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Detection of Rigid Objects

Dans le document 2D Object Detection and Recognition (Page 24-27)

A estrutura de funcionamento do Brasil de Fato foi sugerida basicamente pela mesma comissão responsável pela elaboração do projeto editorial do jornal. Esta comissão, formada principalmente por jornalistas, era a mais capacitada para vislumbrar as demandas de um meio de comunicação por pessoal. Por outro lado, a questão política permeou a estruturação dos órgãos colegiados que deveriam gerir o jornal, deixando claro que o Brasil de Fato se tratava de um projeto político que teria diretrizes claras a seguir.

A redação do Brasil de Fato, localizada na região central de São Paulo, seria responsável pela organização da rede de correspondentes e colaboradores regionais que deveriam fornecer informações, textos e fotos. Organizar essa colaboração seria o maior

desafio da redação, segundo o documento "Estrutura organizativa do jornal", parte do projeto editorial do Brasil de Fato. Sua equipe fixa de profissionais deveria contar com: um diretor de redação, um editor de Brasil/ economia, um editor de internacional, um editor de cultura/ esportes, um coordenador da agência de notícias com funções de pauteiro, três repórteres sem alocação fixa nas editorias, um editor de arte, um arteiro para editoração, um secretário de redação/ produção. Também foi sugerida a reserva de alguma verba para a contratação de eventuais repórteres e fotógrafos free-lancers, para a compra de fotos e ilustrações, além da necessidade de contar com articulistas e jornalistas que ajudassem nos fechamentos. O esboço do projeto editorial feito por José Arbex contava com a figura de um diretor de redação, "autoridade máxima, autônoma e soberana para decidir o dia-a-dia do jornal (manchetes, pautas, enfoques de reportagens, entrevistas)". Essa figura aparece como editor-chefe no projeto definitivo, cargo ocupado primeiro por Arbex e posteriormente por Nilton Viana. Os jornalistas e demais profissionais da redação seriam contratados e remunerados pelo serviço. Dentro da perspectiva de construir um jornal militante, voltado somente aos movimentos sociais, houve propostas que defenderam a não-remuneração dos profissionais, mas a necessidade de consolidar uma equipe fez com que essa idéia fosse descartada.

Uma iniciativa que casou a necessidade de divulgação do projeto com a urgência em formar uma rede de colaboradores foi a página na internet chamada de "Tira-gosto". Colocada no ar em novembro de 2002, ela tinha como objetivos principais "concentrar, organizar e estimular o trabalho da rede de colaboradores regionais, além de servir como canal de captação de pautas e de novos colaboradores" e "testar e definir a melhor forma de operar no dia-a-dia do jornal com o recebimento, a seleção e a edição do material enviado pela rede de colaboradores regionais" (documento intitulado Cardápio para o site tira- gosto). A página antecipava também alguns dos temas que seriam abordados no jornal a partir de artigos inicialmente publicados por agências de notícias próximas e enviados por futuros colunistas.

Em relação à gestão, o projeto editorial final previa a formação de dois conselhos: de redação e político. O conselho de redação teria quinze membros, com o papel de supervisionar o jornal e fazer reuniões quinzenais com o conselho editorial. Este conselho, formado por pessoas escolhidas pelo MST, deveria ser composto levando em consideração aspectos como representação social, disponibilidade e compromisso com o jornal. Caberia ao conselho de redação a contratação de pessoal, compra de equipamentos, administração das relações do jornal, além da produção de editoriais em colaboração com o diretor de redação, sendo que esta última função aparece somente no esboço de projeto feito por José Arbex.

