1 – Espaço exterior da farmácia Progresso.
Anexo II – Espaço interior da farmácia Progresso
Figura 1 – Postos de atendimento.
Figura 2 – Zona de atendimento ao público.
Figura 3 – Gabinete de atendimento personalizado.
Anexo III – Receitas médicas
Figura 1 – Receita médica eletrónica.
Figura 2 – Receita médica manual.
Figura 3 – Guia de tratamento das receitas médicas eletrónicas com os respetivos código de acesso e código de direito de opção.
Anexo IV – Intervenção farmacêutica na contraceção de emergência
Tabela 1 – Contraceção de emergência disponível em Portugal.
MÉTODO CONTRACETIVO VIA DE ADMINISTRAÇÃO E POSOLOGIA MECANISMO DE AÇÃO PRESCRIÇÃO MÉDICA DISPOSITIVO INTRAUTERINO DE COBRE • Via intrauterina • Até 120 horas após
relação sexual
• Propriedades anti fertilizantes do cobre • Causa uma inflamação
a nível do trato genital com chamada de leucócitos tóxicos para os gâmetas, prevenindo assim a formação de um embrião viável Necessária a inserção por um ginecologista LEVONORGESTREL POSTINOR ® (BAYER) NORLEVO ®(HRA PHARMA)
• 1,5 mg por via oral numa dose única • Até 72h após a relação sexual • Atrasa ou interrompe o precoce de maturação folicular, prevenindo assim a ovulação
• Perde eficácia após o aumento de LH e não previne a ovulação Não é necessária ACETATO DE ULIPRISTAL ELLAONE ®(HRA PHARMA)
• 30 mg por via oral numa dose única • Até 120h após a relação sexual • Inibe a 100% a rutura folicular se administrado antes do aumento de LH • Após aumento de LH
até ao dia do pico de LH, atrasa a rutura folicular Disponível sem receita médica exclusivamente em farmácias
Figura 1 – Estrutura química do acetato de ulipristal.
Tabela 2 – Eficácia da CE em dois estudos separados e meta-análise em função do tempo que decorreu desde a relação sexual não protegida.
Taxa de gravidez (%) UPA LNG Creinin et al (0-72h) 0,9 (7/773) 1,7 (13/773) Glasier et al (0-120h) 1,6 (15/941) 2,6 (29/958) Meta-análise (0-24h) 0,9 (5/584) 2,5 (15/600) Meta-análise (0-72h) 1,4 (22/1617) 2,2 (35/1625) Meta-análise (0-120h) 1,3 (22/1714) 2,2 (38/1731)
O grupo tratado com UPA demonstra uma menor taxa de gravidez do que o grupo tratado com LNG às 24h, 72h e 120h.
Figura 2 – Protocolo de Dispensa Exclusiva em Farmácia do Acetato de Ulipristal disponibilizada pelo INFARMED.
Tabela 3 – Critérios de inclusão para dispensa de CE e critérios de exclusão para referenciação ao médico.
Critérios de inclusão Critérios de referenciação para consulta médica • Idade superior a 18 anos
• Contraceção de emergência até 120h apos uma relação sexual não protegida ou falha do método contracetivo
• Idade inferior a 18 anos
• Gravidez ou suspeita de gravidez
• Hipersensibilidade à substância ativa, aos excipientes
• Asma grave, compromisso renal ou afeção hepática, aleitamento
• Interações medicamentosas que provoquem diminuição da eficácia
Figura 3a – Folheto informativo elaborado por mim – vista exterior.
Figura 3b – Folheto informativo elaborado por mim – vista interior.
Anexo V – A importância da hidratação no idoso
Tabela 1 – valores de referência para a ingestão diária de água proveniente do consumo de bebidas por faixa etária e por sexo (litro/dia).
Figura 1 – Pirâmide alimentar adaptada às necessidades do idoso.
Faixa etária Sexo feminino Sexo masculino
Crianças (2 a 3 anos) 1,0 1,0
Crianças (4 a 8 anos) 1,2 1,2
Crianças (9 a 13 anos) 1,4 1,6
Adolescentes e adultos 1,5 1,9
Tabela 2 – Fatores de risco para a desidratação no idoso. Fatores de risco
Relacionados com o envelhecimento Idade superior a 80 anos Alterações fisiológicas Relacionados com patologias Co-morbilidades
Infeções Vómitos, diarreia, febre
Distúrbios cognitivos Mobilidade reduzida
Disfagia Incontinência
Malnutrição
Iatrogénicos Polimedicação (laxantes, diuréticos, etc.)
Sociais Isolação social
Autonegligência Falta de acesso a líquidos
Falta de cuidador
Ambientais Verão (ondas de calor)
Inverno (maior risco de infeção)
Figura 2a – Folheto informativo elaborado por mim – viste exterior.
Figura 2b – Folheto informativo elaborado por mim – vista interior.
Tabela 3 – Teor em água de alimentos e bebidas mais comumente consumidos.
Bebidas Teor em água (%)
Chá, infusões 90-99
Refrigerante de cola 90
Leite de vaca UHT meio gordo 89
Sumo de fruta 100% natural 87-89
Iogurte líquido meio gordo 83
Alimentos
Sopas hortícolas 88-93
Maçã, alperce, laranja, pêssego, cenoura, morango, melancia, couve-flor,
pepino, brócolos, couve, tomate, espinafres, alface
85-95
Banana, uva, pêra, azeitona, ananás,
batata, milho 75-85
Peixe, frutos do mar 70-80
Arroz, massa 65-80
Carne 45-65
Queijo 40-50
Pão, biscoitos 30-45
Anexo VI – Aconselhamento não farmacológico na hipertensão arterial e nas dislipidemias
Tabela 1 – Pressão arterial em adultos com idade superior a 18 anos. Pressão arterial sistólica (mmHg) Pressão arterial diastólica (mmHg) Ótima <120 e <80 Normal 120-129 e/ou 80-84 Normal-alta 130-130 e/ou 85-89
HTA Grau I 140-159 e/ou 90-99
HTA Grau II 160-179 e/ou 100-109
HTA Grau III ≥180 e/ou ≥110
Hipertensão arterial sistólica isolada
≥140 e <90
Figura 1a – Folheto informativo elaborado por mim – vista exterior.
Figura 1b – Folheto informativo elaborado por mim – vista interior.
Tabela 2 – Valores de colesterol, LDL e HDL recomendados. Valores recomendados (mg/dL) Colesterol total <190 Colesterol LDL <115 Colesterol HDL >40 no homem >45 na mulher 69
Figura 2a – Folheto informativo elaborado por mim – vista exterior.
Figura 2b – Folheto informativo elaborado por mim – vista interior.
Relatório de Estágio
março de 2014 a junho de 2014Lucilla Fantini Qiamin Lin Raquel Sousa
Orientador: Dra. Regina Ungerer
______________________________________________
Eu, Raquel Marisa Fernandes de Sousa, abaixo assinado, nº 200904600, aluna do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento.
Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de _____
Índice 1. AOMS ... 1 2. A REDE EPORTUGUESE ... 3 3. OESTÁGIO ... 5 4. CONCLUSÃO ...11 5. BIBLIOGRAFIA ...12
A Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma agência especializada em saúde global fundada a 7 de abril de 1948 e que pertence à Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a sua constituição, ratificada no dia da sua criação, a saúde pública não é somente a ausência de uma doença ou de uma enfermidade mas também é um estado completo de bem- estar físico, mental e social. O objetivo da OMS é assim a promoção da “Melhor Saúde possível