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Statistical Model

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4 1D Models: Deformable Curves

4.1 Statistical Model

Em fevereiro de 2007, o documento "Brasil de Fato: informe aos movimentos que o sustentam" coloca que o jornal, em quatro anos, sofreu dificuldades de natureza: "administrativa, organizaciona l, geográfica, financeira e de apoio político", mas afirma que

"graças ao esforço militante e voluntário" e a algumas mudanças no projeto inicial que "priorizava o jornal impresso e a disputa em bancas", conseguiu sobreviver.

O Brasil de Fato teve seu número de páginas reduzido, diminuiu tiragem e equipe, e com a economia de dinheiro, pagou suas dívidas. Segundo o documento, foi possível construir "um novo sistema de comunicação que extrapola o jornal impresso e procura potencializar o uso de outros veículos de informação também importantes", como a página na internet e o boletim eletrônico semanal enviado a cem mil endereços. O texto coloca que, o esforço de massificar o jornal impresso permanece, "mas a partir das edições temáticas (de grandes tiragens e distribuídas gratuitamente), que disputam a opinião pública em temas especiais"

Em relação às perspectivas para o "conjunto de veículos" (jornal e página na internet) que compõem o Brasil de Fato, o documento avalia que só haverá crescimento "se os movimentos sociais crescerem de representatividade na luta de classes do país e se as nossas idéias crescerem na esquerda". Em relação ao posicionamento político do Brasil de Fato, o texto é claro:

Hoje defendemos uma posição que se diferencia das demais, por não termos aderido ao governo Lula, mas também não aceitamos fazer oposição a ele – e somente a história dirá se essa posição é correta e crescerá. Também o nosso crescimento vai depender de que aumentando a importância dos movimentos sociais no contexto da luta de classes, então outros setores da esquerda e da sociedade terão crescente interesse em saber/ conhecer nossas posições políticas pelos veículos que dirigimos. Finalmente, nosso jornal somente recuperará um papel de disputa de opinião nas massas se houver reascenso do movimento de massas. Se ainda nos mantivermos por um longo período no refluxo do movimento de massas, nossa tarefa será de resistência e, portanto, com dificuldade para crescer e ampliar.

A partir do trecho colocado acima, retirado do documento "Brasil de Fato: informe aos movimentos que o sustentam", podemos aferir que o grupo dirigente do jornal reconhece as mudanças em relação ao projeto editorial original, de um jornal de massas, plural, e a justifica pela não realização da ascensão do movimento de massas após a eleição de Lula, em 2002. Reconhece também, que o jornal não desperta o interesse de setores da esquerda que não estão próximos ao “Projeto Popular” e de outras parcelas da sociedade, pelo pouco espaço político ocupado pelos movimentos sociais neste período, resultado de uma conjuntura desfavorável.

Ricardo Gebrim, membro do conselho editorial do Brasil de Fato e dirigente do movimento Consulta Popular, tem uma posição semelhante. De modo geral, credita à conjuntura de crise de mobilização dos movimentos sociais, a responsabilidade pela mudança

de rumos do jornal e por sua restrição a um público militante, ligado aos movimentos que o construíram, como coloca na entrevista à autora:

Eu pessoalmente tenho a visão de que sem uma alteração mais profunda na conjuntura, o jornal está condenado a ficar nesse nicho. Claro que esse nicho tem espaço, tem gordura para ele crescer um pouco mais, um pouco menos, as campanhas podem dar um pique maior, você pode vender um pouco mais de assinaturas, você pode crescer um pouco mais nas assinaturas, mas ele está meio que condenado nesse momento atual a esse espaço. É difícil ele romper esse espaço, exige outro momento. Um momento de maior intervenção popular, maior mobilização, onde o jornal se converta, onde esse campo político que o jornal reproduz ganhe força social. O jornal também vai ganhar força social. Eu enxergo o jornal como uma ferramenta desse campo, se esse campo não ganha espaço, não ganha força, o jornal por si só não vai ganhar. Ninguém quer encher muito a bola do jornal, porque sente que está enchendo a bola de um campo político.