Ao longo do processo, o conselho de redação transformou-se em conselho editorial e perdeu parte de suas atribuições pontuais no dia-a-dia do jornal, tornando-se um grupo de sugestões de pauta e enfoques políticos, que se reúne mensalmente. Foi reformulado procurando contemplar a pluralidade de visões dentro da esquerda, em princípio com doze pessoas de origens distintas. Para Nilton Viana, em declaração feita na entrevista dada à autora:

Inicialmente, quando o jornal foi lançado nós nos reuníamos quinzenalmente [...] para fazer o “pente fino”, digamos assim, da conjuntura política. E também tomar decisões mais de caráter imediato. A idéia era [ter] sempre figuras dos movimentos sociais, que tenham representatividade e possam trazer para cada reunião elementos que nos ajudem a balizar a conjuntura política.

O conselho político, formado pelos representantes do conselho editorial e aproximadamente outros cinqüenta membros, tinha a função de dar respaldo e legitimidade ao projeto. Para isso, foram convidados professores, intelectuais, artistas, escritores, parlamentares e lideranças de movimentos sociais, que dificilmente participariam de forma ativa da vida do jornal, mas que poderiam emprestar seus nomes e imagens às campanhas de vendas e assinaturas. Este conselho deveria se reunir a cada três meses, mas isso nunca ocorreu na prática. Foram organizadas reuniões semestrais, que há alguns anos se tornaram anuais, pela dificuldade em coordenar agendas tão diferentes. Segundo Nilton Viana:

A instância maior é o conselho político [...] com espectro bem amplo de participação, inclusive ideológico. Nós temos [...] do PMDB ao PSTU. No começo era uma estrutura que se reunia duas vezes por ano, mas nós temos feito uma reunião anual. Ele tinha um caráter muito mais para dar respaldo político, inclusive com algumas figuras de expressão política nacional e internacional. É algo que foi criado muito mais para dar as diretrizes políticas de longo prazo e ao mesmo tempo dar um peso político para esse veículo que estávamos lançando. Nós temos dentro desse conselho o Noam Chomsky, Sebastião Salgado, Oscar Niemeyer. São figuras que é claro, não participam das nossas reuniões, mas são pessoas que por confiança política e por acreditar no projeto político do Brasil de Fato emprestaram seus nomes. Nós temos um leque enorme de pessoas, de intelectuais, artistas que emprestam seus nomes para dar respaldo político. Mas a função desse conselho é se reunir um vez por ano e fazer os grandes debates. E é um momento que nós aproveitamos para prestar contas do que estamos fazendo para as pessoas que emprestam seus nomes ao projeto Brasil de Fato.

Um dos pilares mais importantes do jornal seria sua lista de colunistas brasileiros e estrangeiros. Graças ao prestígio do MST, uma série de intelectuais aceitou contribuir com artigos não remunerados para o jornal. O dia a dia mostrou que nem todos teriam disponibilidade e interesse para tal, mas, antes do lançamento do Brasil de Fato, a lista de

possíveis colaboradores e articulistas era extensa e contava com os seguintes nomes (Documento sem título com lista de colaboradores, 2002):

Colaboradores de política e economia nacional

Ademar Mineiro, Apolônio de Carvalho, Armando Boito Jr., Beto Almeida, Caio Navarro de Toledo, Candido Grzybowski, Carlos Lessa, Carlos Nelson Coutinho, César Benjamin, Chico de Oliveira, Dom Demétrio Valentini, Dom Mauro Morelli, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomas Balduíno, Eduardo Carrion, Emir Sader, Ermínia Maricato, Fábio Konder Comparato, Fernando Morais, Frei Betto, Frei João Xerri, Gershon Knispel, Hamilton Octavio de Souza, Horacio Martins, João Quartim de Moraes, Jacob Gorender, João Pedro Stedile, José Arbex Júnior., Leandro Konder, Leo Lince, Leonardo Boff, Luis Carlos Guedes Pinto, José Luis Fiori, Marcos Arruda, Maria da Conceição Tavares, Maria Luisa Mendonça, Maria Vitória Benevides, Marilena Chauí, Marília Gabriela, Mário Maestri, Nilo Batista, Olga Futema, Paulo Arantes, Paulo Zarth, Plínio Arruda de Sampaio, Plínio Arruda de Sampaio Júnior, Raquel Rolnik, Reinaldo Gonçalves, Ricardo Antunes, Robert Ponge, Ronald Rocha, Sergio Haddad, Sueli Carneiro, Thetonio dos Santos, Vânia Bambirra, Valter Pomar e Vladimir Pomar.

