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O presente capítulo deste estudo resultou de uma pesquisa exploratória em que se procurou informações sobre o consumo e a sustentabilidade e compreender o nível de conhecimento dos alunos e professores que frequentam a escola secundária, “Escola Industrial e Comercial do Mindelo Guilherme Dias Chantre” da ilha de São Vicente. Tendo em vista a necessidade de obter informações sobre as opiniões, as atitudes e os comportamentos de consumo do ponto de vista do grupo de estudo, assim como a noção que possuem sobre sustentabilidade, adotou-se um enfoque qualitativo.

Para facilitar o entendimento geral do capítulo, foi elaborado um esquema geral sobre o delineamento da pesquisa, (Figura 2).

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Figura 2: Mapa concetual elaborado pela autora

Desenho da investigação Revisão da literatura

Seleção da escola

Seleção das dimensões a serem avaliadas

Construção e Validação dos instrumentos de coleta por especialistas

Aplicação da pesquisa

Momento1

Antes da ação de sensibilização na escola

Resultados

Momento 2

Depois da ação de sensibilização na escola

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A escola selecionada está localizada na ilha de São Vicente, cidade do Mindelo, concelho homónimo, com uma área de 227 km2 e uma população de 176.107 habitantes (INE, 2010). A população da pesquisa é composta 18 consumidores, dentre os quais 9 jovens estudantes com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos e 9 professores com idades entre os 31 e os 54 anos. A comunidade escolar é composta por 705 alunos e 107 professores.

Por não existirem dados resultantes de estudos de investigações sobre esta temática no país em geral e em particular na ilha de São Vicente e sobre esta comunidade, optou-se pela construção e aplicação de um diário de consumo (ver anexo 1) e de um guião de entrevistas semi-estruturadas (ver anexo 2) e pela divisão da metodologia da pesquisa (trabalho de campo) em dois momentos:

1. antes da implementação de uma ação de sensibilização na escola; 2.depois da implementação de uma ação de sensibilização na escola.

Momento 1: procedeu-se à construção de um diário de consumo e a submissão à apreciação dos

especialistas. Antes de aplicar o diário de consumo foi realizado um pré- teste a uma amostra aleatória constituída por três alunos e um professor, sendo um aluno do 11° e dois do 12° anos de escolaridade, via técnica, dos cursos de Artes Gráficas, Administração e Contabilidade, Construção civil, e uma professora da escola secundária selecionada na ilha de São Vicente. O pré teste ficou à disposição dos participantes durante o dia 05 de outubro 2013, onde os mesmos registaram os seus hábitos de consumo nas vertentes consideradas. A aplicação do pré-teste tem por objetivo testar o instrumento, isto é, assegurar a compreensão e dificuldades perante as informações procuradas, ou averiguar a sua validade (Quivy e Campenhoudt, 2005). De acordo com (Marconi e Lakatos, 2006) consiste em testar os instrumentos da pesquisa sobre uma pequena parte da população do “Universo” ou da amostra, antes de ser aplicado definitivamente, a fim de evitar que a pesquisa chegue a um resultado falso. Seu, objetivo, portanto, é verificar até que ponto esses instrumentos tem, realmente, condições de garantir resultados isentos de erros. (Marconi e Lakatos, 2006). Após aplicação foram recolhidos e analisados e, tendo-se verificado a consistência do mesmo foi aplicado ao universo da amostra no dia 11 de outubro. Durante o período de sete dias, de 12 a 18 de outubro, os participantes registaram os seus hábitos de consumo nas vertentes consideradas.

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As informações sobre os hábitos de consumo e descarte de alimentos e de transportes dos jovens e professores foram obtidas através do registo do diário de consumo durante sete dias. Foram considerados alimentos consumidos na escola, e fora dela e os meios de transportes utilizados durante esse período de tempo.

O diário de consumo foi o instrumento utilizado pelo público-alvo que através do auto- relato pretendeu-se obter informações sobre a rotina e hábitos de consumo de alimentos e de transporte durante sete dias. Os participantes da pesquisa fizeram anotações sobre seus hábitos de consumo e descarte de alimentos, bem como de transporte. Desta forma obteve-se informações valiosas que de outra forma seria impossível conseguir.

De seguida procedeu-se a recolha de dados sobre o consumo de alimentos, de transporte e sustentabilidade obtidos através de entrevistas semi estruturadas realizadas pela investigadora. As entrevistas foram conduzidas a partir de um guião com perguntas abertas que constituiu o instrumento de gestão da entrevista semi-estruturada, tendo para o efeito adotado o método: o de registo diário de consumo de alimentos e transporte por sete dias.