Em relação à alteração das perspectivas inicias para o jornal, Gebrim acredita que suas metas eram muito ambiciosas e que o Brasil de Fato deveria ter se proposto a começar menor, sem a pretensão de atingir um público tão amplo, como coloca no trecho a seguir:

Na prática existia esse debate (de falar para a sociedade). E esse debate influenciava muito a idéia de um jornal de grande porte, como ele tentou nascer. Eu acho que aí houve um equívoco da nossa parte, porque na prática o jornal converteu-se em um jornal que abrange o círculo. E isso é o real. Isso é o que nós tínhamos capacidade de sustentação financeira, capacidade política, capacidade material de viabilizar. O outro nós não teríamos capacidade material. Eu acho que o Brasil de Fato não podia ser muito diferente, por isso eu acho que ele deveria ter começado pequenininho. Esse era o espaço que estava reservado para um veículo com esse perfil, de trabalhar esse conjunto de forças que a gente chama de projeto popular, que é uma coisa mais ampla, esses setores sociais, tava reservado esse perfil para ele, essa possibilidade de público. E esse conjunturalmente estava reservado isso. Só outra conjuntura vai ampliar, vai potencializar que ele tenha outro público, atinja mais gente, cumpra um papel maior.

Já Miguel Stedile coloca que as metas que o jornal pretendia atingir eram acertadamente ambiciosas, pois ele nasceu para fazer a disputa da hegemonia na sociedade. Em entrevista à autora, declara que:

Agora olhando para trás a gente pode perceber onde nós erramos e de que maneira. Agora, naquele momento tinha essa idéia que ia diminuir a repressão e que ia abrir espaço para que os movimentos sociais p udessem acumular. Então, e era importante, já que haveria embates, polarizações – como houve, e há – e era importante que houvesse um jornal que orientasse isso, um jornal que fosse massivo. Então uns falam meio que frustrados e outros de forma meio cômica, na fala do Arbex no ato de fundação do jornal: “Nós temos um jornal que em breve será um diário de um milhão de exemplares”. Nesse momento, quando a gente vê todas as dificuldades que o jornal passou, parece um exagero, um idealismo, um devaneio. Mas naquele momento histórico não estava errado de colocar aquilo como meta. Estabelecer que se nós queremos... E a preposição dele continua correta. Se nós queremos um jornal que demarque do ponto de vista de esquerda e faça a disputa hegemônica, você

precisa de um jornal com uma periodicidade como essa [...] Não foi um jornal que nasceu se pensando pequeno. Pode até ter nascido pequeno, mas nunca se pensou limitado. “ah, vamos ser pequenos e aí...”. Não, nós vamos ser grandes. Isso não é um idealismo, exagero. Acho que é sinal de maturidade. Se a esquerda quer disputar o poder no Brasil, ela precisa ter veículos de comunicação de massa. E veículo de comunicação de massa não é o Jornal Sem Terra com 20 mil exemplares, não é... Tem que ser massivo. Então, tem que atirar alto também.

Para Nilton Viana, editor-chefe do jornal, a principal dificuldade que fez com que o Brasil de Fato não atingisse o público amplo que almejava foi a questão da distribuição e, a partir dela, o jornal se viu obrigado a se restringir e transformar formato e linguagem, se direcionando para o público militante, como declara a seguir:

Hoje, nós passamos a ser um instrumento muito mais de resistência. Significa que, pelo baixo nível de assinaturas e de divulgação, ele passou muito mais a ser um instrumento que está servindo para os nossos formadores de opinião, nossos militantes, nossos dirigentes. Ele não está conseguindo, não conseguiu ser um instrumento que está chegando para a grande maioria da população. Então nós tivemos que adequar nossa linguagem. Nós tivemos que trabalhar com textos muito mais densos, com mais informação analítica. Por mais que seja uma reportagem, são reportagens muito mais densas, sendo que no projeto inicial a idéia era trabalhar com textos muito mais curtos. Então dada inclusive essa dificuldade do jornal chegar, só chega para o nosso leitor apenas sete dias depois que nós fechamos a edição. Então não pode ser uma linguagem factual, não pode ser muito superficial, então nós trabalhamos com textos muito mais aprofundados, com reportagens, com muito mais elementos. Daí nossas reportagens de página inteira. Do ponto de vista de linguagem, acaba sendo muito densa. Mas fomos obrigados, enfim. Acredito que quando nós formos ampliando e quando tivermos mais facilidade de chegar a um maior nível em número de pessoas a tendência é trabalharmos com linguagem mais simples, com textos menos densos.