Colaboradores de cultura

Alcione Araújo, Alípio Freire, Alfredo Bosi, Antonio Candido, Augusto Boal, Beth Carvalho, Clóvis Moura, Companhia Teatro do Oprimido, Daniel Viglieti, Dulce Maia, Eduardo Galeano, Fabio Paez, Fernando Morais, Ferrez, Gilberto Maringoni, Hamiltom Pereira (Pedro Tierra), Ivan Villela, Joana Fomm, Lobão, Luiz Fernando Veríssimo, Maria Maia, Maria Rita Kehl, Sebastião Salgado, Sérgio de Carvalho e Cia. do Latão, Silvio Tendler, Zé Celso Martinez Correa.

Colaboradores de esporte

Juca Kfouri, Sócrates, Cajuru, Juarez Soares, José Trajano, Chico Buarque. Meio-ambiente, transgênicos e soberania alimentar

Aziz Ab' Saber, Ariovaldo Umbelino, Pedro Ivo, Sebastião Pinheiro, David Hathaway, Silvia Ribeiro, Pat Money, Peter Rosset, Ricardo Petrella, Vandana Shiva, Jean Marc Van der Weid, Adriano Campolina.

Colaboradores internacionais

André Gunder Frank (EUA), Armando Bartra (México), Claudia Korol (Argentina), Edward Said, (Palestina-EUA), Fausto Bertinoti (Itália), Fernando Heredia (Cuba), François Chesnais (França), François Hourtart (Belgica), Hanz Hymmlert (costa Rica), James Petras (EUA), Jean Ziegler (Suíça), José Saramago (Portugal), Leo Gabriel (Áustria), Manu Chao (Espanha), Marta Harnecker (Cuba), Michael Löwy (França), Miguel Urbano (Portugal), Mumia Abu Jamal (EUA), Noam Chomsky (EUA), Osvaldo Leon (Equador), Pierre Broué (França), Rita Edwards (África do Sul), Samir Amin (Inglaterra), Sérgio Yahni (Israel), Kiva Maidanik (Russia), Jacques Chonchol (Chile), Xavier Gorostiaba (Venezuela), Ana Maria Cecena (México), Shafik Handal (El Salvador). (Documento sem título com lista de colaboradores, 2002).

Havia também a idéia de fazer contato e utilizar a produção de agências internacionais e portais independentes como ALAI, Ciranda da Informação, La Jornada, Prensa Latina, Il Manifesto, entre outros.

Um dos pilares de sustentação do projeto do Brasil de Fato, os comitês de redação regionais, faziam parte do planejamento estrutural do projeto. Mas, por conta de sua importância, reservaremos um item para falar somente sobre eles a seguir.

Além da equipe editorial e colaboradores, ficou colocada a necessidade de montar uma equipe administrativa, que trabalhasse de forma profissional e remunerada, dentro dos "princípios contábeis de uma empresa" (esboço do projeto editorial), com a formulação de uma política de gastos e rendimentos. Apesar de não ter fins lucrativos, o jornal deveria prever recursos para investir em seu próprio crescimento. Essa equipe deveria gerir também as assinaturas e antes do lançamento do jornal, administrar as doações que o projeto receberia. Em relação às finanças, logo que o primeiro projeto do jornal foi apresentado, foi montada uma equipe para a arrecadação de dinheiro que viabilizaria a publicação. Pelo que observamos a partir da análise dos documentos, a previsão do montante necessário para garantir a sustentação do jornal por um ano mudou bastante ao longo das discussões, como pudemos verificar acima. Em agosto de 2002, o coletivo chegou a um acordo em relação à soma de um milhão e duzentos mil reais, que deveria ser arrecadada até o lançamento do número zero, e que sustentaria o Brasil de Fato até sua consolidação. Posteriormente, uma nova previsão foi feita, apontando para a necessidade de arrecadar dois milhões de reais para garantir o lançamento e o período de consolidação.