Para construção do guião de entrevistas foi feita uma caracterização socioeconómica prévia da ilha de São Vicente e da análise do diário de consumo. De seguida procedeu-se à validação do mesmo junto aos especialistas. Antes da sua aplicação ao universo da amostra foi realizado um pré-teste à amostra aleatória constituída por três alunos e um professor com o fito de testar tanto ou mais a forma de condução da entrevista (semi estruturada) do que as perguntas nele contido (Quivy e Campenhoudt, 2005). Após a aplicação foram transcritas e analisadas e, tendo-se verificado a consistência do mesmo foi aplicado ao universo da amostra. Pretendeu-se levar os entrevistados a exprimirem-se livremente, para isso procurou-se e entrar em contacto com os participantes através de uma conversa amistosa, tendo sido explicado o objetivo da pesquisa, a relevância e pertinência da colaboração dos mesmos para a pesquisa. Para a consolidação da confiança foi-lhes assegurado a confidencialidade de suas informações.

As entrevistas foram realizadas nas horas e locais escolhidos pelos interpelados, tendo sido a maioria, na escola com duração entre os 20 e os 58 minutos. As respostas foram gravadas em áudio com o consentimento prévio e, posteriormente transcritas de forma integral e fidedigna (ver anexo 3).

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O diário de consumo e o guião de entrevistas foram concebidos para serem aplicados a informantes privilegiados, tendo-se constituído dois grupos com características distintas, alunos e professores. Nesta fase procurou-se a interpelação dos alunos e professores, sendo um diretor de turma, com o objetivo de obter informações sobre o consumo e a sustentabilidade nas vertentes alimentos consumidos dentro e fora da escola e dos meios de transportes utilizados. Na construção do guião procurou-se contemplar questões do conhecimento pró e pós consumo e de sustentabilidade, bem como do consumo nas vertentes consideradas, alimento e transporte.

Momento 2: iniciou-se com a realização de uma intervenção/sensibilização no anfiteatro

da escola, no dia 14 de dezembro após consertação do dia e hora com o público-alvo de acordo com a disponibilidade dos mesmos, que consistiu numa Palestra que após ponderação foi considerada a mais pertinente para a investigação e os recursos disponíveis (anexo 4) dirigida ao público-alvo, a qual assistiram alguns professores e alunos do terceiro, via técnica. Proferida pela investigadora foi realizada no dia 14 de dezembro, sábado, pelas 10 horas e 45 minutos e com término às 12 horas e trinta e cinco minutos, tendo para o efeito adaptado dois métodos, o expositivo que se iniciou com apresentação em PowerPoint com o vídeo Anthropocene: alterações na paisagem terrestre entre 1750-2012: http://www.youtube.com/watch?v=IFHy-

lgsXLw como introdução à temática, seguindo-se o vídeo te story of stuff, para se ter uma ideia

da origem das coisas utilizadas no dia-a-dia. De seguida iniciou a exposição/diálogo através de perguntas dirigidas à platéia. Após apresentação do tema a palestrante/investigadora colocou-se à disposição do público que colocou várias questões e pedidos de esclarecimentos, seguindo-se um acesso debate sobre temáticas abordadas na apresentação, centrando-se na problemática dos resíduos na ilha, desperdício de água e de papel na escola (anexo 5).

Após a intervenção /sensibilização foi entregue público-alvo o diário de consumo onde os mesmos registaram os hábitos de consumo e descarte de alimentos, bem como de transporte durante uma semana. Através do auto-relato pretendeu-se obter informações (pós intervenção/sensibilização) sobre a rotina e hábitos de consumo de alimentos e de transporte durante sete dias. Os participantes da pesquisa fizeram anotações sobre seus hábitos de consumo e descarte de alimentos, bem como de transporte. Devido ao período de férias trimestrais /natalícias a recolha só foi possível a partir do dia 26 de dezembro a 6 de janeiro de 2014. Procedeu-se de seguida a sua análise e após consideração junto aos especialistas optou-se pela aplicação o do guião de entrevistas utilizado no momento 1 ao universo da amostra (de 07 a 23

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de janeiro). À medida que as entrevistas foram sendo realizadas a investigadora procedia à transcrição das mesmas, dada ao tempo que consome e a limitação do tempo (anexo 6).

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