José Arbex Júnior, ex-editor chefe do jornal e membro do coletivo que se envolveu em sua construção, faz uma avaliação em que credita a mudança de rumos do jornal em relação ao seu projeto editorial original a quatro pontos fundamentais, que se interligam. Em primeiro lugar, coloca que o formato do jornal foi pensado para deslanchar numa conjuntura de efervescência popular, com a ascensão dos movimentos, o que não aconteceu. Um segundo ponto seria a questão do lançamento do jornal, sem a arrecadação do montante calculado para isso (como pudemos ver no capítulo IV). O terceiro foi o boicote e a dificuldade em distribuir o jornal em bancas e o quarto, é a não realização dos comitês, como coloca na entrevista dada à autora:

Eu me lembro que na época (do lançamento) eu falei uma coisa que todo mundo concordou, ou pelo menos aparentemente concordou que era o seguinte: Nós temos um meio de aferir se esse jornal é possível e vai dar certo ou não. Esse meio de aferir é o seguinte, o jornal tem que ser feito por comitês de redação espalhados pelo Brasil inteiro. Ou seja, o jornal não pode ser restrito ao eixo Rio – SP – Brasília, ele tem que mostrar um Brasil que ninguém conhece descrito pelos brasileiros que vivem no Brasil. É claro que o comitê de redação em São Paulo teria a missão de dar um formato jornalístico legível para o material que a gente recebesse. Mas, esse

comitê de redação de São Paulo não iria substituir os comitês pelo Brasil, não poderia acontecer isso. Se acontecer isso seria a derrota do jornal. E eu cheguei a fazer várias viagens pelo Brasil agregando esses comitês. Eu me lembro que houve reuniões fantásticas, eu me lembro de uma reunião em Belo Horizonte que participaram artistas de teatro, prostitutas, trabalhadores mascates de rua, intelectuais da Universidade. E era isso mesmo que tinha que ser. A idéia era essa, fazer esse jornal.

Para Arbex, os comitês, que seriam o grande diferencial do Brasil de Fato em relação aos outros jornais, além de ser o elemento garantidor da pluralidade de visões, não funcionaram pela incapacidade do jornal em mantê- los com recursos financeiros, além de deslocar pessoas para formá-los, e também diante da perplexidade que se abateu sobre a sociedade após a eleição de Lula em 2002. Segundo ele:

O maior problema é que o governo Lula não foi aquilo que se esperava. Então o que aconteceu? Criou-se uma expectativa em cima do governo Lula nos primeiros seis meses do país e do jornal que todo mundo ficou na dúvida, que governo é esse aí? É esquerda, é direita? O Lula está esperando o momento adequado para dar a guinada para a esquerda? È um governo em disputa, não é um governo em disputa... O que é isso aí? E é lógico que essa perplexidade começou a se abater sobre as pessoas que queriam fazer o jornal.

Arbex acredita que a expectativa em relação ao governo e a indefinição sobre os rumos a tomar atingiram o Brasil de Fato não só em relação à formação dos comitês, mas também em relação ao público leitor, já que, como colocamos acima, o jornal foi pensado para atuar dentro de uma conjuntura de ascensão dos movimentos e lutas populares, em que ele seria o único veículo a falar "de dentro" das mobilizações para fora. Durante a entrevista, Arbex coloca que:

Não vamos esquecer que houve um momento de expectativa. O Brasil inteiro parou para ver o que ia acontecer. Se o Lula tivesse feito um apelo ao movimento de massas para que fosse para a rua fazer reforma agrária, aí eu te garanto que iria se cumprir a previsão dos otimistas, que o jornal iria estourar. Mas o Lula não fez isso, no discurso de posse usou umas dez vezes as palavras “espera” e “paciência”. Então houve um momento em que todos os movimentos sociais, e as pessoas em geral, os trabalhadores, os brasileiros que comemoraram, ficaram num processo de expectativa, você não conseguia chamar ninguém para a luta. Vai lutar contra o que? Contra o governo Lula?