A campanha de arrecadação de dinheiro foi deflagrada antes mesmo do nome do jornal ser definido, quando o projeto era chamado simplesmente de "Jornal de Esquerda", e funcionou em três frentes: contribuições de mil reais feitas por entidades e/ou indivíduos, assinaturas antecipadas de cem reais (duração de um ano), e campanha popular que garantiria ao colaborador um mês de recebimento do jornal através da doação de dez reais. Foram estabelecidas cotas- metas de arrecadação para cada estado do Brasil, levando em consideração as diferenças regionais. O estado de São Paulo, por exemplo, por conta de seu peso social e econômico, deveria levantar 20% da meta nacional (Informe ao coletivo do jornal de 23/09/2002).

A divulgação da campanha aconteceu por intermédio dos membros do coletivo, que deveriam passar a seus contatos explicações sobre o projeto. Foi feita também a partir de visitas dos membros às universidades e sindicatos e parte significativa por correio eletrônico. As doações de mil reais eram feitas a partir de fichas de adesão, pagas com cartão de crédito ou boleto bancário. As de cem reais eram feitas a partir de blocos de assinaturas e também poderiam ser pagas por boletos. As de dez reais eram registradas em blocos de contribuição no formato de rifas e numeradas para sorteio de livros e viagens a Cuba.

Foi formulado um documento para a divulgação da campanha de arrecadação de fundos, que tanto poderia ser impresso, colado como cartaz ou enviado pelo correio, como poderia fazer parte de uma mensagem de correio eletrônico. Chamava-se "Aos interessados em democratizar a comunicação", e trazia explicações sobre a iniciativa do MST de criação de um "Jornal de Esquerda", expunha seus objetivos principais e características gerais. O documento, formulado em agosto de 2002, condicionava a o lançamento à arrecadação de um milhão e duzentos mil reais, soma considerada suficiente naquele momento para garantir seis meses de vida do jornal, até que passasse a se manter com as vendas em banca, além de se comprometer a devolver o dinheiro, caso o projeto não se concretizasse. Havia também a possibilidade de arrecadação de fundos a partir de doações de entidades internacionais.

Após o lançamento, havia a perspectiva de que o jornal se consolidasse e se tornasse auto-sustentável em um curto espaço de tempo, a partir da venda em bancas de revistas nas 300 maiores cidades do país, da venda de assinaturas, da venda de cotas para movimentos sociais, da chamada "venda militante", organizada a partir de grupos que poderiam distribuir e vender o jornal por determinada porcentagem (Arbex, esboço do projeto editorial) e, por último, a partir da venda de espaços publicitários que "não comprometam, por sua natureza, a qualidade política do jornal", priorizando os "pequenos anúncios, condizentes com a orientação do jornal", e garantindo "que o jornal não dependa de anúncios institucionais que o determinem e condicionem" (Projeto editorial do jornal Brasil de Fato).

Havia algumas razões para que o coletivo que se reuniu em torno do projeto considerasse que a auto-sustentação do jornal aconteceria em tão pouco tempo. Apesar de que até os meios comerciais, cujos orçamentos são em boa parte cobertos por anúncios, costumam demorar muito mais para se estabilizar. A primeira delas diz respeito a uma estimativa feita a partir do número de assinaturas que o jornal poderia conseguir. José Arbex lembra que essa conta foi formulada a partir do número de pessoas que se engajaram na organização do Plebiscito da ALCA, em 2002:

A gente fazia um cálculo que, durante a campanha contra a ALCA, nós conseguimos agregar 150 mil pessoas. Qual era o cálculo? Se 10% dessas 150 mil pessoas assinarem o jornal são 15 mil assinaturas. Está sustentado o jornal. O Stedile já mencionava que no Brasil tinham nove mil paróquias. Se 10% fizesse assinatura, de um jornal, seriam 900 assinaturas. A gente achava que, por baixo o jornal começaria com 16 mil assinaturas. Um jornal com 16 mil assinaturas no Brasil é um jornal que se sustenta.