Como pudemos perceber, existe consenso de que o jornal Brasil de Fato que saiu nas bancas não é o mesmo que está descrito em seu projeto editorial. Tanto os documentos produzidos a partir de reuniões do conselho, os posicionamentos do MST em circulares, como os depoimentos colhidos para a realização desta pesquisa afirmam que essa mudança aconteceu. Diante dela, buscam explicações que giram em torno de temas semelhantes e relacionados, avaliando que a conjuntura imaginada durante a formulação do projeto não se

concretizou e a partir daí surgiram dificuldades: 1. Financeiras, que interferem nas questões de distribuição e tiragem; 2. De mobilização, que restringiram as possibilidades de formação de comitês que funcionassem efetivamente no fornecimento de pautas; 3. Políticas, que dividiram a esquerda a partir de discordâncias em relação à natureza do governo Lula e afastaram grupos políticos e intelectuais diversos do projeto do jornal.

Dando mais ou menos importância a essas questões, os documentos consultados e as falas de nossos entrevistados concordam que o Brasil de Fato se tornou um jornal de movimentos, o que não estava previsto em seu projeto editorial, mesmo que seu esboço tenha sido formulado no seio do MST.

Por outro lado, existem avaliações diferentes sobre as opções que o jornal adotou diante das adversidades apresentadas pela conjuntura descrita acima, e mais, existem explicações diferentes para justificar essas opções. Alguns enxergam que as escolhidas foram as únicas que a conjuntura apresentou, mas esta não é uma visão consensual. José Arbex, por exemplo, afirma que a indefinição do Brasil de Fato em relação ao governo Lula foi tão prejudicial ao seu projeto de disputa de um público amplo na sociedade quanto os outros fatores listados acima. Ele declara, em entrevista para essa pesquisa que:

Quem faz o jornal não sabia que manchete dar no jornal. Porque se você desde o começo dissesse que o governo Lula é de direita, eu saberia que manchete dar no jornal. Por exemplo, transgênicos. "Lula é um traidor porque aprovou os transgênicos" etc. Se eu partir da caracterização de que o governo Lula é de esquerda e que ele cometeu um equívoco com o negócio dos transgênicos, a minha manchete vai ser outra. "Governo Lula comete um equívoco". Se eu parto da constatação de que é um governo em disputa, hora vai para a esquerda, hora vai para a direita, minha manchete vai ser outra, "Lula tem que ouvir o clamor do povo". E não houve uma concordância sobre o que era o governo Lula, e isso apareceu estampado no jornal. Entre o grupo que pensava o jornal. Por outro lado, e aí vem a parte dos leitores, o que o leitor espera do jornal, que ele já não vai encontrar nem no Estadão, nem na Folha, ele esperaria algo novo. O leitor, para justificar ele não comprar o Estadão nem a Folha e justificar ele comprar o Brasil de Fato, o Brasil de Fato teria que provar que ele era necessário para esse leitor que já lê a Folha e que já lê o Estadão. O que nós poderíamos oferecer nessa circunstância que ele já não tinha? Nada. Nada porque os comitês não funcionaram, a gente não tinha um Brasil diferente para mostrar, a gente não tinha nada novo para mostrar. O que a gente tinha? Um discurso ideológico. Só. Por que o cara vai deixar de comprar a Folha para ficar ouvindo o discurso ideológico do Brasil de Fato?