E a segunda estava relacionada às perspectivas políticas para o Brasil em 2003. A partir da aproximação da data das eleições, a viabilidade de eleição de Luis Inácio Lula da

Silva para a presidência da República após três derrotas, começou a se delinear de forma mais clara. A partir disso, tantos os jornalistas como os dirigentes que se debruçavam sobre o projeto do Brasil de Fato, fizeram a previsão de que a vitória de Lula, após onze anos, provocaria um momento de ascensão do movimento de massas. Com esta nova conjuntura, o jornal assumiria a função de ser o meio de comunicação mais próximo das lutas populares e passaria a ser procurado avidamente, por trazer informações que somente ele traria. Nas palavras de José Arbex, na referida entrevista:

A vitória do governo Lula dava uma perspectiva de ascensão da luta de massas, na cabeça das pessoas que estavam articulando o jornal. Quer dizer, a idéia era a seguinte: nós estávamos vivendo um momento histórico fantástico no Brasil, um operário, retirante, nordestino [...] chegou à presidência da república, isso vai dar um ânimo para o movimento de massas fantástico, e quando as pessoas forem às bancas para procurar notícias, eles vão ter o tradicional que é a Folha e o Estadão e vão ter o novo que é o Brasil de Fato.

Nilton Viana confirma a avaliação de Arbex e complementa, em depoimento dado à autora:

Nós tínhamos companheiros que imaginavam [...] que o Lula sendo eleito, o Brasil de Fato teria uma grande penetração, porque haveria um estímulo às mobilizações de massa. Alguns companheiros acreditavam que com Lula eleito, as massas, os movimentos de transformação e todas as pessoas que queriam mudanças no país estariam abraçando o Brasil de Fato também, como um instrumento que fosse o reflexo daquele momento político, daquela realidade.

Para Ricardo Gebrim, em entrevista concedida para esta pesquisa:

Quando chegam as eleições de 2002, de possibilidade real de vitória, mesmo achando que o governo Lula não seria um governo de transformações, nós fizemos uma leitura de conjuntura em que achávamos que a vitória do governo Lula, como era um anseio tão represado historicamente, iria representar um momento de retomada, certo reascenso, uma vontade de lutar. Havia uma influência grande do que estava se passando na Venezuela e a gente achava que ainda que o Lula ficasse ali freando, tentando barrar, havia um desejo, um sentimento. Influenciava muito com essa nossa base social muito camponesa, de fato os acampamentos do MST inflaram bastante, isso nos deu certa percepção equivocada de que isso aconteceria na sociedade. Isso fez com que acelerasse muito essa idéia, precisamos ter um jornal. É necessário, é urgente.

Além de acreditar que o Brasil de Fato passaria muito rapidamente por um processo de consolidação a partir da instituição de uma conjuntura política favorável com a vitória de Lula nas eleições de 2002, havia a perspectiva de que o governo democratizasse os investimentos públicos nos meios de comunicação, a partir da compra de espaços publicitários em jornais e revistas alternativos, espaço onde o Brasil de Fato se encaixava. Segundo Arbex:

"a gente achava, digo, o conselho editorial achava que o governo Lula iria pelo menos prestigiar a imprensa de esquerda".

Veremos adiante que ambas as perspectivas, tanto a que colocava a vitória de Lula como o motor de uma retomada nas mobilizações dos movimentos sociais, quanto a perspectiva do governo eleito de conceder mais verbas publicitárias aos meios alternativos não se concretizaram, fazendo com que o Brasil de Fato, depois de lançado, tivesse que rever suas perspectivas de arrecadação de fundos adotando a venda em bancas e de espaços publicitários para o governo.

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