Para Arbex, a ambigüidade do Brasil de Fato em relação ao governo Lula fez com que o jornal não conseguisse se definir, inclusive em relação à linguagem e público-alvo. Segundo ele:

Não estava claro para quê ia existir um jornal que ia se relacionar com um governo que a gente não sabia exatamente o que era. O jornal também não sabia o que era. Então por que assinar esse jornal? É um governo que a gente não sabe o que é e um

jornal que não sabe por que existe. Então para que assinar esse jornal? O jornal ficou no limbo. Uma hora dava manchetes contra os transgênicos e não sei o que, outra hora elogiava a política externa do governo Lula, outra hora descia o cassete no Banco Central, depois dizia que o Lula fez bem em não isolar Cuba, foi um negócio completamente anômalo. Prime iro lugar, a perplexidade de quem fazia o jornal. Segundo lugar, a ambigüidade do próprio governo Lula e a ambigüidade que ele estabeleceu com a CUT, com o próprio movimento de massas, com a nação brasileira em geral. Em terceiro lugar você tem uma situação de completa esquizofrenia, que é saber se esse jornal, afinal de contas, deveria se endereçar à esquerda ou à nação inteira. Que é o problema que eu mencionei. Qual é a linguagem que o jornal deveria utilizar? Se os comitês tivessem emplacado, esse problema nem apareceria, porque a linguagem do jornal seria a dos comitês. Mas esses comitês não emplacaram, então qual é a linguagem do jornal? É a linguagem dos comitês de redação, em São Paulo. E qual é essa linguagem? Não é a do MST, porque as pessoas que escreviam o jornal não eram do MST, não era a linguagem do PT, porque as pessoas que escreviam o jornal não eram necessariamente do PT. Não era uma linguagem universitária, porque nem todos... Que linguagem era essa? Uma linguagem difusamente pretendida como sendo uma linguagem de esquerda.

Já Nilton Viana, declara que o jornal não se pauta pelo governo, procurando fazer críticas pontuais em alguns momentos, como coloca em sua entrevista:

Para nós é o seguinte, o jornal não é nem oposição ao governo Lula nem correia de transmissão do Planalto. Sabemos que esse é um governo extremamente contraditório, não é? É um governo em toda essência, é um governo neoliberal, em toda sua estrutura, em toda sua condução política, econômica etc. Mas o Brasil de Fato não tem o governo Lula como inimigo. Até mesmo porque não é papel do Brasil de Fato, e nós fazemos o acompanhamento e a leitura, que inclusive se expressa dentro do conselho do BF, que é um conselho amplo – o Conselho Editorial – dentro dessa leitura, que o governo é um governo contraditório, mas o papel é sempre que esse governo fizer ou tomar qualquer medida que beneficie a maioria da população brasileira o Brasil de Fato é o primeiro a estampar manchete e defender. Mas sempre que tomar medidas contrárias à classe trabalhadora, nós estaremos somando forças às lutas sociais, aos movimentos sociais, à classe trabalhadora, quem quer que esteja fazendo luta. Agora, nós temos claro que o governo Lula não é nosso inimigo.

Arbex argumenta que o jornal perde a independência ao deixar de fazer críticas contundentes contra o governo para não forjar uma ruptura, como afirma na declaração a seguir:

O que é um jornal independente? Um jornal independente é um jornal que não se deixa pautar por compromissos ideológicos. O jornal independente tem uma ideologia, mas ele não se deixa pautar por compromissos ideológicos. Então ele é de esquerda, é socialista, antiimperialistas, mas, sobretudo é um jornal. Qual é o compromisso do jornal? É como o fato, com a notícia. É com aquilo que está acontecendo. Esse é o compromisso do jornal. Bom, o que está acontecendo pode afetar o governo, não interessa. Você vai parar porque pode afetar o governo? Se você parar, deixou de ser jornal. Você virou um porta-voz, um comentarista, um panfleto, mas você deixou de ser um jornal, porque você não foi até o fim para reportar aquilo que está acontecendo e que você sabe que está acontecendo. Então o jornal acabou, em minha opinião, por causa dessas ambigüidades, por causa dessa falta de definição, por causa de todo esse marasmo ideológico que se apossou da esquerda com o governo Lula, o jornal perdeu a vitalidade dele, perdeu a capacidade que tinha de mobilizar alguém. Primeiro porque ele não podia ir até o fim. Porque

para ir até o fim ele teria que cortar na própria carne. Segundo porque para ir até o

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